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AOS JOVENS QUE DISCORDAM... DISCORDAM...

por Alex Pipkin, PhD. Artigo publicado em

 


Quem estuda, profundamente, e vê a realidade como ela é, compreende que o capitalismo é um sistema com limitações. Sem dúvida. Creio que o capitalismo se transformará – para melhor, encontrando com todos atores econômicos e sociais - soluções para maior geração de oportunidades e distribuição de renda.

Infelizmente, ignorância e clichês reinam nos dias atuais. Alguns esquerdistas marxistas brasileiros, parecem não ter lido Marx ou, pelo menos, não entendido.

Marx tem a virtude, de alguma forma, de abdicar de filosofia prescritiva, centrando-se, inicialmente, na questão da razão. Não que a filosofia seja irrelevante, mas ele dizia que problemas filosóficos surgem das condições da vida real. Do real e do pensamento humano centrado na prática. A teoria deveria estar sempre unida à prática. O mérito, a meu juízo, refere-se a questão do ser consciente.

Entretanto, sua análise da derrocada do capitalismo, prescreve uma sociedade igual - e aqui a grande questão – sem adentrar e, principalmente, demonstrar como ela, de fato, funcionaria na prática (e bem).

O próprio Marx via o capitalismo como o sistema econômico mais revolucionário da história e, sem dúvida, aquele que se diferenciava dos que existiram anteriormente. Admitia que o capitalismo foi capaz de trazer abundância a humanidade.

Marx celebrava o espírito ambicioso do capitalismo industrial e suas conquistas na superação da miséria – e controle da natureza -, aumentando a produção econômica. Aclamava o rápido desenvolvimento da indústria, ciência, agricultura e telecomunicações.

Inclusive, via no consumo um "momento civilizatório essencial". Os capitalistas procuram meios para estimular os trabalhadores ao consumo, para dar-lhes produtos e inspira-los ao consumo de novas necessidades.

No entanto, alegava que o capitalismo é um sistema no qual proprietários dos meios de produção (burguesia) exploram a classe trabalhadora (proletariado). Evidente que, desse modo, Marx queria destruir o capitalismo. Este não organizaria a sociedade de acordo com as necessidades e desejos do homem. Queria substituí-lo por "alguma coisa" – que não demonstrou como seria - mas que se centraria no valor do ser humano.

Hoje, honestamente, não entendo se anticapitalistas, realmente veem bens – por exemplo iPhones e laptops – como itens que devem ser descartados, já que são perigosos e corruptores (inclusive da natureza), ou se são produtos maravilhosos que libertam os homens?

Os capitalistas buscam a destruição criativa, não porque sejam cruéis (há controvérsias, claro), mas porque é uma exigência da competição. Assim, o capitalismo está fadado à autodestruição, dizia Marx.

A revolução da classe trabalhadora levaria ao estágio final da história: o comunismo, que "é a solução para o enigma da história e se conhece como essa solução".

Para Marx, o Estado não é anterior à sociedade, mas o contrário. O Estado capitalista é a expressão de uma sociedade em que a desigualdade e as misérias sociais não podem ser superadas, senão na superação do próprio Estado. Marx afirmou, inclusive, que o Estado deveria limitar-se às atividades formais. Estado baseia-se na contradição entre vida pública e privada, entre interesses universais e particulares. Com a revolução comunista, não existiria, de fato, nenhum Estado, e sim o que chamou de comitê para administrar o comum.

Marx está entre os grandes fundadores autoritários de visões que interpretam o mundo em termos doutrinários, de princípio único (apaixonado). Tal autoritarismo destrói tudo que está em conflito com ele. Ele desejava que indivíduos fossem livres do controle de forças externas. A revolução direcionaria à verdadeira liberdade; autodomínio e autoconhecimento.

Os jovens esquerdistas de hoje, a exemplo do pregador, são revolucionários por discordarem totalmente de tudo.

É surpreendente que até jovens mais abastados, adorem comprar as maravilhas moderno-capitalistas, contudo, criticam a produção que corrompe a natureza, condenam os exploradores da direita, suportados pelo esforço do trabalho e suor de seus pais. Alardeiam: "o capitalismo brasileiro não funciona", tem-se uma exploração da elite sobre os trabalhadores e – segundo minha interpretação, de acordo com esses – talvez até, de forma romantizada, devêssemos retornar a era pré-capitalista, do natural, da produção local de alimentos (eco-feudalistas "modernos")... Contudo, como Marx, apontam "o problema", indicando caminho retórico, sem demonstrar como esse novo sistema funcionaria; ironicamente, na prática; na vida real.

Como pontuou Marx, "a razão sempre existiu, mas nem sempre de forma razoável". Seguramente! A revolução comunista é profetizada e embasada em visão de mundo teórica, e para ele, literalmente, a "teoria também se torna uma força material" que se apoderou das massas, necessária à sua reversão. Assim se alcançaria emancipação do indivíduo. Força material deveria ser derrubada pela força material. Marx afirmava que as condições da vida real só poderiam ser resolvidas, refazendo-se o mundo.

Acredito que o verdadeiro capitalismo é prodigiosamente produtivo. Marx e seus seguidores brasileiros acreditam no interesse coletivo e na abolição dos interesses privados. Por isso, aqui, são adeptos de um Estado grande e benfeitor; de pessoas que trabalhem em prol do coletivo. Apregoam solidariedade e compaixão para com os outros. Resulta em sistema centralizador, supostamente promotor de igualdade e liberdade.

Mas será que a real liberdade não advém do esforço individual, do espírito e ação empreendedora e inovadora, por meio de escolhas racionais e individuais, na busca de uma vida melhor? (Ou jovens faltaram as aulas sobre Oliver Williamson, ou esse foi escondido!).

Se for isso, o Estado deve incentivar a liberdade econômica, criando ambiente institucional e de negócios favorável, impulsionador de emprego e renda. Evidente, deve prover educação, saúde e segurança de qualidade aos cidadãos! Não pagamos - muitos - impostos?

O espírito do capitalismo é um estado de inquietação perpétuo que deve motivar individualmente e, aí sim, repercutir no coletivo.

Marx comemorou esse espírito e o consumo. A fórmula do sucesso não é eliminar o consumo, mas gerar oportunidades para que todos possam fazê-lo!

Esquerdistas brasileiros parecem-me desejar reproduzir o ludismo dos primórdios da Revolução Industrial. Lá, trabalhadores destruíam máquinas - o progresso tecnológico - como forma de protesto e temor pela perda de empregos.

Pela leitura da realidade objetiva, irrefutável, não é o sistema capitalista que conduz ao desemprego e a miséria, mas comprovadamente, o fundamentalismo “religioso” do coletivismo e do estatismo.
 

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