Fernando Donate Ochoa, em Cubanet

 

Cuba vive sua maior onda migratória desde 1993. O aumento das dificuldades, a escassez aguda, o alto custo de vida, os apagões, o pessimismo diante de um futuro incerto, a falta de liberdades econômicas e políticas estão entre os motivos que impulsionam a migração dos cubanos.

“Vou iniciar o processo de passaporte para deixar este país que não está avançando. Aqui sofremos necessidades de todos os tipos. Vivemos muito mal e quero dar um futuro melhor à minha família”, disse à CubaNet um jovem que se identifica como Rubén.

“Nada vai melhorar. Estamos estagnados e a situação neste país está cada dia pior”, diz Enrique, que confessa ter levantado vários problemas nas reuniões de prestação de contas e que nunca foram resolvidos.

Às seis da tarde começou a chamada na fila onde são retificados os turnos para o processo de passaporte.

Centenas de interessados ??se reúnem em torno de uma pessoa que, de pé sobre uma plataforma de concreto, grita os nomes.

A agitação é ensurdecedora. Eles pedem silêncio para ouvir. Da multidão os presentes dizem seus sobrenomes, e essa é a chave para se manter em uma lista que parece infinita.

Os que não respondem são riscados e os que ratificaram a sua posição recebem um pequeno cartão no qual está escrito um número que indica a sua posição na fila que lhes permitirá, no dia seguinte, fazer uma reserva na Identificação, Imigração e Escritórios de Procedimentos de Imigração (OTIIE) de Holguín.

 "Tem que riscar os que não estão lá", grita uma mulher que sabe que quanto menos gente, mais perto estará do seu objetivo. “Já fiz várias filas e quando é feita uma lista é para baixar a posição. Quem não responde é eliminado”, diz a senhora.

O clima esquenta quando um homem recém-chegado e eliminado pede para ficar na lista. “Eu sou um dos primeiros. Estou na fila há vários dias. Cheguei atrasado hoje porque estava trabalhando e moro muito longe.”

Ninguém sente pena dele e uma jovem lhe diz: “Deixei minha filha com uma vizinha para entrar na fila. Quem não responde é eliminado, essa é a lei”. O aflito senhor não tem escolha a não ser esperar para se inscrever no final.

Comento

Fora a miséria sem solução possível e a eterna falta de liberdade, o regime é “ótimo”...

  • 28 Junho 2022

Percival Puggina, com conteúdo Gateston Institute

 

Com o título “Vidas negras importam” leio no Gateston Institute 

No último domingo, terroristas islâmicos massacraram mais de 50 cristãos na Igreja Católica de São Francisco no Estado de Ondo, Nigéria, que rezavam pacificamente. Através dos anos, os muçulmanos atacaram, alvejaram ou incendiaram inúmeras igrejas na Nigéria. Cadê a indignação? Cadê as "hashtags" em apoio aos nigerianos cristãos? Por que essas vidas negras não importam? Por mais aterrador que este massacre possa parecer, ele representa apenas o conhecido chavão "ponta do iceberg": através dos anos, os muçulmanos atacaram, alvejaram ou incendiaram inúmeras igrejas na Nigéria. (A íntegra da matéria pode ser lida aqui: https://pt.gatestoneinstitute.org/18648/cristaos-assassinados-em-igrejas

Comento

Não consigo identificar a razão da silenciosa omissão internacional sobre esses crimes contra a humanidade praticados especialmente na África e na Ásia. Não é admissível que em pleno século XXI pessoas sejam regular e continuamente perseguidas e chacinadas em virtude de sua fé, sem reação mundial, enquanto por vezes parece inesgotável, no Ocidente, a fonte geradora de militância pelas mais variadas causas.

Há militantes preocupados com planeta, do Polo Norte ao Polo Sul, do Amazonas ao Nilo. Com as formas de vida, das baleias ao mico leão dourado, das tartarugas aos santuários ecológicos das aves migratórias. Mas ninguém milita pelas vidas dizimadas por motivos religiosos nem pelas mutilações femininas nos santuários do atraso humano?

Todas as vidas humanas importam. Principalmente por isso sou contra o abortamento voluntário.

Atualização: leio agora que a ONU condenou o ataque. Isso sim é uma "excelente" notícia; afinal, a ONU não aprovou o ataque...

