Percival Puggina

 

         Dizem ser das piores experiências, acordar com ladrão dentro de casa. Os rumos pelos quais essa história comum tem continuidade são os mais variados e, não raro, trágicos.

Por vezes, essa é a sensação que me vem quando penso sobre o estresse que caracteriza a política nacional. Alguns apoiam essa invasão; outros, muito recentemente, foram despertados para o que estava acontecendo com o país e perceberam o desastre eminente. Para os primeiros, errada e fora dos planos, foi a vigília de tantos, levando aos últimos resultados eleitorais. Para os despertos, é urgente recuperar a liberdade, a democracia e o efetivo pluralismo.

Durante décadas, uns poucos, em vão, alertavam para o que estava acontecendo. Modestamente, cá nesta extremidade do palco das ações, eu era um deles. Os novos donos falavam sozinhos. Faziam lembrar, por vezes, aquelas cenas de filmes italianos em que il ragazzo e la ragazza sentavam em lados opostos da mesa enquanto os pés namoravam sob proteção da toalha. E a esquerda sentiu-se dona do Brasil. Hoje, ragazzo e ragazza sentaram-se ao sofá e diminuíram as luzes do ambiente.

A tomada dos espaços importantes para o poder político, na perspectiva de Gramsci, Zé Dirceu e tantos outros, incluiu, claro, o espaço acadêmico. Dele emerge, anualmente, um exército de “lacradores” como os que produziram, contra o consumo de carne, aquela publicidade maluca do Bradesco (que parecia trabalho de grupo num curso de publicidade e propaganda). As três mocinhas e quem as orientou devem ter aprendido que criar gado é um negócio dos diabos e agir contra esse mercado merece recompensa em créditos de carbono. Que loucura!

A compreensão de tantos à natureza dos acontecimentos em curso no país é um dos fatos mais relevantes das últimas décadas.  A democracia precisa disso como nós precisamos do ar que respiramos. Esse despertar causa desconforto aos invasores noturnos e diurnos, mas derrubou temporariamente a ponte para o desastre.

Festejo, então, a notícia de que o Grupo Pecuária Brasil (GPB) deixou o Bradesco. O grupo é formado por mais de 14 mil membros de 200 cidades de 17 estados brasileiros, Distrito Federal e outros três países.

É apenas uma pequena amostra de o quanto foi saudável esse despertar.

 

 

  • Percival Puggina
  • 31 Dezembro 2021

Nota do editor: Neste Natal foi surpreendido com o distinto presente discriminado no Ato Real abaixo transcrito. Agradeço a homenagem e o reconhecimento que considero excessivo à minha contribuição para “o resgate e a manutenção do tecido histórico-social, ao exercer minha profissão como legítimo ministério”. De minha parte, longa vida à Civilização Ocidental!

Resumo do Decreto Real Natalino 2021 da Principesca Casa de Bessières.

Sua Alteza Fidelíssima Dona Lorena Peixoto Nogueira Rodriguez Martinez Salles Correa, a Duquesa D´Ístria e Par de França, Chefe de Nome e de Armas da Principesca Casa de Bessières, em Decreto Real Natalino 2021, decidiu – entre outros itens – agraciar através da Confraria de Lara, onze pessoas que têm contribuído para o resgate e a manutenção do tecido histórico-social, ao exercer suas profissões como legítimos ministérios. Cada um dos agraciados receberá sua respectiva carta de reconhecimento, que será confirmada ao longo do ano imediatamente posterior à homenagem, de forma absolutamente gratuita e sem implicar qualquer obrigação posterior.

LISTA DE HOMENAGEADOS DA CONFRARIA DE LARA EM 2021

Alberto Brum Novaes

Christiane Wittel

Francisco Platoni

José Gobbo Ferreira

Lucas Ferrugem

Luka Sulic

Marcelo Buhatem

Márcio Scansani

Percival Puggina

Pina Douglas

Stjepan Hauser

Obs: a reputação ilibada constitui requisito essencial para a confirmação da homenagem. Denúncias e pedidos de exclusão da graça devem ser apresentados ao Corpo de Nobreza da Principesca Casa de Bessières, em petição simples, por qualquer meio escrito, juntamente com as provas necessárias.

