Percival Puggina

 

           Infelizmente, por enquanto ao menos, tudo indica que eu estava certo em meu pessimismo. A radiosa manifestação do povo cubano por Pátria y Vida, por democracia e por liberdade, tornou-se objeto de fortíssima repressão e o povo foi reduzido ao silêncio. A onipotência e a brutalidade do regime não aceita contestação. Quem diverge do partido comunista comete crime hediondo...

Condenações relâmpagos, condenações coletivas, impotência do direito de defesa e greve de fome têm constituído o quadro cubano nestes últimos dias. A caneta pesada do poder intimida! Saber que um contingente  nunca revelado de cidadãos está preso incomunicável (ou é formado por desaparecidos, como clamam suas famílias) é parte do arsenal repressivo do sistema contra um povo desarmado.

Na Cuba da maldita revolução, a polícia e o aparelho judicial são formados por ovelhas no rebanho do partido e ursos selvagens contra a população desarmada. Não se diga diferente dos meios de comunicação. Todos, sem exceção, servem à propaganda do regime. Abordo isso longamente no meu livro A tragédia da Utopia.

Uma situação assim, bizarra, repugnante perante qualquer consciência bem formada, é aplaudida e tem merecido nestes dias renovadas manifestações de apoio companheiros daqui. Entre eles Lula,  essa alma pura, sem pecado, e assim declarada por um STF que, teimosamente, me faz lembrar dos tribunais cubanos.

Em um artigo de CubaNet publicado nesta sexta-feira (23/07), o advogado Roberto Jesús Quiñones diz:

“Aqueles que exercemos advocacia em Cuba e estivemos presos, conhecemos outra realidade bem diferente (daquela dos noticiários oficialistas). A carência de tribunais independentes é uma exigência que desprestigia a administração cubana da justiça, ainda que persista a tendência da mídia local de nos apresentar o Estado como um ente respeitoso da lei e dos direitos dos cidadãos”.

Assim, a mentira se tornou ingrediente da vida cotidiana de um povo inteiro. Que essa mesma mentira seja reproduzida entre nós, soa como ameaça de igual perversidade.

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O DEUS DO PARTIDO COMUNISTA CHINÊS

Percival Puggina

20/07/2021

 

Percival Puggina

 

         Segundo consegui ver pelo Google, não ganhou devido destaque na mídia militante brasileira a frase mal educada e irreverente de Yang Wanming, Embaixador da China. Atingindo as crenças da imensa maioria da população brasileira, o embaixador fez uma afirmação que soa absurda e hipócrita para quem conhece o comunismo chinês e a situação das religiões no país e no Tibet. Assim tuitou o sr. Yang:

Quem é Deus? O Povo é Deus, é o povo que faz a história e determina a história.

Para o jornalismo mais praticado hoje no Brasil, que só tem um alvo e um objetivo, esse é um não assunto. Então, vejamos. A Constituição chinesa afirma :

A República Popular da China é um Estado socialista subordinado à ditadura democrático-popular da classe operária e assente na aliança dos operários e camponeses. O sistema socialista é o sistema básico da República Popular da China. É proibida a sabotagem do sistema socialista por qualquer organização ou indivíduo.

Em sequência, repete, várias vezes, que:

Sob a égide do Partido Comunista da China e a inspiração do marxismo-leninismo e do pensamento de Mao Zedong, o povo chinês de todas as nacionalidades continuará a aderir à ditadura democrático-popular e a seguir a via socialista (...).

         Desnecessário explicar que ditadura é ditadura, por mais que se acrescente o refrão “democrático-popular” tentando adocicar o que é por natureza amargo. Para que não haja dúvida do caráter não democrático dessa ditadura basta afirmar que só há um partido político na China, não existindo, por consequência, espaço para qualquer forma efetiva de oposição política. Já o caráter efetivamente comunista desse “socialismo” se afirma e reafirma no nome do partido, na confessada inspiração tanto no marxismo-leninismo quanto em Mao Zedong.

         Com tais influxos filosóficos e sob uma ditadura com esse perfil, cabe indagar, aparte a grosseria de dar publicidade a tal pensamento na imprensa do país que o hospeda: que espécie de Deus pode ser o povo submetido a uma ditadura? Nas condições em que se descreve a realidade chinesa – inclusive quanto a perseguição religiosa - a única divindade institucionalmente reconhecida na ditadura chinesa é o Partido. O Deus do embaixador é esse supressor de liberdades e do direito à vida, juiz supremo e caricato salvador, que exige para si uma fé não religiosa, não amorosa, não salvífica, cujo nome real é servidão.

Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.

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O QUE CUBANOS E BRASILEIROS TEMOS EM COMUM

Percival Puggina

16/07/2021

Percival Puggina

 

Nestes últimos dias, olhamos para a ilha de Cuba com sentimento de solidariedade em relação aos padecimentos a que estão submetidas sucessivas gerações de cubanos, desarmados e impotentes, perante a brutalidade do Estado totalitário, de partido único. Alegramos-nos com as manifestações de rua pedindo liberdade e democracia. Vimos a reação do Estado e ouvimos a proclamação de  Diaz Canel convocando os comunistas “a salir à la calle” porque as ruas são dos comunistas, são da “revolución”.

