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AS REDES SOCIAIS E O PODER DO INDIVÍDUO

por Percival Puggina. Artigo publicado em

 

 As redes sociais são um grande arrastão lançado ao mar da informação. Vem peixe bom, arraia miúda e, junto, o inevitável lixo marinho. As pessoas sabem disso e, com o tempo, aprendem a necessária catação. Obviamente, há quem produza lixo e há quem prefira lixo. É inevitável reconhecer, porém, que a Internet, as redes e os smartphones promoveram verdadeira revolução democrática na informação e na análise dos fatos.

Os grandes meios de comunicação, por seu turno, perderam o monopólio da interpretação dos acontecimentos e perceberam estar substancialmente reduzida sua influência na formação da opinião pública nacional. A pluralidade de opiniões passou a desnudar manipulações. A vitória de Bolsonaro foi a mais evidente prova disso. O presidente venceu uma eleição em que a totalidade da mídia brasileira o anunciava como alguém que perderia para todos os seus adversários, cuidando de apresentá-lo como um ogro, sob cujo comando o Brasil mergulharia numa era de trevas. Essa imagem, aliás, foi vendida no exterior por um consórcio formado entre as correntes políticas derrotadas e o jornalismo capturado para seu serviço. Com efeito, fora de nossas fronteiras, as redes sociais brasileiras não exercem influência, mas os veículos tradicionais e as agências preservam a sua. Graças a essa particularidade, partidos opositores e jornalistas apresentam a má imagem do atual governo brasileiro no exterior como nociva aos interesses nacionais. Mas esquecem de dizer o quanto isso é produto de seu trabalho.

Consolidou-se em mim a convicção de que as redes sociais, malgrado vícios e defeitos, concederam ao indivíduo um poder político de que ele nunca anteriormente dispôs em qualquer período da história. A soberania popular, que antes era exercida apenas pelo voto quadrienal, ganhou continuidade. O cidadão pode dizer o que pensa e o que pensa pode chegar a muitos. Pode fazer soar a campainha do celular no bolso do deputado, acessar suas páginas nas redes, opinar em seus vídeos, falar ao presidente. Qualquer indivíduo pode propagar suas ideias em seus próprios espaços, páginas, perfis, canais. Pode criticar seu vereador e seu senador; seu prefeito e seu governador. Pode criticar até o Papa. E ninguém dirá que isso é agir para descrédito das instituições. Aliás, esse desabono é endógeno, gerado dentro dos poderes. Não é a crítica que causa o descrédito, mas o descrédito que a motiva. É normal verberar os poderes. Exceto se isso atingir o Supremo Tribunal Federal e seus membros. Aí, sei lá por que, o bicho pega. Ficarei muito agradecido se alguém puder me explicar o motivo, mormente quando tão intangível poder exerce crescente e decisivo protagonismo.

Enquanto aguardo as opiniões dos leitores, desejo a todos uma muito feliz Páscoa do Senhor!

 

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 

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Comentários

JORGE Abeid .

o que eh mesmo notavel eh a semelhanca entre Bolsonaro e Trump, ambos vieram de carreiras estranhas aa politica embora Bolsonaro la estivesse por 28 anos, mas nunca em funcao executiva, ambos produzem multidoes de seguidores como tambem o desprezo da grande imprensa o que faz crescerem exponencialmente as redes sociais e em direcao contraria a grande imprensa, a CNN por exemplo ja perdeu metade de sua audiencia. espero que o amigo tenha tido uma abencoada pascoa.

solange baumer .

Graças às redes sociais aos poucos o povo acorda e se levanta contra os desmandos e a letargia causada pelos quase 30 anos de discursos "politicamente corretos" que conduziam o povo à um socialismo sem volta. Como em 64 quando o povo reagiu, reagimos a tempo de impedir o massacre.

gilmar mendez .

Verdade, não acesso mais nada da grande mídia, garimpo e recebo as notícias pelas redes sociais e pelos sites e blogs alternativos, isso já faz 5 anos.

José Nei de Lima .

Com certeza a internet venho para agilizar os processos evolutivos de uma nação para seu conhecimento e providências em todos os sentidos, mas não fazer o mal uso de uma ferramenta fantástica, devemos ter muito cuidado em que posta à respeito de qualquer assunto, uma feliz Páscoa, mais cuidado Brasileiros.

EDSON VIDAL DE SOUZA .

OS DOIS MINISTROS CRIARAM A ''CORTINA DE FUMAÇA''::CENSURA À REVISTA CRUSOÉ,MAIS O MANDADO DE BUSCA E AREENÇÃO CONTRA O GENERAL...PARA JUSTIFICAR O DIREITO DE EXPRESSÃO,CONCEDIDO POR ELES AO PRESIDIÁRIO.

Décio Antônio Damin .

