Percival Puggina

 

No Brasil abençoado por viver uma democracia modelar, as eleições se procedem segundo o melhor sistema de votação do mundo. Não é um privilégio? Ninguém entende tanto de democracia quanto o poder sem voto, que cobra obediente silêncio. Só não se sabe se é uma obediência ao conhecimento ou ao poder.

Nesta bem aventurada democracia, recebo hoje e-mail do amigo Jorge Abeid, residente no Canadá, logo após haver votado na eleição provincial de Ontário. Diz ele:

Votamos hoje nas eleições Provinciais de Ontário. Eleição com cédula como sempre foi. A cédula e colocada dentro da urna, como sempre foi. Na boca da urna, porém,  há um scanner que lê o voto e a contagem é eletrônica, mas o voto ficou lá na urna.

Onde, claro, pode ser recontado, em caso de necessidade. Que "coisa sem sentido", não é mesmo?

  • Percival Puggina
  • 25 Maio 2022

Raul Jafet

 

"Levei" do Facebook, hilariante frase que reproduzo: "...o eleitorado de Lula é discreto! Não vai a manifestações, não o aplaude nas ruas, só aparece nas pesquisas!"

É intrigante os Institutos de Pesquisa apontarem larga vantagem do ex Presidente sobre o atual, completamente oposto ao que se vê nas ruas de todo o Brasil, onde o atual mandatário é ovacionado, abraçado, tira dezenas de fotos ao lado de entusiasmada multidão! Seria pretensioso de minha parte, desqualificar tais pesquisas, já que não sou técnico, muito menos estatístico. Porém, recorro novamente à histórica frase de Júlio César proferida antes do nascimento de Cristo: "A mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta".

Não duvido da veracidade de certas pesquisas, porém não me parecem honestas!!!! Recentemente, determinado Instituto apresentou pesquisa com 1000 eleitores em todo Brasil. Considerando que temos 150 milhões de brasileiros aptos a votar, tal número de pesquisados (nos meus 69 anos de existência, nunca fui pesquisado eleitoralmente, sic),esses privilegiados 1000, representam apenas 0,00000667% da população brasileira, tão diversa, com tantas diferenças regionais, sociais, econômicas, graus de escolaridade, faixa etária etc. Insignificante amostragem, que salta aos olhos de qualquer leigo na metodologia utilizada.

Me estenderia demais analisando apenas as diferenças do eleitorado do Estado de São Paulo, onde os resultados das últimas eleições para cargos majoritários, apresentam substanciais diferenças entre os votos da Capital e do Interior, das pequenas e grandes cidades! Por isso, me cabe duvidar da veracidade de tais pesquisas, por mais que os Institutos afirmem retratar o momento.

Assim sendo, fosse hoje a eleição, a vitória de Lula seria a de quem sequer pode frequentar com sua namorada, uma praia, um restaurante, um show, sem ser vaiado e recebido com uma chuva de impropérios!

 

*    Raul Jafet é empresário

  • Raul Jafet
  • 24 Maio 2022

Percival Puggina, com conteúdo jornalista Ricardo Azeredo

 

Recebo do amigo jornalista Ricardo Azeredo, da Ricardo Azeredo Mídia, a seguinte nota:

A 6ª. turma do STJ (sim, uma corte superior) decidiu por unanimidade em 20/04/2022 que é ilegal a revista feita por policiais com base em atitudes suspeitas.

Ou seja, por mais calejados que sejam na luta diária contra o crime, policiais não podem mais revistar um suspeito a não ser que detalhem objetivamente os motivos que os levaram a agir.

Entenda a origem do absurdo: em 07/2020, policiais de Vitória da Conquista, BA, desconfiaram de um motoqueiro com uma mochila e o abordaram. Encontraram com ele 50 porções de maconha, 72 de cocaína e uma balança de precisão. Obviamente, foi preso em flagrante.

Agora vem a parte kafkaniana: a defesa alegou que os policiais se basearam em “alegação vaga” para a abordagem, e que isso desrespeitou os direitos do suspeito.

Tá achando absurdo? Pois então saiba que o ministro relator do processo acatou plenamente este argumento surreal, considerando ilegal a apreensão das drogas e determinando o encerramento do processo.

O ministro ainda argumentou que “não se pode validar ações abusivas só porque se achou objetos que poderiam gerar responsabilização penal”. Como é que é??

