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COMO SE FÔSSEMOS ANIMAIS DE TIRAR CRIA

por Percival Puggina. Artigo publicado em

 

Durante os festejos dos Quinhentos Anos houve grupos políticos que tudo fizeram para desmerecer a comemoração. Enquanto os olhos do Ocidente se voltavam para o Brasil, alguns conterrâneos cuidaram, afanosamente, de transmitir a imagem de um país bem diferente do que ele é. Exibiram-no dividido e racista. Porque não amavam a pátria, anarquizaram sua festa. O Rio Grande do Sul, então governado por Olívio Dutra, foi o próprio anticlímax com uma campanha publicitária cujo slogan era: “Aqui são outros quinhentos!”. Aqui era um pedaço do Brasil onde o PT dava as cartas e jogava de mão.

 Em Porto Alegre, nas proximidades do Gasômetro, um grande relógio marcava, regressivamente, a aproximação da data. E assim ficou ele, assinalando o tempo, até ser depredado e incendiado enquanto indígenas de picadeiro, militantes petistas, dançavam em círculo, encurvados, como viam os apaches fazer em filmes de faroeste... O ridículo, exatamente por ser ridículo, não concede limites à ridicularia.

Assim como é verdade que temos problemas sociais, também é verdade que damos ao mundo um exemplo de integração racial. Há aqui brasileiros de todas as cores e todas as cores aqui se misturam. A mestiçagem é nosso maior orgulho étnico e quem procurar alguma “raça pura” (como se fôssemos animais de tirar cria), seja por interesse ideológico ou antropológico, terá dificuldade de encontrá-la no Brasil.

Qual o problema, se contamos menos índios puros do que ao tempo do Descobrimento? Certamente temos, também, menos portugueses puros do que tínhamos no séc. XVI. E os milhões – as dezenas de milhões – de brasileiros que resultaram do caldeamento entre o branco e o ameríndio? E quantos milhões de cafuzos e mulatos compõem o tipo brasileiro, que se caracteriza, precisamente, por não ter tipo algum? Não foi o meu Rio Grande do Sul povoado por paulistas (que já eram mestiços) e por lagunenses (resultantes de cruzas com carijós) que aqui se entreveraram, na cama e na campanha, com charruas e guaranis? Não é o gaúcho produto dessa mistura, ao qual se agregaram alemães, italianos, poloneses, etc.? Quão reacionária é a ideia de que os brancos deveriam ter ficado na Europa, os indígenas na América, os amarelos na Ásia e os negros na África!

Fica no ar, então, uma pergunta: a quem servem as exibições de contrariedade recorrentes a cada 21 de abril? Por que tratam como “genocídio” o povoamento do Brasil? Por que ensinam isso nas salas de aula, suscitando desapreço a pátria em crianças e adolescentes? Maldade! Pura maldade!

Tais condutas são impulsionadas por interesse dos grupos de esquerda, que não sobrevivem fora do conflito, da luta de classes e do ódio daí decorrente, e por interesse das ONGs internacionais que deitam olhos cobiçosos sobre a Amazônia Brasileira e usam a questão antropológica como uma de suas cunhas de penetração. É problema grave fazer um grande país com mentes cuidadosamente apequenadas em sala de aula.


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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.


   

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Comentários

Donizetti Oliveira .

O único participante imbecil do blog não se cansa de vomitar asneiras em todos os temas. É um militonto petralha de cérebro baldio.

Pedro Ubiratan Machado de Campos .

Dentre todos os belíssimos e inspirados artigos de sua lavra, este é, a meu ver, um que mereceria ser marchetado com ouro em rocha de granito. Só um pequeno reparo, o dia correto não é o 22 de Abril? A data postergada para homenagear-se o falso ícone da Ré-pública, o Tiradentes, no 21 de Abril? Lindo, também, teu comentário sobre a imagem de ambos os protagonistas do presente drama vivido por nossa Pátria. Nele, acrescento, a tristeza e desânimo na face do presidente é a marca dos pequenos e menosprezados escolhidos pelo Altíssimo para humilhar os grandes e soberbos poderosos. Quanto ao ex-juiz e ministro, a expressão das ambições frustradas sob uma máscara de humilde resignação.

PAULO CEZAR ALVES MONTEIRO .

Um artigo sensacional, como sempre....espero que aprecie este artigo sobre a renúncia de Sérgio Moro https://www.cultseraridades.com.br/a-renuncia-de-sergio-moro-artigo-de-paulo-monteiro/

Carlos Edison Fernandes Domingues .

PUGGINA. Para a esquerda, todo o ser é produto de se tirar cria, tornando-se um instrumento de conflito. Deste conflito, por ignorância ou má-fé, sempre sobra alguma coisa, para eles, na contagem da tropa. Carlos Edison Domingues

Dalton Catunda Rocha .

