Faleceu Lourenço Castellan

Percival Puggina

04/04/2022

Percival Puggina

 

Fui surpreendido, hoje, com a notícia do falecimento de Lourenço Castellan, aos 92 anos. O nome do fundador e impulsionador da FLORENSE estará sempre referenciado e reverenciado entre os grandes empreendedores da indústria gaúcha.

Tive o prazer de o conhecer pessoalmente e apreciar uma personalidade em quem o sucesso não apagou um traço sequer do descendente de imigrantes italianos enraizado na Serra Gaúcha, na aprazível Flores da Cunha.

A empresa que criou a partir de pequena marcenaria se tornou uma potência na produção de mobiliário, exporta para o mundo e ombreia com as maiores marcas mundiais de mobiliário de alto acabamento. Mas onde vai, leva o nome de sua Flores da Cunha.

Fomos confrades na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. A notícia do falecimento do irmão Lourenço, que acabo de receber da secretaria da Santa Casa, reconhece o caráter virtuoso de sua generosidade:

“Seus gestos humanitários acompanharam toda a trajetória de vida, especialmente no apoio incondicional despendido às iniciativas desta Instituição.”

Ser amigo do filho Gelson é um privilégio que me ajuda a compreender a preciosa dimensão familiar como parte essencial do legado de Lourenço Castellan: uma família socialmente virtuosa, unida no afeto, na fé, na tradição, no trabalho e no progresso.

Fica aqui o meu abraço solidário e afetuoso ao Gelson, Eliana e Leila, à família Castellan, à FLORENSE, ao amigo Mateus Corradi, atual CEO da empresa, e à comunidade de Flores da Cunha. Ao mesmo tempo, sublinho o quanto de ventura lhes foi proporcionado pelo convívio prolongado de três gerações com o admirável ser humano que foi o Lourenço. Que o Senhor o acolha entre os seus.  

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Nem pensar, deputado!

Percival Puggina

03/04/2022

 

Percival Puggina

 

          E não é que Arthur Lira resolveu iniciar o mês de abril como protagonista de alguma coisa? Afinal, o ano está em acelerado fluxo e o mandato dele, como os dos demais omissos da Casa, vai para o voto popular de outubro. O pusilânime presidente da Câmara dos Deputados quer mostrar serviço.

Ainda bem que jogou para as calendas de 2030 a aplicação do semipresidencialismo. A comissão que criou para estudar o assunto, diz ele, nada proporá para aplicação em curto prazo.

Contudo, há algo que precisa ser dito. O objetivo último do semipresidencialismo é dissolver em águas constitucionais as poucas prerrogativas ainda remanescentes do presidente da República, transferindo o coração do governo para a maioria parlamentar.

Por isso, pergunto: semipresidencialismo e o que mais?  Pretendem os espertos doutos implantar esse modelo com o atual sistema eleitoral? Sem voto distrital? Ciscando representação parlamentar no mesmo terreiro e recrutando deputados com o mesmo perfil da atual representação?

O prognóstico não pode ser pior! E vale o mesmo para o diagnóstico que se pode emitir a respeito dos autores da proposta...

Um sistema de governo que aumente as competências do Congresso Nacional com o atual perfil do Poder Legislativo significa entregar as ovelhas aos cuidados dos lobos. Não devemos – jamais! – aceitar algo assim, saído, não por acaso, de reiteradas sugestões de Rodrigo Maia, Arthur Lira e Gilmar Mendes.

Desde jovem, sou parlamentarista. O semipresidencialismo também pode atender pelo nome de semiparlamentarismo. No entanto, ainda que a proposta fosse para um parlamentarismo integral, eu concordaria se antecedido pela adoção do voto distrital, em virtude dos estreitos vínculos de fiscalização e cobrança que esse sistema estabelece na relação entre eleitos e eleitores.

Com a atual franquia, em que os congressistas viram as costas para a sociedade, ocultam seus votos e suas posições, escondem o que fazem, vivem na bolha do partido e dos seus cabos eleitorais, nem pensar em lhes atribuir maiores competências e responsabilidades.

