Dartagnan da Silva Zanela
Quando olhamos para o cenário educacional atual, muitos procuram falar da melhora sensível da sua qualidade devido ao aumento no número de instituições de ensino que se fazem presentes. E, de fato, hoje temos mais escolas.
Diante disso, lembramos o ressabiado filósofo alemão Arthur Schopenhauer, que em seu livro "A arte de escrever" nos chama a atenção para o fato de que o número elevado de escolas não é garantia da melhora da educação ofertada às tenras gerações. Às vezes, é um indicador do contrário.
Aliás, basta que matutemos um pouco para verificarmos que simplesmente empilhar alunos em salas não garante uma boa formação, da mesma forma que, como nos lembra a professora Inger Enkvist, obrigá-los a frequentar o espaço escolar sem exigir o esforço indispensável para que eles gradativamente amadureçam com a aquisição de responsabilidades — que é o elemento que caracteriza o ato de aprender — é um equívoco sem par que, em breve, apresentará suas desastrosas consequências. Na real, o banquete com as consequências já está sendo servido.
Subjacente a todo esse quadro está uma concepção antropológica equivocada. Isso mesmo, cara pálida: equivocada.
Toda ação humana com vistas a preparar as tenras gerações para assumirem as rédeas de suas vidas e, necessariamente, do futuro de toda sociedade, parte de uma concepção de ser humano. E é sempre com base numa concepção de humano que se elenca o que deve ser ensinado, como deve sê-lo e, deste modo, define-se a finalidade que se pretende atingir com essa ação.
Detalhe: não nos esqueçamos que a formação de uma criança não se dá, única e exclusivamente, em uma escola. Entendido? Muito bem, voltemos ao entrevero.
Johann Goethe nos ensina que educar é auxiliar um indivíduo, de forma ativa, no processo de formação da sua personalidade, porque educar é, antes de qualquer coisa, um trabalho espiritual, de humanização e, como todo trabalho, este exige um esforço danado para que o sujeito não venha a ter sua personalidade deformada por uma apatia infantilizante.
Para tanto, torna-se imprescindível que todos aqueles que advogam em favor de uma educação de qualidade procurem, com sinceridade, realizar um exame de consciência para identificar as lacunas gestadas pela sua educação mal adquirida e corrigi-las pacientemente, porque, admitamos ou não, somos a janela através da qual os infantes se veem no amanhã.
* O autor, Dartagnan da Silva Zanela é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros.
Gilberto Simões Pires
LULA NA ONU
Em tese, o aguardado discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta manhã, o presidente Lula não surpreendeu. Como já era esperado usou o seu tempo basicamente para:
1- ATACAR A -POLÍTICA AMERICANA- que elevou em 50% as tarifas de produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos ;
2- CRITICAR AS (SOBERANAS) SANÇÕES IMPOSTAS A SERVIDORES DO EXECUTIVO E, PRINCIPALMENTE, O MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES; e,
3- CRITICAR ISRAEL e DEFENDER o reconhecimento internacional de um ESTADO PALESTINO.
TRUMP NA ONU
Na sequência, aí carregado de SUPRESA, o presidente dos EUA, DONALD TRUMP, ao comentar como foi o rápido encontro que teve com o presidente LULA, disse: - EU VI ELE. ELE ME VIU E NOS ABRAÇAMOS. E EU DISSE QUE: VOCÊ ACREDITA QUE EU VOU DIZER ISSO EM DOIS MINUTOS? NÓS CONCORDAMOS QUE VAMOS NOS ENCONTRAR NA PRÓXIMA SEMANA. NÃO TIVEMOS “MUITO TEMPO PARA FALAR, 20 SEGUNDOS, TIVEMOS BOA CONVERSA. ELE PARECE SER UM BOM HOMEM. ELE GOSTOU DE MIM E EU GOSTEI DELE. E EU SÓ FAÇO NEGÓCIOS COM PESSOAS QUE EU GOSTO. BOM, NA VERDADE ELE NÃO GOSTA DE MIM E EU NÃO GOSTO DELE, MAS TIVEMOS UMA QUÍMICA POR VINTE SEGUNDOS. ESSE É UM BOM SINAL.
INICIATIVA DE TRUMP
Vejam que a INICIATIVA tomada pelo do presidente Donald Trump, de promover um encontro com LULA, foi mais do que suficiente para promover uma reação POSITIVA nos MERCADOS -FINANCEIRO E DE CAPITAL-. E só não se mostrou mais consistente porque, mais do que sabido, o TARIFAÇO está sendo largamente utilizado pelo presidente LULA, junto com a farta concessão de BENEFÍCIOS SOCIAIS POPULISTAS, como BASE DE LANÇAMENTO da sua candidatura à reeleição, em 2026.
A VER...
Para concluir, arrisco a dizer que LULA não gostou nenhum pouco do que Trump disse. Se, por ventura, mesmo a contragosto, vier a participar do referido -encontro-, acabará fazendo exigências que não têm como serem atendidas pelo presidente norte-americano. Até porque quer porque quer livrar seus amigos e apoiadores que foram alcançados pela Lei Magnitsky. A ver...
