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A 1ª DAMA E A ESQUERDA

por Gustavo Maultasch. Artigo publicado em

 


Não adianta dar destaque para a primeira-dama, nem ela fazer o discurso em sinais e defender a inclusão de um grupo historicamente excluído. Bolsonaro podia nomear 22 ministros trans, não-brancos e gays, que ainda assim o esquerdista não reconheceria valor na medida. Por quê?

Por que essa inconsistência na esquerda, que deveria demonstrar aprovação a algo que, em princípio, casaria com os seus valores? Ora, porque esses valores da esquerda não são as verdadeiras prioridades da esquerda.

Antes de mais nada, o esquerdismo é uma seita de cunho estético, em que pessoas se reúnem para sinalizar virtude umas para as outras e para se pensarem detentoras do monopólio do bem. Já experimentou pensar-se assim? Não resolve problema social nenhum, mas faz um bem danado para o ego.

Sendo portanto uma seita narcisista, qualquer medida boa que venha do outro grupo precisa ser logo menosprezada, pois, espelho, espelho meu, não pode existir ninguém mais belo (ou progressista, ou incluidor social) do que eu.
Levado ao extremo, o esquerdismo torna-se cada vez mais auto-referenciado, cada vez mais preocupado com a mera sinalização virtude, cada vez mais aprisionado numa disputa interna para ver quem é o mais preocupado com a justiça social, quem é o mais lacre, como um computador que travou porque está em loop eterno, sem conexão com a realidade externa aos seus processamentos.

E o resultado disso é o dogmatismo, o fundamentalismo político que se vê na esquerda brasileira: para o esquerdista, será bom tudo aquilo que venha da esquerda, e ruim tudo aquilo que não venha. Vale até roubar dinheiro do povo, que você continua sendo “guerreiro” (só não vale fazer delação e assim prejudicar outros guerreiros, ok? Daí você perde o status de guerreiro).

E não adianta pensar na tal auto-crítica ou no voto crítico, porque auto-crítica na esquerda é como o cara na entrevista de emprego que é perguntado “qual o seu maior defeito?” e o cara diz: sou perfeccionista.

Para a esquerda, as coisas só dão errado porque eles não se esforçaram mais, não suaram mais, não souberam explicar o quão virtuosos seus planos são, entende? A qualidade de suas ideias e o fundamentalismo de sua seita nunca são questionadas. Lula é lula.

E só Marisa, só ela, poderia ser elogiada por qualquer coisa feita como primeira-dama. Não há ninguém mais bela do que ela, e ninguém mais do bem do que nós.

* Publicado originalmente no Facebook do autor
 

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