Percival Puggina

 

Uma coisa dessas só acontece no Brasil e sob a lona do circo montado no Congresso Nacional. A CPI da Covid vai contra tudo que a observação cotidiana  me mostrou desde que o Centrão se formou durante o processo constituinte finalizado em 1989.

 Faço essa afirmação porque, no decorrer dos últimos meses, o governo federal formou com o Centrão uma tão sorridente quanto farta e sequiosa base de apoio. Franqueou-lhe acesso às presidências da Câmara e do Senado, ministérios, fundações, cargos e outras regalias de que se faz a política sob a lona circense do parlamento nacional.

A partir daí, pense comigo. Certo mocinho enfezado de um partido nanico, que faz mais política no STF do que no Senado, resolve forçar a criação de CPI com o objetivo de produzir mais incômodos ao governo e mais combustível para o incêndio promovido pela mídia militante. O Centrão nem tenta brecar a iniciativa da oposição minoritária. Formada a comissão,  – surpresa geral! –, a maioria de seus membros é oposicionista. Ou seja, a minoria cria uma CPI na qual se revela majoritária e seu presidente, supostamente governista, indica o notório Renan Calheiros para presidi-la.

Ora, se o Centrão majoritário não apoiar o governo neste ano de 2021, não será no ano que vem, com a eleição nacional e as eleições estaduais no foco das decisões partidárias, que irá produzir esse apoio.

Faço estas observações porque nas eleições do ano que vem, o foco dos  eleitores conscientes deve mirar não só a esquerda tóxica, mas incluir na faxina democrática os negocistas do Centrão.

  • 28 Abril 2021

Percival Puggina

É como se dissessem: “Brasil abaixo de tudo; nosso poder acima de todos”.

Vinte e quatro governadores brasileiros enviaram carta ao presidente dos EUA propondo ações conjuntas entre os governos estaduais do Brasil e o governo norte-americano com vistas a ações no meio ambiente.

Não há qualificativo que sirva a quem não respeita o próprio país, atropela a soberania nacional, despreza nossa história e as sucessivas gerações de brasileiros que asseguraram nossas fronteiras, defenderam nosso litoral, respeitaram e amaram, “com fé e orgulho a terra em que nasceram”.

Não reconheço como exercida em minha representação a assinatura do governador Eduardo Leite nesse constrangedor documento. Eu a renego com as forças da minha alma.

Alegam os governadores (os de Rondônia, Roraima e Santa Catarina não aderiram à carta) que o documento não é político e reúne governadores das mais variadas tendências partidárias e ideológicas. Poucos documentos podem ser tão políticos quanto uma carta que, no afã de gerar efeito publicitário e desconstituir a chefia de Estado brasileiro, avança sobre a Constituição Federal. Ela diz ser de competência privativa do presidente da República (art. 84, VIII) “celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional”.

No entanto, saíram os governadores a exibir fundilhos pensando erguer a cabeça, querendo “somar rapidamente capacidade técnica, grandes áreas regeneráveis de terra e governanças locais, com a imensa capacidade de investimentos da economia americana”, viabilizando “ações descentralizadas, em múltiplos pontos do território brasileiro”. E por aí vão, como se fossem caudilhos regionais de uma republiqueta do século XIX.

Quanto mal fazem ao Brasil aqueles para os quais a disputa pelo poder e o desempenho sem limites desse poder, com bênçãos do STF, não tem encontrado limites éticos! É como se dissessem o “Brasil abaixo de tudo; nosso poder acima de todos”.

  • 25 Abril 2021

Percival Puggina, com matéria do Jornal da Cidade On Line

Leio no Jornal da Cidade On Line

Artigo de Frederico “Fred” Rodrigues no referido jornal informa:

A dedicação da esquerda brasileira em destruir o país parece não ter limites. Na sua busca infinita por criar políticas cada vez mais estúpidas. O bom senso e a realidade passam a ser meros detalhes a serem contornados.

Liderando tudo que há de ruim na nossa política está o PSOL, um partido que se originou com, pasmem, pessoas que achavam que o PT não estava sendo radical o suficiente e hoje, pasmem novamente, consegue ser ainda pior do que quando surgiu.

E não é porque o PSOL não tem cadeiras na Câmara de uma cidade que ele deixaria de tentar atrapalhar a política local também.

Em Goiânia por exemplo, os gênios do “Socialismo e Liberdade” (hahahahaha) resolveram achar uma solução muito peculiar para o que eles julgam ser uma baixa participação das mulheres na política.

O PSOL entrou com ação na Justiça Eleitoral para que o mandato da Vereadora Léia Klebia seja cassado a fim de que a Lei que garante cotas para mulheres na política seja respeitada. Entendeu? Nem eu!

***

Comento

O artigo segue as supostas minorias como se fossem, todas, hipossuficientes? Por que, raios, é preciso haver quotas para mulheres, levando os partidos a forçar candidaturas de pessoas que não querem ser concorrer, que não têm aspirações eleitorais, que não farão campanha para si mesmas, apenas para preencher as tais quotas?

