• Olavo de Carvalho
  • 06 Maio 2022

 

Olavo de Carvalho

 

Algumas ideias espalham-se com grande sucesso não apesar de serem estúpidas, mas precisamente porque o são. A estupidez maciça exerce um poder anestésico e paralisante sobre a inteligência humana, detendo o seu movimento natural e fazendo-a girar em falso em torno de alguma crença idiota por anos, décadas ou séculos, incapaz de livrar-se do seu magnetismo perverso ou de pensar o que quer que seja fora do círculo de ferro da idiotice consagrada.

O exemplo mais assombroso é este:
É impossível descobrir ou traçar qualquer conexão lógica entre as liberdades civis e a estatização dos meios de produção. São esquemas não somente heterogêneos, mas antagônicos. Antagônicos lógica e materialmente.
Qualquer garoto de ginásio pode compreender isso tão logo lhe expliquem o sentido dos dois conceitos. A candura com que tantos homens adultos falam em “socialismo com liberdade” – isto quando não chegam a acreditar que essas duas coisas são a mesma, ou que uma decorre da outra com a naturalidade com que as bananas nascem das bananeiras – é a prova inequívoca de uma deficiência intelectual alarmante, que desde há um século e meio se espalha sem cessar pelas classes cultas, semicultas e incultas com a força avassaladora de uma contaminação viral, sem dar sinais de arrefecer mesmo depois que a experiência histórica comprovou, de maneira universal e repetida, aquilo que poderia ser percebido antecipadamente por mera análise lógica e sem experiência histórica alguma.
A pergunta é simples e brutal: como é possível que a centralização do poder econômico, expandindo-o automaticamente sobre toda a sociedade e investindo-o da força suplementar do aparelho repressivo do Estado, venha a torná-lo menos opressivo e tirânico do que milhares de poderes econômicos parciais e limitados, espalhados como farelo, desprovidos do poder de polícia e em perpétua concorrência uns com os outros?
Ninguém deveria precisar de mais de alguns segundos para atinar com a resposta óbvia: Não, não pode. Nem se pode negar que os próprios clássicos do “socialismo científico” tenham ajudado a tornar essa resposta ainda mais patente, quando declararam alto e bom som que o que se seguiria ao capitalismo não seria uma democracia, de qualquer tipo que fosse, e sim a ditadura do proletariado.
O que eles não explicaram jamais, nem nenhum de seus seguidores pediu jamais que o fizessem, foi como essa ditadura, uma vez vitoriosa e consolidada, poderia transmutar-se numa democracia exceto pelo método de liquidar-se a si mesma, dissolvendo o monopólio estatal e distribuindo o poder econômico entre os particulares – outra impossibilidade lógica ilustrada por uma longa e sangrenta experiência histórica que um pouco de inteligência tornaria perfeitamente dispensável.
Em suma, a fé nas virtudes libertárias do socialismo, mesmo quando tênue e matizada, é sinal de uma deficiência cognitiva grave, que se espalha como praga e se arraiga no fundo dos cérebros por virtude da própria estupidez originária que a produz e determina.
Mas, como uma vez aprisionado na idiotice o cérebro humano nada consegue conceber fora dela ou sem referência a ela, o sucesso propagandístico da ideia socialista trouxe consigo uma multidão de cretinices derivadas e secundárias, cujo poder de persuasão não se rende nem mesmo ante a evidência dos fatos mais constantes e repetidos.
Uma delas é a crença, hoje um dogma de evangelho, de que a educação universal obrigatória tem o poder de aplanar as diferenças socioeconômicas. Pois deveria ser lógico e intuitivo que, se a exigência de credenciais escolares se impõe até nas profissões mais simples e modestas, credenciais mais altas e difíceis de obter se espalharão de maneira concomitante e automática entre as profissões mais prestigiosas e rentáveis, deslocando para cima, sem alterá-lo, o quadro inteiro da estratificação social.
O sociólogo Randall Collins, no clássico estudo The Credential Society. An Historical Sociology of Education and Stratification (New York, Academic Press, 1979), demonstrou que, exceto por um curto período durante o New Deal, foi exatamente isso o que se passou nos EUA: o reino das credenciais escolares não democratizou nada, apenas instituiu, nos andares mais altos da sociedade, a república das sinecuras milionárias, corrompendo de quebra o zé-povinho ao inocular na sua mente a ambição inalcançável da ociosidade bem remunerada.
Mas, assim como toda ideia estúpida tem o condão de paralisar a intuição lógica, mais ainda ela debilita e por fim suprime a capacidade de aprender com a experiência histórica, que não é senão a longa e dolorosa demonstração indutiva daquilo que, para uma inteligência normal, já estava demonstrado antes por mera análise dos conceitos envolvidos.
Pouco importando o seu nível formal de instrução, pessoas contaminadas por essa paralisia endêmica das inteligências naufragam num oceano tão escuro e denso de erros de percepção e raciocínio que terminam incapazes de conhecer a sua própria posição na sociedade e os efeitos mais óbvios das suas próprias ações, mesmo e sobretudo quando receberam treinamento universitário em ciências sociais.
O exemplo mais óbvio é o dos sociólogos, economistas, juristas e cientistas políticos de esquerda, quando alardeiam que as universidades são o “aparato ideológico da burguesia”, construído para perpetuar a hegemonia cultural do capitalismo. Pois proclamam isso nas mesmas universidades estatais que eles próprios dominam sem a menor interferência da burguesia e nas quais toda objeção capitalista ao império do marxismo é punida com boicotes, chacotas e notas baixas, se não com o fim abrupto de uma carreira universitária.
É óbvio que essas pessoas, literalmente, não sabem onde estão nem percebem o que fazem. Estão perdidas no espaço e no tempo — o que não impede que o restante da população continue confiando nelas para que lhe expliquem como a sociedade funciona.