O Decreto Real Natalino 2021 também intermediou a publicização das seguintes Casas Reais in exilium:

Casa Real e Ducal de Arpades, restaurada após 720 anos in exilium.

Casa Real e Ducal Monteiro de Barros, agora formalizada.

Casa Real e Ducal Schina, restaurada desde 21 de janeiro de 2021.

Casa Real e Ducal de Bueno da Ribeira, restaurada desde 15 de fevereiro de 2021.

Que todos tenham um excelente Natal!

  • Confraria de Lara e Casas Reais Restauradas
  • 24 Dezembro 2021

Percival Puggina

 

São 11 dias sem poder nem sorrir na Coreia do Norte

Leio no site Terra

Medida vale para celebrar os 10 anos da morte de Kim Jong-il, pai do atual ditador Kim Jong-un.

É proibido rir, consumir bebidas alcoólicas e demonstrar qualquer manifestação de felicidade na Coreia do Norte durante 11 dias. A medida impositiva quer reverenciar o luto de 10 anos do ex-ditador do país, Kim Jong-il, morto em 17 de dezembro de 2011 aos 69 anos. Ele faleceu vítima de ataque cardíaco e, em seu lugar, foi empossado o filho Kim Jong-un, quando tinha 28 anos.

Jong-il ficou à frente do país entre 1994 e sua morte. E no dia que marcou os 10 anos do falecimento, 17, os norte-coreanos foram proibidos, inclusive, de fazer compras.

Uma homenagem foi prestada em praça na capital, Pyongyang, quando os presentes ficaram em silêncio com as cabeças inclinadas diante dos retratos de Jong-il e de seu pai, fundador da Coreia do Norte, Kim il-sung.

Comento

Temos, no Brasil, líderes políticos que ensoparam seus lenços de lágrimas e enviaram sentidas condolências quando morreu o ditadorzão, pai do ditadorzinho. São os mesmos que quando perguntados sobre prisões políticas em Cuba, respondem com ataques ao “bloqueio” comercial dos Estados Unidos; são os mesmos que pediam a Hugo Chávez receitas para permanência no poder por longos anos; e são os mesmos que olham para o próprio futuro com iguais expectativas. Pois até esses sabem que, saindo às ruas, podem levar vaias. Mas há quem, fazendo o que fizer, se julgue credor de reverências como as da foto.

Na raiz do totalitarismo está o insaciável desejo de permanência no poder e o desconhecimento da dignidade do outro, uma psicopatia que desgraça nações inteiras. A vacina contra esse mal é a consciência dos cidadãos levando ao dever cívico de agir para que tais ideias e aqueles que as cultivem sejam democraticamente mantidos a sábia e prudente distância do poder.    

  • Percival Puggina
  • 23 Dezembro 2021

 

Percival Puggina

 

            É óbvio que 100% dos congressistas desejariam dispor de mais recursos para suas campanhas eleitorais. No entanto, uns souberam dizer não ao interesse pessoal, em vista do interesse nacional (e isso é virtuoso); outros, antevendo o desagrado nacional, cuidaram de proteger a imagem pessoal (um pouco menos virtuoso, mas serve); outros, ainda, votaram para manter o veto do presidente por saberem que seus pares sensíveis a uma grana extra eram em número mais do que suficiente para garantir a desejada verba sem se exporem ao eleitor (e isso é hipocrisia).

O voto contra o Bolsa Reeleição não pode ser critério suficiente para decidir voto no próximo pleito. Cuidado! Lembrem-se do que aconteceu em 2018.

Naquela eleição, em todo o país, muitos candidatos se aproximaram de Bolsonaro para conquistar a confiança de eleitores que consideraram, ingenuamente, que o número 27, ou a foto com o Jair Messias, bastasse como razão de voto. Não poderia ser e deu errado. Muito gato entrou nos parlamentos e se elegeu governador com pelo de lebre. É preciso examinar bem mais cuidadosamente o “conjunto da obra” de cada candidato, bem como suas convicções políticas, seus princípios e seus valores.

