No último dia 8 de setembro, ainda embalado pelas emoções da véspera, fui a Santiago, próspero município do Centro Ocidental Sul-Rio-Grandense. A convite do Sindicato Rural e por sugestão de seu grupo feminino, falei sobre a influência da Revolução Cultural e seus agentes na formação das posições políticas da sociedade brasileira. Nenhuma vitória política será consistente se não produzir efeitos positivos no nível de informação da sociedade, não elevar seus padrões éticos e não infundir amor à pátria comum. Isso significa reverter a longa passividade graças à qual, sem encontrar resistência, foram sendo destruídos os fundamentos da nossa civilização.

O Brasil vive um momento decisivo e tem papel central nesse embate.       

Leia mais

 

Percival Puggina

         A imprensa militante destacou como acintosa e imprópria a ausência do presidente da República na posse de Rosa Weber no comando supremo do Supremo. Bolsonaro se fez representar por Paulo Guedes.

Cabe bem, aqui, o provérbio: “Tanto vai o cântaro à fonte que um dia lá deixa a asa”. Essa asa se partiu há bom tempo. Alguém pode achar saudável que o noticiário político seja absorvido por atos do STF, no entanto, um pouco de juízo basta para perceber, nisso, sintoma de grave enfermidade. Trata-se de algo totalmente anômalo. E cansativo.   

A política não pode ser polarizada por um poder sem voto. Eminentes juristas, ex-ministros do Supremo, jornalistas bons e experientes advertem para os malefícios causados por tão claro desvio de rota.

Se fez presente, o STF, nas festividades oficiais do 7 de setembro? Não. No caso, para a mesma imprensa militante, foi tudo como tinha que ser. Atende, o STF, algum pedido do presidente? Não. Mas também nisso está tudo bem para os plantonistas da mídia engajada.

Pouco antes da posse, a ministra Rosa Weber indeferiu o pedido da PGR para que se encerrassem os inquéritos abertos contra o presidente da República como decorrência do relatório da espalhafatosa e politiqueira CPI da Covid. O órgão titular da ação penal pública disse não ter encontrado motivos consistentes para dar continuidade às investigações. A ministra, mesmo assim, reproduz o padrão do poder que passaria a presidir: dane-se o ministério público.

Manter inquéritos abertos no Supremo virou uma espécie de porte ostensivo de arma destravada...

Em outras palavras, a ministra optou por desacreditar a PGR e atribuir maior valor ao denuncismo desvairado de Renan Calheiros, um senador de má reputação, que em 14 de setembro de 2021 tinha nove inquéritos abertos no STF. Mas, aparentemente, nada disso tem algo a ver ou dá razões para a tão reprovada polarização...

Leia mais

Uma nação fundada por uma mulher!

D. Leopoldina

10/09/2022

Carta de D. Leopoldina ao Príncipe D. Pedro

"Pedro, o Brasil está como um vulcão. Até no paço há revolucionários. Até oficiais das tropas são revolucionários. As Cortes Portuguesas ordenam vossa partida imediata, ameaçam-vos e humilham-vos. O Conselho de Estado aconselha-vos para ficar. Meu coração de mulher e de esposa prevê desgraças, se partirmos agora para Lisboa. Sabemos bem o que tem sofrido nossos pais. O rei e a rainha de Portugal não são mais reis, não governam mais, são governados pelo despotismo das Cortes que perseguem e humilham os soberanos a quem devem respeito. Chamberlain vos contará tudo o que sucede em Lisboa. O Brasil será em vossas mãos um grande país. O Brasil vos quer para seu monarca. Com o vosso apoio ou sem o vosso apoio ele fará a sua separação. O pomo está maduro, colhei-o já, senão apodrece. Ainda é tempo de ouvirdes o conselho de um sábio que conheceu todas as cortes da Europa, que, além de vosso ministro fiel, é o maior de vossos amigos. Ouvi o conselho de vosso ministro, se não quiserdes ouvir o de vossa amiga. Pedro, o momento é o mais importante de vossa vida. Já dissestes aqui o que ireis fazer em São Paulo. Fazei, pois. Tereis o apoio do Brasil inteiro e, contra a vontade do povo brasileiro, os soldados portugueses que aqui estão nada podem fazer.

Leopoldina"

*       Reproduzido da página de “História do Brasil” no Facebook, onde foi publicada por iniciativa de Marcelo Pereira Nunes.

Leia mais

Os caça-fantasmas

Percival Puggina

07/09/2022

 

Percival Puggina

         Um pouco de sensibilidade seria suficiente para entender:

que dois ou três cartazes pedindo aplicação do art. 142 da Constituição Federal não fazem uma revolução;

que uma conversa sobre o mais danoso entre uma vitória de Lula e um golpe militar gera, apenas, interlocução sobre o clássico tema do “mal menor” e tem resposta que para muitos é óbvia, mas não envolve a possibilidade de viabilizar uma coisa ou outra;

que polarização numa eleição presidencial com dois candidatos não é pecado, nem crime, mas decorrência natural da atividade chamada política;

que os riscos atribuídos às manifestações dos grupos conservadores no dia 7 de setembro são um delírio de mentes habituadas a atribuir aos outros os próprios defeitos; essa propensão recebe da Psicologia o nome de “projeção” e é estudada como mecanismo de defesa, embora, em certos ministros do STF seja justificativa para ataque e repressão.

