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UM REINO DIVIDIDO CONTRA SI MESMO

por Percival Puggina. Artigo publicado em

 

 A sociedade brasileira conviveu, por várias décadas, com uma letargia que permitiu serem dizimadas suas convicções, sua cultura, seus valores. Sob pressão do politicamente correto, por falta de qualquer contraditório minimamente eficiente, permitiu que se instalassem os divisionismos sobre os quais muito se tem escrito. Em nome da diversidade, ressaltaram-se as diferenças e se instalaram antagonismos onde diferenças houvesse: relações familiares, etárias, laborais, sociais, de cor da pele, de sexo, sempre criando muralhas intransponíveis, conflitos e uma diversidade bizarra. Das entranhas da estupidez humana surgiam, então, as modernas formas da luta de classes numa sociedade que consentia em dividir-se e em dar curso a esse fenômeno.

 Ao longo dos anos, observando o unilateral uso político dessa patifaria sociológica se converter em pautas dos poderes de Estado, cuidei de denunciar a causa e sublinhar seus efeitos.

 Aquela maioria dormente rugiu seu despertar nas ruas e no subterrâneo das redes em que os “coxinhas” clamavam contra os males feitos ao país. A hegemonia estabelecida nesses dois espaços de expressão suscitou muita malquerença. Era inaceitável que surgisse “do nada” uma força política vitoriosa exatamente nos dois nichos de opinião – habitados por conservadores e liberais – sempre inoperantes, passivos, letárgicos. Os dois adjetivos ocupavam lugar de destaque nos xingamentos da esquerda. Como entender que saíssem do armário em que eram contidos para, no momento seguinte, se tornarem vitoriosos nas urnas? Você tem ideia, leitor, de quanto poder ali foi perdido?

 Infelizmente, o sucesso eleitoral esbarrou com a resistência dos outros poderes. E surgiu no Brasil uma nova divisão, um novo antagonismo, muito mais severo. Verdadeiro seccionamento da sociedade. De um lado o governo e seus eleitores cientes do risco de uma derrota no curso do mandato; de outro o Congresso e o STF, e a militância da esquerda, na mídia, na Universidade, no ambiente cultural. Para criar novas divisões, há eleitores do presidente que cobram dele que faça o que não deve e adversários que o acusam de já haver feito o que não deve. Há as provocações de Celso de Mello, as demandas ridículas de Lewandowsky, as intromissões de Alexandre de Moraes. Desaforos em cascata e a sociedade que se dane. Se o povo na rua ainda afasta os golpistas, a mídia militante se empenha em desdenhá-lo, descredenciá-lo. No reino dividido, tudo está politizado e, pior do que isso, judicializado: da hidroxicloroquina ao atestado médico, da indicação de um novo diretor-geral da PF às formas de isolamento.

Como não vir à mente as palavras de Jesus no evangelho de Mateus (12:25): “Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá.”

Está faltando juízo a muita gente que, graças à posição que ocupa, se lixa para o padecimento do Brasil real.

 

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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

 

 


 

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Comentários

Joel Robinson .

Concordo mas acrescento que um dos maiores culpados alem da mídia e determinados intelectuais ( e filósofos, se existem) de meia tigela o conformismo e o "quero quero" de um povo alienado pelo futebol, carnaval, cerveja e festança que não sabe fazer uma regra de três, mas é especialista em politica e agora em infectologia. Um povo que nem sabe que é o sindico do seu condomínio, nem se lembra quem votou para vereador ou deputado. nunca leu um artigo do Código Civil, ou do regulamento do condomínio. Você quer o que de pais que jogam os filhos na escola pra serem "educados" por uma malta de professores ideologistas e ainda pagam. Politica virou grenalismo levado ao extremo da ignorância e efeito boiada. Vida de gado e feliz...

Caliman - Sorocaba - Portugal .

Sr. Puggina, bom dia, que Deus o abençoe. Parabens pelo artigo, descrição fiel do Brasil hoje. Meu pitaco, 1 - constituição com poucas, claras e eficientes leis. 2 - começar a educação como a que tínhamos na decada de 70, ospb, musica, ingles, frances, desenho, etc. 3 - aguentar 20 anos para essa geração assumir. 4 - até la rezar, ou procurar um pais com mais solidez. E TENHO DITO. MUITA PAZ E SAUDE A FAMILIA

Pedro Ubiratan Machado de Campos .

Como sempre, mestre Puggina nos agracia com um texto de luz em tempos trevosos. À citação de Mateus 12:25, acrescentaria o versículo 10:34: Não cuideis que vim trazer a paz à terra, não vim trazer a paz, mas a espada..." A inveja odienta da esquerda caviar que vicejou nos campi universitários, na mídia militante, nos antros do poder e nos negócios bafejados pelas benesses estatais, de repente, viu-se alienada do Brasil profundo, percebeu-se clamando no deserto, enquanto as multidões tomaram ruas e praças fustigando-as e, por fim, alijando-as do poder executivo e, agora, exigindo que se afastem dos demais onde, aboletadas por compadrios imorais, agarram-se como carrapatos pouco se importando que quase deixaram a nação exangue. A história da cristandade no mostra que a Divina Providência por vezes escolhe os mais humildes e insignificantes para derrotar soberbos poderosos. É o que vemos hoje no Brasil.

