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ENQUANTO O SETOR PRIVADO SOFRE MASSACRE...

por Percival Puggina. Artigo publicado em

 

Enquanto o setr privado sofre massacre, os projetos que cobram a participação dos poderes de Estado recebem a imunidade das gavetas onde são retidos e onde permanecerão até que a morte do coronavírus lhes confira o sossego eterno.

 O setor privado nunca foi vitimado por tantas restrições. As estratégias para superar o ciclo do coronavírus cobram de comércio, da indústria e do setor de serviços o sangue que lhe corre nas veias e o oxigênio que respira, Sabe-se que condições tão precárias desencadeiam uma falência múltipla de órgãos que leva à morte.

Esse quadro está perfeitamente desenhado com proibições de toda ordem e com o exercício do poder de polícia concedido às autoridades do setor público. Considera-se que tais medidas sejam indispensáveis para reduzir o número de vidas consumidas pela ação do Covid-19. Ao mesmo tempo em que isso acontece e aparece nas entrevistas coletivas e nas estatísticas oficiais, do outro lado, fora das manchetes, fora do foco das câmeras, empregos são perdidos, salários cortados, meios de subsistência suprimidos e a inadimplência se torna o penúltimo suspiro de muitos.

Deputados apresentaram projetos incluindo os congressistas no esforço nacional para custeio do combate ao coronavírus. Se saíssem da gaveta do presidente da Câmara dos Deputados, saberíamos que Rodrigo Coelho (PSB/SC) propôs o corte de 50% dos subsídios dos parlamentares, reduzindo-lhes a remuneração de R$ 33.763 para R$ 16.881. Ruy Carneiro (PSDB/PB) sugeriu uma nova tabela para as cotas dos gabinetes parlamentares, gerando um excedente a ser destinada ao mesmo fim. Kim Kataguiri (DEM/SP) propôs o simultâneo corte nos subsídios e no custeio da atividade dos gabinetes. Há, também, um projeto de decreto legislativo mais radical, de autoria de Celso Maldaner (MDB/SC), que destina a totalidade dos subsídios parlamentares para o SUS em caso de pandemia ou de estado de calamidade pública.

No entanto, a história ensina e a experiência mostra que, em nosso país, as coisas funcionam exatamente como você imagina que vá acontecer. O setor público impõe exigências pesadíssimas ao setor privado e ...  salva a própria pele.
 

Atualização

Neste momento (18:56 do dia 3 de abril), a Câmara dos deputados, vota remotamente o regime especial para os recursos do Coronavírus. Os microfones de plenário estão fechados para os deputados no plenário, impedindo os parlamentares do Partido Novo de apresentar proposta que destina recursos do fundo partidário e do fundão eleitoral para o mesmo fim. Neste vídeo, o deputado Marcel Van Hattem  narra o acontecido. 

https://www.youtube.com/watch?v=q1XO_QmbyD0&feature=youtu.be