Reproduzo abaixo partes de um artigo, que escrevi em março de 2002 para o Correio do Povo. Recentemente transcorrera em Porto Alegre a segunda edição do Fórum Social Mundial. Olívio Dutra governava o Estado. Tarso Genro era prefeito de Porto Alegre. E, naquele ano, Lula conquistaria seu primeiro mandato presidencial. Porto Alegre transpirava ideologia pelas pedras do calçamento. Era um quadro dos infernos...

Então, eu escrevi: "Durante uma das reuniões do Fórum, falando para um auditório tomado por religiosos, militantes de CEBs, MST, etc., o petista dominicano Frei Betto afirmou que "o homem novo deve ser filho espiritual do casamento de Che Guevara e Santa Teresa de Jesus". O imenso desaforo deve ter suscitado protestos cósmicos: um frei católico escalando Santa Teresa, ao modo machista, sem consulta prévia, para um matrimônio desses? O público, no entanto, irrompeu em delirantes aplausos. E eu não tenho dúvidas de que esses aplausos foram muito mais orientados ao revolucionário do que à grande santa de Espanha".

"Mal se haviam apagado as luzes dos auditórios do Fórum, Lula foi bater à porta do Partido Liberal  (Nota do autor: o PL era o partido de seu futuro vice José Alencar). Tempo é dinheiro. E muito melhor fica uma aliança política que assegura diretamente as duas coisas: mais tempo na tevê e mais dinheiro para a campanha. A batida do martelo da coligação acertou, em cheio, no cotovelo de Frei Betto e seus companheiros na CNBB, que acusou a dor e botou a boca no trombone para condenar a aliança".

Até então poucos sabiam que a CNBB estava tão imiscuída nos assuntos desse partido. O Partido Liberal existia desde 1985. Desde então haviam sido realizadas oito eleições e o PL deve ter participado de inúmeras coligações sem que ninguém na CNBB houvesse lhe dedicado cinco minutos de atenção. Pois não mais que de repente, o vice-presidente e o secretário-geral da CNBB, secundados pelo secretário da Comissão de Justiça e Paz, vieram a público reprovar a aliança, indagar sobre os reflexos dela nas propostas do PT, e dizer que o PT deverá dar explicações aos católicos pertencentes ao partido. Será preciso dizer mais? O troco veio rápido. De alguém da CNBB? Não, do próprio PT. O senador José Eduardo Dutra retrucou que assim como o PT não interpreta a Bíblia a Igreja não tem que se meter imiscuir nos assuntos do partido. Em outras palavras: não se metam.

José Alencar acabou sendo o que de melhor havia no governo Lula...

 

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A DATA FARROUPILHA

20/09/2014


Percival Puggina

 O Rio Grande do Sul não é um Estado melhor nem pior do que qualquer outro da Federação brasileira. Ele é apenas diferente. Essa diferença tem tudo a ver com a forma como transcorreu a História por estas bandas. Durante os dois primeiros séculos seguintes ao Descobrimento, o Rio Grande era terra de ninguém, uma longa costa arenosa, de mar revolto, que causava preocupações às caravelas que desciam na direção do Prata. Não havia, por aqui, Brasil, nem Portugal, nem Espanha. Quem primeiro chegou, não aportou, mas veio de oeste, das missões guaraníticas. Eram jesuítas e falavam espanhol. O Rio Grande começou a existir como mera possibilidade de ser parte do Estado de Portugal quando a boa estratégia da Coroa portuguesa começou a construir uma fortificação (Colônia do Sacramento) defronte a Buenos Aires, no lado oposto do Rio da Prata, em 1680. A partir de então, a vida nestas plagas foi uma sequência de guerras e batalhas para demarcar os contornos do território da província. Em 1835 foi a vez da guerra contra o Império (uma das tantas que tumultuaram os anos que se seguiram à Independência, mas a que mais se prolongou e a que mais dores de cabeça causou). Menos de 20 anos depois de pacificada a província, já estavam os gaúchos envolvidos e a Fronteira Oeste transformada em palco da Guerra do Paraguai. Em seguida, vieram as revolução da política local, a Federalista de 1893, a dos maragatos contra o borgismo em 1923, e a de 1930, por Getúlio Vargas.

