|
||||||||||||||||||||||||||||||
A FORÇA DA AMIZADE COM O SENHOR
|
No tempo pascal meditamos constantemente sobre a presença de Jesus ressuscitado em nosso meio. Quando descobrimos a força da verdadeira amizade com o Senhor nossa vida se transforma. Jesus nos pede exatamente aquilo que Ele vive: O amor incondicional a todas as pessoas. |
DE ONDE MENOS SE ESPERA... |
| Percival Puggina |
| 23/05/2009 |
... daí é que não sai nada, sentenciaria o Barão de Itararé se tomasse conhecimento da tal de reforma política em curso no Congresso Nacional. É inesgotável a capacidade do modelo institucional brasileiro de causar malefícios. O mais recente deles vem com a proposta do voto em lista fechada, exibida como a única forma politicamente viável de enfrentar a bancarrota moral e funcional das instituições. Mais um par de artifícios desse teor e vamos ter que nos mudar para o Paraguai. Que fique claro: o sistema hoje em vigor serve bem ao governo. Dá-lhe maioria, faculta-lhe as medidas provisórias, permite-lhe amplo espaço de movimentação e fragiliza a oposição. Mas... (há sempre um “mas” em todas as alcovas) parte do Congresso Nacional, na falta do que fazer, fez o que não devia e acabou no fundo do poço do descrédito. E o fundo do poço é mal iluminado. O observador comum não distingue muito bem os bons e os maus. Gatos e não gatos, ali, ficam todos pardos. No breu que se formou, o bom senso clama aos berros por uma reforma profunda, efetivamente política. Ela deve separar Estado, Governo e Administração. Deve revalidar nossa extinta Federação. E deve adotar mecanismos para composição dos parlamentos que reduzam a influência dos grupos de interesse, dificultem a eleição dos patifes, restrinjam a quantidade de siglas e as revigorem, concedam representação a todas as regiões e assim por diante. Mas o que faz o governo, face ao obscuro cenário, no qual inúmeros parlamentares começam a espichar os olhos para suas cadeiras entre suspiros de saudade? Lança ao fundo do poço uma escadinha formada, basicamente, pela combinação da proposta do voto em lista fechada com a do financiamento público das campanhas. Depois dessa, no pé em que andam as coisas, nada mais consegue “viabilidade”, claro! Quem vai querer o pão com margarina de uma reforma como convém ao Brasil se lhe anunciam os canapés de caviar do voto em lista? Qualquer menção à margarina é recebida com apupos. O baixo clero urra –“Caviar! Caviar! Caviar!”. E o alto clero, com um gesto de enfado, manda o garçom levar uma bandeja ao subsolo. Quem se põe a comparar as vantagens de um sistema (lista fechada) com as desvantagens de outro (lista aberta) monta uma armadilha retórica. Intelectualmente honesto é confrontar vantagem com vantagem e desvantagem com desvantagem. E as listas fechadas conseguem ser ainda piores do que as listas abertas hoje em vigor. Por quê? Porque as listas fechadas, obviamente, serão encabeçadas pelos atuais parlamentares, o que representará altíssima probabilidade de obterem, sem maior empenho pessoal, a periclitante reeleição. Quem for deputado se considerará reconduzido. Quem não for que mude de vocação porque durante alguns anos a política entrará em recesso. Aliás, alguém aí acredita que o governo encaminharia um projeto que fosse um palmo mais curto do que a medida de suas necessidades? Sugiro duas emendas alternativas nesse projeto. Numa as listas fechadas serão montadas nas convenções partidárias, com cada convencional apontando apenas cinco nomes, e ordenadas pela soma dos votos obtidos. Passa? Não passa. Noutra, se o total dos votos dados às listas não alcançar metade do eleitorado inscrito, haverá nova eleição com outros nomes. Hã? Já estou ouvindo a vaia do plenário. E como nada disso passa, fica evidente a intenção de criar um sistema que simplesmente renove os mandatos da atual representação parlamentar e, portanto, da base do governo. |
DE ONDE MENOS SE ESPERA... |
| Percival Puggina |
| 23/05/2009 |
... daí é que não sai nada, sentenciaria o Barão de Itararé se tomasse conhecimento da tal de reforma política em curso no Congresso Nacional. É inesgotável a capacidade do modelo institucional brasileiro de causar malefícios. O mais recente deles vem com a proposta do voto em lista fechada, exibida como a única forma politicamente viável de enfrentar a bancarrota moral e funcional das instituições. Mais um par de artifícios desse teor e vamos ter que nos mudar para o Paraguai.
