MILITÂNCIA EM SALA DE AULA. LADRÕES DO TEMPO ALHEIO.
Percival Puggina

Escreve-me um jovem leitor contando um caso recente. Estava em aula quando duas pessoas pediram licença ao professor para dirigir um convite à turma. Autorizados, anunciaram que ocorrerá em Passo Fundo a Conferência Estadual do EPL (Estudantes pela Liberdade) e discorreram sobre o evento. Enquanto falavam, o professor ironizava o EPL e, grosseiramente, debochava dos visitantes, causando risos a alguns alunos e constrangimento a outros.

É um caso típico de desonestidade intelectual, forma de corrupção moral, geneticamente associada a todas as demais. É natural que professores tenham posições próprias sobre questões sociais, políticas e econômicas. O que não podem é transformar sua sala de aula em local de militância e a cátedra em torno e formão para moldar os alunos à sua imagem e semelhança. Isso não é grosseria. Isso é imoral.

Há alguns anos, googlando por aí, deparei-me com o convite que um mestrando ou doutorando na área de Matemática dirigiu à comunidade acadêmica para a explanação que faria sobre a "necessidade de uma atuação dos formadores no sentido de conscientizar os futuros professores de matemática de sua tarefa como intelectuais orgânicos a serviço da construção da hegemonia dos excluídos, dos explorados em geral”. Baboseira gramscista, em péssimo português. Para professores de Matemática.

Ou os alunos se preparam para enfrentar esse tipo de militante, ladrão do tempo alheio, travestido de professor, mandando-o calar a boca e dar aula, pois para isso é pago, ou serão vítimas do veneno que ele serve.


 

  • 29 Março 2015

 

NOSSA INACREDITÁVEL RELAÇÃO COM O ESTADO E SUAS TROPELIAS

 

 Pouca gente sabe disto. Todo ano, 42 % do nosso dinheiro em mãos do governo vai para o pagamento de compromissos da dívida formada pelo excessivo gasto público ao longo dos anos.

Como parte dessa tragédia, quando as pessoas tomam conhecimento, em vez de mudarem de atitude em relação ao Estado seus usos e costumes, seus abusos e maus costumes, imediatamente começam a falar em calote, em não pagar a conta, em não nos sujeitarmos aos sanguessugas do sistema financeiro, à lógica neoliberal, aos interesses do grande capital internacional e por aí afora. Arre!

Primeiro, assistimos o desperdício dos impostos que pagamos em cada caderno escolar que compramos para nossos filhos. Depois, aceitamos, inertes, as regalias, os abusos, os privilégios auto-concedidos, ou arrancados sob pressão das galerias nos parlamentos. Em seguida, convivemos, cegamente, com a ideia de que há, em tudo que é "estatal", uma bondade natural de elevado interesse público. Logo, colocamos o "privado" sob suspeita de um perverso egoísmo, avesso à conveniência social.

Por fim, assumimos como elevada exigência moral que o sistema financeiro tem que bancar ad aeternum a gastança do governo e fazê-lo a fundo perdido...

 

  • 27 Março 2015

 

QUANDO FRIEDRICH HAYEK FALA QUE O MEIO JORNALÍSTICO É SEMI-ANALFABETO ECONÔMICO, ELE ESTÁ SENDO COMEDIDO: ESSE MEIO É BEM MAIS ANALFABETO DO QUE ELE PENSA

Economista Alfredo Marcolin Peringer

Vejam a manchete de O GLOBO de ontem (24/3/15). Ela diz que “com alta do dólar, mercado já estima inflação acima de 8%”. Acontece que o Dólar é um preço e, como preço, ele é o resultado da inflação e, não, a sua causa.

A inflação, como sempre Milton Friedman procurou ensinar, é um fenômeno inteiramente monetário: só ocorre se os mandatários econômicos (Tombini, Levy, et caterva) deixarem os meios de pagamento crescer além das
possibilidades de crescimento dos bens e serviços. Se não houver crescimento monetário, a alta do preço do feijão terá que ser compensada com a queda do preço do arroz ou de outro bens ou serviços existente dentro da economia
e/ou, ainda, das suas quantidades. E é isso que vem ocorrendo na economia brasileira, e que venho mostrando, ao apontar que o crescimento da moeda no Brasil (valores médios diários), nos últimos doze meses, finalizados em
13/03, foi de 13,0% a.a..

Como o crescimento da economia foi próximo a zero  por cento no mesmo período, o inchaço monetário levará, inevitavelmente, ao crescimento do dólar ou dos demais preços dos bens e serviços, ao menos de maneira consistente, já que eles sempre podem ser afetados, no curto prazo, por fatores passageiros diversos, mas que acabam não vingando em prazo mais longo. O fato a destacar é que os crimes monetários contra a população deveriam ser castigados, pois afetam os rendimentos dos trabalhadores, poupadores e investidores, reduzindo os seus ganhos e, com isso, a atividade econômica futura. Em resposta, então, à "notícia" da turma de o GLOBO: não são o dólar ou os preços dos bens e serviços que causam a inflação. Ao contrário, esse fenômeno também é causado pela verdadeira inflação, a da  moeda, levada avante pelo banco central brasileiro, sob o comando dos seus burocratas, muitas vezes obedecendo ordens do ministério da fazenda ou do Tesouro."