Luiz R. Vilela .

O ex chanceler da Alemanha Helmuth Schmidt, costumava dizer que: " Um acordo com um tigre, poderá ser feito, se for aceito ser comido por ele", outro acordo ele não faz. Assim imaginar que o presidente da república Jair Bolsonaro possa resolver suas diferenças com seus opositores na base da "conversa", é pura ingenuidade. Hoje o antagonismo ao atual governo se dá em três frentes. O centrão e seus aproximadamente 300 deputados, a mídia ávida por verbas públicas e a esquerda sedenta do poder. Com o centrão só haverá acordo, com a entrega da chave do cofre, sem dinheiro, sem apoio. Com a mídia, também só com os "agrados" da farta publicidade governamental e com a esquerda, não há acordo possível, sem que seja entregue aos esquerdistas, o poder total. A esquerda não negocia, apenas exige alinhamento inconteste as suas teses. Então esta o Bolsonaro sem opção, não faz acordo e continua remando contra a maré, ou se deixa devorar pelo tigre. Quando pregaram Cristo na cruz, as opções eram as mesmas.

Donizetti Oliveira .

Depois dos governos pós Regime Militar, todos ficamos sabendo exatamente o que significa o verbo "NEGOCIAR" nos meios políticos.

Karen .

Muito bom ! Tempo de extrema apreensão e angústia. Coração sempre aos sobressaltos com relação aos rumos políticos e econômicos. Não há sossego . Difícil combater uma resistência tão sorrateira, inescrupulosa e de poder ilimitado ( Judiciário) .

vitorio perozzo .

Faço minhas as palavras sobre o uso das máscaras.É um atentado contra a própria vida.Caminho todos os dias,procuro locais mais livres,mas não uso máscara,prefiro respirar o ar puro do que meu próprio veneno.GRATO

Vitorio Perozzo .

Parabéns amigo,que DEUS continue te iluminando,um dia tua luz resplandecerá.DEUS nunca nos abandona e o BRASIL não será vencido pelos malfeitores. O PRESIDENTE será iluminado através das nossas orações e na hora "H"a justiça será feita. Como diz o ditado (ela tarda mas não falha) e a justiça de DEUS nunca falhou.UM GRANDE ABRAÇO

José Nei de Lima .

Verdade meu amigo, temos que que ter muito cuidado com as palavras mal editadas, o país precisa voltar para o combate do que está acontecendo no mundo e principalmente no Brasil, vamos salvar a nação brasileira. Um grande abração meu amigo que Deus vos abençoe e proteja amém, uma ótima semana.

ROBERTO TADEU TESCK .

Puggina. Gentileza pensar e pesquisar, sobre o ato de inspirar oxigênio, expirar CO2, como todo ser vivo, mais outras bactérias, células mortas etc. e voltar a inspirá-las, num circulo vicioso(uso contínuo de máscaras). Agradeço se divulgar.

paulo monteiro .

Um texto maravilhoso...levando

Victor Hugo Carrão .

Parabéns Puggina! Fecha em chave de ouro o seu artigo: "Como não vir à mente as palavras de Jesus no evangelho de Mateus (12:25): “Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá.” Está faltando juízo a muita gente que, graças à posição que ocupa, se lixa para o padecimento do Brasil real".

Geraldo de Andrade Junior .

Também concordo com o Sr Maicon. Nosso dirigente máximo não tem demonstrado capacidade de agregação e de gestão de equipes e talentos.

Cairo CamargoBr .

Brilhante como sempre, alma límpida e coração forte e puro. Parabéns meu amigo, escrevas ainda mais para esclarecimento do povo gaúcho e brasileiro.

EDISON BECKER FILHO .

Ótimo texto e se enquadra naquilo que entendo. A dita ditadura foi tanta que permitiu que o que hoje presenciamos fosse efetivado. Então ela foi serviçal ou não existiu! Como bem dito pegaram por segmentos da sociedade e usaram o racismo, o social, o sexual, o religioso e temperaram cada um. Após juntaram tudo como se fosse uma receita e o resultado está aí. Lamentável que hoje estejamos divididos assim, muito mais preocupados em dividir do que conquistar. A quais interesses atendem uma sociedade que não evolui pela divisão imposta de forma tão gradual ao longo do último século e neste. Ainda mais agora neste período de pandemia, de oportunismo em demasia. Onde claramente a mídia tenta se assumir como poder, face a falta de cidadania que a muito apresentamos, na forma como pensamos, no somatório disto com sociedade. Continuarei convicto com meus valores e na esperança de uma nação unida e coesa buscando o bem de todos!
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