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16/08 E A QUESTÃO DA LEGITIMIDADE

por Percival Puggina. Artigo publicado em

Nosso jornalismo, há muitas décadas, foi tomado de assalto pelos que chamo "pedagogos da opinião pública". Por sua visibilidade, do alto de suas posições nos meios de comunicação, sentem-se como mestres em salas de aula, praticando contra a opinião pública o mesmo abuso mental que tantos professores praticam com os alunos, mediante influência e poder. Uns e outros, pedagogos da opinião pública e professores militantes, operavam antes de o PT nascer e prepararam dedicadamente seu caminho ao poder. Era na base do nós e eles. Simples assim: a esquerda era o bem e, fora dela, nada haveria que prestasse.

 Algumas coisas sobre si mesmos eles já compreenderam, ao longo dos últimos meses. Seu prestígio despencou junto com o daqueles a quem emprestavam ou vendiam apoio. Seus discípulos já lhes viram as costas. São formadores de opinião que não formam opinião alguma e cujas manifestações exigem enorme esforço mental. Não é fácil parecer que não fazem exatamente aquilo que estão fazendo, mas "pegaria mal" se fizessem.

 Exemplifico. Os pedagogos da opinião pública não são contra as passeatas. Mas ensinam que "Impeachment-já!" recusa o ritmo constitucional que aponta para a sequência crime, acusação, julgamento e (só então) impeachment. Entenderam? Segundo eles, os manifestantes deveriam sair às ruas, Brasil afora, levando faixas mais ou menos assim: "Impeachment, se possível, quando possível!". Quem carregaria uma peça dessas? Animados com uma candura e uma doçura que exige um canavial inteiro propõem "menos ódio" nas manifestações. Engraçado, não é mesmo? Que fim levou a boa e velha indignação pela qual tanto cobravam quando serviam ao PT oposicionista? Agora, a justa indignação virou ódio? Sentimento maligno, politicamente hediondo, pimenta que arde no olho?

 Eles nos ensinam, também, que o "Fora Dilma!" é frase autoritária. Diagnosticam que ela fere a legitimidade do mandato da presidente. Como pode alguém dizer "Fora Dilma!", seis meses depois de a presidente ter sido eleita com maioria de votos?

É a pedagogia da conformidade bovina. Se for assim e para isso, a gente fica em casa assistindo um filmezinho, que é exatamente o desejo por trás dessa pedagogia para boi no cercado.

Falemos, então em legitimidade, jornalista pedagogo militante. De que legitimidade falas quando te referes ao atual mandato da presidente? Da legitimidade alcançada com votos atraídos pelo festival de mentiras, mistificações e falsidades que se derramou pelo país em 2014? Da legitimidade via votos comprados com bilhões de nosso dinheiro? Da legitimidade alcançada com ameaças de que um festival de desgraças se abateria sobre o país em caso de vitória da oposição (para logo após a adotar aquelas mesmas medidas contra as quais verberava)? Da legitimidade via urnas eletrônicas? Via Smartmatic? Via apuração sigilosa? Da legitimidade de quem agora não arregimenta mais do que 7% dos eleitores?

O povo não estaria nas ruas se não se sentisse enganado, ultrajado e furtado! Aprendam isso e aprendam a ouvir o povo, em vez de apenas falar-lhe. Aproveitem do caráter, este sim pedagógico, das manifestações dos últimos meses. E com o que ainda lhes reste de consciência, arrependam-se do que ajudaram a produzir no país. O preço desse constrangedor serviço está sendo pago com corrupção em proporções jamais vistas, com recessão, inflação, desemprego, carestia, perda de credibilidade nacional e humilhação perante as demais nações. Está de bom tamanho?

* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
 

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Comentários

Dudu .

São um bando de porcos chafundando no dinheiro público fácil que mata idosos , crianças e trabalhadores país a fora nos hospitais sem estrutura, nas ruas esburacadas e nos "injustiçados sociais" que eles tanto amam, mas que insistem em meter uma bala na cara do trabalhador honesto , que bem sabem os marginais, não tem qualquer valor para o "cumpanhero"...

Genaro Faria .