Tem mais: o ministro ainda disse que a decisão visa evitar abusos contra a privacidade e intimidade e o preconceito gerado pelo “racismo estrutural” da sociedade.

A cereja do bolo: os policiais ainda podem ser penalizados se cometerem uma revista sem “objetividade”. E para completar a lacração, o ministro ainda determinou que a orientação seja repassada a todos os órgãos da justiça e aos governadores.

Que o racismo existe e abusos acontecem todos sabemos. Mas há criminosos brancos e negros, assim como vítimas idem. E existem corregedorias nas polícias para investigar e punir os policiais quando provada a situação.

Num país com criminalidade alta e ousada como o nosso, decisões como essas significam algemar os policiais e não os criminosos, que são tratados como vítimas.

A quem isso interessa?

Décadas de políticas dedicadas à proteção dos criminosos (e ninguém defende a ideia de que criminosos sejam tratados de modo desumano) redundaram na absoluta desproteção da sociedade, esta sim, tratada de modo desumano, abandonada que fica à própria sorte, ou aos próprios azares. A revista policial é uma forma de prevenção! Evita ações criminosas, recolhe armamentos ilegalmente possuídos, fornece fios para investigações mais amplas, captura fugitivos, ou seja, é preciso total alienação para invocar racismo para coibir tais ações. Aliás, é preconceito contra a sociedade.

As cidades e o ambiente rural brasileiros viraram self service da cada vez mais populosa força armada do crime que, por falta de contenção se multiplica com a exponencialidade das ratazanas.

Muito além dos danos econômicos, essa triste realidade se expressa em pânico, doenças do sistema nervoso, vidas perdidas e feridas em números que superam os de nações em combate armado. Tenho amigos que deixaram tudo para trás e saíram do Brasil devido a esse abandono, ao empenho com que tantos membros do Poder Judiciário cuidam da segurança e dignidade dos criminosos em detrimento de suas vítimas.  

  • Percival Puggina, com conteúdo jornalista Ricardo Azeredo
  • 17 Maio 2022

 

Percival Puggina

 

Leio em ZH de hoje (13/05/2022)

Somente 1% dos estudantes matriculados no último ano do Ensino Médio em escolas estaduais do Rio Grande do Sul apresentam desempenho adequado em matemática, conforme dados divulgados pela Secretaria Estadual da Educação (Seduc) no início deste mês. A grande maioria desses alunos (92%) teve atuação abaixo do básico, enquanto 4% atingiram o nível básico e, 2%, o avançado. Os números são resultado da primeira edição de 2022 do Avaliar é Tri — uma avaliação diagnóstica promovida pela pasta desde o ano passado para analisar as perdas de aprendizagem entre os estudantes gaúchos durante a pandemia e as competências pedagógicas que precisam ser reforçadas.

Mais adiante, na mesma reportagem, fica-se sabendo que em Língua Portuguesa a situação é um pouco “menos pior”: 6% dos alunos  alcança conhecimento satisfatório no terceiro ano do ensino médio.

Comento

Sonhando com os milagres da cura dos danos e recuperação das perdas, o jornal dedica página inteira ao desastre educacional de uma geração de gaúchos. Durante dois anos, porém, o mesmo veículo dedicava sucessivas páginas, dia após dia, para cobrar o “fique em casa”, criando na população um clima de pânico e fazendo supor que “Educação a gente vê depois”.

A gente deveria ter visto desde muito antes, quando ela estava sendo tomada por grevistas, por militantes políticos, por professores sem vocação, que vinham derrubando a Educação gaúcha do “top of the list” para uma posição medíocre no cenário nacional. O justo louvor aos bons mestres não pode silenciar a indignação ante os resultados apresentados pela média dos egressos do sistema.

Esse peso não cai na minha consciência. Durante décadas, inclusive em muitas edições do mesmo jornal, escrevi solitário ante o que via acontecer na Educação do meu estado.  

  • Percival Puggina
  • 13 Maio 2022

Percival Puggina

 

Leio em CubaNet (12/05)

MIAMI, Estados Unidos. — O podcast de CubaNet orientado aos presos políticos em Cuba abordou nesta quarta-feira o caso de Dayron Martín Rodríguez, condenado a 30 anos de prisão (!)  por se manifestar em 12 de julho de 2021 no bairro de La Güinera, município de Arroyo Naranjo .

