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VENEZUELA, A FOME QUE ALIMENTA O REGIME
 

Percival Puggina


                                                                          Quem controla os alimentos, controla o povo.

 

A frase, mais ou menos assim, atribuída a Stalin, circulou pelas redes sociais trazendo uma informação, dessas que a  extrema imprensa oculta.

De fato, os comunistas sempre discursaram sobre o pão, mas sempre o mantiveram racionado; sempre submeteram as populações às filas; sempre usaram o abastecimento como instrumento de dominação e, até mesmo, de eliminação de etnias e grupos sociais dissidentes.

O pão que inspira seus discursos revolucionários é a primeira coisa que falta. A extinta URSS foi pródiga em exemplos desse tipo de controle. Os interessados informem-se sobre o Holodomor, algo tão terrível que simplesmente sumiu da história oficial soviética por 50 anos (os comunistas têm um jeito peculiar de narrar os acontecimentos). Informem-se, também, sobre a Grande Fome na China entre 1958 e 1962 e seus 45 milhões de mortos (também esse genocídio só chegou ao conhecimento público quando o professor Frank Dikötter, da Universidade de Hong Kong, teve acesso a documentos secretos do PC chinês). Informem-se, por fim, sobre a libreta de racionamento, cada vez mais esquálida, que acompanha a vida “revolucionária” do povo cubano desde 1962. Quem pesquisar mais, muito mais encontrará mundo afora.

Portanto, as imagens do povo venezuelano comendo lixo, ou portando cartazes dizendo “Tengo hambre”, são cenas do cotidiano nos regimes comunistas, onde o poder é sustentado pelos que têm acesso a tíquetes de racionamento, usam o uniforme certo, ou pertencem à organização popular conveniente. Com efeito, num país com 32 milhões de habitantes, basta o apoio de uns poucos milhões de bem nutridos compañeros, de juízes nomeados pelo governo e de alguns milhares de oficiais superiores privilegiados pela ditadura militar e judiciária, para sustentar o poder de Nicolas Maduro.

Por isso, sempre haverá alguma multidão em torno do palanque dos ditadores. A congregá-la está a força dos privilégios, última casamata dos criminosos. Essa multidão, impossível negar, traz para o cenário local o espectro de uma guerra civil que todos querem evitar e que congela o quadro político subcontinental.