 

*     Publicado originalmente no Diário do Comércio, 5 de novembro de 2015 e reproduzido de www.olavodecarvalho.org

 

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  • Adriano Alves-Marreiros
  • 04 Maio 2022

Adriano Alves-Marreiros

 

São Tomás de Aquino definia a amizade como querer as mesmas coisas e rejeitar as mesmas coisas. Você só é amigo das pessoas que estão indo para o mesmo lugar, que têm os mesmos valores que você (...)

Olavo de Carvalho: Filósofo Brasileiro

 

O grande e saudoso Filósofo Olavo (com F maiúsculo, de filósofo de verdade, que não precisa de canudo, que não odeia a classe média, que não vê lógica em assalto e que não escreve de forma chata e confusa) já dizia da tolice de ser pacifista ou belicista por princípio: é o inimigo que vai definir o que você vai ser...

Inimigo sim!  Você já deixou a idade de repetir, feito um pateta, que você não tem inimigos...  Cresça!!!  Você tem sim, queira ou não, saiba ou não...  E tem muitos...

Aliás, é sempre tolo ou mal intencionado aquele que confunde a ira justa, a ira santa, com ódio...

Normalmente, essa galera não gosta de comentar a ira santa e justa de Jesus ao expulsar os vendilhões do templo. Você acha mesmo que se ele falasse baixo e de forma educada ele resolveria aquela profanação? 

E você diria que Cristo era uma pessoa do mal e cheia de ódio quando se referia a fariseus hipócritas como “raça de víboras”, que expressava exatamente o que eram? Ou que merecia ser preso por incitar uma rebelião ao dizer que “Eu não vim pra vos trazer a paz, mas sim a espada...”, aquele trecho do Sermão da Montanha que os “bonzinhos” não gostam que seja mencionado...

E mesmo após colocarem tanto nas redes, você nunca parou para refletir sobre o post que, expressando a sabedoria popular, e compreendendo o Altíssimo, explica que os Arcanjos usam espadas porque não se combate o mal com pacifismo?

E tem também mais uma do Professor Olavo que disse que “Moderação na defesa da verdade é serviço prestado à mentira!”.  Claro que é!!!  Permite que ela progrida progressivamente de forma “progressista” para que se censure e proíba a verdade e se transformem mentiras em verdades oficiais cuja negação é punida com penas terríveis, nunca aplicadas aos verdadeiros crimes...

Então você acha mesmo que eu, menor que todos os citados, eu que devo me espelhar em cada um deles, sejam divinos ou pecadores, eu que preciso buscar evolução, eu que preciso me aperfeiçoar na Fé, na Esperança e no Amor, devo – quando ouço as serpentes sibilarem o mal, quando vejo seus seguidores tolos ou mal intencionados espalharem o mal –  e irei ficar calado e omisso para demonstrar que sou “educado”?

Se isso é educação, deve ser a tal da qual Paulo Freire foi feito patrono...  Que o Senhor me poupe de ser esse tipo de “bem educado”...

DEUS MEUMQUE JUS

 P.S.  Agora o livro 2020 D.C. Esquerdistas Culposos e outras assombrações tem uma trilha sonora com canções e músicas de filmes citados.

Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux 
Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana 
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas

(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico)

*         Adriano Alves-Marreiros, que muitos consideram mal educado nas poucas vezes que ele acerta.