  • 25 Junho 2022

Percival Puggina

 

Ontem (23/06), convidado pelo querido amigo Cléber Benvegnú, fui à sessão de autógrafos da obra “Marketing Político no Brasil”. O livro traz ensaios de 50 autores de todo o país sobre os mais variados temas relacionados a essa atividade, que abrange “diagnóstico, estratégia, planejamento, criação e desenvolvimento de campanhas nos meios de comunicação”.  É uma realização coletiva do Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político do Brasil (CAMP), editado pela Geração Editorial.

A primorosa organização do evento, que ocorreu num dos salões do Theatro São Pedro, foi conduzida pela Critério – Resultado em Opinião Pública, empresa da qual Cleber é sócio-fundador. Fazendo jus ao nome, foi um sucesso de público, com o comparecimento massivo da elite política sul-rio-grandense e de profissionais da área.

Ainda durante e após a sessão de autógrafos, sob a condução da Secretária de Comunicação do governo do Estado, Tânia Moreira, uma das coautoras, e por Soraia Hanna, sócia da Critério, os quatro ensaístas presentes (Tânia, Cleber, José Fuscaldo e Gabriel Corrêa) discorreram sobre seus textos. Essas falas motivaram um diálogo aberto com o público sobre a atualidade política do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Foi muito interessante observar, nas manifestações dos profissionais de marketing, o quanto os bens imateriais de seus clientes são importantes para o sucesso de suas tarefas profissionais. Trata-se, portanto, de um alinhamento coerente com o desejo da sociedade, beneficiária de tais virtudes e vítima dos simétricos vícios ou da ausência de tais bens.

  • 24 Junho 2022

 

Percival Puggina

 

Leio no Correio Braziliense

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contestou a declaração do presidente da Corte, ministro Luiz Fux, de que a anulação dos processos derivados da Operação Lava-Jato foi um ato "formal" e que os erros processuais não apagam os fatos que foram demonstrados nas investigações. Crítico dos métodos utilizados pelos procuradores de Curitiba, Gilmar afirmou na tarde desta segunda-feira, 13, durante almoço com empresários no Rio de Janeiro, que "ninguém discute se houve, ou não, corrupção", mas que "não se combate crime cometendo crime".

Comento

O ministro Gilmar Mendes, bem como seus confrades na confraria do STF, tem o hábito de desconsiderar fatos que não contribuem para a narrativa da hora. Um desses fatos jogados à masmorra do esquecimento foi a mudança de posição do próprio ministro em relação à prisão após condenação em 2ª instância. Em 2016, o ministro Gilmar integrara a maioria que por 6 a 5 estabelecera essa possibilidade; em 2019, mudou de convicção e, em nova “maioria de circunstância”, como talvez dissesse o ex-ministro Joaquim Barbosa, derrubou o que antes aprovara.

Não devemos esquecer que foi a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância que formou a fila de confessionário e de delações em Curitiba. A Lava Jato só alcançou os resultados que obteve graças às admissões de culpa e às possibilidades de redução de penas (ou até mesmo de perdão judicial) por colaboração com as investigações ou delação de outros criminosos feitas ante a possibilidade de prisão em curto prazo. O novelo recursal prosseguia rumo à eternidade, mas a pena começava a ser cumprida de imediato. O natural pavor do criminoso consciente do crime que cometeu, ante a porta da cadeia abrindo-se ali na primeira esquina, hoje vem sendo chamado, injustamente, de “tortura psicológica” imposta a esses desamparados... Arre!

A Lava Jato morreu, pois, em 7 de novembro de 2019, quando a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância ganhou caráter excepcionalíssimo. Clima de velório na sociedade e dia de festa na Papuda! Solenes homenagens a São Nunca. Embora morta, a Lava Jato ainda permaneceu aberta à visitação até o dia 8 de março de 2021, data em que o confrade Edson Fachin, após 10 sólidas decisões anteriores em sentido contrário, evaporou-as, mudou de posição e anulou a os processos de Lula que, julgados em Curitiba e no TRF-4, não tinham relação com a Petrobras.

