Percival Puggina

 

         “Ordem judicial se cumpre!” afirma a mídia lambe-toga, reprovando a conduta do deputado Daniel Silveira que buscou refúgio no plenário para escapar das tornozeleiras com que o ministro Alexandre de Moraes pretende brindá-lo.

Isso é desconversar. É dissimular. O assunto não é e nunca foi esse e a pusilânime maioria do Congresso Nacional sabe muito bem.

O caso Daniel Silveira é de natureza muito mais grave. O deputado não deveria passar pelo que está passando. Sua situação perante o STF é um mostruário de irregularidades. Leia neste artigo aquilo que o autor  denomina de “os sete paradoxos” do caso. Mostre-os a um jovem estudante de Direito, não petista, e ele, provavelmente, se exclamará com algum palavrão que expresse indignação (como tem feito Daniel Silveira, Allan dos Santos e outros que enfrentaram a fúria do ministro indicado por Michel Temer).

Pois é esse o caso, em brevíssimo resumo. Invocar o dever de obediência a uma ordem judicial (“Aplique-se uma tornozeleira nesse insubmisso!”) é desconversar, dissimular, numa discussão onde o assunto é outro: o deputado não deveria passar pelo que está passando.

Ele enfrenta um catálogo de irregularidades erguidas contra si. Alegar sua recusa à tornozeleira é apegar-se a mero detalhe para justificar o que não é justo e explicar o que não se explica. Mormente num país que prima por disponibilizar a sociedade a seus bandidos.

 

 

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Um belo e profético texto

André Charlier

26/03/2022

Por André Charlier

 

Nota do Editor: O autor deste texto foi um conhecido pedagogo francês, professor de internato de elite para jovens franceses, lá pelos anos 50.  Já então identificava ele, em artigos que tinham o título de “Cartas aos pais”, sintomas de um mal que se foi reproduzindo nas décadas subsequentes e nos trouxe onde estamos. A íntegra do artigo pode ser lida aqui.

Transcrevo abaixo um trecho do referido artigo.

O que me espanta mais é o quanto esta juventude é pouco viril. E por que é assim? Porque, simplesmente, os senhores jamais exigiram nada dela. Os senhores apenas se preocuparam de que fossem felizes e realizaram todos os seus desejos; desde a primeira infância, os satisfizeram de todos os modos possíveis; como poderão querer que tenham a idéia de que, por um lado, a vida é difícil, que as coisas difíceis são as únicas que interessam e que, por outro lado, todas as alegrias se compram e mesmo que custam tanto mais caro quanto mais elevadas são? Tudo sempre lhes foi dado e eles julgam normal que tudo lhes seja dado, estimam mesmo que é seu direito; e como a cultura e a ciência não se comunicam por si mesmas, vêem nisso uma espécie de injustiça. Eles não estão longe de se considerarem vítimas, posto que o Latim e as matemáticas não entregam tão facilmente os seus segredos.

 

Isto é assim porque, na educação que os senhores lhes deram, eles sempre receberam tudo de graça. Os senhores foram vítimas da demagogia universal e do moderno liberalismo, que considera a autoridade um vestígio de tempos bárbaros. Os senhores repudiaram a autoridade; quiseram agradar seus filhos para serem amados: mas não serão mais amados do que nossos pais o foram e serão, talvez, menos estimados por seus próprios filhos quando estes tiverem idade para julgar. Pois não lhes ensinaram que tudo tem um preço e que as coisas de valor custam caro. Jamais tiveram necessidade de merecer os prazeres que lhes foram dados; jamais aprenderam a fazer coisas contrárias às suas vontades. Ora, não é coisa agradável, em si mesma, por exemplo, estudar as declinações do latim ou do alemão.

* Extraído de https://permanencia.org.br/drupal/node/5270

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UMA PROVA DO SEQUESTRO

Percival Puggina

22/03/2022

Percival Puggina

 

         Eu recém terminara de escrever o artigo “O maior sequestro da história” (pode ser lido aqui), quando a vereadora Fernanda Barth me envia mensagem para noticiar um fato que fazia prova do que eu havia afirmado.

         A Promotoria de Justiça Regional da Educação de Porto Alegre  iniciou um procedimento administrativo para que o MPRS entre com uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra a lei que autoriza a educação domiciliar em Porto Alegre.