Como previ, foram momentos excepcionais na longa história destes últimos 62 anos naquele país. Mas não havia como levar a algo dada a disparidade de recursos existente entre a máquina dissuasora do regime e o povo, pobre e desnutrido, que começa a se conscientizar sobre as reais causas de suas descomunais carências.

O que custei a perceber foram as semelhanças entre a situação dos cubanos e a nossa, neste momento peculiar de nossa própria história.

Como eles, temos uma imprensa que vê com um olho só e pensa com um lado só do cérebro, a serviço de uma única causa. Lá, para manter o governo; aqui para derrubar o governo.

Como eles, saímos às ruas. Nossas manifestações, porém, têm levado a nenhum resultado desde 2018. Pregamos no deserto, clamamos aos ventos, protestamos contra poderes que não nos escutam. Como os cubanos, estamos reduzidos à impotência.

Como eles, estamos sob uma ditadura. Enquanto a deles é real, aqui a democracia é uma farsa que nos impõe a ditadura conjunta do STF e do Congresso Nacional. Os dois poderes desprezam a opinião pública e tudo fazem para se preservar sem precisar do povo, sem ouvi-lo, submetendo-o ao tacão de seu querer e de suas próprias conveniências.

Claro, nosso presente é bem melhor do que o deles e nossas perspectivas também. Mas seria imprudente desconhecer que há, aqui, um caminho que leva àquela outra realidade.

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CubaNet

 

Depois de um domingo de massivos protestos em toda Cuba, nos quais milhares de pessoas em diferentes partes do país expressaram sua insatisfação com a gestão de Miguel Díaz-Canel e pediram liberdade para a ilha, o governante comunista voltou a falar em televisão nacional nesta manhã de segunda-feira.

Presente a imprensa oficial, quadros do Partido Comunista e governantes, Díaz-Canel garantiu que face à grave situação do país é necessário um espaço para prestar contas ao povo e noticiar sobre as tarefas para lidar com a pandemia.

O presidente parabenizou e agradeceu aos cubanos que saíram às ruas neste domingo para enfrentar aqueles que se manifestaram pacificamente por uma mudança na ilha, “em um dos dias mais históricos em defesa da revolução”.

“O povo saiu espontaneamente” para defender a revolução, disse o presidente, referindo-se às turbas organizadas pelo governo que saíram para enfrentar os que protestavam nas ruas. Os manifestantes “tiveram a resposta que mereciam, como tiveram na Venezuela e em outros povos que quiseram atacar”, acrescentou, referindo-se à violência com que enfrentaram um povo desarmado.

Como explicou desde o Palácio da Revolução, em Havana, a intervenção na cadeia nacional esta manhã visa também a  esclarecer uma série de tópicos com as quais se haveria tentado, nas últimas semanas, “impor ações de descrédito à forma clara e transparente com as quais nosso país enfrenta a pandemia, para desacreditar o trabalho do governo e da revolução e para tentar fraturar a unidade de nosso povo ”, disse ele.

No encontro de “prestação de contas” à imprensa oficial e ao povo, os apagões recorrentes que acontecem no país nos últimos meses, foram referidos por Díaz-Canel como a causa do descontentamento popular...

O governante castrista assegurou que, em 2019, quando foram ampliadas medidas restritivas, como a aplicação do Título III da Lei Helms-Burton, imposta pelo governo do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, “explicamos à população de forma muito transparente que íamos entrar em um período difícil, onde haveria dificuldades e deficiências econômicas”.

As massivas manifestações que ocorreram neste domingo em Cuba foram reprimidas pelas forças policiais do regime. O que começou como protestos pacíficos exigindo liberdade terminou com agentes de Castro em roupas civis atacando cubanos desarmados.

Díaz-Canel também falou na tarde de 11 de julho e praticamente convocou uma guerra civil após alertar que a Revolução estaria "nas ruas lutando" contra a onda de manifestações desencadeada pela grave crise humanitária no país.

“Há muitos revolucionários nesta cidade que estão dispostos a dar nossas vidas. E isso não é por slogan, é por convicção. Eles têm que passar por cima de nossos cadáveres se quiserem enfrentar a Revolução”, disse o sucessor de Raúl Castro.

Díaz-Canel assegurou que “já existem massas revolucionárias nas ruas de Havana enfrentando elementos contra-revolucionários”. E acrescentou: “Separamos os revolucionários que podem estar confusos. Separamos os habitantes de Cuba que podem ter certas preocupações, mas não vamos admitir que qualquer mercenário contra-revolucionário vendido ao governo dos Estados Unidos, vendido ao império ... vá desestabilizar nosso país ”.