SÓ FALTA VOCÊ, CNBB Os apoiadores dos governos do PT por afinidade ideológica, não por adesão fisiológica, já estão em debandada. Foram-se o PDT, o PTB, até o diácono que adotou como pseudônimo literário o codinome dos tempos da clandestinidade nos anos 70, que se gaba de ser o "confessor" de Lula e "irmão em Cristo e melhor amigo" de Fidel Castro, Frei Betto. Até mesmo FHC, imagine! Só falta você, CNBB. A senhora não acha que está sendo fiel demais à cartilha bolivariana? Mais irrealista que a rainha? Não me diga que a senhora não sabe que os católicos é de mais de 7% da população. Qualquer cura paroquiano sabe disso. Então, qual é a razão dessa teimosia toda? Afinal, a patrulha petralha já não dá mais as caras, a não ser no chamado meio artístico e na pedagogia dos discípulos de Paulo Freire. E entre os jornalistas militantes e intelectuais da canhota. Será que ela está viva no clero? Por favor, ilustre senhora, olhe para a planície onde vivem os plebeus em volta de seus palácios episcopais. E deixe de lado a teologia que pretende ser da libertação dos evangelhos apostólicos, a fim de adaptá-los aos preceitos marxistas, que pregam um paraíso terrestre dominado pelos comissários. Faça as pazes com o cristianismo. Venha a nós o vosso reino, minha senhora. Faça um ato de contrição e peça perdão a Deus por seus erros. Será muito bem-vinda de volta ao lar paterno.

Fabio Barreiros .

Não espero uma imprensa anti-governo como se deu com Collor. Assim como não espero uma imprensa governista, chapa-branca. Não é livre a imprensa que gira em torno quase que exclusivamente do governo das coisas comuns. Além das verbas publicitárias de organizações da administração direta ou indireta, a própria intimidade da relação imprensa-assessoria de imprensa alimenta a endocensura. Basta-me a imprensa que relate os fatos e que publique análises intelectualmente honestas, produtos de intelectuais públicos, não de intelectuais orgânicos. E isso custa dinheiro, que deve vir do maior número de anunciantes possível bem como tal relação veículo-anunciante deve ser fruto da ordem espontânea da ação humana em sociedade, não de agentes do governo da coisa comum. Em suma: O exercício da liberdade de imprensa não pode ocorrer às custas do acesso do expectador à imprensa livre. Organizações de imprensa que invalidam tal princípio não devem ser enquadradas como tal.

Gustavo Pereira dos Santos .

Vou trocar o meu teclado, várias letras apagaram. Meu caro Genaro, dei asas a imaginação. O Sibá Machado é mistura de jacaré com cobra d'água. Aguardo sugestões para o resultado de um ménage à trois: João Willys, Maria do Ossário e PORCO comedor de cabritas.

Messias .

Pedagogos? O certo não seria peidagogos?

Genaro Faria .

Mas não é no campo das ideias. Não é invocando valores. Não é por nada que os identifique, no mínimo, como seres racionais. Qualquer traço da nossa personalidade que que se assemelhe a um marxista deve ser precedido por esta ressalva: Os fatos e personagens aqui narrados não são reais . Qualquer semelhança não passam de mera coincidência. Mas não é só isso. Não procurem em Kafka, Ionesco ou qualquer outro autor ou dramaturgo que do teratológico, do absurdo fizeram o palco onde encenaram a comédia e a tragédia humana. A vida imita melhor a arte do que a arte imita a vida. Leiam o projeto de lei da deputada Maria do Rosário (PT-RS), que o deputado Jean Wyllys (PCdoB -RJ) emendou. Ela propôs a legalização do casamento entre humanos e animais, sustando que no Rio Grande esse conúbio já é comumente praticado, e ele aperfeiçoou o texto da proposta legislativa para esclarecer que esse casamento também poderá ser homo-afetivo, sem preconceito de gênero. Por exemplo: Um homem pode se casar com uma vaca, mas também pode se casar com um touro. Duvidam. Então pesquisem no site da Câmara dos Deputados.

PERCIVAL PUGGINA .

A bondade divina brinda-me com admiráveis leitores!

RICARDO MORIYA SOARES .

