FHC NA GLOBO NEWS. PANOS QUENTES E CALDO DE GALINHA.
Percival Puggina


 Ontem, dia 19, assisti a entrevista de Fernando Henrique Cardoso a Mario Sérgio Conti, na Globo News. Tão previsível quanto lamentável.

 

 O ex-presidente é um daqueles muitos personagens, existentes mundo afora, que saíram do comunismo, mas dos quais o comunismo não saiu. Ele tem nostalgia dos good old days em que era o príncipe dos sociólogos, o bam-bam-bam da esquerda brasileira. E nada lhe doi tanto na alma quanto ser chamado de neoliberal pelos seus parceiros de anteontem.

 

 No programa, então, instigado por Mario Sérgio, antigo militante da Libelu, FHC fez o que todos esperavam. Chegou ao programa carregando uma sacola cheia de panos quentes para jogar em cima de todas as pautas levantadas. Rigorosamente, segundo Fernando Henrique, nada é grave, nada exige reação, tudo se resolve, basta ter calma e beber caldo de galinha.

 

Estava ali, no vídeo, maquiado e com laquê, vendendo saúde, o responsável pelas insuficiências cardíacas e a falta de energia do PSDB em sucessivas campanhas eleitorais contra a fúria devastadora dos petistas. FHC é o adversário dos sonhos do PT.

 

Quando ele disse que as multidões do último domingo, 15 de março, ao clamarem "Fora Dilma!", expressavam irritação, mas não uma intenção real, dei-lhe o devido clic e fui assistir Mad Men.
 

  • 20 Março 2015

 

TOFFOLI LEVA JEITO PARA A LAVA JATO?
Percival Puggina

 


 O novo presidente da turma que vai julgar os denunciados da Operação Lava Jato dispensa apresentações. Não sei se alguém já convidou o jovem ministro como palestrante, mas seu currículo é daqueles que não se anunciam para não constranger o convidado. O currículo de Sua Excelência tem pouco de Direito e muito de esquerdo, com largo tempo e muito serviço prestado ao Partido dos Trabalhadores que, impropriamente, o designou para o Supremo Tribunal Federal.

 

 Sua mais recente distinção corresponde ao exercício da presidência do TSE na mais discutida e controversa eleição presidencial brasileira, marcada por pouco convincente e sigilosa apuração dos votos colhidos.

 

 Pois eis que o ministro enviou o ofício acima ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski (aquele com quem Toffoli muito cochichava no julgamento do Mensalão), manifestando, como se lê, seu "interesse em compor a 2ª Turma" daquela corte. O ministro não manifestou desejo, vontade. Manifestou "interesse". Dentre todos os seus colegas ele deveria ser único impedido de expressar vontade. E, mais gravemente ainda, "interesse".

 

Mesmo que, por indulgência, se considere que o ministro usou inadvertidamente vocábulo impróprio, estamos diante de nova evidência de despreparo. Ministros do STF não podem enredar-se com o léxico.
 

  • 17 Março 2015

 

OS PORTO-ALEGRENSES CUMPRIRAM COM ENTUSIASMO O QUE ENTENDERAM SER SEU DEVER MORAL.


Numa tarde quente e úmida, cem mil porto-alegrenses saíram hoje de casa e fizeram uma longa caminhada de quase 5 km. Andei um trecho na posição privilegiada, sobre o carro de som. No meio do caminho desci e fiz o restante a pé, reagrupando aos poucos a minha família que se dispersara na multidão.


Diversas vezes precisei secar as lágrimas que teimavam em surgir perante o entusiasmo que percebia nos olhares, nos abraços, nas palavras e nos gestos das pessoas. A gente sente quando há pureza e elevada intenção naquilo que se está fazendo, não é mesmo? Pois era isso que se percebia.


Não muito longe dali, pela manhã, uma centena de apoiadores do governo assaram coxinhas e distribuíram à população. Motivo: ridicularizar, ironizar a marcha que aconteceria a tarde.


Sem querer, proporcionaram excelente parâmetro para comparação. De um lado a seriedade, de outro a molecagem. De um lado a responsabilidade cívica, de outro a marotagem, a falta de seriedade. De um lado, cem mil, de outro cem. De um lado, cidadãos engajados em ato organizado às próprias custas. De outro, até as coxinhas foram compradas com dinheiro dos impostos que nós pagamos e que o PT, de algum modo sorrateiro, transfere para seus "companheiros". O que, em outras palavras, é a própria cara do governo petista. Ou não?


