UM PAÍS PARADO POR NADA

Percival Puggina

16/02/2021

 

Percival Puggina

 

         Fevereiro, 16. Olho a cidade morta. O silêncio de cemitério só é rompido, vez por outra, pelo motoboy que  passa levando remédio a alguém.

      Não me restam dúvidas. Vivemos, também, uma pandemia da tolice. Sinto vontade de recitar a consigna universal dos grevistas: “Por que, parou? Parou por quê?”. Ninguém responde porque a resposta é a confissão de uma imensa asneira nacional.

         Quem se arriscaria a dizer que paramos porque é carnaval?

         Carnaval? Onde? Como? Quando? Carnaval nesse silêncio de lockdown com tropas nas ruas?

         O Brasil que já parou por muitos motivos fúteis, nunca parou tanto e nunca parou por nada, como hoje.

        Graças ao modo brasileiro de ser, o carnaval é uma festa pagã que, por tanto transbordar a taça das liberdades, pediu vaga no calendário nacional. Posso não gostar, mas admito. No entanto, neste ano não há festa alguma! Elas estão proibidas em virtude da pandemia causada pelo coronavírus.

       Mantido o feriado, as pessoas foram concentrar-se nas praias onde ocorrem festas em tudo avessas às necessárias medidas de distanciamento e proteção. Então, para-se o país para que não aconteça o que acaba acontecendo porque o país parou.

        Não precisa explicar, leitor amigo. Como o macaco Sócrates, eu só queria entender.

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O PREÇO DE NÃO TER BASE PARLAMENTAR

Percival Puggina

14/02/2021

 

Percival Puggina

 

Leio em “O Antagonista” (é, de vez em quando faço isso)

Esquerda tenta reincluir estudos de gênero nos livros didáticos

O senador Alessandro Vieira (Cidadania) se juntou à deputada Tábata Amaral (PDT) e Felipe Rigoni (PSB) para tentar reincluir no programa do livro didático conteúdos ligados a igualdade de gênero, orientação sexual, homofobia e transfobia.

Na sexta (12), o Ministério da Educação publicou edital para seleção do material a ser destinado a alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental.

Nos critérios, substituiu esses temas por conteúdos que “promovam positivamente a imagem do Brasil e a amizade entre os povos e a promoção de valores cívicos, como respeito, patriotismo, cidadania, solidariedade, responsabilidade, urbanidade, cooperação e honestidade”.

Para os parlamentares de esquerda, o edital “deturpa a Base Nacional Comum Curricular”. Eles apresentaram no Congresso um projeto de decreto legislativo para sustar o edital.

COMENTO

Fico me perguntando: a que tipo de gente interessa incluir essas pautas no ensino fundamental, para serem levadas a crianças, a seus próprios filhos e aos filhos dos outros?

Tais matérias, embora incluídas na BNCC, foram rejeitadas na quase totalidade dos parlamentos do país em que houve alguma iniciativa legislativa para sua inclusão. O Brasil não as quer em salas de aula. Mas insistem e agem assim, aliás, em todo o Ocidente. E em muitos já países conseguiram o que queriam.

Se o governo não tivesse  base parlamentar, o Projeto de Decreto Legislativo apresentado pelos três parlamentares acima poderia ser aprovado. A ansiedade do fraudulento “progressismo” precisa ser contida, cada vez mais intensamente, na democracia e no voto.

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Percival Puggina

 

         Depois de muitos anos criticando as Campanhas da Fraternidade (CFs) por seu fervor ideológico, em 2010 tomei uma decisão: fico com a quaresma sem CF.

         No entanto, o que está anunciado para os 40 dias que iniciam na próxima quarta-feira de cinzas exige uma reflexão. Ela será ecumênica e seu material foi elaborado sob a responsabilidade do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC). Enquanto a CNBB é controlada pelos bispos ditos “progressistas”, o CONIC exerce militância muito mais ativa. Suas pautas políticas vão além da Teologia da Libertação em que se consome a esquerda católica.

A CF Ecumênica de 2021 vem turbinada, então, pelo diálogo inter-religioso com o CONIC. Entram na agenda temas do “politicamente correto”, as questões identitárias, de gênero, de raça, e do dos “direitos reprodutivos”. Nossas igrejas e o texto base da CF – pasmem! – darão palco à visão de mundo dos ministros do STF, às pautas dos big boss mundiais, tipo George Soros e Mark Zucherberg. São agendas da ONU, da Globo, da Netflix e das grandes fundações financiadoras do aborto.

Para que se cumpra o radiante ecumenismo da CF 2021, é preciso sacrificar os fieis. Na Quaresma deste ano, a Mãe Santíssima de Jesus, a Mater Dolorosa de todas as Quaresmas se não for lembrada por padres piedosos, permanecerá tão oculta quanto está no Texto-Base. E não passa pelas mentes que orientam a CNBB que a crise do catolicismo no Brasil contemporâneo tem muito a ver com suas ações e omissões, paixões políticas e fastios espirituais. Como se não bastasse o laicismo cultural, cresce cada vez mais o laicismo clerical.