* *       Publicado originalmente no excelente portal Tribuna Diária

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  • Alex Pipkin, PhD
  • 02 Maio 2022


Alex Pipkin, PhD
 

Escrevo sobre o recente texto da Sra. Martha Medeiros.


Nada mais natural que o desgastado papinho morfético “progressista”, em favor da democracia e do Estado de Direito enquanto os destroem.


É a conhecida retórica do “presidente fascista, racista e homofóbico”, que só agiu dessa forma nos sonhos eróticos, doentios e saudosistas da turma, que enche a boca para aludir “democracia e liberdade”, mas apoia a convivência com leis flácidas, políticas e flexíveis que as contemplem a fim de limpar suas sujeiras e maracutaias.


Essa é a trupe que quer retornar ao trono e deseja o poder, custe o que custar.


Esses são aqueles que sofrem da síndrome de Robin Wood, que vestem antolhos para a escancarada corrupção, uma vez que líderes populistas e incompetentes implementam políticas públicas ineficientes e irresponsáveis, envernizadas com cliques humanitários e bondosos de curto prazo. De fato, tais iniciativas são bombas-relógio que estouram logo ali na frente, trazendo o genuíno caos econômico e social, e dizimando as instituições e a coesão social.


A Sra. Medeiros é da era do jornalismo que conhece apenas os efeitos da economia - se é que conhece -, que como Frédéric Bastiat dizia, são aqueles impactos que se vê. As nefastas repercussões de médio e longo prazos não são tão transparentes prontamente para todos, muito menos e especialmente para os contumazes sinalizadores de virtudes.


A conhecida jornalista faz parte da turma de “intelectuais” que desconhece - muitos, na verdade, odeiam - o mundo real dos criadores de riqueza, e vive arrotando platitudes, esquecendo daqueles que trabalham, e criam empregos e prosperidade para todos.


Fácil escolher, não é mesmo? Recolocar o país novamente nas mãos de bandidos incompetentes que acabaram com a nação, graças a  uma Corte superior Vermelha, comprometida até o pescoço com uma falsa democracia e um Estado de “desdireito”, é que o ex-presidiário, demiurgo de Garanhuns, é candidato à presidência da Republiqueta.


Vergonha alheia, essa jornalista que despeja desejos partidários, desconhecimento econômico, virtuosismos e mentiras românticas, alegar ao presidente eleito democraticamente, autoritarismo e preconceitos quando ela livremente pode opinar, exercendo sua liberdade de expressão para derramar toda a sua bílis e suas insciências.


Progressista e republicano mesmo é o larápio que ela deseja ver no Planalto, o analfabeto que tem como um de seus principais pilares de campanha a regulação da mídia nacional. Sim, um verdadeiro progressista!


Não, não surpreende. Posições como a da Sra. Medeiros são manifestações naturais dos vieses de confirmação de meras crenças que se tornaram rochas impenetráveis para todos aqueles que, de alguma forma, lucram com elas. Essas pessoas só conhecem o “seu lado” e não estão dispostas a conhecer e compreender visões conflitantes.


A Sra. Medeiros, transparentemente, tenta intimidar todos aqueles que pensam distintamente de seus partidarismos e de suas “verdades” apaixonadas.


Ela e sua turma não conseguem e/ou não querem ver e conviver com indivíduos que pensam diversamente deles. É o caminho que conduz a estupidez.


Sem interação e respeito às pessoas que compartilham de outras crenças não há cura para a doença da “superioridade moral e intelectual”.


Mas não nos preocupemos, muitos já estão vendo claramente, pois a máscara se torna o homem - e a mulher -, porém, a máscara mal ajustada da Sra. Medeiros, faz tempo, já está escorregando.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 01 Maio 2022

 

Gilberto Simões Pires

 

CORTE FURIOSA

Ontem, 28, o Supremo Tribunal Federal de Exceção, deu continuidade à interminável e implacável perseguição que tem por objetivo exterminar, já no nascedouro, toda e qualquer medida proposta pelo atual governo. Desta vez, a CORTE FURIOSA se reuniu para DERRUBAR E SEPULTAR TRÊS DECRETOS que restringiram a participação popular e de governadores em órgãos ambientais federais. Mais: na mesma sessão, cheios de ódio do povo brasileiro, trataram de proibir, por unanimidade (10 votos a zero), a concessão automática de LICENÇAS AMBIENTAIS a empresas que representam, no entender exclusivo da Corte, risco médio ao meio ambiente.

