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SEM FILANTROPIA COM A SAÚDE ALHEIA

por Júlia Schütt. Artigo publicado em

 

Nunca sonhei com algo parecido ao que vivo hoje na Espanha. Assisti pela mídia ao “isolamento social” chinês, ao italiano e apenas quando a constrição topou em Salamanca que a “ficha caiu”. Por aqui, desde domingo vige um Decreto Real que restringe o deslocamento às ruas. Mercados, farmácias, caixas externos de bancos e centros de saúde: únicos estabelecimentos autorizados a operar. Da mesma forma, são os únicos locais aos quais pode a população espanhola se dirigir. Correr e pedalar? Multa. Sim, as forças policiais aqui na Espanha têm “braços” para multar quem desobedece ao “toque de recolher”.

Os estudos até então elaborados, entre pontos de convergência e de divergência, sintonizam, ao menos, num mesmo sentido: incerteza! Incertezas quanto às consequências, quanto ao prazo necessário ao isolamento, quanto aos métodos de imunização, entre outros. Por outro lado, um dado não falta: o COVID-19 MATA.

Não “culpo” quem, especialmente em países onde o foco do vírus ainda não “estourou”, diga: “mas a taxa de mortalidade não é tão alta”, ou “atinge apenas as pessoas mais velhas”, ou “já passamos por coisas piores”, ou “a dengue mata mais”. Quem, entretanto, quer passar por “herói” não deve submeter terceiros inocentes a sua irresponsabilidade.

O transmissor da doença é o homem. O único meio, infelizmente, até então identificado, capaz de reduzir a propagação do vírus é evitar o contato com terceiros. China, Itália e Espanha, além de suportar todos os consectários econômicos que impactam e que impactarão suas economias, estão não mais apenas “correndo atrás” de vagas em hospitais, mas de vagas em necrotérios.

O Brasil ainda pode enfrentar “apenas” uma gravíssima crise financeira. Que poupemos as vidas. Não deixemos para amanhã, o isolamento social é AGORA – ou, como dizem por aqui : “YO ME QUEDO EN CASA”.

Em tempo: não espere que a polícia brasileira te multe para deixar de sair às ruas, ela, antes disso, tem que conter algumas “viradas de presídios”. RESPONSABILIDADE, BRASIL!

 

Nota do editor: Recebi este relato eloquente relato hoje (17/03), enviado pela autora, amiga Promotora de Justiça que cursa mestrado em Salamanca.