A expulsão da Ford foi o maior prejuízo que alguém já proporcionou à economia gaúcha. Com a retirada da empresa, inúmeros projetos foram cancelados porque somente se viabilizariam com a efetiva formação de um consistente polo automobilístico no Estado. Entre essas dezenas de projetos se incluíam, por exemplo, uma grande laminadora de aços planos do Grupo Gerdau e uma indústria de pneus.

O empreendimento, que já dera início às obras no terreno escolhido, produziria por ano 200 mil automóveis. Seria duas vezes maior do que a fábrica que a GM estava concluindo em Gravataí. Deixando de lado todos os prejuízos paralelos: qual teria sido o valor econômico de 200 mil veículos por ano, todos os anos, desde então até hoje? E até o Dia do Juízo Final... Pois essa polêmica, iniciada no século passado, encerrou-se ontem no debate entre os candidatos ao Senado, promovido pela Rádio Guaíba. Afirmou Olívio, desmentindo a enganosa retórica de seus correligionários, "que não se arrepende e tomaria a mesma iniciativa de novo" (Correio do Povo, pag.4 desta terça-feira). A iniciativa foi dele, Olívio. Pronto. Acabou. Calem-se para sempre as falsas testemunhas. Falou o protagonista dos fatos.
 

  • 22 Julho 2014

UM DIA ESSA CASA CAI
Casa em que quatro mandam só pode ser uma confusão dos diabos. Na campanha da presidente Dilma manda ela, manda ele (Lula), manda o marqueteiro João Santana (da confiança de Dilma) e manda o inexorável Franklin Martins (da confiança de Lula). Franklin, por seu turno, tem um site "Dilma Muda Mais", onde fez críticas a CBF, logo após a derrota para a Alemanha. Dilma não gostou e exigiu a retirada, Franklin Martins se recusou e Dilma mandou que o site se desvinculasse da campanha. É pouca água para muita fervura. O jornalista Claudio Humberto, em sua coluna de hoje, sugere que Dilma usa o fato para afastar Franklin Martins, determinando que apenas o site gerido pelo marqueteiro João Santana fale pela campanha. Com o caldeirão fervendo, Lula pediu calma a Franklin Martins. E muito mais calma ainda deve ter pedido a mulher de Franklin, cuja empresa Cine Group fatura alguns milhões em contas do governo.
 

  • 21 Julho 2014

Para quem leva sério as teses de Veias Abertas da América Latina, Cuba vive, há 55 anos, um modelo mais do que perfeito. Todo o patrimônio das empresas estrangeiras que operavam na Ilha até 1959 caiu, de um dia para outro, nas mãos do Estado cubano, cessando, também, a remessa de lucros. Dois anos mais tarde, Fidel estabeleceu com a URSS uma aliança altamente vantajosa: os soviéticos passaram a lhe prestar ajuda técnica, militar e científica e se responsabilizaram pelo seu superávit comercial, comprando açúcar e níquel cubanos segundo preços superiores aos do mercado e vendendo-lhes os seus produtos a preços inferiores aos do mercado. Um negócio da China, pelo qual o regime não só fechou suas veias como cravou a seringa na artéria dos russos.

 Pois eis que para absoluto espanto, malgrado a fantástica expropriação que procedeu, malgrado as veias fechadas, malgrado quase três décadas favoráveis no balanço hematológico com a URSS, malgrado 55 anos de um padrão de consumo que faria padecer um monge franciscano, Cuba é hoje um país tão pobre quanto você imagina que possa ser uma terra onde a imensa maioria da população está obrigada a enquadrar suas necessidades numa renda mensal inferior a 12 dólares e onde as atividades mais estimuladas batem no teto de 30 dólares. Um exército de policiais e informantes vigiam a vida privada e o procedimento, nas ruas, dessa multidão de carentes.
 

  • 20 Julho 2014

Há alguns anos, referindo-me aos genocídios causados pelos que qualifico como "tarados políticos", afirmei que eles são infinitamente mais nocivos do que os tarados de beco. Ai de quem se torne seu alvo! Alimentados por ódio em estado puro, são capazes de qualquer coisa. Inclusive de disparar um míssil contra uma gigantesca aeronave transcontinental lotada de passageiros.

Não se deve confundir esse tipo de determinação com idealismo, ou, no caso, nacionalismo. É possível, ao ser humano, sacrificar a própria vida por motivos nobres ou por ideal. Muitos o fazem. Fazem-no por fé religiosa, por ideal político, por convicção moral, pelo bem de outros. Muito diferente, contudo, é sacrificar a vida dos outros pelo ideal que se tenha. Nisso não há nobreza alguma. É crime contra a humanidade, a exigir investigação e severíssima condenação.

Julgo conveniente valermo-nos deste terrível exemplo para recuperarmos um conceito no qual muitos escorregam para declives perigosos, louvando tipos como Che Guevara, Stalin, Lênin, Hitler, Prestes, Marighella, entre inúmeros outros tarados políticos.
 

  • 19 Julho 2014

 Segundo o The Gap Report, feito pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, o número de novos casos de infecção cresceu 11% no Brasil entre 2005 e 2013, período durante o qual cerca de 42 mil pessoas contraíram o vírus. Estima-se que três em cada mil brasileiros sejam portadores da doença.
 É fácil entender por quê. Infelizmente, no Brasil, quando se fala em prevenção da AIDS e em educação sexual, toda o esforço didático está posto na fisiologia e no preservativo de borracha para evitar gravidez indesejada e contaminação por doenças sexualmente transmissíveis. Nenhuma palavra é dita sobre a enorme responsabilidade inerente ao ato sexual.
 Conhecidas as características da AIDS, seria de imaginar que o governo e os meios de comunicação investissem em campanhas visando a combater as causas. Mas não. O que mais se vê é um constante e sedutor estímulo à promiscuidade e ao desregramento, desde a mais imprudente idade. Isso é o mesmo que promover, para segurança no trânsito, uma campanha assim: "Pise fundo no acelerador, mas use cinto de segurança".
 

  • 18 Julho 2014

LEGADOS DA COPA

Eis que, finalmente, estamos conhecendo de perto um "legado da Copa". Centenas de ganeses estão pedindo asilo no Brasil. Oficialmente como turistas, eles vieram para "assistir aos jogos da Copa". Mas desejam permanecer no país sob variadas alegações cujo intuito final é fazer crer que correm risco de vida se retornarem a Gana.

O que não se consegue entender é como nossa embaixada em Gana concedeu vistos de turistas para pessoas em situação miserável, que viajavam apenas com passagem para chegar no Brasil, sem bilhete de retorno, sem dinheiro no bolso e sem tíquete de ingresso para qualquer jogo da Copa. Todo o desenho da situação aponta para um caso de tráfico humano a exigir tratamento caridoso às vítimas, rigorosa investigação da conduta criminosa de quem agenciou essa inusitada imigração, e procedimentos administrativos em relação à pouco razoável expedição de vistos pela Embaixada do Brasil em Gana.
 

  • 17 Julho 2014