PLEITOS IDEOLÓGICOS

O que mais chama a atenção, certamente, já não é o constante ÓDIO DESTILADO pela maioria dos ministros do STF contra o presidente Jair Bolsonaro, fator determinante para que a Instituição ignore por completo o que se entende por JUSTIÇA, mas o fato de que todas as ações apresentadas por partidos de esquerda, neste caso o PSB (que não por acaso é membro do Foro de São Paulo) além de serem apreciadas com enorme celeridade são julgadas e decididas sempre com o propósito de satisfazer os pleitos ideológicos, pouco importando à que se referem.

IDEOLOGIA DO ATRASO

Como de hábito, quando o STF toma qualquer decisão que vá contra os interesses e vontade do governo, a MÍDIA ABUTRE, que se nutre e propaga a mesma IDEOLOGIA DO ATRASO, já tem a frase pronta, que diz: - O GOVERNO FOI DERROTADO -. Ora, na mais pura realidade, quem perdeu foi a sociedade brasileira, que se vê impedida de fazer o Brasil avançar e se desenvolver.

TUDO CONTRA A SIMPLIFICAÇÃO E DESBUROCRATIZAÇÃO

Pasmem: o PSB questionou a alteração feita pelo governo na Rede Nacional para a SIMPLIFICAÇÃO DO REGISTRO e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim), que DESBUROCRATIZA a emissão de autorizações, mas passou a conceder automaticamente alvarás de funcionamento e licenças para empresas enquadradas em atividade de grau de risco médio, sem que fosse realizada qualquer análise humana. Pode? Tem mais: o PARTIDO SOCIALISTA ainda acusou o governo de impossibilitar os órgãos de licenciamento de pedirem informações adicionais às empresas para checar a regularidade do trâmite. Duro, não?

CEREJA DO BOLO

Para terminar, aí vai a CEREJA DO BOLO, que foi colocada pela ministra-relatora, Cármen Lúcia, ao dizer que "Essa simplificação para emissão do alvará de funcionamento e de licenças de empresa nos casos em que o grau de risco da atividade seja considerado médio - OFENDE AS NORMAS CONSTITUCIONAIS de proteção ao meio ambiente, em especial o princípio da precaução ambiental". Constituição, ministra? A senhora, há muito tempo, pelas decisões que toma, simplesmente ignora a Constituição Federal!

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  • João Baptista Herkenhoff
  • 01 Maio 2022

João Baptista Herkenhoff

           

 

         A advocacia e a magistratura têm códigos de ética diferentes.

Há deveres comuns aos dois encargos como, por exemplo, o amor ao trabalho, a pontualidade, a urbanidade, a honestidade.

Quanto à pontualidade, os advogados são ciosos de que não podem dormir no ponto. Sabem das consequências nefastas de eventuais atrasos. Os clientes podem ser condenados à revelia se os respectivos defensores não atendem ao pregão.

Já relativamente aos juízes, nem sempre compreendem que devem ser atentos aos prazos. Fazem tabula rasa da advertência de Rui Barbosa: “Justiça tardia não é Justiça, senão injustiça qualificada.”

Vamos agora aos pontos nos quais deveres de advogados e juízes não são coincidentes.       

 

O juiz deve ser imparcial. É seu mais importante dever, pois é o fiel da balança. Se o juiz de futebol deve ser criterioso ao marcar faltas, ou anular gols (observe-se o que está acontecendo na Copa do Mundo), quão mais criterioso deve ser o Juiz de Direito que decide sobre vida, honra, família, bens.         

 

Já o advogado é sempre parcial, daí que se chama “advogado da parte”. Deve ser fiel a seu cliente e leal na relação com o adversário.

O juiz deve ser humilde. A virtude da humildade só faz engrandecê-lo. Não é pela petulância que o juiz conquista o respeito da comunidade. Angaria respeito e estima na medida em que é digno, reto, probo. A toga tem um simbolismo, mas a toga, por si só, de nada vale. Uma toga moralmente manchada envergonha, em vez de enaltecer.

O juiz deve ser humano, cordial, fraterno. Deve compreender que a palavra pode mudar a rota de uma vida. Diante do juiz, o cidadão comum sente-se pequeno. O humanismo pode diminuir esse abismo, de modo que o cidadão se sinta pessoa, tão pessoa e ser humano quanto o próprio juiz.

A função de ser juiz não é um emprego. Julgar é missão, é empréstimo de um poder divino. Tenha o juiz consciência de sua pequenez diante da tarefa que lhe cabe. A rigor, o juiz deveria sentenciar de joelhos.

