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FAVELAS, TRAFICANTES E FORÇAS ARMADAS

por Luiz Carlos Da Cunha. Artigo publicado em


“Quando derem vez ao morro toda cidade vai sorrir, vai cantar” Musical carioca 1964.

O planeta estava estremecido pela Guerra Fria – a polarização política entre os USA e a URSS; na América dos Sul o confronto do comunismo e capitalismo na disputa pela influência cultural e política. Os “revolucionários” dos bares de Ipanema glamourizavam os morros; para a solução das favelas arquitetos propunham colorir as malocas, ao tempo que pipocavam greves e invasões sob a inflação de 80%. Através de sindicatos o Partido Comunista exercia forte influência no governo Goulart.

Em oposição, governadores do Rio, São Paulo e Minas estimulavam a reação popular em passeatas de cunho político-religioso, velas acesas, dísticos em defesa da família, da propriedade e “fora o comunismo”, fora Goulart. Em contraponto as revoltas sindicais e estudantis em ritmo de violência contaminaram as FFAA pelo Clube de Cabos e Sargentos, em cuja assembleia até um almirante acicatava a revolta dos praças ferindo a disciplina militar. Um insólito desacato ao código militar desafiou o alto comando.

As FFAA atenderam o clamor dos governadores do Rio, S.Paulo e Minas. Cinquenta anos passados de 64, as favelas do Rio triplicaram, em área e população; o atual governador apela às FFAA para assumir o papel inconstitucional de polícia, a fim de salvar seu fracasso na guerra contra os traficantes, senhores dos morros transformados em fortalezas inexpugnáveis do crime, desde a decisão de Brizola que em 1980 “proibiu a polícia de subir o morro”.

Hoje o Rio é a síntese do anti-urbanismo projetado pelos “arquitetos” do crime organizado. A população trabalhadora finca ali seus barracos, presa ao determinismo da vizinhança rica à beira mar que lhe dá sustento. São economias interdependentes. Ano a ano, as outras capitais vão decalcando o modelo do Rio na marcha incoercível do esfacelamento social e político da sociedade brasileira – o império da droga. Os criminosos fazem da população escudo nos confrontos policiais armados, no festival da bala perdida. Até quando as FFAA darão cobertura ao desgoverno responsável pela crise?


• Arquiteto e urbanista
 

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