Em resumo: Luta de classes morta; lutas de bichos, florestas, gays, índios, quilombolas, raças e sexos estão todas elas postas. “Continuo detestando a racialização do Brasil, uma criação – eu vi – do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Nossa maior conquista – o conceito de povo brasileiro – desapareceu entre os bem-pensantes. Qualquer idiotice racial prospera. A última delas é uma linda e cheirosa atriz global dizer que as pessoas mudam de calçada quando enxergam o filho dela, que também deve ser lindo e cheiroso.” E concluiu: “Quero que as raças se fodam.” > https://istoe.com.br/racializacao-e-uma-histeria-que-tem-que-parar-diz-secretario-do-rio/

adao silva oliveira .

quinta-feira, abril 23, 2020 Quando Bolsonaro se dizia contra o “toma lá, dá cá” - FELIPE MOURA BRASIL Crusoé/O Antagonista 23/04 Em 19 de novembro de 2017, o então pré-candidato presidencial e deputado federal Jair Bolsonaro disse no programa “Canal Livre”, da Band, que deixaria o governo se a única forma de governar fosse por meio da distribuição de cargos em troca de apoio político – a velha prática conhecida no Brasil como “toma lá, dá cá”. “Eu duvido que, eu sentado na cadeira presidencial, vai aparecer o ‘Seu’ Renan Calheiros e vai falar: ‘Eu quero o Banco do Nordeste pra mim.’ Eu duvido que isso venha a acontecer: a forma de fazer política como foi feita até o momento. E toda a imprensa pergunta pra mim: como você vai governar sem o ‘toma lá, dá cá’? Eu devolveria a pergunta a vocês: existe outra forma de governar, ou é só essa? Se é só essa, eu tô fora!”, prometeu Bolsonaro. “Se é para aceitar indicações políticas, a raiz da ineficiência do Estado e da corrupção, aí fica difícil você apresentar uma proposta que possa realmente proporcionar dias melhores para a nossa população”, acrescentou o então deputado, destacando também que “geralmente os grupos políticos loteiam esses cargos para se beneficiar”. Para Bolsonaro, se o Parlamento continuasse a impor seus nomes, o caos seria o destino do país. “A mensagem que quero dar para todos no Brasil, inclusive no Parlamento, é a seguinte: se o Brasil estiver bem, nós estaremos bem, e não o contrário. Não o meu grupo político estando bem, o Brasil vai estar bem. Nós estamos partindo para o caos. Não dá para continuar administrando o Brasil dessa forma: o Parlamento indicando, impondo os seus nomes!”, disse o então pré-candidato. Agora, em abril de 2020, com Bolsonaro sentado na cadeira presidencial, seu governo negocia cargos em órgãos públicos com o Centrão em troca de apoio político do bloco parlamentar, como registrou O Antagonista. Em vez de ‘Seu’ Renan Calheiros, quem busca para o próprio partido a presidência do Banco do Nordeste é o condenado no mensalão ‘Seu’ Valdemar Costa Neto, do PL, antigo PR. Bolsonaro “tá fora”?

Luiz R. Vilela .

Sempre achei temeroso, julgar-se as coisas que ocorreram no passado, pelos valores de hoje. A cada época, tinha seu sentimento peculiar. Talvez muitas das atitudes tomadas em tempos idos, se tivessem sido diferente, hoje também o resultado seria adverso. A natureza moldou as características de todos os seres, racionais e irracionais, conforme as regiões que passaram a viver. ao se espalharem pela terra, os humanos passaram a ser frutos do meio onde foram viver. Criaram características próprias. A natureza, pelo clima, também tratou de adequar os indivíduos ao desenvolvimento necessário a sua sobrevivência. Assim fez com que os habitantes de regiões mais frias, fossem mais criativos que os habitantes de regiões mais quentes. Aprenderam, por exemplo, os que viviam no centro e norte da Europa, que deveriam produzir no verão, para sobreviver no inverno. A luta pela sobrevivência, tornou-os mais criativos, diferente dos habitantes da áreas tropicais ou próximas, que a natureza lhes provia de meio de sustentação inverno e verão. Bastava estender a mão e apanhar um fruto, ou esticar um arco e flechar um animal, que sua alimentação estava garantida. Não tinham a necessidade de serem mais criativos. Problema, foi quando estes "mundos" se encontraram, sem qualquer preparação anterior, o choque de culturas foi trágico. Os mais evoluídos passaram a dominar os menos desenvolvidos, criando distorções que perduram até hoje. Quando os europeus chegaram as Américas, tentaram impor seus costumes aos nativos, foi o primeiro choque cultural. Jamais pensaram os vindos do "velho continente", que nas Américas, teriam que ser como os indígenas. Eram mais evoluídos culturalmente, impuseram seus valores. Os da África sub-saariana, nem tiveram escolha, foram trazidos a força, tiveram que assumir e se adaptar a um modo de vida, que nunca foi o deles. Até hoje lutam para se integrar ao sistema, que continua sendo-lhes adverso. Não sei se algum dia, num pais de acolhimento a estrangeiros, como o Brasil, todos terão o sentimento de serem filhos desta terra.
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