• 24/11/2014
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QUANDO MORRE UM ESCRITOR
Percival Puggina


 Quando morre um escritor, palavras, frases, crônicas, livros inteiros deixam de vir à luz, de chegar a nossas mãos e aos nossos olhos. Querem chamar isso de perda? Sim, isso é uma perda. Uma grande perda que se prolonga através dos anos. E para muitos.

 

A súbita morte do amigo e jornalista Celito de Grandi fez mais do que isso. Levou-me um amigo, um desses irmãos no coração, sempre poucos e bons, que a gente forma nos caminhos da existência. Seus muitos leitores, perderam as obras que ele tinha em mente (sobre algumas já havíamos conversado). Eu perdi, também, o convívio fraterno com o Celito.

 

Nunca me passou pela cabeça, como mencionei durante seu velório, que um dia teria que falar ao lado de seu caixão. Ali estava um amante da vida e das coisas boas. Um amante da cultura, do jazz, do tango, da Marquês de Sapucaí, do champagne, de suas férias em Lisboa. Jornalista e escritor de mão cheia e dedos ágeis. Há trinta anos, ao lado dele, na mesma sala de trabalho, escrevi minhas primeiras crônicas, sob sua vigilância. Privilégio meu.

 

Cavalheiro, sempre elegante, portava com discrição virtudes que saltavam aos olhos de quem com ele conviveu. Por isso, foi um coletor de gente boa. Os amigos de Celito, aqueles que dele se acercavam, eram dessas pessoas que gostam de conviver entre os melhores de sua geração.

 

Perdeu-se muito, então. No entanto, a fé me torna as coisas mais fáceis e menos depressivas neste momento. Dela me vem a certeza de que o Celito, que por aqui andou com tanta alegria e gosto, há de estar melhor ainda na vida nova, para a qual o Senhor o convocou.