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A MISÉRIA DA EDUCAÇÃO E A EDUCAÇÃO DA MISÉRIA

por Percival Puggina. Artigo publicado em

 Todo dia, leitores me enviam relatos sobre a hegemonia marxista nos ambientes acadêmicos. Há exceções, claro, mas são isso mesmo. A coisa funciona mais ou menos assim:

1) cursos voltados para Educação intoxicam universitários com conteúdo marxista e explicações simplistas da realidade;
2) professores licenciados, elevados à condição de intelectuais orgânicos, vão para as salas de aula do ensino fundamental e médio ensinar o que aprenderam.

É a miséria da Educação. Ao longo do curso foram instruídos para serem agentes de uma “educação libertadora”, na qual o adjetivo é muito mais importante do que o substantivo. Aprenderam direitinho a conduzir seus alunos através dos estágios da investigação, da tematização e da problematização, tendo em vista fazê-los protagonistas da transformação da sociedade. Desde essa perspectiva, atividades escolares que enfatizem o conteúdo das disciplinas são uma rendição às “exigências do mercado” e indisfarçada posição de direita, certo? Então, ensinam-se convenientes versões da história, uma geografia política muito política, pouca matemática e se reverencia a linguagem própria do aluno. Consequência: mais de meio milhão tiram zero na redação do ENEM. Tais professores julgam perfeitamente honesto serem pagos para isso. Consideram absurdo que lhes pretendam cobrar desempenho. Julgam-se titulares do direito de fazer a cabeça dos alunos. Desculpem-me se repeti o que todos sabem, mas era necessário ao que segue.

Qual o produto dessa fraude custeada pelos impostos que pagamos como contribuintes à rede pública ou como pais à rede privada de ensino? Se você pensa que seja preparar jovens para realizarem suas potencialidades e sua dignidade, cuidando bem de si mesmos e de suas famílias, numa integração produtiva e competente na vida social, enganou-se. Ou melhor, foi enganado. O objetivo é formar indivíduos com repulsa ao “sistema”, a toda autoridade (inclusive à da própria família) e às “instituições opressoras impostas pelo maldito mercado”. Se possível, recrutar e formar transgressores mediante anos de tolerância e irresponsabilidade legalmente protegida, prontos para fazer revolução com muita pedrada e nenhuma ternura.

Se tudo der certo, o tipo se completa com um boné virado para trás, um baseado na mochila e uma camiseta do Che. A pergunta é: quem quer alguém assim na sua empresa ou local de trabalho? Em poucos meses, essa vítima de seus maus professores, pedagogos e autoridades educacionais terá feito a experiência prática do que lhe foi enfiado na cabeça. Ele estará convencido de que “o sistema” o rejeita de um modo que não aconteceria numa sociedade igualitária, socialista, onde todos, sem distinção de mérito ou talento, sentados no colo do Estado, fazem quase nada e ganham a mesma miséria.

É a educação da miséria. Os intelectuais orgânicos que comandam o processo não se importam com o para-efeito do que fazem. O arremedo de ensino que criaram cristaliza a desigualdade, atrasa o país, frustra o desenvolvimento humano de milhões de jovens e lhes impõe um déficit de formação dificilmente recuperável ao longo da vida. De outro lado, quem escapa à sua rede de captura e vai adiante estudará mais e melhor, lerá mais e melhor, investirá tempo no próprio futuro e, muito certamente, criará prosperidade para si e para a comunidade. O mercado separará o joio do trigo. No tempo presente, as duas maiores causas dos nossos grandes desníveis sociais são: a drenagem de 40% do PIB para o setor público e a incompetência que a tal “educação libertadora” e a respectiva ideologia impuseram ao ensino no Brasil.

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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar.

 

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Comentários

Gustavo Pereira dos Santos .

Destruir é mole, duro é construir algo que preste. Trabalho árduo pela frente, a partir da ascensão dos conservadores e liberais ao poder, sem data prevista.

Marcelo .

Já fui professor de Ciências num município da Grande POA; na biblioteca de uma das escolas em que dei aula, encontrei "O Capital" de Karl Marx. Um lixo desses numa escola em que grande parte dos alunos é analfabeta funcional. É emblemático.

Ana Sakamoto .

Parabéns, disse tudo.

Dalton C. Rocha .

O site https://www.youtube.com/watch?v=-Mlc68kAuA8 tem vídeo sobre este mesmo assunto. E se algum prefeito ou governador deste país quiser mesmo melhorar a educação de seu povo; então, que faça isto: privatize todas as escolas públicas e dê bolsas de estudos para os alunos, em escolas particulares. O finado general Pinochet fez isto, em média escala, quando governava o Chile. Escola pública nunca prestou, nem prestará no Brasil. O resto é demagogia eleitoral.

Genaro Faria .

Estão domesticando, não educando, alunos para servirem ao Estado totalitário. Os trabalhadores perfeitos para um poder absoluto não pode ter ideias e nem ganhar salários que os tornem independentes, livres do deus Estado, que o ditador encarna. Não podemos baixar a guarda. Não temos o direito de não enfrentar esse projeto sinistro de poder porque o PT está sendo rejeitado por todos, nacionalmente. Precisamos já voltarmos para as ruas em manifestações ainda maiores. Os marxistas estão dando um passo atrás para seguir com dois à frente logo adiante.

Edegar Luis estery .

Na mosca Sr Percival, e quando conseguiremos rever esta tendencia revoluncionária da idiotice academica.Para um dia sermos um Brasil, da ciencia, do empreendedorismo, dos grandes avancos, no conhecimento industrial, genético etc etc ?

