A MORTE E A MORTE DE EDUARDO CAMPOS


 A morte é a mais fatal das fatalidades. Os imensos avanços científicos alongam as expectativas de vida, a ciência acena com ganhos ainda maiores, e as sociedades modernas fornecem algumas razões para que nós nos creiamos senhores de nossas próprias vidas. Até que a morte cancele todas as ilusões a esse respeito. A essa derrota corresponde o triunfo da Esperança naqueles que têm fé.

 

 Dia 13 a morte levou um jovem político de apenas 49 anos, participante da corrida presidencial em curso. Na opinião dos que o conheciam era um homem bom e um governante competente. Poucas horas após sua morte soubemos mais a respeito de suas virtudes do que pudemos conhecer nos longos meses preparatórios ao período de campanha propriamente dito. Eduardo Campos vem recebendo um reconhecimento nacional que lhe faltou em vida.

 

 Em qualquer país do mundo, a morte de um candidato presidencial cobra rigorosas investigações. Quanto mais rigorosa for, maior tributo se estará prestando à sua memória e a seu valor. Nenhuma trilha pode deixar de ser seguida, nenhuma hipótese pode ser afastada e nenhuma urgência tem o direito de acelerar a identificação das causas do lamentável acontecimento.
 

  • 15 Agosto 2014

Tais princípios, não são de direita nem de esquerda. A rigor sequer são filosóficos. Eles correspondem a um modo de ser, a uma forma de agir, a um conjunto de critérios que inspiram decisões. Não há qualquer motivo para que estes princípios não possam ser aceitos por liberais, exceto se o liberal for um revolucionário no sentido sociológico do termo, interessado em uma revolução por liberdades ilimitadas, que não condiz sequer com os muitos e óbvios limites da natureza humana.

São eles:

  • Primeiro, um conservador crê que existe uma ordem moral duradoura.
  • Segundo, o conservador adere ao costume, à convenção e à continuidade.
  • Terceiro, os conservadores acreditam no que se poderia chamar de princípio do preestabelecimento.
  • Quarto, os conservadores são guiados pelo princípio da prudência.
  • Quinto, os conservadores prestam atenção no princípio da variedade.
  • Sexto, os conservadores são refreados pelo princípio da imperfectibilidade.
  • Sétimo, conservadores estão convencidos que liberdade e propriedade estão intimamente ligadas.
  • Oitavo, os conservadores promovem comunidades voluntárias, assim como se opõem ao coletivismo involuntário.
  • Nono, o conservador percebe a necessidade de uma prudente contenção do poder e das paixões humanas.
  • Décimo, o pensador conservador compreende que a estabilidade e a mudança devem ser reconhecidas e reconciliadas em uma sociedade robusta.

 

  • 13 Agosto 2014

OS MEDÍOCRES

 Em "O homem medíocre", afirma José Ingenieros: “A sociedade proclama: ‘Não faças mal e serás honesto’. Mas o talento moral tem outras exigências: ‘Persegue a perfeição e serás virtuoso’. A honestidade está ao alcance de todos; a virtude é uma escolha de poucos. O homem honesto suporta o jugo a que o prendem seus cúmplices; o virtuoso se eleva sobre eles com um golpe de asa”.

 São palavras que queimam a palha da mediocridade e incendeiam a alma dos que buscam a virtude porque é nela, e não na simples honestidade, que se medem os valores da aristocracia moral. Infelizmente, a leitura de “O homem medíocre” nos expõe duas alarmantes realidades nacionais: 1º) não estamos sob o comando dos virtuosos, nem dos honestos, mas dos impostores, ou seja, dos sepulcros caiados de que trata o Evangelho; e 2º) até a medíocre honestidade se faz, a cada dia, mais e mais rara, a ponto de ansiarmos por ela como se fosse um bem em si mesma.
 

  • 11 Agosto 2014

FELIZ DIA DOS PAIS

Reproduzo trecho de um artigo que escrevi em 1997. Faço como homenagem a todos os pais, neste Dia dos Pais. De modo especial, penso naqueles que, como eu, já não o tem ao alcance do abraço ou do telefone.