Dagoberto Lima Godoy
O Brasil vive um paradoxo gritante: cassinos seguem proibidos e o “bicho” é contravenção, mas as apostas digitais ocupam telas, camisas e estádios.
A medicina já consolidou o diagnóstico: transtorno do jogo é adição comportamental, associada a ansiedade, depressão e risco de suicídio.
Diante desse quadro, falar em “entretenimento” sem considerar o dano é mascarar o problema. Licenciar, tributar, impor salvaguardas mínimas e manter o setor operando — é incoerência e chega a hipocrisia. Quando o produto depende do prejuízo repetido de muitos — com design viciante, publicidade agressiva e acesso 24/7 — a regulação pró-mercado vira cosmética: melhora a vitrine, mas preserva o motor do dano.
Se a prioridade é saúde pública, reduza-se a oferta e a acessibilidade; se a prioridade é receita, que fique claro tratar-se de imposto sobre sofrimento — não de política social.
O caminho honesto passa pela adoção de medidas corretivas como: 1) moratória de novas licenças e forte restrição ou até suspensão da publicidade; 2) reduzir a exposição — coibir designs viciantes; cortar gatilhos de engajamento contínuo; 3) desvincular o esporte — retirar patrocínios do setor; 4) cuidar de quem sofre — linha de cuidado no SUS e apoio às famílias, com responsabilização financeira das operadoras do jogo; 5) romper a ganância fiscal — deixar de usar arrecadação do jogo como política pública.
Preservar a liberdade de um adulto fazer uma aposta não exige licenciosidade. Política séria não transforma vício em estratégia de desenvolvimento. O resto é lobby e hipocrisia da lei e da gestão governamental.
Dartagnan da Silva Zanela
O filósofo polonês Leszek Kolakowski nos ensina que, quando começamos a cogitar a possibilidade de sermos uma grande farsa, é o momento em que realmente estamos iniciando nossa jornada pelas sinuosas veredas da filosofia.
Se não somos capazes de olhar de frente as nossas misérias demasiadamente humanas, é sinal de que a nossa alma ainda se encontra mergulhada no fundo de uma caverna lúgubre, feito o Gollum do "Senhor dos Anéis", que não se cansa de ficar acariciando o seu precioso, ao mesmo tempo que se divorcia da realidade.
Podemos dizer que no mundo atual somos uma multidão de Gollums vagando de um lado para o outro, cada qual com o seu precioso, perdendo a lucidez, que é a pior cegueira que há, como nos lembra José Saramago. Falta de lucidez essa que nos torna cegos para o mal que se encontra aninhado em nosso coração e que nos impede de reconhecer a humanidade daqueles que odiamos - e que desumanizamos - sem saber porquê.
Hannah Arendt, em "As Origens do Totalitarismo", nos explica que a desumanização do outro é o centro do fenômeno totalitário, desumanização essa que começa no coração de cada um. Ou seja: toda tirania totalitária necessita, sempre, apoiar-se no consentimento da sociedade (de uma parcela dela).
Nesse sentido, a raiva frente àqueles que divergem da patota tem que ser justificada com mil e uma explicações para que os abusos possam ser cometidos sem explicação alguma.
Atualmente, não são poucos os que advogam em favor daquilo que chamam de tolerância, mas que não toleram que ninguém caminhe fora do seu riscado ideológico, da mesma forma que não é pequeno o número daqueles que afirmam defender a liberdade de expressão e, ao mesmo tempo, são incapazes de aceitar que alguém faça um enxovalho cáustico contra suas convicções.
Sim, eu sei, todos sabem, que é difícil reconhecer que nós, da mesma forma que os outros, somos hipócritas em alguma medida, ignorantes em muitas coisas e alienados de alguma forma, mas é necessário que procuremos encarar a nossa farsa existencial, para podermos dar os primeiros passos rumo àquilo que poderíamos chamar de um amadurecimento da nossa sociedade. Amadurecimento que começa necessariamente em nós, em cada um de nós.
* O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros.
Afonso Pires Faria
Que não se animem muito aqueles que estão sendo supostamente beneficiados com as atrocidades cometidas pelo governo e seus puxadinhos. Muitos estão sendo utilizados como “bucha de canhão”. No momento certo, serão descartados. Exemplos não faltam. Senão vejamos: no ano de 1442, o conde Carmagnola era o mais valente e bem-sucedido dos mercenários. Certa vez, foi convidado para um banquete com o Doge em pessoa. Foi recebido com honras na entrada da cidade. Mas, durante o caminho para o castelo, notou que estava atravessando a Ponte dos Suspiros. Esta o levou a um calabouço. No outro dia, foi executado. Estava custando muito caro para o sistema mantê-lo vivo. Havia outros, mais baratos, também dispostos a fazer os serviços que ele fazia. A roda da história gira. Hoje temos muitos agentes que pensam estar agindo como heróis e terão o mesmo fim.
