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ESPARTANA IDENTIDADE POLÍTICA E POLARIZAÇÃO

por Alex Pipkin, PhD. Artigo publicado em

 

Identidades sociais de pessoas são construídas em um processo de rejeição de diferenças e de reconhecimento de semelhanças entre os indivíduos. A construção de identidade não é um fenômeno estático, mas dinâmico, fruto da incessante interação entre determinada comunidade e seu espaço relacional.

Também construímos e sinalizamos nossa identidade - e de grupos -, por meio das escolhas de produtos e marcas, que se dão com base na congruência entre as associações dos usuários de marcas e as associações com a autoimagem dos indivíduos (ESCALAS; BETTMAN, 2003).

Com relação a produtos e marcas, nossa identidade é fluída e multifacetada, uma vez que como afirmou o psicanalista Jung (2008), performamos como atores teatrais vestindo diferentes máscaras (marcas) para interpretar diferentes papéis sociais.

Nossas preferências políticas, similarmente, são sinalizadores de nossa identidade, de quem somos ou quem queremos ser. Expressam aquilo que acreditamos e aquilo que não gostamos e até mesmo odiamos.

Referente nossa identidade política, parece-me muito mais complexo e difícil mudá-la situacionalmente! Essa identidade é moldada por fatores distintos da razão, oriundos de origens familiares, de traços de personalidade, de laços de amizade e de pertencimento a determinados grupos sociais, que se formam no início da idade adulta e raramente mudam. Faz parte do estilo de vida do sujeito e manifesta uma visão de mundo própria, ou das configurações que estabelecemos para viver e, em grande parte dos casos, até morrer.

Vivemos num Brasil em que muito tem se falado sobre polarização política. Por si só, polarização não seria tão negativa como querem fazer crer, entretanto, certamente uma extrema radicalização ideológica é sempre ruim e perigosa.

A dicotômica visão e divisão de mundo entre direita e esquerda aparenta-me esclerosada. Vejo com mais realidade no mundo real uma linha divisória entre aqueles que desejam um Estado grande e intervencionista versus aqueles que apoiam um Estado "necessário" e o livre mercado.

No contexto nacional, não vislumbro qualquer possibilidade de que tal "polarização" quanto ao papel e tamanho do Estado esteja muito longe de terminar.

Vejamos a dita velha esquerda marxista, apoiada no antigo conflito (e retrógrado) da luta de classes, focada na transformação para uma sociedade economicamente igualitária (na pobreza), visando a derrubada da economia de mercado, isto é, do capitalismo. Nem o fracasso sangrento da União Soviética foi capaz de acabar com o sonho utópico do cientificismo marxista, embora inexista o cientificismo.

A nova face vermelha, consciente da irrealidade econômica verificada pelas experiências no mundo real, transmutou-se para a defesa intransigente das supostas liberdades, dos direitos individuais e de grupos identitários: negros, LGBT´s, mulheres/feministas, indígenas... Aludem a liberdade, no entanto, esses puritanos e raivosos que acusam os outros de serem conservadores reacionários, são de fato, aqueles que mais discriminam, querendo impor a todos somente suas verdades. Seguramente, também existem alguns dos chamados ultrarradicais a direita, tão nefastos quanto os apologistas do bondoso "tudo é permitido".

Outra das vertentes encarnadas, passou a enfatizar o estabelecimento e a expansão do "Estado do bem-estar social" robusto, redistribuindo a riqueza gerada por aqueles que produzem para aqueles que não produzem - coercitivamente.

A polarização política, na verdade, tende a intensificar-se. É muito difícil, complexo e penoso para um indivíduo, perder aquilo que o ser humano social mais almeja: afiliação e reconhecimento.

Conversão política até é possível, mas improvável pelo lado esquerdo. Exigiria romper com uma fé dogmática religiosa, que nada tem a ver com a lógica dos fatos e da razão. A apostasia significaria o desligamento emocional de uma utopia que é a "raison d'être" dessa turma e, talvez, o convívio com mais ônus, avaliados como sendo maiores do que os eventuais bônus da verdade; além da traição aos camaradas, a reputação de "se vender ao capitalismo" e da perda do intelecto e da moral "superior".

Alguns marxistas e esquerdistas de seus tempos juvenis, romperam dolorosamente com a quimera socialista. Qual terá sido o Eureka? Amadurecimento na fase adulta, lógica da dura realidade da vida real, o despertar do sonho frente a realidade da impossibilidade econômica, e/ou o rompimento frente ao desprezo pela vida em razão de uma "causa" que justifica mortes, crimes, pobreza e miséria? Ou será que realizaram a intrínseca tirania própria do sistema rubro?

A fé dogmática é uma doença incurável. Basta a constatação da guerreira "resistência vermelha", intolerante às leis estabelecidas e ao processo democrático de alternância das forças políticas no poder. Incapaz e inepta de reconhecer e creditar os inegáveis avanços - depois do abismo em que eles próprios colocaram o país - no campo econômico.
Que exemplo mais emblemático de doença, de cegueira consciente e de hipocrisia do que a ficção "Democracia em Vertigem", da militante petista-cineasta Petra Costa, com sua peça panfletária repleta de invenções mentirosas e lunáticas, repetindo uma mentira mil vezes para que essa se torne uma "verdade"?!

A polarização não terá fim com essa resistência irracional e fanática que não cansa de tentar resgatar uma narrativa fraudulenta de "golpe" contra os criminosos petistas que assaltaram os cofres públicos nacionais e levaram o país ao caos econômico.

Esses sectários do totalitarismo disfarçado de bom-mocismo puritano, que vivem e se reproduzem em seus grupelhos, nunca encontraram a verdade, aquela própria da razão.

A resistência religiosa vermelha no Brasil, sempre conduzirá ao caminho da polarização radical. Podem continuar ludibriando jovens idealistas e inexperientes, sectários dogmáticos e outros incautos, mas não àqueles que baseiam suas posições e suas ações em evidências robustas e em pensamentos racionais.

O genuíno embate está entre mais Estado ou mais liberdade individual e econômica! Entre as migalhas de um Estado ineficiente e corrupto ou deixar com que as pessoas façam por si mesmas e decidam sobre seus caminhos e planos de vida. O Estado que cuide da ordem e do exercício de verdadeira justiça e segurança individual e contratual.

Apedeutas em economia, bondosos da ficção, não querem compreender o básico: não existe liberdade com a vangloriada mas impossível igualdade! Nem mesmo essa é alcançada e consegue viger na pobreza criada pelo socialismo, já que a cúpula totalitária sempre viveu abastada e ainda vive como aqueles magnatas "capitalistas", que esses agora querem taxar, demonstrando todo o ódio, o rancor e a inveja própria dessa "gente".

Não, não precisamos nos comportar de modo semelhante a militante petista Petra Costa, adoradora incondicional de tiranos sanguinários e corruptos! Não, o país não quer mais um Estado ditando e dizendo o que devemos ou não fazer, restringindo nossa liberdade e distribuindo nosso dinheiro coercitivamente!

Não há como não combater tal polo rubro, mentiroso, criativo e hilário ilusionista. Esse bando quer, de fato, mais Estado e a implantação de uma sociedade coletivista. Para tanto, utilizam-se da arma do politicamente correto, a fim de inventar e inverter significados de palavras com o objetivo de continuarem pregando mentiras e ataques "ad hominem".

Contra esse polo de identidade política rígida e fanática, avesso a racionalidade e a realidade, não há qualquer possibilidade de se cruzar os braços!

Pois como diz um provérbio judeu: "com uma mentira geralmente se vai muito longe, mas sem esperanças de voltar"...

 

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