 

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Percival Puggina

 

            Depois de tantas “releituras” e “ interpretações conforme” nas quais fizeram o diabo com o texto constitucional, eis que o STF deixa de lado a ferradura e bate no prego. Pode ser uma eventualidade, mas e se for uma tendência?   Não, não se pode pedir onze milagres seguidos ao Senhor.

            No entanto, por 6 votos a 3, o STF formou maioria a favor do direito do presidente  de escolher quem  quiser das  listas tríplices que lhe sejam enviadas por universidades cujos reitores tenham cumpridos seus mandatos. Por quê? Porque é isso o que está escrito na lei de 1995 quanto no decreto de 1996 que a regulamentou.  

            O fato de ser essa lista resultado de uma votação interna, não significa a ocorrência de uma "eleição" cujo resultado precise ser obedecido por imposição da ordem democrática. Se essa fosse a intenção do legislador ele certamente teria dado outra redação ao texto legal e a palavra “escolhidos” (reitor e vice-reitor) não teria o que  fazer nele. Escolher significa optar por  uma ou outra dentre as indicações feitas.

            Os três ministros divergentes – Fachin, Marco Aurélio e Cármen Lúcia – precisam visitar o oculista.

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O PRIMEIRO MINISTRO BEIJOU A LONA

Percival Puggina

01/02/2021

 

Percival Puggina

 

         Depois de se haver outorgado o título de primeiro ministro de um parlamentarismo branco instituído por ele mesmo, Rodrigo Maia beijou a lona das derrotas. De traidor virou traído. Como seu Botafogo, vai acabar na segunda divisão.

         Acreditou que mesmo perdendo o posto deslizaria para o lado, no mesmo nível em que estava como poder paralelo, a fazer sucessor e continuar exercendo influência. Na semana passada, rodeado por companheiros, “aceitou o convite” para ser candidato do DEM à presidência da República.

Ah, Rodrigo, o poder é uma pipoqueira de ilusões! Mas quando desconecta do calor do poder, pode-se dizer como dizem os de língua espanhola: “Si te he visto, no me acuerdo!”. Agora mesmo, enquanto escrevo este breve necrológio de tuas pretensões, ouço que ameaças desfiliar-te do partido de ontem, sentindo-te traído pelo abandono de teus pares ao Baleia Rossi. Se te viram não se lembram mais de ti. Nem a Globo.

         Leonel Brizola, de quem pouco se pode aprender em política, foi muito exato, no entanto, quando afirmou que “a política ama a traição e abomina o traidor”. E isso torna tudo muito incerto, inclusive estas minhas reflexões do momento.

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Percival Puggina  

           A analogia que há poucos dias fiz entre a eleição presidencial de 2022 e um jogo de xadrez se aplica, também, à escolha dos novos presidentes das casas do Congresso.  Abordarei aqui alguns aspectos do cenário para eleição da Câmara dos Deputados. Às 18 horas desta quinta-feira, o site do Estadão anunciava haver 219 votos definidos para governista Arthur Lira e 129 votos para Baleia Rossi, candidato das oposições que tem – pasmem! – em  Rodrigo Maia, seu principal articulador. O vencedor tem que fazer 257 votos. É pouco provável que alguém alcance esse total na primeira rodada de votação.

         Maia, para reforçar sua própria base no DEM e transferir a totalidade dos votos da bancada para Rossi, apresentou-se recentemente como candidato à presidência da República em 2022. Uau! Junto com o STF, impediu o presidente de governar durante inteiros dois anos. Enquanto fazia isso, exibia-se na armadura pretoriana de defensor das reformas... Estas, porém, dormiam nas gavetas e roncavam nas sessões virtuais. Agora,  o deputado carioca quer eleger alguém para continuar atrapalhando o governo e, supostamente, ajudar suas próprias pretensões eleitorais.

         Não por acaso, estão com Baleia Rossi, o candidato de Maia, as bancadas do PSDB e do PT e a ala canhota da Casa. E não há hoje, no Brasil, em bolsa de apostas, quem ponha fé e dinheiro grosso na possibilidade de o governador paulista chegar à partida final sentado na cadeira oposicionista. Assim, no resumo dessa bufonaria, temos o DEM trabalhando em desfavor das reformas, contra o programa vencedor da eleição de 2018 e prestando obséquio à candidatura de esquerda no pleito de 2022.

         Se o candidato do governo perder, estará selada sua paralisia. E eu não consigo saber em que sentido isso possa servir ao bem do país, ao desenvolvimento econômico, aos segmentos sociais mais carentes de atenção, aos desempregados, aos governadores e prefeitos.

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