Saíram de moda, eu sei. A pós-modernidade sepultou essa prática tão importante para a retificação das condutas. E não o fez por abandono ou esquecimento. Não. Foi por deliberação. A intelectualidade que domina a cultura ocidental decidiu que examinar a consciência faz mal e não bem. Prejudica e não ajuda. O importante não é fazer o melhor, mas sentir-se melhor. O resultado se vê em toda parte, difundindo-se com eficiência de fibra ótica. Um dos principais corolários disso, no plano individual, é atribuir-se aos demais, sempre, as responsabilidades e culpas de todos os males. Quem não examina a própria consciência, acaba por perdê-la. E com ela vão-se as culpas para outros ombros, sob paletós que não são nossos. Cômodo e conveniente.

 Noutro viés desse mesmo problema nasceu e se difundiu a Teoria da Dependência e sua obra mais conhecida, "Veias abertas da América Latina", da qual tenho tratado aqui em momentos recentes. Sua tese fundamental é a de que nós, os ibero-americanos, fomos desde sempre explorados, nossas riquezas drenadas, nosso desenvolvimento retardado e nossa autonomia asfixiada na periferia do capitalismo. Fôssemos habituados à prática do exame de consciência, provavelmente perceberíamos o quanto somos, nós mesmos, responsáveis por muitos dos males que nos afligem. Perceberíamos que fizemos escolhas erradas, que têm sido levianas nossas opções políticas e que ordenamos mal nossas prioridades (não foi esse o erro da Copa no Brasil?). Perceberíamos que tratamos com desinteresse e desleixo questões fundamentais e que agimos com sofreguidões de Macunaíma em momentos para os quais se requeriam homens e mulheres virtuosos, patriotas, com amor ao país e capacidade de renúncia. Mas está fora de cogitação ponderarmos nossas responsabilidades morais em quaisquer aspectos da nossa vida pessoal e da nossa condição de cidadãos. É muito mais fácil atribuir a culpa a Deus e ao diabo, aos ianques, à Coroa portuguesa, à latinidade, à exuberância do trópico, aos políticos que os outros elegem e reelegem. E por aí vai. Somos vítimas muito conscientes, isto sim, das malignidades alheias. Estamos sempre prontos para esmiuçar, escrupulosamente, a consciência ... dos outros.
 

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Em 30 de agosto de 2013, nosso ministro da Fazenda, num surto de otimismo, afirmou à Agência Brasil que esperava um crescimento de 4% no PIB brasileiro durante o ano de 2014. Depois de ter errado todas as suas previsões para o ano de 2013, ele acabou errando, também, em 2014. Ao longo deste ano, as estimativas do ministro foram declinando, minguando, passaram para algo como 2,5%, depois para 2,3% e ontem seu otimismo levou um novo tombo, rebaixando a estimativa para mero 1,8%.

A coisa não pára aí. Estamos no início do segundo semestre e o ministro já lançou essa nova previsão porque os mercados sinalizam números bem piores. Espera o governo que a informação puxe para cima as estimativas do mercado. De fato, os analistas ouvidos no Boletim Focus já falam em 0,97%. Ou seja, uma quarta parte do que Mantega colhia de sua bola de cristal nas previsões feitas em agosto de 2013.

Num ano eleitoral, é muito ruim ao governo que o cenário aponte para uma estagnação da economia porque, junto com ela, há um corolário de redução do emprego e aumento dos gastos com o seguro desemprego.
 

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 Terminou ontem uma das mais longas polêmicas da política estadual gaúcha. No dia 28 de abril de 1999, o governador Olívio Dutra encerrou os entendimentos que resultariam na implantação de uma montadora de veículos Ford no Rio Grande do Sul. A decisão favorável sobre o festejado projeto fora tomada no governo anterior. O contrato fora aprovado pela Assembleia Legislativa. Olívio Dutra e seu partido, recém chegados ao Palácio Piratini, tomados por espírito xenófobo, anti-americanista, decidiram renegociar todo o contrato. Olívio fez discurso contra a empresa. Proporcionou prolongados chás de banco a seus diretores. E, deliberadamente, tornou o Estado inadimplente. Após quatro meses disso, a FORD entendeu o recado, recolheu suas tralhas e foi embora. A partir de então, o PT e os porta-vozes do governo passaram a responsabilizar, sucessivamente, pelo ocorrido: 1) a empresa; 2) a crise da indústria automobilística mundial; 3) uma suposta decisão corporativa de levar a montadora para a Argentina; 4) o então presidente Fernando Henrique Cardoso, que teria concedido vantagens adicionais caso a Ford se radicasse na Bahia. O que os petistas nunca disseram é que, se o governo houvesse cumprido sua parte no contrato, a Ford, por força desse contrato, teria permanecido no Rio Grande do Sul. (segue ao lado)

