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DEVEDORES DE PRIMEIRA CLASSE E DE SEGUNDA CLASSE

por Ricardo Bergamini. Artigo publicado em



Subdesenvolvimento não se improvisa: é obra de séculos (Nelson Rodrigues).
 

O Brasil não pode mais conviver com devedores de primeira classe (amigos do governante de plantão) com juros subsidiados pela miséria brasileira e de segunda classe com juros de mercado, 4,67 vezes maiores.

Em junho de 2019 o volume de operações de crédito foi de R$ 3.296,3 bilhões (47,16% do PIB), sendo:

- 55,65% do total - R$ 1.834,4 bilhões (26,24% do PIB) com recursos livres com juro médio de 38,3% ao ano.

- 44,35% do total – R$ 1.461,9 bilhões (20,92% do PIB) com recursos direcionados concedidos por bancos públicos (CAIXA, BB, BNDES) com juro médio de 8,2% ao ano.

Não há a menor dúvida que esse mecanismo de juro especial para os amigos e aliados dos governantes de plantão é uma fonte primária de corrupção e de propina. Alguém tem dúvida?

Para comentar essa aberração e excrescência econômica recorro ao mestre, com amor e carinho, Roberto Campos.

Eliminando o crédito subvencionado, descobriríamos o milagre aritmético da média: os juros tenderiam a baixar pela diminuição da procura e pela mudança de expectativa! E o mercado bancário se tornaria mais competitivo, pois os bancos não mais precisariam ser racionados, dado que o governo poderia melhor controlar a base monetária, e cessaria de pressionar o mercado financeiro que reflete fielmente o excesso de demanda de recursos por parte do setor público, quer federal quer estadual”.

*Ricardo Bergamini é economista.