A referida lei foi aprovada pela Câmara de Vereadores e, como o prefeito se absteve de sancionar, o próprio legislativo municipal a promulgou, na forma da Lei Orgânica da capital gaúcha.       

Ora, caros leitores. Nossas crianças recebem uma educação escolar cujos péssimos resultados são espelhados de modo alarmante em sucessivos indicadores. A iniciativa contra a lei municipal, não é a favor de uma educação de maior qualidade. Mostra que nem mesmo os pais com condições de suprir a educação escolar dos filhos por meios próprios conseguem se livrar do sequestro a que está submetido o ensino brasileiro em sua integralidade. E não o conseguem mesmo que a lei do ensino domiciliar respeite o currículo base da educação municipal, os parâmetros da legislação federal, as provas e avaliações formais e oficiais.       

Parece que o sistema não pode perder uma única vítima!

Lembremos que o manuseio da educação para fins políticos e ideológicos ocupa, hoje, o centro da reflexão acadêmica. Alunos dos cursos de formação para o magistério contam-me que é difícil encontrar, para seus estudos, literatura não marxista.

Escrevo sobre inevitáveis relações de causa e efeito. Escrevia quando era previsível e agora escrevo sobre o constatado. A Educação no Brasil, com a malícia de alguns e a dócil ingenuidade de quase todos, deu uma banana para as expectativas sociais, para as necessidades nacionais, para o direito dos jovens e das famílias, para o futuro da pátria.

Educação, caros leitores, ou tem qualidade ou não é educação. A escola domiciliar, ou o homeschooling, é um grito por qualidade e liberdade!

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OS PONTOS DE NEGOCIAÇÃO DA UCRÂNIA

Isabel Van Brugen, em Epoch Times

18/03/2022

 

Isabel Van Brugen, em Epoch Times

 

O presidente krainiano, Volodymyr Zelensky, em um discurso na quinta-feira delineou as principais prioridades do país para as negociações de paz com a Rússia.

“As negociações estão em andamento. Negociações pelo bem da Ucrânia”, disse Zelensky.

“Minhas prioridades nas negociações são absolutamente claras: o fim da guerra, garantias de segurança, soberania, restauração da integridade territorial, garantias reais para nosso país, proteção real para nosso país”, disse ele.

Seus comentários vêm depois que Mykhailo Podoliyak, conselheiro de Zelensky e um dos representantes da Ucrânia nas negociações de cessar-fogo Rússia-Ucrânia, sinalizou que os dois países parecem ter encontrado algum terreno comum em meio às negociações.

A única coisa que confirmamos neste estágio é um cessar-fogo, a retirada das tropas russas e garantias de segurança de vários países”, escreveu ele em um post no Twitter, incentivando um diálogo direto entre Zelensky e o presidente russo, Vladimir Putin.

Putin lançou uma invasão em grande escala contra a Ucrânia em 24 de fevereiro, descrevendo-a como uma “operação militar especial”.

Três semanas depois, o Ministério da Defesa da Grã-Bretanha disse em uma atualização de inteligência que a ofensiva “em grande parte parou em todas as frentes”.

As forças russas fizeram progressos mínimos em terra, mar ou ar nos últimos dias e continuam a sofrer pesadas perdas, enquanto a resistência ucraniana permanece firme e bem coordenada, disse a atualização.

“A grande maioria do território ucraniano, incluindo todas as grandes cidades, permanece em mãos ucranianas”, disse o ministério.

Podoliyak confirmou a autenticidade de um esboço de acordo de cessar-fogo relatado pelo Financial Times, mas disse que representa apenas a posição do lado russo.

Zelensky sinalizou na terça-feira que a Ucrânia não espera ingressar na Otan, uma preocupação crítica russa que foi usada para justificar a invasão.

“A Ucrânia não é membro da OTAN. Nós entendemos isso. Ouvimos há anos que as portas estavam abertas, mas também ouvimos que não poderíamos participar. É uma verdade e deve ser reconhecida”, disse Zelensky durante um discurso por videoconferência aos líderes da Força Expedicionária Conjunta liderada pelo Reino Unido.