No entanto, lutar por medidas que, se bem examinadas, são ofensivas aos grupos supostamente beneficiários, é visto como conduta humanista, “igualitária” e, por isso, justa. Tanto são inadequadas tais políticas que indivíduos pessoalmente beneficiados assumem, de imediato, atitude defensiva, como que a proteger das “suspeitas” alheias, seus próprios méritos e direitos.

Isso em nada contribui para a harmonia social, que só se estabelece através de boa Educação, preparatória para o bom posto de trabalho. No dizer de Ronald Reagan, eis aí a melhor política social.

  • 21 Abril 2021

 

Percival Puggina

 

Parece não haver registro de que a frase “Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é”, tenha sido dita por Lênin. E realmente, essa frase, em Lênin não faz sentido. O líder bolchevique não precisava dela, pois a política era dispensável no regime que instaurou. Os adversários da sua revolução eram eliminados. A Lênin bastava citar Robespierre e implantar o “terror sem o qual a virtude é impotente”, frase que apreciava muito. E estávamos conversados.

Seus sucessores mundo afora, tendo que se haver, ao menos provisoriamente, com os meandros da política, é que criaram a frase. Não? Bem, se não a criaram, ouviram-na, gostaram e passaram a aplicar. Quanto a isso não resta dúvida alguma.

O mais recente exemplo foram as manifestações ocorridas há bem poucos dias, de modo simultâneo e em toda parte: “O presidente prepara um autogolpe!”.

            Naquele exato momento, falou alto em mim o aprendizado dos anos: estão preparando um golpe e acusando o adversário. E ele está em curso, vindo de todos os lados ao mesmo tempo. Tem agenda, cronograma e operadores que trabalham na respeitável e honrada máquina do Estado brasileiro. Só não vê quem não quer, só silencia quem concorda.

  • 17 Abril 2021

Percival Puggina

 

Recebo, de Cuba Decide, cópia da seguinte comunicação:

  • Os protestos públicos tornam inegável a vontade de mudança dos cubanos, mas o regime continua a reprimir e negar a participação dos cidadãos. Em 16 de abril, o Partido Comunista quer consolidar a mudança de fraude. Cuba vive uma crise profunda, a mobilização tem que ser de todos e agora, unidos no propósito de alcançar a fraudulenta política cambial.
  •  O congresso do PCC não pode decidir o futuro da nação porque #CubaEsDeTodos. Por isso, os promotores de Cuba Decide convidam a todos, especialmente sua organização ou meio de comunicação, a promover conjuntamente a realização da seguinte ação em Cuba.

Em sequência, pede aos cubanos para, às 20:32min de 15 de abril, emitirem sinais de luz, simbolizando um protesto massivo à falta de liberdade, representação democrática da oposição e participação popular na vida da ilha.

Comento

Observem que a situação descrita, apesar de bizarra, apesar de já levar mais de 60 anos, apesar de nesse período não ter produzido uma economia que se sustente, uma democracia e um líder político que não seja desprezivelmente totalitário, consegue contar com apoio de partidos políticos brasileiros. É óbvio que tais partidos, com tais admirações, são perigosos e não devem receber votos de democratas de quaisquer vertentes políticas e ideológicas.  

É exatamente um regime comunista que querem implantar no Brasil? Não sei. Mas me fala de tuas reverências e companhias, e eu te direi se te convido a jantar com minha família.

  • 15 Abril 2021

 

Percival Puggina

 

         Durante quase dois dias consecutivos, os ministros do STF dissertaram sobre os perigos da pandemia, a necessidade de minimizar os contatos  entre as pessoas e a imprescindível sujeição das igrejas às regras que determinassem seu fechamento. Era tão importante torná-las inacessíveis, por perigosas, que o leque de impedimentos constitucionais ficou fechado sobre as mesas e arejou apenas os votos dos ministros Dias Toffoli e Nunes Marques.

         Nunca foi dito, mas, de certo modo, entre as arengas e as realidades dispersas no país, fluía a noção de que as atividades religiosas presenciais eram supérfluas ou potencialmente perigosas.

         A decisão foi festejada pela mídia militante que exaltou o elevado discernimento de que se revestiu e que se refletiu no dilatado placar de 9 votos a favor do lockdown religioso.

         Não passaram 24 horas da votação e cá no Rio Grande do Sul o governo decidiu que a partir de segunda-feira (12/04) as igrejas poderão abrir entre as 5 horas e as 22 horas, ou 20 horas, respectivamente, nos dias de semana e nos fins de semana.

         Alguns dos mais expressivos monumentos que já visitei na Europa são obras votivas que comemoram o fim da peste e registram a memória de suas vítimas. Destaco, entre outras, a belíssima Pestsäule de Viena, a Coluna da Peste em Kremnica (Eslováquia), a Cappella della Piazza de Siena e a Basilica di Santa Maria della Salute, em Veneza.

         Claro que para os doutos de toga do STF, a oração comunitária pelos enfermos, pelos mortos, pela saúde, as missas, a eucaristia, os sacramentos, os cultos, são irrelevantes produtos de confeitaria sentimental pendentes da bênção do Estado. Isso, claro, só não é assim quando, solenemente, casam as próprias filhas...

         Aqui no RS, ao menos, toda a discurseira jurídico-epidemiológica de quinta-feira, virou pó na reunião local do dia seguinte.

  • 11 Abril 2021