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MAIS UMA EMOCIONANTE HOMENAGEM AO BRASIL E À FEB NA ITÁLIA

Discurso do prefeito de Porreta Termini

Nota do editor do blog

Porreta Terme é uma pequena comunidade italiana, em Alto Reno Terme, região de Bologna. Ali esteve instalado o Alto Comando da FEB na Itália, sob comando do Marechal Mascarenhas de Moraes. O discurso a seguir foi proferido em 22 de abril de 2018 por Giuseppe Nanni, prefeito de Alto Reno Terme. Estavam presentes autoridades brasileiras e italianas.

Palavras do prefeito de Porretta Terme:

(Saudações às autoridades presentes)

... Hoje, para nós, concretiza-se um desejo antigo: o de dedicar um lugar de memória aos filhos da FEB.

Esta nomeação não nasceu por acaso. Desde a posse do nosso Conselho, nos propusemos a meta de expressar de forma tangível, aos nossos amigos brasileiros, o nosso sincero agradecimento pelo que fizeram pela nossa liberdade, com um alto custo para jovens vidas.

Até hoje, foram inúmeras as ocasiões em que delegações de autoridades civis e militares brasileiras nos visitaram. Em um desses, eu tive que dizer literalmente:

"Ao receber o busto em memória do General MASCARENHAS DE MORAES, assumimos o compromisso solene de garantir uma localização digna: _De fato, planejamos, como parte de uma reforma geral do centro urbano de Porretta Terme, colocar o busto no jardim da Via Matteotti, reformada e embelezada para a ocasião. A escolha foi motivada pelo fato desse jardim estar totalmente inserido nos locais que sediaram a FEB em Porretta Terme, sendo adjacente ao antigo Hotel Campana e, sobretudo, a poucos passos da Termas Altas, que foi o Quartel-General das tropas brasileiras. Dessa forma, também em nossa cidade, teremos um importante ponto de referência para a memória da Força Expedicionária Brasileira e seu Comandante ".

Aqui, com exatamente estas palavras, assumi, em nome da nossa Comunidade, aquele compromisso que hoje vemos realizado e que, temos a certeza, se tornará um ponto de referência para os tantos amigos brasileiros que vêm todos os anos à Itália para visitar os lugares do sacrifício e da solidariedade com nosso povo.

A Itália deve muito a esses soldados, que de setembro de 1944 até a rendição das Forças do Eixo, lutaram ao lado dos Aliados com o objetivo de romper a Linha Gótica, e para isso operaram pela primeira vez em vários locais de Versilia, depois em Garfanhana, até que o comandante Mascarenhas de Morais transferiu suas tropas para o Vale do Reno, fixando-se aqui em Porretta Terme e preparando uma série de operações militares, que culminariam nas batalhas de Monte Castello e Montese.

Temos testemunhos extraordinários da sua presença, que nos falam de jovens bem integrados nas nossas famílias, nas quais muitos deles se instalaram, estabelecendo relações de mútua simpatia. Um caso único, se comparado a outros exércitos que permaneceram separados da população, preferindo acampamentos e locais isolados.

Acredito que se hoje, depois de tantos anos, a memória daquelas crianças ainda é tão viva e afetuosa, é também pela sua aproximação calorosa com a comunidade local, sinal de uma cultura e humanidade que está entre as marcas do povo brasileiro.

Mas os testemunhos daqueles meses também nos contam, infelizmente, de homens forçados a se deslocarem em condições proibitivas, principalmente por aquela espessa manta de neve com a qual nunca tiveram que lidar na vida, na qual tiveram que avançar e operar, não só em Porretta, mas em locais inacessíveis como as áreas de Molino del Pallone e Randaragna. E eles nos contam sobre 465 tombados, 465 jovens que nunca mais veriam seus entes queridos e sua pátria novamente.

Por isso pensamos que este pode tornar-se um jardim da memória, para manter vivo e transmitir às novas gerações o espírito de amizade e de gratidão para com aqueles que partilharam com o nosso povo uma das páginas mais trágicas da história e que estiveram do nosso lado para mudar seu curso em direção à liberdade e à democracia.

Fico feliz que uma importante associação da região, o Lions Clube, tenha participado da construção do monumento, em uma jornada que começou com o ex-presidente Lazzaroni e continuou pelo atual presidente Luca Boschi.

Agradeço mais uma vez a todos vocês, por sua participação nesta cerimônia simples, mas que ficará em nossas melhores lembranças e na identidade de nossa comunidade.”

COMENTO

Mais uma lição que nos vem de um país distante, cujas comunidades aprenderam a manter viva a lembrança de sua própria história e aproveitam as oportunidades para expressar gratidão pela liberdade que receberam. Assim procedem, mesmo que isso tenha acontecido há oito décadas, mesmo que não tenham se libertado pelas próprias forças, mesmo que os laços da servidão ao nazismo tenham sido rompidos por mãos brasileiras, e mesmo que aqui no Brasil quase ninguém se importe com isso fora do ambiente castrense.