Parabéns Mestre! Jornalista Pedagogo Militante é uma definição brilhante para o ocaso do jornalismo brasileiro - ocaso que eles mesmos iniciaram há mais de 40 anos, e hoje colhem os frutos da terra arrasada! A palavra que imediatamente vem a minha cabeça é BOICOTE - um boicote imediato aos grandes meios de comunicação: Rede Globo, Record, RBS, Zero Hora, Folha de São Paulo (o jornal do Foro de São Paulo!), ESPN, UOL, etc. Talvez boicote seja uma atitude um tanto que púnica, quando sabemos que o típico idiota útil não deixaria de assistir sua novela (tenho uma teoria à respeito das novelas da Globo: para mim, elas são um dos melhores e mais eficientes veículos de doutrinação ideológica - atingem principalmente as crianças, impregnando suas voláteis mentes com toda a porcaria marxista que endeusa pedofilia, aborto, pederastia, etc.), muito menos deixaria de ver aquela outra barbaridade macedônica chamada Fantástico, que coincidentemente passa todo domingo... então substituirei a palavra BOICOTE por uma outra: CASSAÇÃO! Se a praga do PT merece (deveria!) ter seu registro cassado, porque não cassar (cancelar) também à concessão que é momentaneamente garantida aos meios de comunicação acima mencionados? E de todos os citados, a famigerada Rede Globo é a mais perniciosa em seus objetivos obscuros (jornalistas da Globonews protegendo deliberadamente o Foro de São Paulo, novelas defendendo abertamente o fim da família e do cristianismo, programas de auditório que exaltam a criminalidade, etc.), o que me leva a uma estranha reflexão: se Roberto Marinho ainda estivesse vivo, teria permitido que seu estimado conglomerado desatinasse tão morbidamente? Ele tinha muitas virtudes e defeitos (como todos nós), inclusive protegendo jornalistas comunistas na redação de seu jornal, mas acima de tudo tinha um bom senso crítico - tanto que não suportava a figura brancaleônica do Molusco da Silva!

Genaro Faria .

Os deuses detestam a soberba e todo dono da enchente é o primeiro a se afogar. São provérbios populares que ouço desde pequeno, mas jamais os tive na conta de re/ velarem, por seu berço inculto e prosaico, tamanha sabedoria. A questão que você suscita, meu caro professor Puggina, é tão elementar que não deveria caber discuti-la em um país democrático. Só aqui, onde a soberba dos políticos nos afronta sem que eles saibam que serão os primeiros a se afogar nela, ainda se debate sobre a natureza do impeachment. Ela é judicial? Ou será política? Quem sabe ela seja policial? Ou será uma astronauta? Que desceu de um disco voador? Parece que ela é tudo isso e mais alguma coisa. A verdade é que o impeachment é, exclusivamente, uma questão de natureza política. Que não se origina no Judiciário nem a ele cabe examinar qualquer recurso sobre a sua decisão. É o que consta da Constituição. O processo de impeachment não depende de uma investigação policial, independe de uma acusação da promotoria e não carece de autorização judicial para que ele se instale e tenha seguimento até sua decisão final. É por isso que ninguém registra uma queixa em boletim de ocorrência numa delegacia de polícia nem ajuíza uma ação da qual seja réu um prefeito municipal, um governador de Estado ou um presidente da República. Porque o único foro competente para conhecer e julgar um process o de impeachment é o político. Que esse julgamento tenha como fulcro um delito penal apurado por uma investigação policial , acatado pelo ministério público e condenado por um Juízo, melhor ainda. Mas assim como o Congresso não pode condenar nem um ladrão de galinha a cumprir uma prevista numa norma penal que ele, o Congresso, legislou, muito menos pode o Judiciário decretar o impeachment de um presidente. Essa é a regra que vale em todo mundo civilizado. Por que não valeria aqui?

Genaro Fazria .

POR QUE SER UM DEMOCRATA Por que ser um democrata? Por que ninguém ousa dizer que não é um democrata? O que fez essa palavra ser louvada no templo da civilização para que ela se tornasse sagrada aos povos do oriente e de ocidente, ao mundo inteiro? Porque a democracia é um substantivo, não um adjetivo. É preciso que ela seja entendida como uma solução para a transição do poder civilizada. Que tanto nos custou para conquistar. E o critério que poderia legitimar esse método de transição pacífica do poder não poderia ser outro senão o que consulta a vontade expressa da população . Democracia é isto: um governo que expressa a maioria da população pelo voto universal. E que a lei a ninguém pode distinguir com privilégios. Essa conquista, a democracia, custou muito à humanidade. Muito sangue foi derramado por séculos até finalmente a tivéssemos conquistado Conquistamos? Onde? Quando? De que modo? O poder tem uma personalidade que lhe é própria, insubmissa, anárquica. E os generais que guardam sua integridade vestem a toga de juristas que o defendem contra o Direito, de modo a assegurar que nenhuma lei que ele tenha violado não seja doutamente justificada como um ato legítimo contra quem pretendesse se abrigar desse delito que o prejudicou. Nihil novi sub sole. Tudo continua como dantes no quartel de Abrantes. Somos humanos. Nada do que seja humano pode nos estranhar. O que estranha é essa novidade dos revolucionários progressistas. Que pretendem submeter o ser humano a sua ficção, o Estado, por subversão fundamental. E a partir daí lançar a pedra angular de uma construção monumental sem nenhum alicerce. O que termos visto? Que o poder procura se resguardar na superestrutura do Estado. No stablishment que os próceres da politica partilham com a elite financeira, patrimonial e empresarial do nosso país. É verdade que os parâmetros de nossa história sejam muito semelhantes ao do ocaso de ditadura Vargas na década de 50. Assim como àquela época, os ventos enfunaram nossas velas no rumo da liberdade. Mas não demorou muito para que de novo o oceano fosae tragar nossas esperanças. Por que este país que foi descoberto por um povo que ensinou o mundo a navegar em alto mar não aprendeu até hoje a ir além de uma navegação de cabotagem, tímida e mesquinha? Eu suspeito que é porque nós precisamos ser democratas. Os tempos são outros. O oceano que nos desafiava mudou-se para dentro de nós. Onde os monstros não são mais imaginários, mas reais. De carne e osso. Por que ser um democrata? Porque a democracia é o antídoto da tirania... desde que ele seja eficiente. Eu duvido muito, mas muito mesmo, numa solução política de nossa crise que nossos políticos sejam capazes de encaminhar com sucesso. Democraticamente. A democracia deles é outra.

