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AS RAPOSAS, NOSSAS UVAS E O BURACO

por Percival Puggina. Artigo publicado em

 

 

 Ontem, 9 de maio, numa cumplicidade translúcida, escancarada, as raposas da comissão mista meteram pata na reforma administrativa austera e séria proposta pelo Presidente. Não lembro de que algo assim já houvesse acontecido. O Congresso negar ao eleito a possibilidade de organizar seu governo segundo melhor lhe pareça? Note-se: essa metida de pata ocorreu para recriar dois ministérios que são autênticos navios piratas, a serviço dos cambalachos em que se negociam votos e se atendem interesses locais em detrimento da conveniência nacional. A recriação do Ministério das Cidades e do Ministério da Integração Nacional tem que ser lida e entendida pelo que é: uma regressão à velha política, à política das raposas. Se vivemos ou se queremos viver numa Federação, poucas coisas serão tão perniciosas e não federativas quanto um Ministério das Cidades e um da Integração Nacional. Ambos são clara expectativa de influência e poder sobre os prefeitos e governadores, com mediação e bônus para aquele lastimável tipo de congressista que, sem isso, não sabe o que fazer em Brasília.

 Sem essas duas pastas (pelo controle das quais se engalfinharão), as velhas raposas viam verdes as uvas...

Aquela esperança que se acendeu com o resultado das eleições de outubro passado, determinando grande renovação nas duas casas do Congresso, já foi consumida pelo jogo de interesses da velha política. Ela continua a dar as cartas, os partidos do velho Centrão receberam a lição das urnas, mas rapidamente recrutaram adeptos entre os novos colegas e se firmaram como centro de poder. Ontem se juntaram ao PT para tirar o COAF das vistas do Ministério da Justiça, vale dizer, de Sérgio Moro, para hospedá-lo no Ministério da Economia.

O Ministério da Economia não é hospedaria adequada para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Na página do órgão, lê-se:

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras - Coaf tem como missão produzir inteligência financeira e promover a proteção dos setores econômicos contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo.

Não se trata, como tentaram fazer crer alguns meliantes da retórica parlamentar, de um órgão para “lidar com finanças”, em paralelismo ou em subsídio ao Banco Central. O COAF, como se vê e como ele se descreve, é um órgão para investigar condutas criminosas, ilícitas, que requerem ação do Ministério da Justiça e da Polícia Federal, e relações institucionais com MPF e Justiça Federal. Bolsonaro levou o COAF para o lugar certo, onde os bons cidadãos sabem que ele deve ficar.

Raposas cuidam de seus rabos ainda mais do que macacos. Se o COAF deve ir para a pasta da Economia, a Polícia Federal deveria, pelo mesmíssimo motivo, ir para a Secretaria da Pesca.

Essas decisões da comissão mista, que agora dependem dos plenários das duas casas, são importantíssimas ao futuro do país. Enquanto as velhas raposas do Congresso Nacional, ao modo vulpino, ajudam o PT, agora na oposição, a quebrar de novo o país, discutem-se entre nós temas que, em poucos meses, virarão blábláblá dentro do buraco de que nos avizinhamos. Todas as raposas, creiam, estarão do lado de fora e não lhes faltarão uvas. Nem vinhos finos.

P.S. Melhor será se acordarmos logo para o fato de que não aconteceram as esperadas mudanças no Congresso Nacional. Estes dias deixaram evidente que as velhas raposas do Centrão continuam dando as cartas e ignorando o país real. O Congresso foi renovado, mas a regra do jogo continua sendo ficha suja. Então, escrevi este artigo para que isso nos mobilize. Depois de tudo que aconteceu nos últimos seis anos, esses cavalheiros e essas damas não podem imaginar que tudo continuará como antes. Nem pensar!

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 

 

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Comentários

Jaber .