Que fique claro: o sistema hoje em vigor serve bem ao governo. Dá-lhe maioria, faculta-lhe as medidas provisórias, permite-lhe amplo espaço de movimentação e fragiliza a oposição. Mas... (há sempre um “mas” em todas as alcovas) parte do Congresso Nacional, na falta do que fazer, fez o que não devia e acabou no fundo do poço do descrédito. E o fundo do poço é mal iluminado. O observador comum não distingue muito bem os bons e os maus. Gatos e não gatos, ali, ficam todos pardos. |
PASSAGENS E DESTINOS |
| Percival Puggina |
| 17/05/2009 |
Ao orientar os holofotes da mídia apenas sobre os lamentáveis abusos constatados no Congresso Nacional, a sociedade brasileira reproduz, de certo modo, a situação do sujeito que caça o rato na despensa enquanto o hacker invade sua conta bancária. Toda reprovação, claro, aos maus usos e péssimos costumes estabelecidos no Parlamento. Mas é preciso não enterrar a cabeça nessa pauta em prejuízo da atenção devida ao que acontece acima e além.
É de causar engulhos o que foi desvendado sobre o uso de passagens aéreas pelos congressistas. Mas o total despendido pelo Congresso Nacional com viagens, diárias e auxílio alimentação, no exercício de 2008 – absurdos R$ 297 milhões! – correspondeu a 11% do que foi consumido com essas mesmas rubricas pelos Três Poderes. Como foram gastos os outros 89%? Aqui vai um exemplo sobre a facilidade com que se descolam passagens aéreas: raros eventos internacionais terão sido tão atabalhoados quanto a conferência da ONU sobre Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Formas Conexas de Intolerância, encerrada em Genebra em meados de abril. Pois bem, para aquela reunião onde despontou o discurso racista, xenófobo e intolerante, por todas as formas conexas e desconexas, do iraniano Ahmadinejad, nosso governo patrocinou a viagem de seletíssima delegação. Lá se foram 33 brasileiros para a bela Suíça. Eram agentes do governo, representantes de uma boa dezena de desconhecidas ONGs voltadas para questões raciais e declarados militantes políticos, como o de uma certa “Articulação Política da Juventude Negra”. Todos alinhados e perfilados na base do governo, claro. |
A “SOCIALIZAÇÃO DO IDIOTA” |
| Percival Puggina |
| 11/05/2009 |
Estou chegando da missa de sétimo dia da mãe de uma querida amiga. Na prece dos fiéis, fomos convidados a rezar pelos “movimentos sociais”. Aquela oração, perante cujo enunciado, obviamente, fiquei calado, me fez lembrar foto publicada na edição de Zero Hora de poucos dias atrás, mais precisamente, em 7 deste mês: um grupo de estudantes, de pé, sobre as mesas de uma sala de reunião, exibia-se em atitude que tanto podia corresponder a um protesto quanto a um concurso de requebros. “Que diabo seria aquilo?” – eu me havia indagado ao observar a imagem. A matéria esclarecia. Os jovens expressavam sua inconformidade com o esboço do Plano de Carreira do Magistério Público Estadual. Entenda leitor: era mais ou menos como se os auxiliares de enfermagem estivessem descontentes com alguma questão corporativa do hospital e os pacientes saíssem dos leitos para sapatear na mesa do diretor.
Nelson Rodrigues, em O Globo do dia 28 de março de 1970, publicou artigo abordando um fenômeno já então em curso e que ele denominou “a socialização do idiota” (anos depois, Olavo de Carvalho esmiuçaria brilhantemente o mesmo tema em “O imbecil coletivo”). Lá pelas tantas, o maior de todos os Nelson escreve assim: “Vocês se lembram das greves estudantis da França? (ele se referia ao que ocorrera a partir de Nanterre, em maio de 1968, o tal ‘ano que não terminou’). Os jovens idiotas viravam carros, arrancavam paralelepípedos e incendiavam a Bolsa. E, então, o velho De Gaulle falou aos idiotas. – ‘Eu sou a Revolução.’ Que ele fosse a Revolução era o de menos. O que realmente enfureceu o mundo foi o eu. Era alguém que queria ser alguém. Um dos maiores jornalistas franceses escreveu furibundo artigo contra aquele espantoso orgulho. Aquele guerreiro de esporas rutilantes e penacho negro foi o último eu francês. Os outros franceses são massas, assembléias, comícios, maiorias.” |

