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STOCKHOLMSSYNDROMET

por Marco Poli. Artigo publicado em

 

Minha estrada é vasta e venho de longe. No caminho fiz amigos de todas as tribos, culturas e filosofias. Sempre procurando aprender e compreender o que leva o ser humano a ser tão genial e cometer tantas barbaridades. Na maioria das vezes tentando usar os 2 olhos e 2 ouvidos em detrimento da única boca. Aprendi com meu pai, um mestre nessa arte, que só falava oportunamente. Em compensação mamãe descontava, falando pelos cotovelos, mas pra isso estudou a vida inteira, ela que foi diplomata de carreira e sempre insistiu comigo para sempre estudar e me preparar pra não falar besteira.

Desde sempre aprendi então que o português é o cartão de visita de quem vive em Terra Brasilis, que a história é a base cronológica da argumentação e que estudar filosofia ajuda muito o raciocínio lógico e a compreensão de eros. Com certeza uma bela influência que guardamos de nossa mãe. Meu irmão, por exemplo, é pós-graduado em filosofia na Alemanha. Vai debater com ele pra ver se é um passeio no parque?

Ao mesmo tempo por ser criado num lar plural, com pai Trabalhista e mãe Udenista, aprendi desde sempre que a discussão política é basilar no pensamento humano. Somos animais políticos e que esta só -E SOMENTE SÓ- deve ser travada num ambiente de respeito às ideias dos interlocutores. Caso contrário, quebraríamos os pratos em cada refeição lá em casa. Pelo contrário, sempre fomos da sopa à sobremesa e saímos alimentados, com os pratos salvos e com a cabeça sempre um pouco mais aberta a novas propostas.

Casualmente li, esta semana, um texto publicado pela revista americana Foreign Affairs (https://www.foreignaffairs.com/…/201…/your-brain-nationalism) que fala das interpretações feitas pelo córtex cerebral mediante estímulos contraditórios e ações mecânicas não usuais, em pleno escaneamento cerebral. As reações sempre tardam quando o raciocínio entra em ação, deixando claro que o ser humano traz razões culturais. Pelo estudo os próprios fundamentos do afeto e da cooperação também estão na raiz dos impulsos sombrios da humanidade. A culpa não é cultural; é atávica. O hormônio ocitocina, o mesmo que regula seu afeto e docilidade pela mãe desde o tempo do peito, quando vc não compreendia nada, é o mesmo responsável por agregar e dar estrutura fraternal a grupos heterogêneos, como um time de futebol ou uma claque partidária. É ela, a ocitocina, que leva os mamíferos a esse comportamento gregário e de proteção de grupo, mas que os faz feroz contra quem aparentemente está fora, quem não pertence ao mesmo “clã”. E a liberação do hormônio torna o grupo feroz, além de irracional. Sejam estes, chimpanzés de Uganda, torcedores de um clube de futebol, ou uma claque política.

Quem não aprende a controlar seus instintos, usando a razão a seu favor, vai sempre agir como um bando que precisa proteger os seus a todos custo, mesmo que não esteja sendo atacado, enquanto vai tentar destruir aquilo, ou quem, foi detectado como inimigo. É este o motivo científico da radicalização do debate, do “nós contra eles”. E a dissonância cognitiva daqueles não tentam entender o contraditório, preferindo fechar-se no casulo do pensamento único, os levará a quebrar os pratos antes de aproveitar a refeição, inviabilizando duas coisas fundamentais à espécie humana: alimentar-se e desenvolver ideias, mas enfim, quem prefere se comportar como um bando de chimpanzés, não vai ter capacidade para entender o contraditório e fazer evoluir ideias dentro de um cérebro limitado.

Daí pra se apaixonar pelo algós, por quem o colocou no cativeiro e causou sua tragédia, porque o alimenta e o mantém dentro do mesmo grupo é apenas uma demonstração de Síndrome de Estocolmo"

* Marco Poli é jornalista
**Do Facebook do autor.
 

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