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IMPEACHMENT DO PREFEITO DE PORTO ALEGRE

por Percival Puggina. Artigo publicado em

 

 Meu relacionamento com o prefeito nunca foi além do aperto de mãos, em raríssimos encontros. Nenhum após sua eleição. Votei nele por causa de seu vice, Gustavo Paim, a quem conheço bem e admiro. Sinto que Marchezan decepcionou seus eleitores. Porto Alegre padeceu sob sua administração. Foi agressivo nas divergências. Cultivou inimizades. Suas poucas obras arrastaram-se para inauguração no final do mandato. Estratégias da velha política.

 Como prefeito, promoveu o maior avanço no bolso da classe média de que se tem notícia após o sequestro da poupança no governo Collor (1990). Na terceira tentativa, em tempos de economia patinando, empregos inseguros e desempregos garantidos, Nelson Marchezan Jr. conseguiu aprovar um aumento do valor do IPTU correspondente a 30% no primeiro ano (2020), mais, cumulativamente, 20% ao ano nos anos seguintes até 2026. Acredite se puder! Vá arranjar dinheiro ou mude-se de Porto Alegre!

Para desferir esse golpe na economia familiar dos seus concidadãos, ele armou no parlamento municipal uma inesperada e negociada maioria de 24 votos contra apenas 12. É difícil dissociar tal placar deste com que o mesmo plenário, passados uns poucos meses, por 31 votos contra apenas 4, decide dar continuidade ao pedido de impeachment do prefeito.

Muito estranha essa conduta. Quer dizer que a Câmara de Vereadores só apoiou consistentemente o prefeito para aquela inexcedível e irrecorrível lesão ao bolso dos porto-alegrenses? Melhor seria se tivessem antecipado a iniciativa.