Com o povo idiotizado ao ponto em que estamos no nosso país, ficou muito mais fácil emplacar uma narrativa do que convencer o povo com a verdade. Quando a ministra Damares mostrou, com provas, os abusos cometidos contra menores, foi criticada e processada por isso. Agora, um influenciador resolveu criticar a publicação de alguns desses fatos. A exposição dos fatos virou crime, e quem os divulga deve ser punido. Ele virou herói e serviu de justificativa para proibir as divulgações nas redes sociais. A ministra foi classificada como maluca. O crime em si não foi investigado, mas a publicação dele é considerada crime. Matem o carteiro que lhes envia notícias desagradáveis.
O atual governo está, aos poucos, implementando um regime autoritário no nosso país. Combatem o lado menos perverso desse regime e, ao mesmo tempo, usam as práticas mais nefastas dele.
Não foi destinado às pessoas físicas todo o dinheiro que foi roubado e desviado no nosso país. Ele está guardado para, no futuro, alimentar o “gado” com ração, em troca de votos. Muitos se venderão, pois a população estará, em breve, em estado de miséria, e muitos cidadãos serão cooptados por migalhas. Está na literatura e nos livros de história.
Espero que a direita tenha compostura para, quando morrer um membro do STF ou um político da situação, não fazer como os militantes de esquerda.
A quantidade de leis existentes em um país é inversamente proporcional à civilidade do seu povo.
Alex Pipkin, PhD
Hoje começa o Ano Novo Judaico — Rosh Hashaná. Shaná Tová a todos. É um dia de introspecção, renovação e reflexão sobre quem somos, nossa memória, nossos valores e nosso compromisso com a dignidade humana. Neste momento de renovação, nenhuma reflexão é mais necessária do que pensar sobre intolerância, liberdade e a força da resistência. Reafirmamos, juntos e individualmente, o propósito do judaísmo: fazer o bem, preservar a vida, transmitir valores que sustentam a humanidade.
Vivemos numa atmosfera saturada de intolerância. Contra ideias divergentes, contra a liberdade de consciência, contra a fé. Uma intolerância que, travestida de virtude, se esconde sob o nome de "politicamente correto", mas cujo objetivo é calar dissidentes, sufocar a verdade e impor um dogma ideológico.
Quando se fala em defesa das minorias, a única minoria sistematicamente desrespeitada, demonizada e apresentada como opressora é a minoria judaica. O mesmo povo que, ao longo da história, foi perseguido, segregado e massacrado, agora ocupa novamente o tribunal da memória distorcida.
Depois do genocídio do Holocausto, em que mais de seis milhões de judeus foram assassinados, vemos novamente judeus sendo mortos, intimidados e espancados, no Oriente Médio e em seus próprios países. Assistimos à inversão moral surreal, onde tribunais e operadores políticos transformam assassinos em vítimas e terroristas em réus respeitáveis, enquanto os verdadeiros agredidos são tratados como algozes. Querem-nos impedir de exercer o direito elementar de defender nosso território, nosso povo. Como se não houvesse lição na história, como se a memória do Holocausto não nos ensinasse que a omissão diante da violência termina sempre em catástrofe. Nós resistiremos, como sempre resistimos. Estamos de pé e ainda mais fortes. Nunca mais significa nunca mais.
O radicalismo contra ideias dissidentes e o antissemitismo contemporâneo são expressões de uma nova religião intolerante. Uma fé secular que se traveste de defesa das minorias e dos direitos humanos, mas que exige conformidade ideológica. O chamado politicamente correto é apenas um verniz. Fala em inclusão, mas opera pela exclusão. Defende diversidade, mas nega voz àqueles que já foram silenciados. É a censura travestida de compaixão, o autoritarismo pintado com as cores da virtude.
Populistas, demagogos e autoritários, de todas as esferas, manipulam essa cultura da virtude para esmagar a dissidência, calar a razão e obscurecer fatos. A censura tornou-se sua arma mais eficaz. O corolário é previsível, resultando em liberdade em declínio, perseguição em expansão, especialmente contra os judeus.
Karl Popper nos advertiu: "A tolerância ilimitada deve levar ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos tolerância mesmo aos intolerantes... então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância com eles. Devemos, portanto, reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar os intolerantes".
Não se trata apenas de liberdade de expressão — trata-se da sobrevivência da civilização. Da preservação dos valores que nos definem: dignidade humana, justiça, memória.
Hoje, neste Rosh Hashaná, reafirmo que resistiremos, como sempre resistimos; estaremos aqui sempre defendendo a dignidade humana, brigando pelos valores judaico-cristãos que ergueram a civilização ocidental, lutando por aqueles que tombaram, pelo nosso povo, pela nossa ancestralidade. Reafirmamos o propósito coletivo e individual do judaísmo: fazer o bem, transmitir valores, manter viva a chama da justiça, proteger a memória e a vida. Nós resistiremos. E esta resistência será eterna.
Shaná Tová Umetuká!