• 30/11/2022
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Omissão, tolerância e bobeira

 

Percival Puggina

Leio na Gazeta do Povo

Desde o dia 13 de setembro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) conta com uma empresa privada dedicada a fazer monitoramento em sites e redes socais não apenas de temas relacionados à Justiça Eleitoral, mas também de usuários que façam publicações sobre termos e palavras-chave que o TSE manifeste interesse. A importante matéria pode ser lida aqui: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/tse-mantem-contrato-empresa-monitorar-identificar-criticos-justica-eleitoral/.

Comento

Noutros pontos da matéria, a Gazeta informa que entre os interesses explicitados nos objetivos do contrato se inclui a identificação de “fontes detratoras” e “ações coordenadas”.

Ontem (20/11), durante sessão da Comissão de Transparência, Fiscalização e Controle (CTFC), os bons senadores Espiridião Amim, Eduardo Girão e Luiz Carlos Heinze falaram sobre o tema expressando a necessidade de investigar esse contrato que bem deveria caber no âmbito de uma CPMI (Comissão parlamentar mista de inquérito) sobre abuso de autoridade. Unindo as duas casas do Congresso, ampliar-se-ia o caráter da CPI proposta pelo deputado Marcel van Hattem que, com mais de 200 outros deputados, pede a instalação de uma CPI com esse intuito na Câmara dos Deputados.

Meus leitores devem lembrar que em artigos escritos nos últimos meses eu mencionei o caráter abusivo e invasivo do trabalho que designei como ação de cães farejadores no espaço digital. Não sou adivinho, em algum lugar isso já tinha sido divulgado. Assim, pelo menos desde o dia 13 de setembro (três semanas antes da eleição e já contando 11 semanas de operação), algo do que pagamos como impostos e vai destinado à Justiça Eleitoral serve para que esta nos vigie. Mais bem faria a instituição se nos protegesse de quem quisesse nos vigiar.

O fato de os poderes de Estado serem informados pelos jornais com tanto atraso é a omissão, cadeira ministrada pelo professor Rodrigo Pacheco, e primeira palavra do título deste comentário. A segunda palavra se refere às consequências. Tenho certeza de que se abrisse aqui uma enquete sobre possíveis consequências dessa informação, a resposta mais frequente seria “Não vai dar nada”. É a tolerância. E a terceira palavra vai para a imensa multidão dos desinformados, dos que estão de bobeira, dos que não têm ideia de onde estão metidos. Simplesmente são levados ao mesmo brejo para onde a vaca é puxada.

Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.