Exemplificando. Por mais que o afetuoso abraço, orelha com orelha e “olhinho fechado”, de Alckmin e Lula seja um silencioso e arrasador depoimento sobre o caráter de ambos, há muitos outros motivos (o conjunto da obra), para tirar essas duas cartas do baralho das opções eleitorais de 2022.

  • Percival Puggina
  • 20 Dezembro 2021

 

Percival Puggina

 

Leio no G1

O plenário da Câmara dos Deputados votou nesta sexta-feira (18) pela derrubada do veto do presidente Jair Bolsonaro a um trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), mantendo a previsão de R$ 5,7 bilhões em recursos públicos para o fundo eleitoral em 2022.

A derrubada do veto ainda depende, porém, de decisão do Senado. A sessão também está marcada para esta sexta-feira.

A aprovação do novo valor do fundo eleitoral foi respaldada por deputados da base e da oposição. Foram 317 votos a favor da derrubada e 146 contra.

O PL, partido de Jair Bolsonaro, defendeu a derrubada do veto assinado pelo presidente. Da mesma forma, legendas do chamado “centrão”, como o PP e o Republicanos, orientaram a favor da medida. Deputados do PT também apoiaram o fundo eleitoral de até R$ 5,7 bilhões.

Partidos como o PSOL, Novo, Podemos e PSL orientaram que suas bancadas votassem contra o aumento do fundão.

Durante a sessão, parlamentares afirmaram que, apesar da derrubada do veto, ainda não está definido qual será o valor do fundo eleitoral para 2022.

Isso porque cabe ao relator-geral do Orçamento estabelecer o valor dessa verba, e a votação da peça orçamentaria ainda não aconteceu - está prevista para a próxima semana.

Ou seja, apesar da autorização para usar os R$ 5,7 bilhões, o recurso aplicado pode ser menor.

Comento

Se a derrubada do veto presidencial for mantida no Senado, estará instituída a Bolsa Reeleição. Os maus congressistas, na assustadora proporção desse placar (317 a 146), cientes de seu crescente desprestígio junto à sociedade, sabem que a derrubada do veto do presidente agrava sua situação, mas conhecem como ninguém esta realidade: para retornar às suas cadeiras precisarão de muito mais dinheiro nas campanhas eleitorais do ano que vem.

Por isso, tapam os ouvidos ao clamor popular e cravam os dentes no Orçamento da União. Impõe-se ao interesse nacional o apertado sapato da necessidade. Eis por que não extinguem o Foro Privilegiado, por que não aprovam a PEC que permitiria a prisão após condenação em segunda instância. Pouco importa a péssima imagem da democracia brasileira e o descrédito das instituições.

  • Percival Puggina
  • 17 Dezembro 2021

Rodrigo Mezzomo

 

Nota: Transcrevo a respeito de matéria publicada pelo site Cinepop (*), com o título acima, o excelente comentário de Rodrigo Mezzomo em sua página no Facebook.

Acredito que o objetivo de uma medida como essa seja a destruição de um ícone da masculinidade e elegância, de modo a deixar as novas gerações sem referências do que é ser homem.

James Bond bebia bastante e sempre dizia: "batido, não mexido", uma das mais icônicas frases ditas pelo agente secreto britânico em suas aventuras, pois era assim que o espião preferia que seu Dry Martini fosse preparado.

Mas são as famosas bond-girls, as maravilhosas namoradas do agente especial, que trouxeram aos filmes de 007 o ar de sofisticação, beleza e sensualidade, que são a sua marca registrada.

Entre tiros, lutas, explosões, carros fantásticos, smokings impecáveis, aviões, iates, helicópteros, muitas armas, lençóis de seda, castelos e cenários de sonho em todo o planeta, a série lançou ao mundo as belas atrizes Ursula Andress, Grace Jones, Honor Blackman, Jill St. John, Jane Seymour, Barbara Bach, Lois Chiles, Carole Bouquet, Rosamund Pike, Eva Green, Kim Basinger, dentre outras.

Agora, talvez, chamem Pablo Vittar para ser a Bond-girls. Só um palpite.

*https://cinepop.com.br/produtora-de-007-apoia-versao-nao-binaria-de-james-bond-324666/

  • Rodrigo Mezzomo, com notícia Cinepop
  • 15 Dezembro 2021