Gustavo Pereira dos Santos .

É duro comentar em 7º lugar. Os colegas não deixaram nada pra mim. Vou chover no molhado. Dr. Percival domina a arte de traduzir o pensamento dos seus leitores em bem escritas linha. That's why é um excelente escritor, en passanr, deu uma aulinha de DESINFORMAÇÃO. Complemento afirmando que o clima de velório da midia chapa branca chama-se ZELOTES. Parafraseando o Zagallo, eles vão ter que me engolir; no caso, nós. Não tiveram como não noticiar as manifestações durante todo o domingo. Conformidade bovina foi D+. Tenho um amigão, 54 anos de amizade, cujo apelido é Boi Sonso. Encaminharei o artigo pra ele, assim que meu comentário for publicado.

Sérgio Alcântara, Canguçu RS .

Excelente, Professor. Estes "pedagogos", com certeza, gostariam de manifestações "politicamente corretas" como as que costumam ir às ruas lamuriar pelo "fim da violência e da impunidade", sem ter a ousadia de apontar para um Estado e uma autoridade minados pela ideologia esquerdista, que alimenta o fenômeno como mais um pretexto para seus objetivos totalitários. Mas parece que nossos "gurus"não foram competentes o bastante para eliminar os "resquícios de autoritarismo" da "mentalidade conservadora" do povo brasileiro.

Odilon Rocha .

De lavada!, caro Professor. Um bando de prostitutos. Há quem diga que muitos até por troco de banana se venderam. A cara dos apresentadores do Fantástico ao fazerem a chamada das manifestações, no início da matéria, era de velório. E tem mais. Ao comentarem que LULA também havia sido depreciado, nossa!, parecia enterro mesmo. Essa gente age assim porque é niilista. Não acredita que semear é livre. Colher é obrigatório.

Genaro Faria .

Esses pedagogos militantes de uma causa perdida vivem, mentalmente, num paraíso terrestre prometido pelo materialismo científico advogado pelo marxismo. Se eles seguissem a razão, de há já muito teriam se convertido deste apostolado ateu em seres que extraem da realidade os elementos que irão formar os postulados do seu raciocínio . Mas o que eles professam é uma fé cega, uma crença no futuro radioso do socialismo, inabalável diante das mais eloquentes provas de sua falácia. Formular uma teoria para tentar desvendar o que ainda se envolve em mistério, e depois submetê-la a experiências que comprovem seu acerto é coisa de conservadores. E eles são revolucionários. Dispensam e desdenham desse requisito. Para esses iluminados não há qualquer necessidade de prova. Seu reino terrestre é mais etéreo e insondável que o celeste. A humanidade tem incorrido em grave equívoco ao tentar analisar o marxismo como filosofia ou doutrina política. Sob o prisma da ciência que não seja psíquica, e da razão em vez da religião. É preciso mudar o campo de estudos para que aquilo que hoje nos parece incompreensível seja finalmente esclarecido como uma apologia ao crime em larga escala contra a civilização. Então nós poderemos, sem muito esforço, erradicar essa aberração. E cumprir o que nos ensinou santo Agostinho: Odiai o pecado, mas amai o pecador.

André .

Parabéns! É bem isso mesmo. Estamos cansados de tanta mentiras, mas não se cansaremos de voltar as ruas.
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