 

  • 25 Março 2015

 

E AGORA, CAMARADAS?
Percival Puggina


 Os governos do Brasil, Argentina e Venezuela, entre outros que dançavam ciranda-cirandinha com Cuba no Foro de São Paulo, devem estar atônitos.

 

 Toda essa turma dos partidos de esquerda da América Latina formou seus quadros e suas milícias com corações e mentes seduzidos pelo lero-lero de Fidel Castro. Cuba, mais que o modelo, era a inspiração. Era o ponto final da peregrinação. Era Roma, Santiago de Compostela, Jerusalém, Meca das esquerdas ibero-americanas.

 

Por ali foram e por seus fundamentos andaram os governos de Chávez, Maduro, Kirchners, Evo Morales, Rafael Correa, Lula, Dilma e muitos outros. Depois de uma década, há mais burros n'água do que fora d'água. Aqui na nossa volta, onde a gente acompanha melhor, os três países mencionados acima, os mais ruidosos e ativos no neocomunismo, estão com as respectivas economias aos pandarecos e os governos com o prestígio no chão. Exatamente como Cuba, há mais de meio século, para quem a conhece.

 

Imagino, então, a surpresa de todos ao verem que os negócios daquela ilha pertencente à firma Castro&Castro Cia. Ltda. passam a ser feitos com o Império, com os ianques, com o grande satã do Norte, sob cujo guarda-chuva passaram a se abrigar os proprietários de Cuba. A imagem acima é simplesmente brilhante!
 

  • 23 Março 2015

 

UMA ENTREVISTA QUE NUNCA IRÁ ACONTECER, COM PERGUNTAS ÓBVIAS, QUE O JORNALISMO BRASILEIRO JAMAIS FEZ E NUNCA SERÃO RESPONDIDAS.

 

O Antagonista, blog de Diogo Mainardi e Mário Sabino, publicou, em fins de fevereiro, matéria relatando que Renato Duque fora solto a pedido de Lula. O ex-presidente interviera quando informado de que a mulher de Duque ameaçara Paulo Okamoto de contar tudo que sabia se o marido continuasse preso. Lula teria, então, solicitado a um ex-ministro do STF que falasse com Teori Zavascki. Motivo alegado: Lula seria injustamente acusado, pela mulher do preso, de envolvimento no propinoduto. 


Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula, enviou mensagem aos autores da matéria, afirmando que as informações nela contidas eram "completamente inverídicas, tanto no que me diz respeito quanto ao ex-presidente Lula. O que, aliás, os senhores comprovariam se tivessem tido a dignidade de me perguntarem antes, frente a frente, diretamente, o que queriam saber. Mas não o fizeram, preferindo publicar injúrias não só contra nós, mas também contra o Supremo Tribunal Federal".


O Antagonista voltou a carga, reafirmando a denúncia e propondo uma entrevista com ambos, com Lula e Okamoto, frente a frente, para que, "além de darem a sua versão sobre o fato reportado por nós, esclareçam nossas poucas dúvidas a respeito dos seguintes assuntos: mensalão, a acusação de que o senhor ameaçou Marcos Valério de morte, petrolão, uso abusivo de cartões corporativos da Presidência da República, atuação de Rosemary Noronha como lobista, sucesso empresarial de Lulinha, financiamentos do BNDES a empreiteiras com contratos em países africanos, as ligações com o grupo JBS/Friboi e a ameaça de usar a turma do Stedile para promover um banho de sangue no país".


Tal entrevista jamais acontecerá. O que surpreende é que as pautas propostas por O Antagonista, jamais tenham sido abordados pelos grandes veículos do país nos muitos contatos que têm com os mencionados figurões da República. Parece haver liberdades naturais que a imprensa brasileira, paradoxal e misteriosamente, não se concede.

 

  • 22 Março 2015

Imperdível. Matéria de Josie Jeronimo (josie@istoe.com.br), a quem vão todos os créditos!

OS ESQUEMAS DO DUQUE

“Se o senhor é o duque, quem é o rei?”

O questionamento foi feito pelo deputado Altineu Côrtes (PR-RJ) ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a rede de corrupção instalada dentro da maior estatal brasileira. Preso pela Polícia Federal (PF) na segunda-feira 16, o ex-funcionário da petrolífera prestou depoimento à CPI três dias depois. A PF prendeu Duque após a inteligência da instituição descobrir que ele tentou movimentar mais de 20 milhões de euros de uma conta da Suíça para vários países, entre eles o Principado de Mônaco – não poderia haver, afinal, lugar mais apropriado para um duque. Na comissão, o ex-diretor não revelou quem é o monarca supremo nem respondeu às outras perguntas dos parlamentares. Pelo menos momentaneamente, o silêncio confortou as hierarquias do Palácio do Planalto e do PT. Se confirmasse o teor da denúncia do Ministério Público Federal (MPF) sobre o aparelhamento da Petrobras por uma quadrilha, o reinado petista sofreria abalos irremediáveis. 

 

Leia mais em http://www.istoe.com.br/reportagens/410182_OS+ESQUEMAS+DO+DUQUE?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage

  • 21 Março 2015