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O RENDA CIDADÃ E O FIQUE EM CASA

por Percival Puggina. Artigo publicado em

 

Afirmou-se insistentemente nos últimos dias que o governo Bolsonaro estava preparando uma pedalada fiscal para custear o programa Renda Brasil, um programa de renda mínima que, com o advento da pandemia, pulou de R$ 29,5 bi para R$ 55 bi. A pandemia, porém, não afetou apenas o emprego e o salário dos mais desfavorecidos. Ele atingiu, também, o caixa das empresas e o caixa do governo. Só não afetou o emprego e o salário de servidores protegidos pelo guarda-chuva do Estado.

Isso nos leva a buscar a causa maior desse imenso baque na economia. Será fácil encontrá-la. Ela está ali, enfiada como pulga incômoda, entre as costuras políticas e ideológicas que criaram o “fique em casa”, impedindo as pessoas de trabalhar como medida para reduzir a disseminação do novo coronavírus. O apoio dado a Mandetta foi varrido, em alguma silenciosa e escura madrugada, para a vala do esquecimento. A recomendação para só buscar hospital quem tivesse febre e tosse, idem. A total desatenção ao tratamento precoce, idem, idem.

Pois bem, o Brasil seguiu a receita imposta pelo STF e por prefeitos e governadores. O resultado foi aquele que a imprensa, com muita razão, contando o número de mortos, sem mencionar os curados sequelados, caracteriza como um genocídio... Se não funcionou para evitar um grande número perdas, funcionou para suprimir as possibilidades de sobrevivência pelo trabalho para quase 10 milhões de brasileiros, expandindo a lista dos dependentes do erário, elevando o déficit fiscal pelas duas pontas – a da receita que cai e a da despesa que se eleva.

Até agora, nenhum dos patrocinadores desses erros monumentais bateu no próprio peito. Ficavam com a cara do ator britânico Peter Sellers quando derrubava uma pilha de pratos e olhava para o estrago como se nada tivesse a ver com aquilo.