Puggina.org by Percival PugginaConservadores e Liberais

CENTRÃO, ESPECIALISTAS EM INTERESSE PRÓPRIO

por Percival Puggina. Artigo publicado em

 

Leio em Diário do Poder


Prisão após condenação em 2ª instância mete medo em setores do Congresso, como mostra a jogada para “melar” a PEC já aprovada na CCJ pelos deputados. O Centrão “toca de ouvido” com Rodrigo Maia, chefão da Câmara, que foge da regra como o diabo da cruz. O “plano B” deles é propor execução de decisões de 2ª instância para todos tipos de Justiça, só para criar confusão e inviabilizar a PEC no plenário. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

O líder do Centrão, deputado Arthur Lira (PP-AL), não tem dúvida de que a jogada da “PEC ampliada” será aprovada na Câmara.

A “PEC ampliada” inclui a indústria de precatórios na 2º instância. A jogada é chantagear os governadores a agirem contra a PEC.

Sentenças trabalhistas em 2ª instância, outra indústria de indenizações, ameaçam empregadores de todos os níveis, inclusive os domésticos.

O compromisso de incluir todos os ramos da Justiça foi assumido pela dupla designada por Rodrigo Maia para tocar a comissão especial.

 

COMENTO

 O Centrão é aquele agrupamento político informal, mas extremamente poderoso, instalado na Câmara dos Deputados, elemento decisivo em todas as votações. Sua história iniciou na Constituinte e se consolidou, desde então, como parte ao menos da base de todos os governos da República. Sua especialidade: o zelo pelo interesse próprio como critério objetivo de suas decisões.

Em alguns governos seus votos eram trocados por cargos e emendas. No governo de Bolsonaro essa fonte secou muito e, como consequência, não tem o atual governo uma base consistente, em que possa confiar com aquela confiabilidade que merecem os velhacos escolados. Estima-se que em sua atual configuração, sob o comando do alagoano deputado Arthur Lira (PP), o bloco controle cerca de 200 votos!

Neste ano de 2019, com motivação no gabinete do ministro Sérgio Moro, várias medidas foram encaminhadas ao Congresso Nacional para favorecer o combate ao crime organizado, à corrupção e à impunidade. E todas, desde a pretendida transferência do COAF para o Ministério da Justiça, ao passar pelas mãos do Centrão, saíram degeneradas. Todas foram transformadas para produzir efeito oposto, como aconteceu com a lei sobre abuso de autoridade, com a criação do juiz de garantias, e como vai acontecer com a PEC da prisão após condenação em 2ª instância (conforme texto acima de o Diário do Poder).