Luiz MarioLampert Marques "... lembrando o principal chamamento à Revolução Francesa: "Aux armes, citoiens! Aux armes!!!" Àquela que descambou para O Terror e arruinou a França? Não, muito obrigado. Já imaginou uma revolução armada misturada com a cabeça do brasileiro médio?

Renato Luiz Zonta .

Alguém pode me explicar como o Legislativo pode ter tamanha ingerência sobre o Executivo?

MARCO ANTONIO LONGO .

Importante é fazer como sugerido acima e fazer ver aos deputados que logo teremos em reencontro nas urnas.

José Nei de Lima .

Com este covil de Raposas, a verdadeira mudança que o Brasil espera e principalmente aqueles que elegeram este novo governo com sede de transformação, austeridade nos setores da Administração do Congresso Nacional, mas assim fica muito difícil e o mais interessante a grande mídia não comenta nada, vamos ficar atentos e cobrar dos nossos políticos, um grande abraço meu amigo que Deus vos abençoe amém e um Feliz Dia das Mães à todas Mães.

Vanderlei Vazelesk .

Fácil é ser estilingue, duro é ser vidraça. Numa democracia estar no poder, leva consigo ter uma oposição. Entretanto nossa tradição é profundamente autoritária. Democracia para todos nós significa: "eu mando e tu obedeces."

ROBERTO TADEU TESCK .

Teremos, por todos os meios, de lembrar que elegemos um presidente para fazer, exatamente, o que ele está tentando fazer. Os parlamentares nos são enfiados goela abaixo, compulsoriamente; ou esses, ou outros da mesma laia. Parabéns pelos seus artigos, que sempre leio ávidamente.

Dalton Catunda Rocha .

Três conselhos, que se deveria dar ao Jair Bolsonaro: 1- As reformas da economia brasileira devem ser feitas, não apenas na direção certa. As mudanças que a economia do Brasil, realmente precisa devem ser feitas de forma, o mais rápido possível. 2- Tal e qual no caso das mudanças na economia, as mudanças no sistema educacional do Brasil, precisam ser feitas, com o máximo de vontade e velocidade, que se conseguir fazer. 3- Como diz a palestra presente, a partir de 6 minutos e vinte segundos, no site: ( https://www.youtube.com/watch?v=axuxt2Dwe0A&t=24s ), a verdadeira chave para o desenvolvimento de uma sociedade é, ela ter um bom sistema educacional. Por favor. Sou e sempre fui, direitista assumido. Sou um “coxinha” pleno. Nunca votei em Lula, Dilma, nem em ninguém do PT, PC do B e PSOL. Não obstante, eu tenho de dizer, que o sistema político, inclusive a Constituição de 1988, limitam demais aquilo, que um presidente do Brasil pode fazer de bom. Sim, eu acho que Bolsonaro não usará do poder, para o enriquecimento pessoal. Isto serve, como bom item de biografia mas, num país onde tem mais de 50 mil políticos e mais de 90% deles rouba, isto é mais detalhe, que qualquer outra coisa. Um outro exemplo. Acabou o envio de recursos a Cuba. Muito bem, mas incluindo a grana para os médicos cubanos, menos de 0,1% do gasto público do Brasil, nos últimos dois anos de 2017 e 2018 foi de fato, enviada para Cuba. Mais uma vez, isto é mais um detalhe, que qualquer outra coisa. Na história da humanidade, o país que saiu de país pobre a país rico mais rápido, em todos os tempos, foi a Coréia do Sul, tendo tal país levado mais de trinta anos, neste caminho. Além de ter só um mandato de quatro anos, Bolsonaro ainda por cima não tem nem remotamente, as condições externas e menos ainda internas, que a Coréia do Sul teve de 1960 a 1990. Este é ou deveria ser, o objetivo maior de Bolsonaro: Fazer o Brasil ter um razoável sistema educacional. Sem isto, a crise econômica, que já durou quatro décadas seguirá pelo governo dele, abrindo o caminho para o PT voltar ao poder, no Brasil. Na melhor das hipóteses, o pouco que se sabe de Bolsonaro, o mostra mais como um Pinochet, que uma outra coisa. Ser tal e qual Pinochet na economia é o limite do melhor, que um realista como eu, realmente espera de Bolsonaro. Pinochet fez coisas certas, na economia chilena; concentradas em seus últimos anos de governo. O sistema educacional do Brasil é um lixo. Tornar tal sistema educacional, em alguma coisa, ao menos regular é ou deveria ser, o mais importante objetivo de Bolsonaro. Mantido o sistema educacional do Brasil, mais ou menos do mesmo jeito, que aí está, manterá o Brasil na crise econômica, que o assola há quatro décadas consecutivas. Nesta situação, com a educação no Brasil, basicamente do mesmo jeito, o retorno do PT ao poder, se tornará inevitável, em apenas quatro anos. A esquerda toda sabe disto. É esta, a real fonte de ódio por Bolsonaro e seu projeto educacional. Que Bolsonaro use cada dia de seu governo, na limpeza do lixo marxista, que há décadas, tomou conta de todo o sistema educacional brasileiro. Trocar inúmeros livros didáticos será, um bom começo. Basta de décadas de livros marxistas sendo impostos, em todos os colégios, às nossas crianças e aos nossos jovens. No final das contas, eu sou otimista com Bolsonaro. Afinal de contas, se até sob o governo de um picareta como Michel Temer, o Brasil melhorou, por que não melhoraria ainda mais, sob Bolsonaro?