Como resultado dessa caça aos fantasmas que ocupam espaço nas mentes (ou serão simulações?) de certos ministros da Corte, o Brasil vive um stress institucional, semelhante ao que acontece quando membro de uma família é socialmente desajustado, de conduta explosiva imprevisível.

Bom, fiz o diagnóstico. Os caça-fantasmas viveram um dia de constrangimento. Agora o assunto fica para os terapeutas institucionais que ainda não entenderam o problema...

Leia mais

 

Nota: Em artigo de ontem (05/09) no Diário do Poder, o Dr. José Maurício de Barcellos cita Ruy Barbosa em discurso proferido no Teatro Lírico do Rio de Janeiro em 20 de março de 1919. Assim disse Ruy, em palavras nas quais crepita a chama dos valores que haveremos de retomar:

"O Brasil não é isso. É isto. O Brasil, senhores, sois vós. O Brasil é esta assembleia. O Brasil é este comício imenso de almas livres. Não são os comensais do erário. Não são as ratazanas do Tesoiro. Não são os mercadores do Parlamento. Não são as sanguessugas da riqueza pública. Não são os falsificadores de eleições. Não são os compradores de jornais. Não são os corruptores do sistema republicano. Não são os oligarcas estaduais. Não são os ministros de tarraxa. Não são os presidentes de palha. Não são os publicistas de aluguer. Não são os estadistas de impostura. Não são os diplomatas de marca estrangeira. São as células ativas da vida nacional. É a multidão que não adula, não teme, não corre, não recua, não deserta, não se vende. Não é a massa inconsciente, que oscila da servidão à desordem, mas a coesão orgânica das unidades pensantes, o oceano das consciências, a mole das vagas humanas, onde a Providência acumula reservas inesgotáveis de calor, de força e de luz para a renovação das nossas energias. É o povo, em um desses movimentos seus, em que se descobre toda a sua majestade."

Falou para os que, 103 anos depois, estaremos amanhã, 7 de Setembro, nas ruas e praças do Brasil.

Leia mais

 

Percival Puggina

Uma seguidora de meu canal no YouTube, comentando o vídeo que publiquei hoje (05/09), escreveu haver lido em algum lugar esta terrível pergunta: “Que país é este que traz o coração do colonizador para celebrar a Independência?”.

A frase é uma eloquente expressão do que acontece no aparelho educacional brasileiro. Aparelho, sim, e não me digam que não. Infiltrado, tomado, lacrador, manipulador. As esplêndidas exceções salvam-se, claro, mas não salvam o conjunto deteriorado. Coleciono cotidianas evidências de seu quase total aparelhamento!

O sujeito que escreveu isso, aprendeu assim. Reproduz a “narrativa” como ela lhe chegou e que incita a repulsa à brasilidade, ao 7 de setembro! Aos símbolos da Pátria! É a narrativa premiada; entrega o que promete: substitui o amor ao Brasil por um punhado de maus sentimentos.

Não preciso lhes dizer em quem votam pessoas assim. Seu sonho de vida é a preservação do autoritarismo e o voluntarismo sem fronteiras que marca a atuação de alguns e conta com a omissão dos demais ministros do STF. Ignorantes por iniciativa própria ou por responsabilidade alheia têm seu totalitarismo de fetiche. “Todo poder aos sovietes!”, gritava Lênin dias antes de ferir gravemente a humanidade inteira. Outros, dizendo agir “pela Democracia e pelo Estado de Direito” ferem gravemente os dois. E a você. E à nação.

À pessoa que escreveu aquela frase não foi dado conhecer que a Independência aconteceu no momento de ruptura do projeto de estabelecer no Brasil a sede da Coroa Luso Brasileira. Nunca ouviu falar na Revolução do Porto. Nunca lhe mencionaram as deliberações das Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, estas sim, ávidas por colonizar o Brasil.

Nunca lhe disseram que foi por se opor àquela decisão das Cortes Gerais e Extraordinárias (onde o Brasil tinha representantes) que D João VI voltou a Portugal e na saída aconselhou o filho a pôr a coroa na cabeça se isso se fizesse necessário.

Este 7 de setembro será de louvores e juras. Louvores ao Brasil, à Independência, aos grandes vultos da Pátria comum; e juras (parafraseando Rui Barbosa) de defender a comunhão da lei, da língua e da liberdade.

Como sempre, ao longo dos últimos nove anos, estarei no Parcão, aqui em Porto Alegre.  

Leia mais