A vida continua. E a mobilização persiste até que as engrenagens do poder comecem a rodar e se disponham a fazer o que a consciência nacional exige,


(Foto: Caetanno Freitas/G1)

  • 16 Março 2015

QUE VERGONHA, CNBB!

(Matéria origina G1, o título é meu)

A Conferência se posiciona claramente ao lado do governo. Para deixar isso bem claro, vai ao encontro da presidente num momento em que até os ratos  evitam as dependências e os locais onde ela se encontra. Como católico, esses senhores me envergonham. São infiltrados. Sua causa não é católica, não é cristã, não é evangélica. É política e é ideológica.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmou nesta quinta-feira (12) que o país passa atualmente por uma crise "ética e moral" na política, mas que não há indícios que justifiquem um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que poderia "enfraquecer" as instituições do governo. Bispos da entidade se reúnem nesta tarde com a presidente, a convite dela.

"Existem regras para se entrar com um pedido inicial de impeachment. Creio que não chegamos a esse nível", disse o secretário-geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner. "A reação que nós sentimos também é que as manifestações de rua são de discordância, muitas vezes ideológicas, o que é normal e necessária e democrática, mas propor um impeachment seria enfraquecer um pouco as instituições."
"Pelo que a gente tem como informação do Supremo Tribunal [Federal], não há nenhum indício de algum ato que possa justificar qualquer denúncia quanto à presidente da República", disse o presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis.
"Segundo o STF, a presidente só poderia ser indiciada depois de uma investigação, um processo, caso houvesse algum delito, alguma denúncia contra algum fato cometido por ela durante o seu mandato", afirmou Damasceno.

Para a entidade, a organização de manifestações públicas, como as marcadas para este fim de semana em várias cidades do país, são resultado do escândalo de corrupção na Petrobras somado às medidas de ajuste fiscal adotadas pelo governo, inflação alta e a crise entre o Executivo e o Legislativo, que causaram um "mal-estar" na sociedade.
"Vemos denúncias novas a cada dia e vamos ficando, de certo modo, assustados. Isso vai gerando um mal-estar em toda a população, diante da crise ética e da moral do nosso país", disse o presidente da CNBB. "Sabemos que a corrupção sempre existiu, continua existindo, e não só no Brasil, mas em toda parte, mas é fundamental que a Justiça realmente puna os condenados e os corruptores."
Existem regras para se entrar com um pedido inicial de impeachment. Creio que não chegamos a esse nível"


Em nota, a CNBB disse que as denúncias de corrupção devem ser “rigorosamente apuradas” e os corruptos e corruptores, punidos. "Enquanto a moralidade pública for olhada com desprezo ou considerada empecilho à busca do poder e do dinheiro, estaremos longe de uma solução para a crise vivida no Brasil", diz a nota. No texto, a entidade também pede o fim do fisiologismo político e uma reforma política.

O secretário-geral Dom Leonardo afirmou ainda ser importante o diálogo entre o Congresso Nacional e a presidente para tentar superar o momento de crise. "Há um mal-estar da sociedade de um modo geral, ainda mais nessa crise ética e moral a qual estamos passando, em relação à [operação] Lava Jato e outros setores também", disse.

"Por isso, insistimos na importância do diálogo da presidente do Executivo com o Congresso Nacional e com as organizações da sociedade civil e da igreja, que não se furta a participar desse diálogo quando necessário e oportuno."

  • 12 Março 2015

 

MADURO AMENAZA CON UN CATACLISMO MUNDIAL SI LO SACAN DE MIRAFLORES

 

@DolarToday / Mar 9, 2015 @ 10:00 am
Nicolás Maduro, amenazó con una insurrección mundial de obreros y campesinos si el imperialismo, como llama a Estados Unidos, “toca a Venezuela” de manera directa o a través de “sus lacayos internos”.


“Si a Venezuela algún día el imperialismo, a través de sus lacayos internos o él, directamente, le hiciera algo, habría una insurrección mundial de movimientos campesinos, obreros, populares, revolucionaros del mundo”.
“Si a Venezuela llegaran a tocarla algún día, ¡Ay, Dios santo! Por eso, lo mejor es la paz y Dios proveerá paz, amor y vida”, exclamó tras avalar una afirmación que en ese sentido hizo el líder del Movimiento Sin Tierra de Brasil (MST), João Pedro Stédile, de visita en Venezuela.


