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A CAUDA - DAS TEORIAS POLÍTICAS - É REALMENTE LONGA. PROLIFERAM!

por Alex Pipkin, PhD. Artigo publicado em

 

Dificilmente alguém no mundo dos negócios não tenha ouvido falar no físico e escritor americano Chris Anderson. Sua fama se deve em parte ao livro "A Cauda Longa: Do Mercado de Massa para o Mercado de Nicho". Nele Anderson analisa a questão da abundância de produtos e da criação de nichos de consumo. Há segundo ele, uma mudança significativa na direção de um grande número de nichos (produtos não "hits") na cauda longa; produtos mais específicos; produtos de baixa demanda ou com baixo volume de vendas, mas que, coletivamente, podem alcançar uma fatia de mercado que rivaliza ou excede os poucos mais vendidos. Esses são os "hits" (produtos que vendem muito no grande mercado) que se encontram no topo da curva de demanda – analogia com Pareto, ou seja, 80% das receitas da empresa provém de 20% de seus produtos.

Anderson, de fato, pode ser considerado um filósofo pós-contemporâneo. Atesta que o dilúvio de dados torna o método científico obsoleto, apregoando o fim da teoria! Será mesmo?! Se anteriormente, as teorias do comportamento humano pareciam explicar consistentemente hábitos e costumes, por exemplo, lançando mão da linguística, psicologia, sociologia e antropologia, atualmente, na era dos dados abundantes, inteligência artificial e algorítimos substituem tais teorias, na medida em que enormes bancos de dados se encarregam de estabelecer as correlações. A partir dessas, as respectivas causalidades. Desnecessário contestar os antigos "modelos errados", isto é, o velho método científico.
A capacidade humana de armazenar, processar e analisar dados está transformando a ciência, os negócios, a medicina, enfim, tudo.

Desse modo, tais números e fatos são capazes de trazer-nos as respostas adequadas para as questões mais fundamentais. Isso exige que as pessoas percam a "ligação" dos dados, já que esses podem ser visualizados em sua totalidade. Força-nos a ver os dados matematicamente primeiro e, após, a estabelecer um contexto para eles. Nenhuma análise semântica ou causal é necessária, sendo prescindível a criação de uma narrativa teórica. Não é preciso de modelos e análises de teste e erro. Não precisamos mais de hipóteses. Só de correlações, uma vez que os algorítimos estatísticos podem encontrar os padrões! A correlação substitui a causação, e a ciência pode avançar mesmo sem teorias unificadas. Os números falam por si. Temos fielmente o comportamento de grupos e mesmo de indivíduos específicos! Filosofar implica em identificar aqui a dessubjetivação do sujeito. Torna-se mera categoria. Positivamente, no mundo empresarial, facilidades para customizar ao "real gosto do freguês"!

Sem a pretensão de filósofo, contudo filosofando, no mundo da política, o governo deve tratar dos meios para preservar a paz, buscar a prosperidade e a estabilidade de todos. Não tem como missão precípua buscar a igualdade social, visto que esse é um objetivo impossível. Infelizmente, alguns o tentam fazer e, no processo, perturbam a ordem social. A política governa a ação humana, diferentemente do pensamento humano! Uma sociedade não pode se basear em direitos que só existem fora da sociedade. Uma economia é um mecanismo de geração de riqueza material para todos, que não uma recompensa retrospectiva pelo mérito, mas por um incentivo futuro pela contribuição para a produção. Pelos resultados de valor! Desse modo, fica evidente a impossibilidade da política como princípios abstratos, descobertos pela análise "racional", a fim de proteger as escolhas dos indivíduos e, soberbamente, decretar a supressão daquilo que foi acumulado sabiamente pela ordem espontânea do passado, determinando um novo recomeço integral e "mais adequado". O mundo real é o único modo confiável de compreender o ideal e buscar reformá-lo. Seria muita presunção particular de certos engenheiros sociais a sua total transformação!

Filosofando, creio que, distintamente de Chris Anderson, no mundo da política, algorítimos e estatísticas, não somente não decreta a morte das teorias, como também potencializa as possibilidades de surgimento de amplas teorias falaciosas. Toda falácia contém algo de verdadeiro, é plausível, mas contem somente parte da verdade! Isso rende apoio político e popular, uma vez que normalmente apela para as emoções e paixões das pessoas.

Mark Twain aponta que existem três tipos de mentiras - "as mentiras, as grandes mentiras e as estatísticas". Políticos e intelectuais demagogos, populistas e, sobretudo, interesseiros e/ou mal-intencionados,utilizam-se do cenário amplamente inundado de dados e estatísticas, ordenando-os de maneiras distintas para sugerir e propor conclusões e teorias perniciosas. Espécie de conta de chegada! Essas contemplam um abundante estoque de falácias sobre a realidade econômica e social. Políticos e pseudo-intelectuais partem de seus dados manipulados de grupos de pessoas, coletados por meio de contextos equivocados, a fim de teorizar sobre circunstâncias econômicas e sociais verdadeiramente errôneas. Por sua vez, criam, cada vez mais, teorias enganosas e tendenciosas ao bel prazer de seus interesses! Presunçosos que pensam ser superiores e dotados de mais conhecimento geral do que a maioria dos reles mortais. O conhecimento dos mortais é, efetivamente, mais específico e relevante para decisões fundamentais da vida econômica e social. Todos esses "deuses na terra" acreditam ter e conhecer as informações e o conhecimento - impossível - dos valores, preferências, prioridades, circunstâncias e limitações de forma melhor do que os próprios indivíduos. Claro, pressuposições normalmente morais, ao invés de realmente intelectuais.

Oh, D´eus! As novas velhas teorias econômicas e sociais! Com dados e estatísticas enganosas esses blasfemos proliferam falsas teorias e tentam nos ludibriar! Somente Ele conhece tudo e a todos! Crer que tais humanos mal-intencionados possam dispor de todas as informações e poder sobre os diferentes desejos e necessidades econômicas e sociais do conjunto de pessoas do todo no tecido social, em que o pensamento humano sobrepõe-se a realidade das ações humanas e da respectiva ordem espontânea nos mercados, é muita presunção. Mais do que isso, capacidade especulativa e teórica para um mundo político. Pura distorção malévola e interesseira por meio da formação de teorias falaciosas que exageram a natureza e o poder da razão!

Tal qual Adam Smith afirmou sobre o teórico doutrinário, "inteligente na própria presunção", acredita ele poder dispor dos membros de uma grande sociedade como, singelamente, pode dispor as diferentes peças por um tabuleiro de xadrez. Tristemente, as teorias - falsas - políticas não morreram!

 

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