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FALSOS MODERNISMOS E MAQUIAGENS NÃO TRAZEM SAÚDE INSTITUCIONAL

por Alex Pipkin, PhD. Artigo publicado em

 

Não adianta... Sou resiliente e, apesar dos 5.4, ainda tenho o tônus vital!

Creio ser pertinente esclarecer que quando aludo a questão das “instituições nacionais adoecidas”, não me refiro, exclusivamente, ao campo político, especialmente ao relacionado às decisões no Executivo, no Legislativo e no Judiciário.

O furo é bem mais em baixo, na base e na formação do tecido social e do pensamento nacional; passado, presente e futuro do nosso país.

Muito enfermos estão, nosso ensino, Universidades e mídia brasileiras!

Ressalto que outro aspecto frequentemente ignorado, é que a mudança não necessariamente conduz a uma melhor situação, e/ou contempla um desejado escopo ampliado. Falo aqui especificamente das Escolas de Administração e Negócios e da mídia verde-amarela.

Que tal darmos uma passadinha pelas Escolas de Negócios? No Brasil, visivelmente, tais escolas estão francamente desalinhadas com as verdadeiras aspirações e necessidades requeridas pela arena real - e global - das complexas operações empresariais. Basta realizar pequena amostragem junto aos executivos, para verificar in loco o nível de aderência e de utilidade efetiva de pesquisas acadêmicas na realidade empresarial.

Desculpem-me colegas professores, mas seguramente o respectivo uso é bem mais próximo do zero. Também coexistem problemas relacionados à atratividade do empresariado às referidas pesquisas acadêmicas.
Inquestionavelmente, a estrutura institucional e o conteúdo do que é “ensinado” por tais escolas, merecem passar pelo juízo de análise e, após, atentar-se para às abissais oportunidades de melhoria expostas a olhos nus.
Algumas até adotaram um processo de “mapeamento”, mas aquilo que consideram avanço, apesar do característico ritmo mais lento frente às mudanças no mercado, particularmente considero retrocesso e pirotecnia.
A tentativa “inclusiva” de reinventar a roda , ou mesmo de centrar na preocupação com todas as “partes interessadas”, é tão “inovadora e transformadora” como o trivial andar para frente!

Considerações relativas à “partes interessadas”, existem desde que o mundo é mundo.

No mercado real, aliás, indivíduos consumidores ainda são obrigados a comprar de determinados ofertantes, pois em não havendo situação de competição, inexistem alternativas que melhor resolvam suas necessidades funcionais, emocionais ou de autorrealização.

Na presença de genuína competição, os produtores, compulsoriamente, precisam inovar em todos seus processos, com a ambição de que o crivo democrático dos consumidores, reflita na livre escolha da “melhor opção”. O estabelecimento popular do sistema de preços - pela oferta e demanda real - assim, é fixado, exercendo pressão sobre os players no mercado, e sobre as forças competitivas que determinarão a entrada de novos ofertantes e/ou a saída de um determinado negócio.

“Grandes mestres dos livros” ainda não perceberam que nenhuma empresa vive ou sobrevive no mercado livre, sem o compulsório estabelecimento de relações colaborativas e integradoras com todos - todos! - os membros de uma determinada cadeia de criação de valor.

Tais acadêmicos inexperientes desconhecem que o mercado é, na verdade, um conjunto de redes, ecossistemas empresariais que colaboram e competem simultaneamente. Factualmente, colaboração e competição se efetivam nas cadeias globais de valor.

O capitalismo - economia de mercado -, agora eufemisticamente chamado de “capitalismo das partes interessadas”, é desde o glorioso Adam Smith (1776), um sistema econômico que permite que os indivíduos se especializem, colaborem e troquem mutuamente, por meio de relações cooperativas, de simpatia (artifício da empatia própria nos seres humanos!) e de solidariedade, acordadas com o consentimento de todas as partes envolvidas.

Em Teoria dos Sentimentos Morais (1759), Smith advoga por transações comerciais baseadas no interesse das comunidades, pactuadas através da confiança e do respeito mútuo.

É a pouca leitura! Smith, já naquela época, falava da fundamental importância da reputação do homem para o sucesso ou fracasso no sistema comercial. Preto no branco: no livre mercado, não pode haver competição sadia e produtiva (competição faz bem à saúde econômica e social), e determinadas empresas que vencem pelo “inovismo”, sem que exista - pragmaticamente - colaboração! Nunca ninguém, nenhuma organização, foi capaz de ser e/ou atuar em tudo competitivamente - projeto/inovação, suprimento, manufatura, distribuição, entrega, pós-venda, serviços e “retornos (reversos)” - isenta de interrelações comerciais com certos sócios e outros parceiros de negócios. Ninguém pode ser tudo para todos! Exemplo mais transparente refere-se ao desenvolvimento de novas tecnologias úteis e capazes de atender e fornecer preços adequados nos mercados.