O leitor destas linhas deve ter percebido essas “maiorias de circunstância”, essas mudanças súbitas de orientação e essas decisões capazes de reverter condenações julgadas e “rejulgadas” e “rerejulgadas”.  Deve ter observado, também, o alinhamento político que caracteriza ampla maioria da atual composição do STF. Deve sentir, como eu, que ela traz insegurança jurídica e solapa, por essas e muitas outras razões, a confiabilidade da Corte, uma casa aparentemente sem espelhos.

   

  • 15 Junho 2022

Emel Akan, em Epoch Times

 

Nota do editor do site:  Transcrevo, em tradução livre, pequeno trecho de importante matéria do Epoch Times, cuja íntegra, em inglês, pode ser lida aqui. Até mesmo a maior economia do mundo está sofrendo as consequências de circunstâncias negativas afetando as atividades econômicas e o investimento em escala mundial.

O Bank of America emitiu um aviso de que o choque inflacionário nos Estados Unidos ainda não acabou e que a economia está em “recessão técnica”, mesmo que a maioria das pessoas não saiba disso.

"Estamos em recessão técnica, mas simplesmente não percebemos", escreveu Michael Hartnett, estrategista-chefe de investimentos do banco, em nota antes dos dados de inflação de 10 de junho.

A inflação anual dos EUA subiu para 8,6 por cento em maio, o nível mais alto em 40 anos, já que os principais fatores como alimentos, energia e habitação não mostraram sinais de diminuição. Os mercados agora antecipam uma resposta mais agressiva do Federal Reserve, o que pode resultar em uma desaceleração econômica maior.

Em suma, disse Hartnett, o “choque inflacionário” não acabou, o “choque das taxas” está apenas começando e o “choque do crescimento” está a caminho. Ele também disse que “não há válvula de liberação do pico de rendimentos” e que o rali do mercado em baixa é “muito consenso”.

Após os dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de maio, o rali do mercado em baixa para as ações terminou. O Dow Jones Industrial Average caiu mais de 800 pontos, o S&P 500 caiu quase 2,3% e o Nasdaq Composite Index despencou 3% em 10 de junho, com os mercados esperando mais choques nas taxas.

O crescimento econômico para o primeiro trimestre foi negativo em 1,5 por cento, e a previsão do PIBNow do Fed de Atlanta para o segundo trimestre é de apenas 0,9 por cento, disse Hartnett. 

(Segue, no original em inglês: https://www.theepochtimes.com/bank-of-america-warns-of-future-inflation-shocks-declares-technical-recession_4526143.html?)

  • 13 Junho 2022

Percival Puggina

 

Leio na Coluna de Claudio Humberto em Diário do Poder

Se o Supremo Tribunal Federal (STF) levou apenas quatro dias para derrubar a decisão que suspendia a cassação de dois deputados bolsonaristas, não tem a mesma pressa quando se trata de políticos, digamos, de outros campos. O ministro Dias Toffoli também suspendeu a cassação de um deputado de Brasília, em 2020, e até hoje, 441 dias depois, não há sinais de que o caso vá a julgamento no STF. O deputado foi cassado em 7 de outubro e nove dias depois Toffoli cassou a medida. (Não deixe de ler a íntegra da reveladora matéria aqui. Cumprimentos ao CH)

Comento

Esse caso vai pelo avesso de tantos que, quando se referem ao presidente ou ao seu governo, vem com prazos assinados, contados em horas para informar, esclarecer, etc.. Esse caso contrasta com a vertiginosa e escandalosa rapidez com que tramitou no Supremo o processo contra o deputado Daniel Silveira. Ali, era de urgência urgentíssima saciar o desejo do colegiado: punir as ofensas do deputado com alguns anos atrás das grades de uma penitenciária, mesmo que para isso fosse necessário pluralizar crimes e exacerbar a dosificação das penas para além de absurdos oito anos de reclusão.

Enquanto o processo de Daniel Silveira tramitava com sirene ligada dentro do STF, os inquéritos e os processos penais de senadores dormiam o sono dos justos, pedindo silêncio nas empoeiradas prateleiras do poder.

O que mais surpreende é o empenho em tornar tudo muito natural e, sobretudo, objeto de reverente acatamento e sujeição, mesmo na pluralidade de intervenções na política e nos direitos dos cidadãos.

  • 09 Junho 2022