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UM PODER PARALELO QUE NÃO PERDE ELEIÇÃO: NOSSOS MUITOS SOVIETES

por Percival Puggina. Artigo publicado em

 

 Durante décadas fui participante ativo de debates políticos nas emissoras de rádio e TV de Porto Alegre. Eram anos de ostracismo para o pensamento conservador e para as ideias liberais de que o país era tão carente. Contavam-se nos dedos os que se dispunham a enfrentar o esquerdismo que ia dominando a política nestas bandas. Na Rádio Guaíba, um estúdio instalado na esquina da Caldas Júnior com a Rua da Praia proporcionava som e ampla visibilidade ao público que se acotovelava para assistir as discussões do programa Espaço Aberto. Durante a Feira do Livro, o “Estúdio de cristal”, como era chamado, mudava-se para a Praça, e a multidão, literalmente, cercava aquele ringue retórico para ver quem iria às cordas.

À medida que nos aproximávamos do fim do milênio, os partidos de centro-direita e de direita foram virando apoiadores de quaisquer governos, espécie de contrapeso nas disputas eleitorais, deixando sem trincheira ou expressão o ideário conservador e liberal. Fechavam-se, no Rio Grande do Sul, as últimas portas ao debate político que fosse além do bate-boca pelo poder. Ou, com palavras melhores, em que essa disputa não fosse a única finalidade de todo argumento.

Lembro-me de ter ouvido do governador Alceu Collares, num desses debates, pela primeira vez, referindo-se ele aos partidos do espectro esquerdista: “Nós, do campo democrático e popular”. A expressão disseminou-se.

Socialistas, marxistas e a esquerda em geral agarraram-se com braços e pernas ao binômio democrático-popular. Posavam como donos desse “campo”. Nele jogavam futebol e golfe, criavam gado e faziam seus melhores discursos. E criavam conselhos populares... Então, como ainda hoje, eram avessos à propriedade privada, mas o tal “campo” foi cercado, escriturado em seu nome e passou a lhes pertencer o inço que ali crescia.

Não falo, apenas, de uma pretensão local, mas de uma obstinação mundial. É bom lembrar que Albânia, Bulgária, China, Cuba, Camboja, Coréia do Norte, Mongólia, Vietnã, Iêmen, e todas as demais republiquetas africanas, asiáticas e europeias, que em décadas anteriores adotaram o socialismo, se apresentavam ao mundo como “democracias populares”. Enchiam a boca e estatutos constitucionais com sua condição de people’s republic. E o leitor está perfeitamente informado sobre seus principais produtos: totalitarismo, supressão das liberdades, genocídio e miséria.

Aqui no Brasil, o dito campo esquerdista encontrou na criação e povoamento de conselhos uma forma de se institucionalizar e atuar politicamente. Na administração pública estão em toda parte. Com exceções, formam pequenos sovietes, determinando e impondo políticas. São detentores de um poder paralelo que somente na órbita federal se manifesta através de 2.593 colegiados, segundo matéria de O Globo publicada em 29 de junho de 2019. Na véspera, Bolsonaro havia anunciado a intenção de reduzi-los a 32.

No entanto, esses aparelhos políticos resistem. Os 996 conselhos ligados a instituições federais de ensino operam em ambientes blindados pela autonomia universitária. Outros foram instituídos por lei e só poderão ser cancelados por outra lei. Assim, no curto prazo, apenas 734 criados por decretos federais ou por portarias dos próprios órgãos federais estão liberados para encerramento de atividades.

Note-se: a criação e operação de grande parte desses conselhos, muitos dos quais altamente onerosos ao pagador de impostos, é apenas uma das formas de aparelhamento da administração pública, que deveria ser apartidária, técnica e comprometida com a redução do peso do Estado sobre a sociedade.

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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 

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Comentários

João Cleucio Nogueira Lima .

Meu caríssimo Percival Puggina! Bons Dias... Muito agradável e didático ler esse seu artigo. Penso que, para modificar o atual estado de coisas (o Establishment das esquerdas ), o país necessitaria, primordialmente, de uma nova constituição elaborada por notáveis e não por políticos, como salientou, acima, o seu leitor Sérgio Alves. Para que isto aconteça é preciso acontecer: Mais 4 anos de Bolssonaro e depois mais 8 anos de Moro; neste ínterim teríamos que torcer para sacarem fora uns 4 ou 5 ministros do STF. Ai sim haveria clima para a redentora Constituição que tanto nós almejamos.

Sérgio Alves de .

Meu Caro Professor Puggina: Não podemos olvidar que a "mãe" de todas essas leizinhas safadas de criação dos milhares de "Conselhos" é a própria Constituição "cidadã" .Levariamos mais de um século para alterá-las ,uma a uma. Nem emenda constitucional adiantaria,pois seus alcances são super limitados. Teria que haver,sim,uma nova constituição, revogando tudo em "pacote". Mas não poderia ser feita pelos políticos. O desastre aumentaria,com certeza. E isso só poderia ser feito mediante um regime de força, efetivamente moralizador, com participação das melhores "cabeças" do país.

DIEGO FABIO DOS SANTOS .

Excelente artigo, impressionante como a máquina pública é aparelhada neste país, e sempre usando cargos públicos para impôr restrições ao pensamento politico.

Menelau Santos .