Luiz MarioLampert Marques - de Curitiba .

Há alguns anos (pré-Dilmismo desvairado) a Gazeta do Povo, paranaense, não aceitou publicar o que escrevi - e reescrevo agora - lembrando o principal chamamento à Revolução Francesa: "Aux armes, citoiens! Aux armes!!!"

Eduardo .

Nesse momento, o que podemos fazer é simples: - Devemos acompanhar os deputados federais e senadores de nossas federações, quer seja a tendência de voto, quer seja a votação em plenário do assunto abordado; - Enviar e-mails para os representantes, via site da Câmara e do Senado, para os deputados e senadores em quem votamos ou haja possibilidade de votarmos no futuro (sempre próximo), informando o que desejamos que os nossos representantes façam. - Informá-los de que acompanharemos seus votos e que, no futuro, poderemos votar em suas candidaturas ou não, podendo fazer publicidade de seus votos de forma positiva ou não (propaganda contra, que não é ameaça mas demonstração de descontentamento para com o desempenho do representante); - Divulgar os resultados nas "redes sociais" digitais ou formais (de todos os tipos, sem ser repetitivo, cansativo - para si ou para outros - ou desagradável para com os amigos e relacionados). Chama-se a essas atitudes de "exercício moderno da cidadania contemporânea". Pode parecer que não dá certo mas basta olhar para o céu num final de tarde de Outono, em uma praça da cidade: uma pássaro numa árvore é uma remota possibilidade de problemas; mas muitos pássaros é a certeza de um final de dia ruim, leia-se; "mandato".

Cleodon de Brito Saraiva .

Parodiando o soneto “Degeneração” de Joaquim José Correia de Almeida DEGRADAÇÃO Em nome do cinismo tanta trapaça, No escalão congresseiro se opera; A hombridade é virtude que não traça O modelo dessa casta que prospera. Demais embromação por ali grassa, Os estultos não produzem o que se espera; O lavor de outras eras, hoje é uma farsa, Cultura legislativa é uma quimera. A indulgência com esse mal é a do Lula, De aliados e companheiros da bajula, Persistindo a prática torpe das maroscas. Encerra assim, com cenas tão degradantes, A Casa que abrigara homens brilhantes, Hoje é refúgio de pilantras e suas bocas.

Maria Inês Dornelles Rodrigues mircb@terra.com.br .

Parabéns pela reflexão seríssima caso de irmos às ruas com cartazes. Deveríamos o povo tentar mudar esse vexame .Ruas !
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