 Muitas vezes, nos últimos anos, me surpreendo usando a expressão "lá em casa" para me referir àquela habitação, já vazia e triste, porto seguro e generoso de onde parti para o oceano da vida. Outras tantas vezes tenho pensado que “preciso consultar o pai”, no impulso comum de quem sempre contou com o sábio conselho do velho marujo.

 É provável que os leitores o conhecessem como figura pública, dezesseis anos deputado, dedicado às questões sociais, simples qual os homens da terra, cujas mãos ásperas e encardidas como raízes, ele apertava com afeto e admiração. E ao mesmo tempo economista estudioso, tão disposto e hábil no debate sério e produtivo quanto avesso às discussões estéreis sempre comuns no cotidiano parlamentar. Outros talvez guardem dele a imagem do cristão convicto, diariamente presente na missa da Igreja Santa Terezinha, que fazia das encíclicas de João XXIII luzeiros de suas idéias e sinuelos de suas ações.

 Eu o recordo, principalmente, como pai de muita ação, não muitas palavras, e ao mesmo tempo enciclopédia de vida, dicionário de valores, cuja adesão existencial ao bem educava sem nada precisar dizer, mestre que era na insuperável arte do exemplo. Pai de sete filhos, repartia-se - inteiro em cada lugar - entre a família, a Assembléia e as estradas de barro, pedra e pó.

  Nesse dia, leitor amigo, penso de modo especial em você, que também não pode mais abraçar seu pai. A melhor mensagem que lhe posso transmitir foi a que recebi de um fraterno companheiro, via Internet, quando o meu velhinho morreu. “Sem os limites do frágil corpo, sua alma, em liberdade, alçou vôo para muito alto, para a morada do Pai de todos os homens!”
 

  • 10 Agosto 2014

 Outro dia, em um programa de debates na tevê, discutia-se a tolerância estatal com relação a invasões de propriedade. Como de hábito, invocava-se contra esse direito a assertiva constitucional segundo a qual "a propriedade atenderá sua função social". É impressionante o uso abusivo desse preceito! Em vista dele, invasores contumazes - das propriedades alheias uns (MST, MTST etc), e das prescrições constitucionais outros (juristas de formação marxista) - conceberam a tese estapafúrdia de que na ausência da prova sobre o cumprimento da função social, decairia o proprietário de seu direito, consagrando-se o do invasor. Uma aberração própria dessa conhecida e desastrosa ideologia.

A função social é atributo do direito de propriedade e não pode ser utilizada para destruí-lo. Ela está expressa no texto constitucional para autorizar o legislador a orientar o direito de propriedade no sentido do bem comum. Formula, pois, um necessário princípio de direito público e não uma regra para autorizar invasões. E menos ainda para fazer cessar o direito à propriedade!

Retornando a um pedal já repisado aqui: quem quer construir "um outro mundo possível" precisa destruir as bases do mundo que aí está. E o direito de propriedade é uma dessas bases.
 

  • 09 Agosto 2014

UM GOVERNO ABSOLUTAMENTE IRRESPONSÁVEL

 As evidências da irresponsabilidade governamental saltam dos fatos e das notícias. Todos sabemos, na realidade do orçamento familiar, que a inflação sobe e que estão estáveis as despesas com combustíveis e energia elétrica. Isso acontece porque se os preços desses dois fatores de custo de produção não fossem represados a inflação seria bem maior, ultrapassaria o "teto da meta" (6,5% a.a) e ficaria chato para o governo em ano eleitoral.

Como consequência disso, a Petrobras e as empresas de energia enfrentam enormes dificuldades de caixa. Como se resolve o problema? Os jornais de hoje noticiam que o governo negociou com um consórcio de bancos o socorro financeiro ao setor no montante de - pasmem! - R$ 6,6 bilhões. O sempre bem disposto BNDES entra com a metade disso. A conta será paga por nós contribuintes, com os acréscimos de praxe, quando estiver resolvida a encrenca eleitoral, ou seja, em 2015.

Em outras palavras: vamos pagar, com juros e correção monetária, a diferença entre os valores que deveríamos estar pagando e os valores efetivamente pagos, para que o governo se beneficie da ilusão de preços estáveis e inflação dentro da meta. No governo, ninguém, esboça o menor sinal de constrangimento. E a mídia se contenta com noticiar o fato, sem denunciar seu real significado.
 

  • 08 Agosto 2014