Puggina.org by Percival PugginaConservadores e Liberais

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Foto: Nadia Raupp Meucci

O FRUSTRADO VOYEURISMO MIDIÁTICO

por Percival Puggina. Artigo publicado em 23.05.2020
   Se você levar em conta os galões de tinta de jornal, as toneladas de papel e as horas em rádio e TV gastas para gerar expectativa e excitar a clientela, a sessão de pornô político ...

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PUNHAIS CRAVADOS NAS COSTAS DO FUTURO

 

Leio no Infomoney (14/05/2020)

A suspensão de reajustes do funcionalismo por 18 meses foi a única contrapartida exigida pela equipe econômica no projeto de lei de ajuda financeira de R$ 125 bilhões a estados e municípios diante da pandemia do novo coronavírus.
O Congresso, no entanto, retirou uma série de categorias da regra, como professores, profissionais de saúde, agentes funerários, de limpeza urbana e assistentes sociais. A exclusão teve o aval do próprio Bolsonaro, que relutava em desagradar funcionários públicos, parte de sua base de apoio.

Mesmo assim, Guedes insistiu que era que preciso vetar o reajuste, argumentando que não é razoável permitir que estados e municípios criem despesas permanentes durante uma pandemia, especialmente considerando que esse grupo tem estabilidade e salários mais altos que os do setor privado.


COMENTO

Zelar pelo dinheiro de quem paga impostos é a principal atribuição da atividade parlamentar. Os parlamentos nasceram e encontraram lugar permanente nos Estados modernos a partir dessa competência que começou a germinar no longínquo ano de 1215 com a assinatura da Magna Carta pelo rei João e os barões ingleses.

Assim, não se pode com a legitimidade dos mandatos canonizar a irresponsabilidade fiscal dos parlamentos (Senado, Câmara de Deputados, Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores) em relação às bancarrotas do setor público brasileiro. Todos, em algum momento, ou em muitos momentos, deixaram de cumprir seu papel, distribuíram benefícios e privilégios, autorizaram elevação de despesas sem receitas compatíveis, criaram cabides de emprego. Em algum momento, todos geraram endividamento por imposição de uma retórica imprecisa, tipo correção de injustiça, isonomia, responsabilidade social, direitos humanos, ou lá o que seja. Sempre e sempre, os gastos excessivos provocam aplausos das galerias, tapinhas nas costas e votos nas futuras urnas. A cada vez, contudo, o futuro recebe uma punhalada nas costas.

A pressão de congressistas para que seja retirada da proposta do governo a regra que proíbe concessão de aumentos ao funcionalismo até o final de 2021 é uma dessas muitas punhaladas. Em toda parte, empresas privadas fecham definitivamente as portas, ou estão inativas e sem receita. A economia entra em recessão profunda e milhões de brasileiros perdem seus postos de trabalho ou trabalham com redução salarial. Num cenário assim, autorizar aumentos a quem tem estabilidade no emprego e ganhos superiores à iniciativa privada é um completo disparate. É condenar à morte o amanhã. É um atraso ético de oito séculos.
 

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AGORA É O CELULAR DO PRESIDENTE?

Percival Puggina

 Ainda não tinha chegado ao fim a frustrada sessão de voyeurismo pornô patrocinada pelo STF, já se ouriçavam os honoráveis partidos brasileiros de esquerda para pedir apreensão e inspeção no celular do presidente da República.

Quanta falta do que fazer e quanta energia gasta para agravar a crise institucional, judicializar a política e manipular o Supremo Tribunal Federal ao sabor de seus interesses. Desde o dia 2 de outubro do ano passado, jaz, nas prateleiras do STF, entregue à leitura das traças, a solicitação do TRF1 para que o mais alto escalão do Judiciário decida se o celular do advogado de Adélio Bispo pode ser inspecionado pela Polícia Federal. Trata-se de algo gravíssimo, ou seja, de esclarecer a probabilíssima hipótese de que houvesse um mandante por traz do atentado. Oito meses, sem decisão!

Em poucas horas, porém, essa gaiatice dos partidos de esquerda vai para o colo do Procurador Geral da República, encaminhada pelo lépido ministro Celso de Mello. Independentemente do que este resolver, vibram os voyeurs que não se escandalizam com qualquer coisa menos com a irresponsabilidade da própria conduta.

Parabéns ao General Heleno, ministro Chefe do Gabinete de Segurança Institucional pela advertência que fez sobre essa “tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes” que “poderá ter consequências imprevisíveis sobre a estabilidade nacional”. Ele falou à nação. Cada poder de Estado faça o que bem entender. O que o presidente fará já foi anunciado por ele mesmo. Não vai entregar telefone algum.
 

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