Em cima desses episódios, os gaúchos construíram uma tradição que mais vale pelo efeito do que pelas causas, que mais vale pelas virtudes que se exaltam nos mitos históricos do que pelo conhecimento que se pode ter do caráter de cada um. Num resumo de poucas linhas: a tradição gaúcha, assinalada nas festividades que marcam o 20 de setembro, carrega em si um conjunto de valores e virtudes de honra que lembra certas características da cavalaria medieval. E que muitos rio-grandenses, acertadamente ou não, gostam de reconhecer em si mesmos. O Rio Grande do Sul, nesse sentido, é um exemplo de que tradição, quando não avessa ao progresso, é coisa séria, e com ela não se brinca sem graves prejuízos.
 

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BRASIL CIA. LTDA.

16/09/2014

 

 O grupo é numeroso, mas não chega a ser uma Sociedade Anônima. É uma dessas companhias que quando caem nas mãos da segunda geração não resistem aos desmandos e vão à breca. Assim é o cenário, hoje, de um país que parou enquanto os outros avançam. Assim é o cenário de um país em que a elite do Estado discursa sobre desigualdade, mas vive no fausto e ignora a miséria dos municípios, das escolinhas, dos postos de saúde. Brasil Cia. Ltda. deveria ser a placa à porta deste país cuja diretoria, se chefiasse realmente uma empresa respeitável, teria que ser exonerada uma vez por semana.

Zero Hora de hoje noticia o rombo de R$ 13 bilhões no Fundo de Amparo do Trabalhador, e avisa que esse estrago deve crescer 30% no ano que vem. Não há dinheiro que esse governo não dilapide, não há estrago contábil que não possa causar. Os rombos são criados quando se gasta mais do que se tem, ou quando se tira mais do que se põe. No caso do FAT, a vulnerabilidade aumenta, porque é um dinheiro do trabalhador, esse inocente, cujo "fundo de amparo" serve, entre outras coisas, para amparar os privilégios bancários que o BNDES concede aos amigos do peito.

Não bastasse isso, os números do seguro-desemprego mostram um aumento de 400% durante os últimos 10 anos, pulando de R$ 6,6 bi em 2003 para R$ 31,9 bi em 2013, impulsionado por uma rotatividade de 37% ao ano no conjunto da força de trabalho do país. Com a economia travada, a situação vai piorar. E o governo, que festejava como se fossem seus os números do emprego que crescia, vai responsabilizar as empresas pelo desemprego que já se evidencia.
 

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Decisão aconteceu após declaração oficial do corpo de bombeiros sobre a precariedade da estrutura do galpão depois do incêndio.

A decisão da transferência para a sede da comarca da cidade partiu da Juíza Carine Labres, após a declaração oficial do Corpo de Bombeiros, que relata a situação insegura do CTG, após os danos causados pelo fogo. O Tenente Martins avaliou que não seria possível emitir o PPCI – Plano de Prevenção Contra Incêndios -, até a data do casamento. Ele ainda diz ter ficado preocupado com a segurança das pessoas que estivessem no local. Carine Labres, porém, afirmou que a partir deste sábado o Fórum de Santana do Livramento passa a ser a sede provisória do CTG Sentinelas do Planalto.

