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OS PODERES E OS MILITARES, OU AS PEGADAS DA CENSURA

por Percival Puggina. Artigo publicado em

 

 “Isso não pode ser fato gerador de crise absolutamente nenhuma. Porque, no dia em que o Judiciário não puder cassar ato do Executivo e não puder declarar inconstitucionalidade da lei, tem que entregar a chave do Judiciário e fechar a corte”. (Ministro Luiz Fux em conferência na Expert XP)

Em princípio não há qualquer controvérsia em relação ao dito pelo ministro na epígrafe acima. Em 10 de setembro, é bom lembrar, ele substituirá Dias Toffoli na presidência do Supremo Tribunal Federal. A controvérsia ganha forma e vida quando um ministro cruza a linha amarela, cruza a linha vermelha e mete o pé na porta do chefe do Poder Executivo para impedi-lo de nomear o diretor-geral da Polícia Federal, ou de extinguir onerosos conselhos que são verdadeiros sovietes encrustados na administração. Atribuir mauvaise intention ao presidente da República é quase uma declaração de guerra que, como tantos outros atos destes últimos meses, encontrou do outro lado da praça alguém decidido a cumprir a regra do jogo mesmo quando for o único a fazê-lo e mesmo sendo acusado de aspirações autoritárias que, sem muito esforço, se identificam em outras instalações e agências do poder.

E os militares? Por que tantos militares? Na instabilidade política de um país dividido, os militares representam, para o governo, a necessária segurança da cadeia de comando. Há quem, sem qualquer indício do que afirma, evoque fantasmas que criaram em suas “narrativas” históricas e fazem questão de manter no balcão de apostas da Praça dos Três Poderes.

Pondere, então, esta outra situação. Há bem poucos dias, o ministro Gilmar Mendes, palpitando publicamente sobre o Ministério da Saúde, criticou a presença de militares na pasta e afirmou que o Exército estava se “associando a esse genocídio”. Ninguém se surpreenderia ao ler algo assim, tão politicamente alinhado, num site de esquerda. Mas convenhamos, pronunciado por pessoa investida de poder de Estado, é uma afronta ao Exército Brasileiro. Pois essa afronta encontrou no Ministério da Defesa uma resposta que é verdadeira lição de sobriedade e um burocrático encaminhamento à PGR do agravo sofrido. Também nossas Forças Armadas estão decididas a cumprir a regra do jogo, mesmo em circunstâncias adversas. Ainda assim, nos partidos de oposição, no Congresso Nacional, na grande mídia militante e nos quadros do STF, há quem atribua intenções golpistas ao presidente e aos militares. Nem as más notícias disponibilizadas pelos maus veículos de opinião conseguem adequar o que contam com o que as pessoas veem.

Você, cidadão, observe de quais portas se originam as pegadas da censura. Elas dizem muito sobre o jogo de cena que está sendo praticado no Brasil.

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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 

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Comentários

Carla Marzagão .

Gostaria de compartilhar esse artigo no Parler, em minha página : https://parler.com/profile/Carlamarzagao/posts Preciso de sua autorização para isso. Parabéns por essas pérolas. Agradeço.

João afonso Moreira Neto .

Observei e constatei que são pegadas de 11 indivíduos que agem sorrateiramente contra o Brasil.

Afonso Pires Faria .

Tão óbvio, mas dito de forma tão brilhante, ganha um maior grau de relevância. Fostes benevolente em poupar o legislativo que também está a meter o pé na porta do poder executivo dia sim, dia também. Parabéns mais uma vez professor. Afonso

Lucia Regina C.G.Natal .

Texto esclarecedor e verdadeiro. Até quando iremos suportar os despartes dos que torcem pro país descer ladeira abaixo? Abraços.

Germano Brendler .

Parabéns pela brilhante e madura interpretação, prof. Puggina.

Luiz R. Vilela .

Luis Inácio Lula da Silva, egresso do sindicalismo brasileiro, aparelhou a administração pública federal com seus "cumpanhêro" dos sindicatos. Indivíduos incapacitados para os cargos a que foram nomeados, foi a tônica nos governos petista. A companheirada se esbaldou. Além do próprio lula, muitos partiram depois para a carreira política, alguns depois atropelados pela lava jato. Jair Messias Bolsonaro, egresso da vida militar, tenta administrar o pais, usando para tal, seus antigos companheiros de farda. A gritaria esta alguns decibéis acima do normal, esta o sindicalismo radicalmente contra o governo Bolsonaro, afinal levaram anos para conseguir as "boquinhas" e de uma hora para outra, foram alijados delas. É compreensível a choradeira. Mas esta não é a primeira vez que vemos o embate entre o militarismo e sindicalismo. Em 1964, já houve este confronto, e todos sabem o que aconteceu, agora esperamos que a contenda fique só na retórica, e que os apeados dos cargos, busquem outras ocupações e deixem os que ganharam as eleições, administrar o pais. Ao ministro Luiz Fux, que parece ser bastante equilibrado, aquela receita antiga, de que prudência e caldo de galinha, nunca fizeram mal a alguém. A verdade é que o povo confia muito nos militares, e muito pouco nos políticos. Então a recomendação é que os políticos procurem recuperar a confiança popular, e depois então tentem se igualar aos militares.

Andre Moretto .

concordo plenamente com suas palavras, vejo com espanto, todos os dias ações dos dois poderes, contra o atual executivo. tudo parece motivo para imobilizar este último. e o país só perde com tudo isso.

José Nei de Lima .

Nem assumiu a presidência do STF, imagine quando estiver no poder, aguardamos o que vem por aí, vamos ficar atentos, um grande abraço e uma ótima semana que Deus vós abençoe amem.

Paulo Monteiro .

Um texto fabuloso Professor Puggina

PAULO FREIRE .

A desfaçatez é a tônica na ação dos inimigos do Brasil. Eles, de uma hora para outra, desnudaram-se, e revelaram, literalmente, a sua intenção totalitária subjacente em todos esses longos anos de ideologia comunista no Brasil. Todos eles sentem-se excitados e esfuziantes em suas verborragias. Todos eles, em todos os níveis hierárquicos do Estado, definem, unilateralmente, pseudos valores de conduta, e segregam os que não aceitam tais valores. O ministro Gilmar Mendes é um desses agentes verborrágicos que defenestram as bases sociais em prol de sua ideologia totalitária.
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