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BOLSONARO ESTAVA CERTO? O “FIQUE EM CASA” SALVOU OU CEIFOU VIDAS?
Valterlucio Bessa Campelo

Se alguém tinha dúvidas de que o “fique em casa” não estava funcionando, a campanha eleitoral encerrou o assunto. Está todo mundo na rua, ninguém mais agüenta a tranca imposta aos cidadãos por governadores e prefeitos, parte deles de índole autoritária, que em seus arreganhos esmagaram muitos dos direitos fundamentais da população. O custo econômico e social, estratosférico, se revelou insuportável. Sinal mais evidente foram as recentes declarações dos mandões da Organização Mundial de Saúde – OMS, que deram um cavalo de pau sem-vergonha e agora negam que tenham recomendado o lockdown. Os “especialistas” que macaqueavam a OMS sumiram, se escafederam, ninguém os encontra para bancarem o tranca-rua com seus títulos acadêmicos e sabedoria de récua.

Recentemente, milhares de cientistas assinaram um documento chamando atenção de governo e sociedade a respeito do equívoco monstruoso do lockdown e pedindo o retorno dos jovens à vida normal. Não há o que esperar, o modelo adotado fracassou miseravelmente.

Em matéria deste dia 12 de outubro, a VEJA traz a palavra do Dr. David Nabarro, o emissário da Organização Mundial da Saúde (OMS) para lidar com a pandemia de Covid-19, negando (vejam só!) que em algum momento tenham recomendado o lockdown. Um farsante que depois de colaborar para a quebra de economias em todo o mundo, aparece com cara de virgem da Vila Mimosa alegando inocência. A história julgará os efeitos danosos das medidas tomadas em todo o mundo, calcadas na “ciência” de araque e na autoridade da OMS.

Na entrevista, o sujeito da OMS lamenta “... parece que podemos muito bem ter uma duplicação da pobreza mundial no próximo ano. Parece que podemos ter pelo menos uma duplicação da desnutrição infantil porque as crianças não estão recebendo refeições...”. Pois é, tem isso e muito mais. Tem também muitas mortes nas costas de quem adotou como mantra o “fique em casa”. Pelo menos é o que aponta um estudo recente, publicado em preprint, pelos pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, Prof. DSc, Bruno Campello de Souza e Prof. PhD, Fernando Menezes Campello de Souza (AQUI).

Com base nos 82.241 brasileiros que morreram de COVID-19 entre 12/03/2020 e 22/07/2020 e os mais de 60 milhões de usuários brasileiros de celulares cujos celulares dispositivos usaram pelo menos um dos mais de 600 aplicativos que incorporaram a API In Loco, Campello conclui: “Parece haver forte evidência empírica de que, no Brasil, a adoção de medidas restritivas que aumentam o isolamento social agravaram a pandemia naquele país em vez de mitigá-la, provavelmente como um efeito de ordem superior emergente de uma combinação de fatores”.

No gráfico abaixo, copiado do referido estudo, os pesquisadores demonstram que a partir da adoção das medidas restritivas e do “fique em casa” (linha tracejada vermelha), a curva (azul) de mortes futuras observadas (calculada em 39-40 dias) se distancia da curva de tendência (verde) prevista por extrapolação dos dados dos primeiros 44 dias da pandemia. A curva de isolamento social SII (rosa) apresentada em média móvel de 7 dias, demonstra um movimento brusco de aumento coincidente com as medidas restritivas e aos poucos vai caindo, como sabemos todos.

O saldo verificado, ou seja, a diferença entre as linhas verde e azul é de 10,5%, isso quer dizer que o numero observado de mortes supera aquele previsto pela tendência observada nos primeiros 44 dias em aproximadamente 7.824 no período. Extrapolados a hoje, são mais de 15.000 mortes.

Mais detalhes da pesquisa o leitor pode ver com o próprio autor do estudo em debate que o mesmo teve com o jornalista Alexandre Garcia e o Prof. Dr. Ricardo Zimmermann da Universidade de Brasília, no último dia 11 de outubro, (AQUI).

Acredito que muitos estudos verdadeiramente científicos - agora há base de dados suficiente, corroborarão o estudo do Professor Bruno Campello e avançarão em outros efeitos decorrentes da política de encarceramento da população. Doenças não cuidadas, prevenções não realizadas, cirurgias adiadas, doenças psíquicas, suicídios, atraso infantil, deficiências cognitivas... enfim, a academia deve se preparar para produzir milhares de artigos demonstrando que contra a peste chinesa tomamos o pior dos caminhos.

Certamente não interessa ao establishment mostrar que houve quem alertasse para o erro, que houve quem percebesse a marcha da insensatez liderada pela mídia e endossada por políticos oportunistas. Quem se opôs ao lockdown foi chamado de negacionista, até de genocida, como se não embarcar no discurso do pânico fosse atestado de estupidez. Aí está o resultado. Sem contar com o saldo pavoroso da maior crise econômica da história mundial em tempos de paz, o lockdown horizontal acompanhado do “fique em casa e volte se sentir falta de ar” ceifou milhares de vidas.

Estando correto o Prof. Bruno Campello, quem pagará essa conta? A “ciência” que não era ciência? A OMS, que agora diz que não disse o que disse? Os oportunistas da espécie Mandetta, que projetavam ascensão política sobre cadáveres? Os ladrões do COVIDÃO que se esgueiram em fuga da Justiça? A mídia fúnebre, que comemorava cada morte como um desgaste na popularidade do Presidente? Sei, ninguém pagará, mas os terraparadistas (royalties para o jornalista Guilherme Fiúza), assim como a OMS, serão obrigados a reconhecer, mesmo silenciosamente, que Jair Bolsonaro estava certo.

Valterlucio Bessa Campelo, é engenheiro agrônomo, MSc