Martín foi preso naquele mesmo dia, quando tentava recuperar o telefone que a polícia havia roubado dele e com o qual gravou vídeos da manifestação.

Sua mãe e irmã, que vivem no Equador, asseguram tratar-se de uma sanção completamente desproporcional, que não reflete o ocorrido durante os protestos.

"Meu filho não merece ficar um dia sequer atrás das grades e já passou nove meses recolhido ao Combinado del Este, presídio de Havana (...) O que ele fez foi o que o povo fez: sair pacificamente para protestar", disse a mãe do preso.

Dayron Martín Rodríguez e outros 14 manifestantes de La Güinera foram condenados após uma audiência oral realizada nos dias 14, 15 e 16 de dezembro do ano passado na sala de Crimes contra a Segurança do Estado do Tribunal Municipal de Diez de Octubre.

Inicialmente, a promotoria acusou os réus de desordem pública e desacato, mas acabaram sendo julgados por sedição.

Martín Rodríguez, que enfrentou um pedido do promotor de 25 anos de prisão, foi condenado a 30 anos de prisão.

Comento

A ferocidade judicial do Estado é uma característica comum às tiranias. Estas zelam por si mesmas, protegem-se da sociedade e tentam convencer os povos que os gulags, os campos de concentração, os “paredones” e os UMAPs cubanos são concebidos e usados como instituições benéficas. Os manifestantes de 12 de julho de 2021 saíram às ruas por liberdade, democracia e Estado de Direito. Foram punidos exemplarmente, para ninguém mais se atreva. E até agora ninguém mais se atreveu.

  • Percival Puggina, com conteúdo CubaNet
  • 12 Maio 2022

Percival Puggina, com textos de ADN America e Cubanet

 

Leio em ADN América

Depois que o bilionário Elon Musk comprou o Twitter, uma hashtag se tornou viral esta semana entre os cubanos dentro e fora da ilha. A curiosa petição "Elon compra Cuba" virou tendência nas últimas horas.

Um usuário do Twitter comentou por que a hashtag #ElonBuyCuba se tornou viral. "É claro que Elon não vai comprar Cuba. Trata-se do dono do Twitter descobrir que há uma ditadura em Cuba e se manifestar. O que daria à nossa causa a maior visibilidade já vista", explicou.

Outros usuários brincaram que se Musk "comprar" Cuba, os problemas tecnológicos da ETECSA, o monopólio de telecomunicações do regime comunista do país, também desapareceriam. Os memes se seguiram rapidamente.

"Não peço que na minha cidade todos andem na Tesla, nem que todos os pagamentos no país sejam feitos através do PayPal, mas sei que vai melhorar em tudo", disse outro.

"Precisamos da Tesla. Por último, os carros; primeiro a corrente alternada", foram alguns dos comentários no Twitter.

Defensores do regime de Havana - alguns supostamente da polícia política conhecida nas redes sociais como "ciberclarias" também se juntaram ao debate no Twitter e opinaram. "Agora eles inventam a hashtag #ElonBuyCuba, e supostamente está na moda em Cuba", postaram. Segundo os seguidores dos Castro, este é mais um exemplo de "manipulação" colocada para “desacreditar a revolução”.

Comento

Pois é exatamente isso que os cubanos estão fazendo. Tentando atrair a atenção do mundo para os problemas do país, onde há 63 anos uma revolução faz de conta que age em favor do povo, mas nada mais produz do eternizar-se no poder. A propósito, este trecho do artigo de Ernesto Perez Chang publicado em Cubanet sobre o assunto fala por muitos cubanos:

O que poderia interessar a Elon Musk em um país que produz pouco ou nada importante e do qual as pessoas fogem (ou sonham em fugir) como se fosse o próprio inferno? Qual seria o nosso "valor de mercado" atual com terras que não fornecem alimentos ou mãos que os fazem produzir, com tecnologias e mentalidades obsoletas, com infraestrutura rodoviária e serviços básicos em péssimas condições, sem verdadeiros empreendimentos e empreendedores, sem liberdades essenciais para desencadear criatividade e cultivar as virtudes individuais e coletivas? Como estamos agora, e como estaremos em breve se o êxodo de homens e mulheres cubanos continuar, comprar Cuba é como comprar uma pedra no meio do mar.

  • Percival Puggina, com textos de ADN America e Cubanet
  • 09 Maio 2022