*   https://www.cubanet.org/noticias/diaz-canel-agradece-a-los-represores-en-una-de-las-jornadas-mas-historicas-en-defensa-de-la-revolucion/

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NÃO VAI RESOLVER, MAS BEM BOLADO FOI

Percival Puggina, com conteúdo Terça Livre

12/07/2021

 

Leio no Terça Livre

Advogado pede prisão de Alexandre de Moraes em flagrante por crime de tortura

O advogado Paulo Faria entrou com uma Representação Criminal nesse sábado (10) com pedido de prisão em flagrante por crime inafiançável de tortura contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes é acusado de desrespeito à imunidade parlamentar, impedimento do pagamento de fiança e outros crimes contra o deputado federal Daniel Silveira.

“O recebimento e processamento da presente representação, em ação penal pública incondicionada, […] especialmente para denunciar o cometimento continuado e ininterrupto do crime de tortura praticado pelo Representado, Alexandre de Moraes, ministro do STF, contra Daniel Lúcio da Silveira, deputado federal que se encontra preso ilegalmente, e torturado desde 16/02/2021, e diante da condição flagrante delito por crime inafiançável do agente público mencionado, […] pugna-se pela decretação imediata de sua prisão”, escreveu o advogado na ação.

Entre as acusações encontra-se o impedimento do pagamento da fiança de R$ 100 mil. A conta para o pagamento informada pelo ministro da Suprema Corte foi excluída antes da transferência ser realizada. Uma outra acusação contra o togado foi a rejeição da imunidade parlamentar de Daniel Silveira.

Paulo Faria também informou o encaminhamento da Representação Criminal para a Corte Interamericana e para a Procuradoria Geral da República (PGR).

Comento

Se discordo do comportamento do deputado Daniel Silveira, discordo muito mais das atitudes do ministro Alexandre de Moraes. Sei que ele, também para isso está se lixando, mas a mim é importante dizer: o ministro é mais irascível e atrabiliário do que o parlamentar. Por uma razão simples: a atitude do deputado voltou-se contra uma pessoa que virou seu verdugo; a atitude do ministro é uma violência contra a sociedade e contra os direitos de um cidadão investido de mandato parlamentar. Digo o mesmo, aliás, da homologação proporcionada pela maioria do Pleno do STF e pela maioria do Câmara dos Deputados. 

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COVID-19 É CATÁSTROFE EM CUBA

CubaNet

09/07/2021

Triste situação de um povo que se obriga a pedir socorro internacional por conta própria. E lá não tem CPI contra governo...

CubaNet

 

A Fundação para os Direitos Humanos em Cuba (FHRC) fez um apelo de emergência ao Departamento de Estado dos Estados Unidos diante da catástrofe da COVID-19 na ilha, na qual pede a doação de medicamentos e alimentos no valor de até US $ 10 milhões.

O FHRC denunciou que Cuba é o quinto país do hemisfério e o 15º do planeta em níveis de contágio devido à atual pandemia global, e que o coronavírus “agravou os problemas nacionais e levou o país a uma crise humanitária extrema”.

É por isso que a Fundação reitera o pedido emergencial, feito pela primeira vez na semana passada, e explica que a doação “deve ser distribuída de forma direta e verificável aos setores mais vulneráveis ??do povo cubano através das diferentes denominações. Religiosas e sem nenhuma discriminação em razão de raça, credo, ideologia, gênero ou orientação sexual ”.

“Consideramos que o governo cubano tem a obrigação ética de aceitar esta ajuda humanitária emergencial e cumprir as normas internacionais que se exigem nestes casos: as doações são gratuitas e nas mesmas condições devem ser entregues às vítimas que também têm o direito de saber quem os doa ”, acrescenta o FHRC em nota.

Da mesma forma, a Fundação apóia “as iniciativas de médicos cubanos e suas organizações no exterior que se ofereceram para ir assistir seus colegas, hoje sobrecarregados pelo fluxo constante de infectados pela pandemia e pelos milhares de pacientes que os procuram. Outras doenças graves também demandam assistência em meio a esta crise humanitária ”.

O FHRC exige das autoridades do regime autorização para que voos humanitários e transportes navais possam entrar na Ilha, e sua carga, devidamente vistoriada, fique isenta de taxas alfandegárias.

“É imprescindível transferir com urgência para a ilha remédios, alimentos e mais pessoal de saúde cubano que, embora hoje vivam no exterior, estão dispostos a realizar trabalhos sanitários voluntariamente em sua pátria durante esta emergência humanitária”, explica o documento.

Obstruir esta tentativa de ajuda humanitária “constituiria um crime contra a humanidade”, disse o FHRC, que pede viabilizar e apoiar “o fluxo solidário de recursos materiais e humanos que os cubanos que vivem no exterior podem movimentar neste momento. Que alcancem e apoiem os cidadãos na concretização desta corrente cívica e solidária com todos e para o bem de todos ”.

https://s3.eu-central-1.amazonaws.com/qurium/cubanet.org/noticias-fhrc-pide-a-eeuu-canal-de-ayuda-humanitaria-ante-catastrofe-de-la-covid- 19-in-cuba.html

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