Eduardog .

Quando eu achava que, nos anos 80, estávamos no auge dessa miséria educacional, pela doutrinação marxista de profs de história e geografia, eis que estava enganado. Essa geração alienada, sem referências para julgamentos e escolhas será uma tragédia para o país daqui 15 ou 20 anos.

Paulo S. J. Prates .

Parabéns Sr Percival e dou ênfase a última frase: “No tempo presente, as duas maiores causas dos nossos grandes desníveis sociais são: a drenagem de 40% do PIB para o setor público e a incompetência que a tal “educação libertadora” e a respectiva ideologia impuseram ao ensino no Brasil”.

jonas antonio de freitas .

Ótimo ponto de vista... isso é uma grande realidade...

jonas antonio de freitas .

É isso mesmo puggina. Esse não um país sério.

Daniel Becker .

Professor Puggina mais uma vez nos brindando com seu brilhantismo e com sua clareza de ideias. Infelizmente não há saída a curto prazo para esta tragédia imposta a golpes de Gramsci.

Odilon Rocha .

Prezado Professor Nunca vi, em muitos anos, um assunto tão debatido , esmiuçado, escancarado, criticado e alertado, da maneira como vem sendo. Já está incomodando, ao menos, pelos que se interessam e estão tomando consciência, paulatinamente. Ainda bem! Mas, um pouco cético, indago: diante do monstro, qual a saída, se nem se quer se debate abertamente sobre isso no Congresso?

Jefferson A. Nakama .

Isso é uma coisa que me traz muita preocupação, estão transformando faculdades e escolas em centros de formatação ideológica , ai me pergunto: O que será deste país? Ainda não tenho filhos, pretendo ter futuramente, mas ao mesmo tempo me bate um temor, pois, como proporcionar uma educação de qualidade tendo a segurança de que seu filho não esta sendo contaminado por um marxista disfarçado de professor? as vezes nem a escola sabe da conduta do professor, quem dera os pais. Isso é alarmante, extremamente preocupante e gravíssimo.

Zaqueu .

Parece que sociedade tradicional alicerçada na família e o respeito às instituições democráticas estão com seus dias contados. Por si só essa hegemonia marxista nos ambientes acadêmicos já é terrível porque proporciona a formação de um exército de incapazes de pensar, contestar e exigir direitos... um exército de mortos vivos. Como diria Odorico Paraguaçu, seus os cérebros são lavados, torcidos e enxaguados pela ideologia socialista. Some--se a tudo isso a ideologia de gênero que também ameaça os mais jovens. Se Deus, efetivamente, foi brasileiro um dia, deve ter renunciado. Se não o fez ainda, hoje, diante da parada gay, deve estar pensando: Onde eu errei? Como Ele prometeu que nunca destruiria a humanidade (Gen 9,12) porém a semeadura é opcional e a colheira e certa, diz provérbio chinês. Só o futuro mostrará as consequências de tanta permissividade. Uma coisa é certa estamos vivendo em algum lugar do passado, época de Sodoma e Gomorra.

Ricardo Moriya Soares .

Perfeito texto, irretocável! O caos trazido pela adoração da figura nefasta de Paulo Freire já extrapolou há tempos o ambiente da esfera pública, ele agora contamina a largos passos o ensino privado - o último bastião dos que ainda podem tirar seus filhos da doutrinação marxista obrigatória. Sinto na pele, todos os meses, a frustrante dificuldade de estar em dia com as mensalidades caríssimas da escola de minha filha; e se fosse apenas uma questão fiduciária, não estaria reclamando tanto, iria buscar uma forma de honrar religiosamente o compromisso do boleto, mas não, pois de noite, já cansado, ainda tenho que lutar contra outro dragão. Todas as noites, antes de preparar o jantar, tenho a árdua tarefa de reeducar minha filha dos males aprendidos na escola - procuro desintoxicar seu cérebro infantil das bobagens que são enfiadas goela abaixo! Até mesmo nos Cadernos de Ciências, encontro exercícios bisonhos que tratam de questões complexas com meras tintas marxistas; inclusive simplificando questões climáticas, que até hoje não são satisfatoriamente explicadas pelos melhores cientistas independentes, quando absurdamente atribuídas à culpa solitária do homem - nem mesmo a famigerada ONU usa mais a expressão 'Aquecimento Global', acho que os esquerdistas de minha cidade estão tão defasados que nem nisso prestaram atenção! Sem falar nas centenas de outras asneiras que ensinam no dia a dia, mas ao menos não há menção no seu conteúdo didático sobre educação sexual para crianças - algo que tende a se tornar lugar comum nas escolas públicas. Mesmo reclamando acintosamente, a até mesmo apontando culpados nas reuniões de pais de alunos, sinto que o próprio grupo gestor da escola está de mãos atadas, pois no fim precisam da benção do Grande Irmão para se conseguir algum incentivo; relegando a figura dos pais a um cantinho insignificante. Por isso mesmo, tenho certeza absoluta ao afirmar que o Sr. Paulo Freire foi o maior dos males que afrigiu este país nos últimos 200 anos. Gestamos muitos seres humanos de péssima estirpe (Lamarca, Getúlio Vargas, Brizola, Prestes, Lula, Jango, Stedile, Chico Buarque, etc.), só que nenhum teve uma influência tão pútrida em nossas crianças. Por isso, digo sem medo de ser feliz: queime no inferno, Sr. Paulo Freire!
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