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AFINAL, QUEM TINHA RAZÃO?

por Percival Puggina, com conteúdo de Frontliner. Artigo publicado em

Leio em Frontliner 11/10/2020

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou os líderes contra confiar nos lockdowns para combater os surtos – após ter dito anteriormente que os países deveriam ter cuidado com a rapidez com que reabrem.

O Dr. David Nabarro, ex-candidato do Reino Unido para chefiar a OMS e atual Enviado Especial para Covid-19 da organização, disse que tais medidas restritivas devem ser tratadas apenas como último recurso.

Em entrevista à Andrew Neil, da revista britânica The Spectator, Nabarro afirmou que a única coisa que os lockdowns conseguiram foi pobreza – sem nenhuma menção ao potencial de vidas salvas.

“Nós, na Organização Mundial da Saúde, não defendemos os lockdowns como o principal meio de controle desse vírus”, disse o Dr. Nabarro.

“A única vez em que acreditamos que um lockdown se justifica é para ganhar tempo para reorganizar, reagrupar, reequilibrar seus recursos, proteger seus profissionais de saúde que estão exaustos, mas, em geral, preferimos não fazer isso”, disse o Enviado Especial da OMS.

No mês passado, Nabarro disse aos parlamentares do Comitê de Relações Exteriores do Reino Unido que “medidas de contenção” levariam a “grandes aumentos na pobreza, fome, desemprego e assim por diante”. Agora ele alertou a The Spectator para “uma catástrofe global horrível” que está se desenrolando.

Nabarro disse que há danos significativos causados por lockdowns rígidos, com impacto global devastador nos níveis de pobreza, especialmente nas economias mais pobres que estão sendo afetadas indiretamente.

“Basta olhar para o que aconteceu com a indústria do turismo no Caribe, por exemplo, ou no Pacífico porque as pessoas não estão tirando férias”, disse.

“Veja o que aconteceu com os pequenos agricultores em todo o mundo. Veja o que está acontecendo com os níveis de pobreza. Parece que podemos muito bem ter uma duplicação da pobreza mundial no próximo ano. Podemos muito bem ter pelo menos o dobro da desnutrição infantil”, destacou Nabarro.

O contexto nos países pobres é muito diferente das nações mais ricas, pois pode levar à fome.

COMENTO

O presidente errou nas suas rotinas de não usar máscara, promover aglomerações, apertar mãos, etc.. Errou ao minimizar os riscos inerentes à transmissão do vírus, ao falar em gripezinha, modalidade em que a Covid-19 se apresenta, mesmo, na maior parte dos casos. Mas acertou ao se opor às rígidas regras impostas e à violência a que estados e municípios submeteram seus cidadãos, seus meios de subsistência, e suas atividades econômicas.

Bolsonaro não tinha informação científica com que se orientar, mas intuiu as catastróficas consequências que adviriam exatamente para essas populações mais pobres a que se refere o Dr. Nabarro. Este, na verdade, reitera a posição assumida por mais de 10 mil cientistas de medicina e saúde pública e 25 mil médicos clínicos que subscrevem a Declaração de Great Barrington (1) reproduzida aqui no dia 09/10 (2).

     (1) https://gbdeclaration.org/declaracao-de-great-barrington/ 
    (2) http://www.puggina.org/fique-sabendo/declaracao-de-great-barrington/6786