En cadena nacional obligatoria de emisoras de radio y televisión, estatales y privadas, Maduro advirtió que Stédile tenía “una lengua picante” luego de que este dijera que los opositores venezolanos son parte de una “derecha desvergonzada, una derecha de mierda que algún día el pueblo pondrá en su debido lugar”.
“Bueno, como ustedes pudieron ver, João Pedro Stédile tiene una voz y una lengua picante”, dijo Maduro y destacó que el líder popular brasileño también forma parte de la llamada Vía Campesina, que aglutina a organizaciones rurales de países tales como India, Brasil, Honduras y Venezuela.


“Maduro: yo no sé por qué la derecha en Venezuela no hace como la cubana: que se vayan de una vez a Miami (EEUU) y nos dejan en paz, para que nosotros en nuestro continente sigamos trabajando, estudiando y construyendo una patria libre y socialista”, añadió Stédile.


El brasileño “representa a miles de miles de luchadores” de movimientos sociales “que se han solidarizado con Venezuela” ante planes golpistas, añadió Maduro que sostiene que en febrero pasado abortó un última intentona, por la cual están presos al menos 7 oficiales de la Aviación Militar y el alcalde opositor caraqueño Antonio Ledezma.
El plan golpista, al que el Gobierno de Estados Unidos y los opositores a Maduro niegan veracidad y achacan a un intento por distraer la atención ciudadana, contemplaba el bombardeo aéreo de varias instalaciones gubernamentales en Caracas y matar al jefe de Estado, según la denuncia de este.


La alocución de Maduro se cumplió a propósito de la inauguración de un supermercado construido cerca de Caracas con ayuda brasileña, para fortalecer la distribución estatal de alimentos para neutralizar el “desabastecimiento inducido” que forma parte de la “guerra económica” que denuncia le declaró la oposición dentro de un mismo plan para derrocarlo.
Con información de EFE
 

  • 10 Março 2015


DEMOCRACIA DIRETA É DITADURA INDIRETA. E VIRA TOTALITARISMO.
Percival Puggina.


 Há um tipo de democracia mais desqualificado do que o nosso. É aquele que se convencionou chamar de democracia direta, da qual se diz que "o povo, diretamente, toma as decisões políticas". A História está cheia de exemplos comprovando que esse é o caldeirão dos totalitarismos. Tais ambientes, cujos nomes mudam ao gosto de quem os institui, são frequentados por militantes do grupo que ascende ao poder e se reúnem para referendar o que já foi decidido.

 

O passo seguinte têm sido as execuções em massa dos "inimigos do povo", mesmo que a assembleia seja (o que só acontece excepcionalmente) formada por milhões de pessoas. Foi assim em Cuba. O paredón já estava em pleno funcionamento quando Fidel Castro, em 8 de janeiro de 1959, submeteu aqueles "justiciamentos" ao juízo do povo cubano. E mais de um milhão de pessoas os aprovou com sonora ovação. Cinco anos depois, Che Guevara, falando à ONU, afirmou com orgulho: "Fusilamos y seguiremos fusilando mientras sea necesario. Nuestra lucha es una lucha a muerte”. Em 2003 ainda estavam fuzilando.

 

Democracia direta é ditadura indireta. Ao fim e ao cabo, alguns bandidos detêm efetivamente o poder e chega-se, então ao totalitarismo.

 

O cidadão comum, o indivíduo, senhores e senhoras, é um militante de si mesmo, de suas causas pessoais e familiares. A vocação para a política é vocação de poucos. Aprendi com o prof. Cézar Saldanha Souza Júnior, que o indivíduo "é capaz do bem comum". Mas não se lhe peça isso o tempo todo. Ele tem mais com que se ocupar. Eis por que a democracia, nas sociedades modernas, urbanas, de massa, precisa ser representativa.

 

Por tais motivos, quero lembrar à CNBB que a democracia direta que tanto parece lhe agradar já matou gente demais. Uma das primeiras vítimas foi o próprio Jesus Cristo. E se democracia direta fosse coisa boa, a própria Igreja a teria adotado. No entanto, seus dois mil anos de história orientaram-na noutra direção. E dentro dela, apenas alguns desajuizados pretendem que a sã doutrina seja referendada pelo povão.

 

A prova provada de que a CNBB deve se afastar das propostas de reforma política às quais recentemente aderiu é dada por esse fato. Ao defender um instrumento reprovado pela História e pela própria Igreja, nossos bispos mostram que estão opinando sobre o que não entendem.
 

  • 08 Março 2015