“Estou feliz que nosso pessoal esteja começando a entender isso e confiar em si mesmo e em nossos parceiros que nos ajudam”, acrescentou Zelensky.

Zelensky, em seu discurso na quinta-feira, também agradeceu aos Estados Unidos por emprestar “forte apoio” em meio à invasão. O presidente Joe Biden anunciou na quarta-feira um adicional de US$ 800 milhões em assistência de segurança à Ucrânia.

“Sou grato ao presidente Biden por isso. Sou grato pela liderança que uniu o mundo democrático”, disse ele.

*        Allen Zhong contribuiu para este relatório.

**      Isabel van Brugen é uma jornalista premiada e atualmente repórter do Epoch Times. Mestre em jornalismo de imprensa escrita, pela City University of London.

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TELECOMPRAR E TELEVENDER

Percival Puggina

10/03/2022

 

Percival Puggina

 

            Comprar por telefone, diretamente ou por meio de aplicativos, é muito conveniente. Atender chamadas de telemarketing que se impõem ao telefone durante o dia é muito irritante. O uso do silenciador para as não identificadas minimiza a dificuldade, mas cria problemas ao calar chamadas que poderiam ser importantes.

Talvez seja contraditório querer a ponta da compra e não querer a ponta da venda, mas o telemarketing está em nosso cotidiano. Sei que o sistema é bem sucedido a quem o contrata para ampliar suas vendas. Em nosso país, deve passar de um milhão o número de pessoas que têm nessa atividade o seu ganha-pão. As grandes empresas do setor se incluem entre as maiores empregadoras nacionais.

Por isso, recebo como boa a notícia de que doravante, as empresas de telemarketing deverão identificar-se como tal pelo número do prefixo que serão obrigadas a usar em seus aparelhos.  Leio no Diário do Poder, que “começa a valer, a partir desta quinta-feira (10), o uso obrigatório do prefixo 0303 nas ligações realizadas para clientes pelas empresas de telemarketing. A mudança, anunciada no final do ano passado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), tem o objetivo de ajudar os usuários a identificarem facilmente esse tipo de ligação e decidir se vão aceitar a chamada”.

Ademais, a pedido do consumidor, as empresas de telecomunicação são obrigadas a fazer o bloqueio preventivo das chamadas de telemarketing.

Ficam asseguradas, assim, a liberdade de trabalhar e anunciar, a liberdade de vender e a liberdade de comprar.

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PALAVRAS QUE O VENTO NÃO LEVOU

Percival Puggina

09/03/2022

 

Percival Puggina

 

         O suicídio político de Arthur do Val está sendo patético. Ele conseguira aquilo que muitos tentam e poucos conseguem, ou seja, sair do anonimato para a fama e desta para o sucesso político-eleitoral num breve espaço de tempo.

A rápida escalada lhe foi proporcionada pelo bom uso de recursos argumentativos e disposição para evidenciar o despreparo da juventude esquerdista em rápidas e corajosas entrevistas de rua. Foi agredido, apanhou, mas continuou seu trabalho com determinação e ousadia.

Meio milhão de eleitores fizeram dele o segundo deputado estadual mais votado de São Paulo.  Dois anos depois, concorreu a prefeito da capital na eleição vencida por Bruno Covas e ficou em 5º lugar. Agora, aspirava ser candidato a governador.   Seu prestígio, portanto, se não cresceu, não foi consumido pelo tempo e resistiu ao desgaste do MBL, grupo político a que pertencia. 

A ideia presente no longo discurso sexista do deputado que viu as loiras da fila como objeto de usufruto e descarte pode ser amplamente observada na vida social. No entanto, jamais deixará de ser desumano e perverso numa perspectiva emocional e moral. A prova disso é que, verbalizado, dá no que deu.

O episódio fornece mais do que isso para se pensar. Será realmente próprio do ser humano ver o sexo apenas como fonte de prazer, lazer e satisfação? Há meio século, em artigo intitulado “A civilização do prazer”, Gustavo Corção, diagnosticou que “O praticante da moral do prazer se torna grosseiro, embotado, às vezes enganosamente aprimorado na conquista de tais bens, e inevitavelmente, como já vimos, se torna exigente de doses maiores...”.

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