O terrorismo islâmico tem vários nomes próprios, que soam estranhos aos idiomas e aos ouvidos ocidentais. Mas são motivo de pavor em muitas partes do globo. Há meio século, quando cheguei as meus 18 anos, não se ouvira mencionar palavras que hoje causam pavor no Oriente Médio, África Meridional, Índia, Paquistão, Sudeste Asiático, Europa e Estados Unidos. O fato de nós, os sul-americanos, não sermos ainda focos relevantes desse terror, não pode ser tomado como motivo de indiferença.

Refiro-me, especialmente, às organizações terroristas impulsionadas pelo conceito de Jihad Menor, que significa imposição da fé aos infiéis. Entre eles o Hamas (Movimento de Resistência islâmica), hoje na ordem do dia em virtude do confronto com Israel, cuja eliminação é seu objetivo principal; o Jihad Islâmico da Palestina; o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (atualmente massacrando multidões no Iraque); o Hizbollah (Partido de Deus), centrado no Líbano; Al Jihad, no Egito; Al Qaeda (tão difundida quanto difusa), responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001 nos EUA.

Assim como não se pode confundir o Islã com as formas de terrorismo que operam no islamismo (muitas vezes contra os próprios muçulmanos não radicais) é impossível desconhecer que os grupos radicais têm sido a face mais visível dos devotos do profeta. E este não é um assunto que o Ocidente possa solucionar por meios próprios.
 

  • 05 Agosto 2014

CHESTERTON PRESSENTIU O POLITICAMENTE CORRETO

Embora morto em 1936, o admirável Gilbert Keith Chesteron teve, já a seu tempo, o discernimento necessário para prenunciar um fenômeno que, muitas décadas mais tarde, seria batizado com o nome de "politicamente correto".

Ele a define pelo seu aspecto silente, como uma lei de silêncio imposta à liberdade de opinar. Com os anos, ela recebeu ainda um aspecto estrondoso, pelo qual a nova lei se impõe, de modo seletivo, com gritaria e tumulto, interferindo coercitivamente no agir das sociedades. "Por que de modo seletivo?", indagará o leitor. Porque o politicamente correto se manifesta onde lhe convém, como lhe convém. Ele tem parcerias ideológicas em relação às quais se associa de uma forma que, sem cometer injustiça, se pode chamar criminosa.
 

  • 04 Agosto 2014


ATIVIDADE POLICIAL E A CONDENAÇÃO DE SÍSIFO

Há dois ou três dias, dirigindo no lento, mas nada sonolento, trânsito de Porto Alegre, ouvi parte de uma entrevista com o secretário de segurança do Rio Grande do Sul. Percebi que ele lastimava a benevolência de nossa legislação penal, notadamente nas progressões de regime. Se não foi bem isso, peço perdão, mas foi o que entendi (ou gostaria de ter entendido) do fragmento que escutei. Na sequência, relatou ele um fato impressionante, que revela outro aspecto do mesmo problema: certo PM, num único turno de trabalho, havia prendido duas vezes o mesmo assaltante! Ele prendera, levara à delegacia, fora registrado flagrante que o juiz não homologara, o bandido voltara às ruas, praticara novo assalto e fora outra vez preso pelo mesmo policial. Tudo isso em poucas horas.

Agora exclamo eu: assim não dá para se cogitar de segurança pública! Assalto à mão armada é crime grave não pode ser objeto de tanta benevolência. Se o aspecto curioso desse fato é que os dois eventos contaram com a intervenção do mesmo policial, episódios semelhantes ocorrem diariamente com atores distintos, levando os agentes policiais à exaustão. Eles se sentem reproduzindo a condenação estipulada por Zeus a Sísifo: rolar uma grande pedra morro acima, vê-la despencar morro abaixo, e tornar a elevá-la ao cume, por toda eternidade.

Se isso acontece porque as leis determinam (pessoalmente não creio que seja tanto assim), mudem-se as leis. E se o eleitor/leitor destas linhas quiser ajudar o Brasil, verifique, entre muitas pautas que devem inspirar a escolha dos parlamentares (deputado federal e senador) em quem vai votar no dia 5 outubro, o que eles pensam sobre a brandura de nossa legislação penal.
 