O patrão do CTG, Gilbert Gisler - Xepa -, entendeu que apesar dos esforços “incansáveis” e da atitude solidária dos santanenses, não seria possível acabar a reforma, limpar e decorar o espaço até a manhã deste sábado.
A juíza que teria recebido novas ameaças e está sendo escoltada pela Brigada Militar, assim como o casal homoafetivo, que irá participar da cerimônia, e o patrão do CTG. Homens do Pelotão de Operações Especiais também fazem a segurança do Sentinelas do Planalto, enquanto a estrutura ainda é reconstruída para a Semana Farroupilha. Carine Labres ainda revelou que “a partir de agora todos os casamentos coletivos serão realizados no Fórum de Livramento”. Ela explica que esta decisão foi tomada devido às reações contrárias ao uso do CTG como palco do casamento coletivo, organizado pelo judiciário.

Durante o evento deste sábado, o entorno do Fórum de Livramento será cercado pela Brigada Militar. No salão do júri, só serão autorizados a entrar os casais, convidados, as autoridades envolvidas e a imprensa credenciada.
 

http://www.aplateia.com.br/VisualizarNoticia/3828/

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Não é recente minha aversão a um certo conceito de "cidadania" que anda por aí, convertido em refrão político, travestido de democrático, como que exigindo respeito a quem o menciona, mas totalitário em muitas de suas conseqüências.

 Cidadão e pessoa humana não são sinônimos. Entre as muitas diferenças, sublinho o fato de que toda pessoa humana é detentora de direitos naturais, que preexistem ao direito positivo (às leis), enquanto o cidadão é possuidor, apenas, dos direitos que os códigos lhe conferem. O estrangeiro não é cidadão; o feto não é cidadão. Se a lei diz que alguém pode ser eliminado, ele o será, legalmente; se a lei diz que o feto pode ser abortado, ele o será, legalmente.

 Contudo, se falamos de pessoa humana, estamos diante de um conceito muito mais amplo. Pessoa humana é um ser cuja iminente dignidade antecede e transcende ao Estado; jamais poderia então o Estado, que existe para o servir, eliminá-lo na mais inocente e indefesa de suas etapas de vida. E a vida do zigoto, do feto é vida humana.
 

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Percival Puggina


 Não subscrevo manifestações de hostilidade ao Brasil, tão comuns nos Sete de Setembro. O que me move a este texto é algo bem diferente. É um apelo aos bons brasileiros, aos que amam a pátria que aniversaria e que se sentem responsáveis por ela. Escrevo para muitos, portanto. Aproveitemos este Sete de Setembro para refletir sobre o que os maus conterrâneos estão fazendo com nossa gente. Eles não podem continuar transformando o Brasil numa casa de tolerância, desavergonhada como nunca se viu igual. Uma casa de tolerância que aplaude o gangsterismo político, o crime organizado nos altos andares da República, o banditismo deslavado e sorridente de uma elite rastaquera e debochada, que conta dinheiro e votos como se fossem a mesma coisa.

 Já não lhes basta a própria corrupção. Dedicam-se, há bom tempo, à tarefa de corromper, aos milhões, o próprio povo, porque são milhões e milhões que já não se repugnam, que já não reclamam, que já sequer silenciam. Mas aplaudem e se declaram devotos.

 Pior, não é apenas no plano da política que a nação vai sendo abusada e corrompida. Também nos costumes, também no desprezo à ética, à verdade e aos valores perenes. Também nas novelas, na cultura, nas artes, nas baladas. Nas aspirações individuais e nas perspectivas de vida. No pior dos sentidos, aburguesaram uma nação pobre. Incitaram o conflito racial numa nação mestiça desde os primórdios. À medida que Deus vai sendo expulso, à base de interditos judiciais e galhofas sociais, instala-se, no Brasil, a soberania do outro.

 Recebemos de Deus e da História um país esplêndido, que se converte em covil de malfeitores. Estamos a 28 dias de uma eleição geral. Não nos conformemos apenas com o "dever cívico" do 5 de outubro. Nosso dever cívico não tem data nem prazo de validade. Empenhemo-nos na eleição dos melhores! Sob o chicote do voto, expulsemos do poder os abusadores da Pátria Mãe.
 

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