 

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 O economista e contador Darcy Francisco Carvalho dos Santos, membro, como eu, do Grupo Pensar+, publicou em Zero Hora do dia 19 um artigo que pode ser lido na seção "Autores convidados" deste site. O autor, que acompanha com regularidade e grande conhecimento a situação das finanças públicas do Rio Grande do Sul, afirma: "Seja quem for o próximo governador, terá ele enorme dificuldade para manter a folha de pagamento em dia e cumprir os reajustes salariais já concedidos. Isso sem falar na recuperação dos investimentos e da melhoria dos serviços públicos, sabidamente insuficientes e de baixa qualidade". Passadas apenas 48 horas, Zero Hora desta segunda-feira traz matéria em que colhe a posição dos oito (dos quais quatro são fake) candidatos ao governo gaúcho. Todos prometem mundos e fundos exatamente onde estão os problemas de precariedade dos serviços públicos e as deficiências da infraestrutura estadual. Há, de parte dos candidatos, uma boa pontaria para acertar no alvo das carências. E os fundos de onde virão? Como bem registra a matéria, sobre essa pauta recai o silêncio das mais insuficientes generalidades.


Embora as campanhas eleitorais sejam concebidas para um encontro dos cidadãos com a situação do Estado, repete-se, mais uma vez, diante de nossos olhos e ouvidos cívicos, o velho e surrado distanciamento da realidade, tão próprio da nossa pior tradição republicana. Parece que os eleitores gostam de ser enganados e que os marqueteiros dos candidatos têm plena consciência disso.
 

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No Correio do Povo de hoje, 20 de julho, o colunista Juremir Machado da Silva recorda o quanto era difícil, nos anos 80, quando aluno da PUC/RS, encontrar nas bibliotecas o livro Veias Abertas da América Latina. Esse era o livro mais indicado pelos professores e o mais procurado pelos alunos. E continua muito recomendado, ao que me informam. Malgrado seja um amontoado de asneiras, Veias Abertas se converteu no texto introdutório ideal à doutrinação marxista, objetivo primeiro de grande parte do mundo acadêmico nacional.

Talvez ninguém expresse melhor do que o próprio autor o que acabo de afirmar sobre seu louvado trabalho. No dia 11 de abril passado, Eduardo Galeano, concedeu uma entrevista em Brasília. Ele era o homenageado da 2ª Bienal do Livro e da Leitura e a louvação, por certo, tinha tudo a ver com a popularidade que lhe adveio desse livro (alguém conhece outras obras de Galeano?). Na entrevista, com todas as letras, ele declarou: "As Veias Abertas tentou ser um livro de economia política, só que eu ainda não tinha a formação necessária. Não estou arrependido de tê-lo escrito, mas é uma etapa superada. Eu não seria capaz de ler de novo esse livro, cairia desmaiado. Para mim essa prosa de esquerda tradicional é chatíssima. O meu físico não aguentaria. Seria internado no pronto-socorro… ‘Tem alguma cama livre?’, perguntaria".

 

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 Saudável informação! Nos últimos dias, chegam notícias de que, no Rio de Janeiro, as instituições resolveram agir contra os aprendizes de terroristas que vêm infernizando, com atos de violência, o ambiente urbano das grandes metrópoles brasileiras. No Rio, ao menos, parece que a omissão oficial chegou ao fim.

 O leitor destas linhas sabe como se desenvolvem tais ações. Sabe que esses tipos com rostos encobertos cometem crimes. O fato de serem motivados por ideais políticos não minimiza os malefícios que causam nem reduzem a natureza dos mesmos. Ao contrário, agrava-os. Se fora do poder agem assim, como se conduzirão se tiverem acesso ao poder que buscam? São muito mais perigosos do que bandidos comuns, os militantes da violência política.

Mas se sabemos tudo isso, pode acontecer que não estejamos atentos para o fato de que esses "vândalos" (como querem alguns que parecem confundi-los com meros rabiscadores de muros), ou "ativistas" (como pretendem outros, benevolentes), estão integrados em um projeto político. Recebem recursos de alguma fonte. São remunerados para o que fazem. E tudo leva a crer que estejam ligados a um ou mais partidos políticos. Também essa investigação é necessária e urgente. Há uma eleição no horizonte de curto prazo e os eleitores precisam saber quais os partidos que agem nos bastidores da violência.
 

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