No que diz respeito aos objetivos empresariais não econômicos (em tese!) envolvidos - ambientais e comunitários - as empresas que focam exclusivamente no retorno dos acionistas - como preferem alguns incautos - “despreocupadas” com o que o consumidor realmente deseja (ah, são mesmo distintos e diversos benefícios, inclusive para alguns, iniciativas empresariais filantrópicas) não logram criar, aos olhos, nas mentes e nos corações dos clientes, valor útil e percebido, sendo desse modo suplantadas por aquelas que conseguem fazê-lo.

Por isso, evidente que existem Conselhos de Administração sábios e profissionais, direcionando as organizações para uma estratégia competitiva criadora de valor percebido, esse sim habilitador do alcance de lucratividade para todos!

Pois bem, parece-me totalmente contraproducente que Escolas de Negócios, enxertem seus currículos com disciplinas, tais como economia inclusiva, empreendedorismo social, economia verde, etc., etc. e tal, como maneira de se endireitarem ao mercado.

Além dessa inquietação já existir, é preciso ter bem presente e convicção, de que qualquer objetivo ambiental e/ou social, obrigatoriamente, terá que ser gerador de lucratividade! No frigir dos ovos, conta mesmo o lucro! De nada adianta uma fidalga missão empresarial, se não houver o dinheirinho para mantê-la e pereniza-la!

Nenhuma empresa boa samaritana, sem saúde financeira e rentabilidade, por mais nobre que seja sua causa, consegue se manter no mercado, e continuar “fazendo o bem”, sem ganhar dinheiro! A forma de ganhar dinheiro é aquilo que pode ser distinta, pois clientes diferentes valorizam e compram distintas espécies de valor!

Ganhar dinheiro é, então, um compromisso moralmente benéfico e um imperativo para a construção de uma sociedade pujante.

Por favor, modismos e supostas reinvenções, mesmo com a intenção de mudança e/ou adição qualitativa nas Escolas de Negócios, não só não transformarão positivamente, como podem também deslocar o centro nas prioridades básicas, atrapalhando a permanente, a incessante e a crucial busca e o alcance da imperativa e - tradicional - destruição criativa, a fim de que as empresas ganhem mesmo dinheiro para suportarem o sistemático processo de reinvestimentos.

Que formosos neologismos para que jovens acadêmicos pós-modernos, com seus trajes hipsters, aura douta e palavras bondosas e “inovadoras”, doutrinem sobre empreendedorismo, ambientalismo, objetivos sociais, mascarando e desfocando, tristemente, daquilo que qualquer pessoa fazedora e com alguma experiência no mundo empresarial sabe: fora dos livros, no mundo real, ganhar dinheiro é aquilo que importa e que pode fazer a diferença em uma real economia de mercado!

Mas distintamente do que algumas Escolas de Negócios "bondosas" estão realizando, tentando idealisticamente tirar o foco do "acionista explorador que só quer lucrar", elas se esquecem que o lucro é o indutor das inovações de valor e, portanto, a motivação central para que os investidores continuem investindo, e as respectivas empresas, descobrindo novas e melhores soluções para a vida em sociedade.

Quanto a mídia e ao jornalismo, a visão crítica resistente e comprometida com “nobres”, mas falaciosas causas, distintas daquelas verdadeiras e benéficas para o crescimento econômico, possibilitador de melhoria social genuína, têm reforçado de fato, aquilo que em tese quer combater: o protagonismo dos poderosos, com seus enganadores, embora sedutores discursos de redução das desigualdades sociais, desejando a manutenção do pão e circo, ou tentando por todos os caminhos - tortuosos - retornar ao quente e acolhedor ninho do poder! Por essa razão, deixam de lado o anúncio e a visibilidade dos fatos como eles realmente acontecem e são!

Fundamental seria um jornalismo independente, comprometido com o noticiário dos fatos, e oportunizando diferentes perspectivas para que as pessoas tenham acesso a “verdade” dos acontecimentos e, portanto, possam elas próprias formarem seu juízo de valor.

Infelizmente, não tenho nenhuma dúvida de que a notícia transformou-se, nas mãos de jornalistas em grande parte interesseiros e partidários, numa “mercadoria vermelha”, ao invés da essencial informação de caráter público, indeclinável para a democracia! Mais pirotecnia e sensacionalismos baratos.

Bem, sem a cura do ensino e da imprensa, majoritariamente, marrom e rubra, mesmo com iniciativas governamentais na direção de maiores liberdades econômica e individual, essas não conseguirão ter capacidades resilientes.

Para a educação empresarial, que fique claro, a despeito de modismos, não existe cooperação empresarial que objetivamente não sirva e resulte em aumento de capacidades para a inevitável competição nos diferentes mercados.

Para a mídia tupiniquim, sem o apoio às reformas liberalizastes na economia, não só os capitalistas (sem coração!) sofrerão, padecerão toda “comunidade” brasileira pela extrema falta de empregos, de maiores oportunidades e da escassez do vital crescimento econômico.

Quem sabe não se passa dos puros desejos para a dura realidade da vida real?
 

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