As decisões dos juízes devem ser compreendidas pelas partes e pela coletividade. É perfeitamente possível decidir as causas, por mais complexas que sejam, com um linguajar que não roube dos cidadãos o direito de compreender as razões que justificam as conclusões.

Juízes e advogados devem ser respeitosos no seu relacionamento. Compreendam os juízes que os advogados são indispensáveis à prática da Justiça. É totalmente inaceitável que um magistrado expulse da sala de julgamento um advogado, ainda que esse advogado seja impertinente nas suas alegações, desarrazoado nos seus pedidos. Quando um fato desta natureza ocorre no mais alto tribunal do país, não podemos omitir o protesto.

*       João Baptista Herkenhoff, Juiz de Direito aposentado, Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo e escritor.

**      E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br

***     CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2197242784380520

 

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  • Ednaldo Bezerra
  • 01 Maio 2022

Ednaldo Bezerra

 

No inicio dos anos 70, saímos de Bacaxeri e fomos morar no centro de Curitiba. Eu ainda era um garoto novo, mas sempre acompanhava meu pai aos jogos de futebol.  Morando no centro da cidade, as idas ao estádio tornaram-se mais frequente. Íamos caminhando. Naquele tempo, tínhamos liberdade e segurança para andar sem ser incomodado por bandidos. Atravessávamos o Passeio Público e logo chegávamos ao  Belfort Duarte, o campo do Coritiba. Eram espetáculos vibrantes, inesquecíveis, bandeiras e camisas verdes e brancas enchiam os nossos olhos.

Assisti com meu pai a muitos jogos, sentávamos geralmente na arquibancada da torcida do Coritiba. Lembro-me bem dos clássicos do Coritiba contra o Atlético e contra o Colorado, porque eram os mais barulhentos. Nessas partidas, Tião Abatiá, goleador do Coritiba, era bastante aplaudido, e os árbitros sempre xingados, bastava uma falta não marcada, para os coitados serem massacrados: filho da puta! Ladrão! Vai morrer! Vá tomar... O coro da torcida coxa-branca era implacável e ensurdecedor. É claro que esses xingamentos e ameaças eram reflexos do “roubo” do juiz, principalmente quando o lance não deixava nenhuma dúvida para nós, torcedores. No entanto, tudo isso ficava ali, no estádio; tratava-se apenas do desabafo da torcida no calor do momento. Era uma maneira de descarregar a raiva, um aspecto muito natural do comportamento humano, sobretudo quando se está em grupo. Aliás, tal desabafo alivia, de certa maneira, também as tensões do dia a dia. Porque saímos leves do estádio, principalmente quando o nosso time vence. Quem vai aos estádios sabe da sensação a que me refiro.

Pois bem, creio que, talvez, o que  ocorreu com o deputado Daniel Silveira tenha sido algo semelhante; ou seja, a atitude de fazer um vídeo descarregando a sua raiva e a sua indignação foi um reflexo do comportamento autoritário e parcial dos ministros do Supremo Tribunal Federal. E, de fato, a gente percebe que são dois pesos e duas medidas; para um lado é permitido quase tudo; para o outro, qualquer coisa que contrarie o ponto de vista da esquerda é considerado “fake news” e é censurado. Por que intimidar, com ameaça de processos, o brasileiro que apoia o presidente? Que democracia é essa? O deputado, tendo um temperamento nitidamente impetuoso, pavio-curto, por assim dizer, se emputeceu, aloprou, chegou ao seu limite de tolerância e esbravejou, movido pela raiva da ocasião, bravatas e nada mais. Para mim, isso está claríssimo, o vídeo objeto do suposto crime chega a ser cômico, e considerá-lo uma ameaça à democracia é coisa absurda.

Cabe acrescentar que qualquer um, em dado momento, perde a paciência! Todo mundo sabe disso. Mas vejo que as pessoas estão hipócritas e muito ruins, só pensam em suas ideologias mesquinhas; não têm empatia, não se colocam no lugar do próximo; esquecem-se de que o deputado tem família, mulher e uma filha pra criar. Então, como bater palmas para uma condenação de quase nove anos devido a uma baboseira dessas? Meu Deus do Céu! As pessoas perderam a noção das coisas e do senso de proporção.

Felizmente Bolsonaro teve a sensatez de não deixar essa aberração prosperar, fez justiça, e livrou um inocente de uma condenação completamente indevida; mostrando seu apreço pela democracia e seguindo à risca a Constituição Federal, apesar de ser atacado diariamente e de ser constantemente atrapalhado de governar como gostaria, implantando projetos importantes para o Brasil.

*       Ednaldo Bezerra é um brasileiro indignado.

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