É evidente que existe seriedade e confiabilidade em páginas como as tuas, por exemplo! A troca de farpas, informações falsas, com ares de seriedade, comprometem este instrumento moderno, que apesar de democratizar a participação, promove uma cisão cada vez maior entre os adversários que passaram a agressão, motivada ou gratuita, de uma maneira fácil e jamais vista! São os tempos e a modernidade tecnológica que vivemos e voltar atrás é impossível! Quando os atingidos são simples mortais, embora doa, a aceitação é a regra. Quando os atingidos são aqueles que se julgam intocáveis, como os ministros do Supremo(não todos...!)a revolta se corporifica em medidas esdrúxulas que ferem a própria Democracia como vimos. Felizmente entre os pares, após as críticas de todos os setores da sociedade, voltam atrás demonstrando quão nefasto era o corporativismo assumido. Se o pleno vai julgar, esperemos pelo desfecho!

Antonio Fallavena .

A internet, as redes sociais, as mídias, as bibliotecas, o Google, jamais a humanidade teve informação com tamanha qualidade e falta dela, assim como em quantidade. No entanto, mesmo que queiramos proteger o ser humano, foi ele que menos cresceu. Muitos, pelo contrário, reduziram seus potenciais e entendimentos sobre o todo ou o particular. Faze muito que repetia por onde andava: “a maioria dos legisladores, nos três níveis, é muito ruim e sem caráter. Os entendidos diziam que eu estava a generalizar. Ora, é fácil e lógico de entender. Se minha afirmação não fosse verdadeira, por que tudo piorava. Afinal, na democracia é a maioria que decide! O mesmo ocorre em relação a informação e a compreensão dela. Cada vez mais pessoa não pensam! E é para esta massa que são dirigidas as mentiras, o lixo produzido a cada segundo e que navega na internet e nas redes sociais. A mentira é muito mais fácil de ser vendida/dada/implantada na cabeça das pessoas, notadamente das que não conseguem raciocinar com um mínimo de lógica. O direito à crítica deve ser assegurado. Criticar é para melhorar ou para aparecer! Infelizmente, a imensa maioria das críticas não trazem verdades, conceitos ou sugestões para melhorar o conhecimento e os serviços. Sugiro que acompanhem os comentários em jornais eletrônicos. É o caos! A maioria são opiniões sem qualidades, ataques pessoais, agressões, etc. E isto que são pessoas que pagam o site, leem (mesmo que não entendam) e como fazem afirmações equivocadas, marginais! Este espaço, nos dá qualidade. É uma exceção. A maioria é comprova o que afirmo. Uma Páscoa de luz, paz e saúde aos amigos e ao mestre Puggina um fraterno abraço.

André Godoy .

Não tenha nenhuma dúvida, o que está movendo os ministros do stf (em minúsculas mesmo) é o medo. Medo do que pode estar por vir. Uma feliz Páscoa!

CARLOS ANTONIO DE SIQUEIRA ALENCAR .

Parabéns mais uma vez Professor. Feliz Páscoa...

Almanakut Brasil .

No tempo do Regime Militar, o brando, as famílias tinham apenas um televisor em casa e todos assistiam juntos, quando era do interesse de todos ou cada um via seu programa preferido no horário certo. Depois, veio rádio e o som nos outros cômodos, o televisor também e depois veio o PC, que era único para a família toda. Hoje, cada um no seu canto, com aparelho na mão e ninguém se entende mais e nem percebe a existência do outro. Parece um grande condomínio onde todos sabem que todos moram ali, mas ninguém se conhece. Mas, as redes sociais serviram para mostrar para a imprensa do século XXI, o lixo da imprensa do século XX. Atualmente, tem o mesmo sentido dizer leva no sapateiro e veja o jornal.

Afonso Pires Faria .

Já estava pronto para fazer um comentário contrariando o texto, para dizer que nem tudo se pode criticar, quando no fecho vem a síntese da coisa. Mas, etá é se cumprindo o prenúncio de que se o Bolsonaro ganhasse as eleições nós teríamos uma ditadura. Pois ela está chegando. Só a porta de entrada está sendo outra.

paulo assis valduga .

Caro Puggina, sempre ouvi dizer que os Ministros do Tribunal se consideram deuses e, portanto, intocáveis ... eu já estou quase acreditando que isso é verdade !!!

Fabiano .

Mais uma das incontáveis, precisas e contundentes analises de nossa realidade. Ler vossos textos e expandir a mente. Obrigado Mestre e excelente Pascoa.

Graziano .

Prezado Persival. Quão sábias e bem arranjadas suas palavras em descrever o nosso presente. Consegue sustentar com a verdade, a esperança da mudança. Que Deus nos conceda sua presenças por muitos anos. Feliz Páscoa.

MARCO ANTONIO GRAZIADEI .

Gostei muito desta sua colocação: "Não é a crítica que causa o descrédito, mas o descrédito que a motiva". Parabéns.
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