Lembro-me de ter assistido, quando criança, um filme chamado "A Máscara do Horror". A face do homem havia se contorcido e ele procurava uma cura. Enquanto isso, usava uma máscara para esconder a terrível visão de seu rosto. Ele era muito rico e muito cruel. Seus empregados e criados eram punidos com terríveis sessões de sangue-sugas. A vítima ficava amarrada numa cadeira enquanto os bichos grudavam nas costas e nas pernas dela. Essa cena muito me impressionava pelo semblante de sofrimento que os apenados faziam. Essa situação me lembra muito o Estado brasileiro, sofrendo com essas sangue-sugas grudadas em suas instituiçoes. A energia esvaindo-se através de todo aparelhamento que o governo Bolsonaro tenta combater. Toda essa energia não é senão nossos impostos e todo fruto da labuta dos brasileiros para sustentar esses parasitas. Ironicamente me remeto à um verso do nosso grande sambista Chico Buarque: "Seus filhos Erravam cegos pelo continente Levavam pedras feito penitentes Erguendo estranhas catedrais".

Ismar .

Puggina, se você fosse da mídia paulista seria um pensador rico e famoso. Como gaúcho, no meio da catrefada vermelha, você é apenas o maior guia vivo que conheço. Vem pra Santa e bela Catarina, largue esses histéricos falando sozinho.

lucia maria lebre .

Como sempre, uma análise brilhante!

Ze maria .

Espero que o Presidente, para fechar esses antros, adote as mesmas táticas dos esquerdas: justifique, amarre o fechamento à liberação de dinheiro para tal causa popular. Aí quem for contra, será contra a causa popular.

Dalton Catunda Rocha .

Causas reais do sucesso econômico e educacional da Coreia do Sul: 1- Ditaduras militares completamente de direita, controlando todo o país, por cerca de trinta anos (1961 – 1988). De 1961 até 1988, existiram dois generais-ditadores com mão de ferro governando a Coreia do Sul. Não houve espaço político para possíveis clones coreanos de Jango, Sarney, FHC, Lula, Dilma, etc. 2- Um modelo econômico completamente de direita, sem espaços para getulhismos do tipo monopólio estatal do petróleo ou reservas de mercado. 3- Dos anos 1950 ao final dos anos 1980, havia punição brutal a professores que ousassem pregar marxismo e esquerdismos em geral, nas aulas. 4- Dos anos 1950 até o final dos anos 1980, haviam castigos físicos para alunos que faltavam às aulas, conversavam nas salas de aula, tiravam notas baixas. Estes castigos físicos existiam desde a pré-escola, até o final do segundo grau. 5- O governo da Coreia do Sul obrigava e tinha na educação, o objetivo maior do país, ao lado dos gastos militares. No Brasil, de Sarney para cá, apenas os gastos com a ciranda financeira superam mais do dobro de todos os gastos restantes, em conjunto, sendo o espaço de defesa + educação sempre inferior a 5% do gasto público de Sarney (em 1985) para cá. 6- Ao contrário da lenda, os professores da Coreia do Sul ganhavam pouco, nos anos 1960 e 1970, mas eram altamente cobrados, pelo seu desempenho. 7- As escolas da Coreia do Sul, não tinham lugar para badernas, greves, pichações e preguiça. 8- O ensino superior foi reduzido, mas moldado ao modelo americano, sendo os professores trazidos das melhores universidades americanas. Sul-coreanos que foram estudar nos Estados Unidos e, voltaram para ensinar na Coreia do Sul, conforme o melhor ensino superior do mundo. 9- Os pais que deixavam seus filhos foram da escola eram presos. E aqueles que mandavam seus filhos pedirem esmola na rua além de presos, perdiam a guarda das crianças. A mendicância era e é um crime, na Coreia do Sul. Em suma. Na Coreia do Sul, se criminalizaram a ignorância e a mendicância, enquanto aqui se chama de "vítima do capitalismo", aqueles que mandam seus filhos pedirem esmolas, lá na Coreia do Sul, eles foram tratados como criminosos, já na década de 1950. 10- A Coreia do Sul se fez uma firme aliada dos Estados Unidos. 11- A Coreia do Sul não tem riquezas naturais. Sem espaço para slogans vazios do tipo "O petróleo é nosso!". 12- Se impôs o ensino de inglês, que é a língua franca de todos os ramos do conhecimento humano, em todos os colégios. Aqui, o Lula impôs o ensino do inútil espanhol e dos nocivos sociologia e filosofia, que são cadeiras cativas de fracassados marxistas, em todos os colégios. Tornando assim nossos colégios em fábricas de comunistas, incompetentes e imbecís. ****** O resultado? Em 1979, a renda per capita do Brasil era similar àquela da Coreia do Sul. Também em 1979, a renda per capita da Coreia do Sul era inferior à metade da renda per capita da Venezuela. Hoje, a renda per capita da Coréia do Sul é semelhante à renda per capita dos Estados Unidos. Para ver um vídeo sobre este assunto, eu lhe peço, que veja a palestra que começa aos seis minutos e vários segundos do site https://www.youtube.com/watch?v=axuxt2Dwe0A

Tito Augusto Stella Borges .

Artigo muito esclarecedor. O aparelhamento do Estado é um legado da social democracia, e da extrema esquerda, que infesta o aparelho de estado e entidades de classe. Eles ainda vão influenciar muita gente por muitos anos ainda. A guerra está só começando.
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