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Roberto Motta

 

O Departamento do Tesouro dos EUA está oferecendo até 5 milhões de dólares por informações que levem à repatriação de propinas pagas pela Odebrecht e Braskem.

Essa iniciativa é parte do Programa de Recompensas de Recuperação de Ativos da Cleptocracia, aprovado pelo Congresso americano.

Diz o site do Departamento do Tesouro americano:

"A Odebrecht SA, um conglomerado global de construção com sede no Brasil, admitiu em seu acordo de confissão de culpa com o Departamento de Justiça dos EUA que pagou US$ 788 milhões em propinas para funcionários do governo em 12 países, incluindo Angola, Argentina, Brasil, Colômbia , República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela entre 2001 e 2016".

"A Braskem SA, petroquímica brasileira, também admitiu ter pago cerca de US$ 250 milhões à Odebrecht como propina a políticos e partidos políticos no Brasil, bem como pelo menos a um funcionário da Petróleo Brasileiro SA".

Diz o site do FBI:

“Na tentativa de esconder seus crimes, os réus usaram o sistema financeiro global – incluindo o sistema bancário dos Estados Unidos – para disfarçar a fonte e o desembolso dos pagamentos de suborno, passando fundos por uma série de empresas de fachada".

"A mensagem enviada por esta acusação é que os Estados Unidos, trabalhando com seus parceiros policiais no exterior, não hesitarão em responsabilizar as corporações e indivíduos que procuram enriquecer através da corrupção das funções legítimas do governo, não importa quão sofisticadas sejam os esquemas.”

"“Só porque eles estão fora de nossas vistas, não significa que estão fora do nosso alcance. O FBI usará todos os recursos disponíveis para acabar com esse tipo de comportamento corrupto.”

Parabéns aos Estados Unidos da América.

Alguém aí se lembra em que governos a Odebrecht e a Braskem fizeram essa lambança toda?

Site do Departamento do Tesouro: https://home.treasury.gov/.../kleptocracy-asset-recovery...

Site do Departamento de Justiça: https://www.justice.gov/.../odebrecht-and-braskem-plead...

*       Publicado originalmente na página do autor no Facebook em 30/03/2022

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Percival Puggina

 

         “Ordem judicial se cumpre!” afirma a mídia lambe-toga, reprovando a conduta do deputado Daniel Silveira que buscou refúgio no plenário para escapar das tornozeleiras com que o ministro Alexandre de Moraes pretende brindá-lo.

Isso é desconversar. É dissimular. O assunto não é e nunca foi esse e a pusilânime maioria do Congresso Nacional sabe muito bem.

O caso Daniel Silveira é de natureza muito mais grave. O deputado não deveria passar pelo que está passando. Sua situação perante o STF é um mostruário de irregularidades. Leia neste artigo aquilo que o autor  denomina de “os sete paradoxos” do caso. Mostre-os a um jovem estudante de Direito, não petista, e ele, provavelmente, se exclamará com algum palavrão que expresse indignação (como tem feito Daniel Silveira, Allan dos Santos e outros que enfrentaram a fúria do ministro indicado por Michel Temer).

Pois é esse o caso, em brevíssimo resumo. Invocar o dever de obediência a uma ordem judicial (“Aplique-se uma tornozeleira nesse insubmisso!”) é desconversar, dissimular, numa discussão onde o assunto é outro: o deputado não deveria passar pelo que está passando.

Ele enfrenta um catálogo de irregularidades erguidas contra si. Alegar sua recusa à tornozeleira é apegar-se a mero detalhe para justificar o que não é justo e explicar o que não se explica. Mormente num país que prima por disponibilizar a sociedade a seus bandidos.

 

 

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Um belo e profético texto

André Charlier

26/03/2022

Por André Charlier

 

Nota do Editor: O autor deste texto foi um conhecido pedagogo francês, professor de internato de elite para jovens franceses, lá pelos anos 50.  Já então identificava ele, em artigos que tinham o título de “Cartas aos pais”, sintomas de um mal que se foi reproduzindo nas décadas subsequentes e nos trouxe onde estamos. A íntegra do artigo pode ser lida aqui.