  • 02 Agosto 2014

Já escrevi várias vezes sobre o fato de que o governo vale-se de bilionários e rumorosas lançamentos de programas e obras públicas para soterrar acontecimentos que lhe sejam politicamente prejudiciais. É uma estratégia surrada. Se a população ficou desgostosa com alguma revelação da imprensa investigativa, ofereça-se a ambos - imprensa e população - alguma notícia alvissareira.

Esses lançamentos ocorrem em vista de si mesmos. São festa para comemorar a festa. E os bilhões anunciados simplesmente passeiam de festa para festa, anunciando uma ponte aqui, um porto ali, um programa de creches acolá, uma centena de carros-pipa mais adiante.

Escreve-me um leitor sobre o ocorrido com a refinaria Premium I, em Bacabeira, Maranhão. Deveria ser a "maior refinaria do Brasil", coisa para mais de 600 mil barris diários. A pedra fundamental foi concretada em 2010, em plena campanha de Dilma à presidência. Presente ao ato la crême de la crême da política maranhense: Rosana Sarney, José Sarney, Dilma Rousseff (então chefe da Casa Civil) e o ministro da área, Edison Lobão. Passados quatro anos, apenas uma parte da terraplenagem e diversas auditorias do TCU. E para o período 2013 a 2017, está prevista, apenas, a continuidade da fase de projetos. E o povo vai atrás de todo esse papo-furado.
 

  • 01 Agosto 2014

Esse símbolo tem aparecido frequentemente nas redes sociais. Trata-se da letra arábica N, utilizada para representar a palavra Nasrani (Nazareno). Em árabe é um sinônimo de cristão.

No Iraque, notadamente na cidade de Mossul, onde ocorre severíssima repressão contra os cristãos, essa letra é pintada na porta das moradias onde eles vivem, servindo para identificá-los, tornando-os alvos de ataques contra suas vidas, liberdade e patrimônio. Mais de 300 mil cristãos já abandonaram o Iraque desde 2003, fugindo das três possibilidades que lhes são oferecidas para que possam permanecer: a) converterem-se ao islamismo; b) pagarem impostos especiais exorbitantes; c) serem mortos. Obviamente, milhares abandonam o país, onde a cristianismo chegou no ano 33 a.C., através de São Tomé. Em Mossul, onde o martírio é mais intenso, quase não há mais cristãos após 2 mil anos de história. Pergunto: o que faz a diplomacia brasileira a esse respeito? O que faz a ONU? Que tipo de pressão impõem sobre nossos governantes os seus conselhos de direitos humanos? O Brasil já escolheu seu lado no conflito em Gaza. Ficou com os terroristas do Hamas. A quem beneficia seu silêncio sobre o que ocorre no Iraque?

 

  • 30 Julho 2014

CASO SANTANDER - O ANALISTA, O GOVERNO DILMA E O BANCO


 O que mais chamou a minha atenção nesse episódio não foi que uma análise sobre conjuntura sócio-econômica tenha causado tamanho rebuliço e desconforto nas altas esferas governamentais. Eu sei que essas esferas devem apreciar muito mais as "Análises de Conjuntura" elaboradas pela assessoria da CNBB e publicadas, acriticamente, no site da Conferência. A essas, em algumas edições, só falta pedir um Pai Nosso e três Ave-Marias pela reeleição de Dilma.

 O que me chama a atenção é o fato de um banco ser constrangido, pelo poder do governo central da República, a demitir o analista e a alterar para pior o trabalho de quem que nada mais fez do que analisar o cenário e apontar seu prognóstico. Em outras palavras: o ex-analista do Banco Santander cumpriu seu dever funcional afirmando que os indicadores nacionais que devem ser positivos são descendentes, que os indicadores que devem ser descendentes não param de subir, e que, na manutenção das atuais políticas, a situação só pode piorar. O Santander, pressionado pela repercussão que o governo burramente produziu, afirmou, contra toda realidade, que as coisas vão bem e só podem melhorar.

E viva a mentira, a simulação, a enganação. Afinal, é tempo de eleição e o império da mentira vai fazendo suas vítimas.
 

  • 29 Julho 2014