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O QUE O STF TEM A VER COM ISSO?

por Percival Puggina. Artigo publicado em

 

 Quando ocorrem desavenças nas brincadeiras de crianças, é comum que uma delas, sentindo-se prejudicada, saia do grupo para se queixar ao papai, ou ao irmão mais velho. Nem criança acha louvável tal conduta. Na minha infância, esses meninos eram chamados “filhinhos do papai”. Imagine, agora, partidos políticos, nanicos ou não, correndo infantilmente ao Supremo sempre que algo os contraria, seja no parlamento, seja no governo. É a judicialização da política fazendo o rabo da pandorga chamada politização da justiça.

Desta feita coube ao PV choramingar sua contrariedade perante uma das consequências da derrota da esquerda que comanda as universidades brasileiras com muito maus resultados até onde a vista alcança. O partido finge desconhecer que liberdade é exatamente o atributo desejável que o aparelhamento eliminou em tantas delas. Apelou então o partido aos companheiros grandões do STF, cujo plenário, como se sabe, também foi aparelhado, para que imponham ao presidente da República o dever de nomear como reitores e vice-reitores, sempre e sempre, aqueles que constem em primeiro lugar nas listas encaminhadas a ele pelos Conselhos Universitários. Responda você, leitor: o que tem o STF a ver com isso?

A Ação Direta de Inconstitucionalidade impetrada pelo PV ataca a Lei 9192/92 que afirma, literalmente, o contrário, referindo-se aos dois cargos: “... serão nomeados pelo Presidente da República, escolhidos dentre os indicados em listas tríplices”. Essa norma vigeu sem embaraços durante 28 anos, mas a derrota da esquerda em 2018 amargou a receita. De repente, ela ficou tão intragável para a esquerda brasileira que o próprio ministro Edson Fachin, relator do caso, precisou regurgitar por inteiro sua opinião sobre o mesmíssimo assunto. De fato, em 2016, no Mandado de Segurança 31.771, ele votou no sentido oposto ao que defendeu na última sexta-feira. (1)

Para fundamentar tamanha contradição, o ministro precisou acionar mecanismos do Grande Irmão orwelliano e penetrar na mente do presidente da República para identificar ali as mais funestas intenções de intervenção na autonomia universitária. Nada surpreendente. O STF tem explicitado nitidamente esse ponto de vista e evidenciado a intenção de transformar o presidente numa espécie de gestor de massa falida. Ai dele se tiver qualquer ideia própria, qualquer intenção pessoal que possa ser vista como conservadora. Ai dele se divergir desse território sem lei nem ordem em que sucessivas presidências credoras de tanta gratidão na Corte transformaram o Brasil.

Mais uma vez, o STF se sobrepõe ao Congresso Nacional e ao Poder Executivo, fazendo lei contra prerrogativas do presidente. O excelente Alexandre Garcia, comentando o assunto na CNN, fez a pergunta que desnuda a má intencionalidade do partido impetrante e do ministro relator: “Se é para escolher obrigatoriamente o primeiro da lista, para que a lista?”.


(1) https://www.conjur.com.br/2020-out-09/voto-fachin-lista-triplice-contradiz-decisao-anterior
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.


 

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Comentários

Luiz Alonso Adrião .

Haja "creolina" para desinfecção do Estado brasileiro, aparelhado em todas as esferas. Tarefa dificílima.

FERNANDO A O PRIETO .

A má escolha dos reitores é mais um passo na desvalorização das instituições de ensino, que cuidam (ou deveriam cuidar...) de educar o povo. Está chegando o tempo (se é que ainda não chegou), em que um diploma universitário não atestará nada , a não ser que seu portador esteve exposto, durante alguns anos, a meia dúzia de jargões esquerdistas e decorou alguns deles. Já estamos vendo jornalistas, advogados, políticos... (portanto, profissionais que vivem da palavra) que mal sabem formar frases em que o predicado concorda com o sujeito! Mais vale alguém que não tenha diploma superior algum, mas LÊ, do que esses "PhD" e semelhantes! Mesmo para os técnicos e profissionais que se dedicam às ciências exatas e biológicas, não há cultura sem leitura de textos de bom nível; alguns dos atuais nem sequer entendem direito as perguntas - como poderão saber as respostas?

Celso Ladislau Kassick .

As ditaduras esquerdistas nada respeitam!

Menelau Santos .

Professor, para nosso desalento, a comparação que o Sr. faz é precisamente essa. E o pior que nossos pais quando recebiam uma queixa descabida, além de não dar ouvidos, ainda davam uma justa bronca no reclamante. Mas infelizmente os atuais integrantes do STF, tristes, patéticos, irresponsáveis, incompetentes, arrogantes, inconsequentes, ridículos e desprezíveis nada fazem para mudar essa situação.
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