Transcrevo abaixo um trecho do referido artigo.

O que me espanta mais é o quanto esta juventude é pouco viril. E por que é assim? Porque, simplesmente, os senhores jamais exigiram nada dela. Os senhores apenas se preocuparam de que fossem felizes e realizaram todos os seus desejos; desde a primeira infância, os satisfizeram de todos os modos possíveis; como poderão querer que tenham a idéia de que, por um lado, a vida é difícil, que as coisas difíceis são as únicas que interessam e que, por outro lado, todas as alegrias se compram e mesmo que custam tanto mais caro quanto mais elevadas são? Tudo sempre lhes foi dado e eles julgam normal que tudo lhes seja dado, estimam mesmo que é seu direito; e como a cultura e a ciência não se comunicam por si mesmas, vêem nisso uma espécie de injustiça. Eles não estão longe de se considerarem vítimas, posto que o Latim e as matemáticas não entregam tão facilmente os seus segredos.

 

Isto é assim porque, na educação que os senhores lhes deram, eles sempre receberam tudo de graça. Os senhores foram vítimas da demagogia universal e do moderno liberalismo, que considera a autoridade um vestígio de tempos bárbaros. Os senhores repudiaram a autoridade; quiseram agradar seus filhos para serem amados: mas não serão mais amados do que nossos pais o foram e serão, talvez, menos estimados por seus próprios filhos quando estes tiverem idade para julgar. Pois não lhes ensinaram que tudo tem um preço e que as coisas de valor custam caro. Jamais tiveram necessidade de merecer os prazeres que lhes foram dados; jamais aprenderam a fazer coisas contrárias às suas vontades. Ora, não é coisa agradável, em si mesma, por exemplo, estudar as declinações do latim ou do alemão.

* Extraído de https://permanencia.org.br/drupal/node/5270

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UMA PROVA DO SEQUESTRO

Percival Puggina

22/03/2022

Percival Puggina

 

         Eu recém terminara de escrever o artigo “O maior sequestro da história” (pode ser lido aqui), quando a vereadora Fernanda Barth me envia mensagem para noticiar um fato que fazia prova do que eu havia afirmado.

         A Promotoria de Justiça Regional da Educação de Porto Alegre  iniciou um procedimento administrativo para que o MPRS entre com uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra a lei que autoriza a educação domiciliar em Porto Alegre.

A referida lei foi aprovada pela Câmara de Vereadores e, como o prefeito se absteve de sancionar, o próprio legislativo municipal a promulgou, na forma da Lei Orgânica da capital gaúcha.       

Ora, caros leitores. Nossas crianças recebem uma educação escolar cujos péssimos resultados são espelhados de modo alarmante em sucessivos indicadores. A iniciativa contra a lei municipal, não é a favor de uma educação de maior qualidade. Mostra que nem mesmo os pais com condições de suprir a educação escolar dos filhos por meios próprios conseguem se livrar do sequestro a que está submetido o ensino brasileiro em sua integralidade. E não o conseguem mesmo que a lei do ensino domiciliar respeite o currículo base da educação municipal, os parâmetros da legislação federal, as provas e avaliações formais e oficiais.       

Parece que o sistema não pode perder uma única vítima!

Lembremos que o manuseio da educação para fins políticos e ideológicos ocupa, hoje, o centro da reflexão acadêmica. Alunos dos cursos de formação para o magistério contam-me que é difícil encontrar, para seus estudos, literatura não marxista.

Escrevo sobre inevitáveis relações de causa e efeito. Escrevia quando era previsível e agora escrevo sobre o constatado. A Educação no Brasil, com a malícia de alguns e a dócil ingenuidade de quase todos, deu uma banana para as expectativas sociais, para as necessidades nacionais, para o direito dos jovens e das famílias, para o futuro da pátria.

Educação, caros leitores, ou tem qualidade ou não é educação. A escola domiciliar, ou o homeschooling, é um grito por qualidade e liberdade!

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