• Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 22 Junho 2026

Gilberto Simões Pires

Na semana passada, o jornalista Felipe Vieira compartilhou uma ANÁLISE CONTUNDENTE, produzida pela RC CONSULTORES, comandada pelo economista e ex-presidente do IBGE e do BNDES Paulo Rabello de Castro, ALERTANDO sobre o cenário econômico brasileiro. Com o título -O ABISMO ESTÁ MAIS PERTO-, o relatório da RC CONSULTORES avalia que as expectativas para -INFLAÇÃO, JUROS E CRESCIMENTO- vêm se deteriorando rapidamente, aumentando os riscos para a economia nos próximos anos. Eis: 

INFLAÇÃO

No relatório, os economistas destacam a sequência de REVISÕES PARA AS PROJEÇÕES DE INFLAÇÃO E O IMPACTO DESSE MOVIMENTO SOBRE AS EXPECTATIVAS DE MERCADO. Segundo a avaliação, a inflação projetada para o fim de 2026 alcançou 5,35%, avanço significativo em relação aos 3,87% estimados em fevereiro deste ano.  De acordo com a consultoria, a mudança ocorreu em um período relativamente curto. Em apenas QUATRO MESES, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou quase um ponto e meio percentual, refletindo uma percepção crescente de dificuldade para o controle da inflação. A análise aponta que o efeito dessa deterioração também aparece nas projeções para a taxa básica de juros. Em março, o mercado trabalhava com a expectativa de que a Selic encerraria 2026 em torno de 12% ao ano. Agora, segundo o levantamento citado pela RC Consultores, a previsão já se aproxima de 14%.

JUROS REAIS

Outro ponto destacado é o comportamento dos JUROS REAIS, considerados um dos mais elevados do mundo. Segundo o relatório, o juro real implícito para 2026 ultrapassa 8,6% ao ano, patamar que, na avaliação da consultoria, dificulta investimentos de longo prazo, reduz a expansão do crédito e aumenta os custos para empresas e famílias.

Embora as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) tenham apresentado leve melhora, com expectativa próxima de 2% para 2026, a RC Consultores considera que esse desempenho é sustentado principalmente pela expansão dos gastos públicos. Na avaliação da empresa, esse impulso pode não ser suficiente para garantir crescimento sustentável nos anos seguintes.

POLÍTICA FISCAL

A preocupação maior, no entanto, está concentrada em 2027. O relatório observa que as projeções já apontam desaceleração da atividade econômica, com crescimento estimado em torno de 1,66%, cenário que refletiria os efeitos prolongados de juros elevados e de um ambiente econômico menos favorável para investimentos privados. Os economistas da consultoria atribuem parte desse quadro à POLÍTICA FISCAL do governo federal. Segundo a análise, o aumento das despesas públicas teria contribuído para elevar a percepção de risco dos investidores, pressionando as expectativas de inflação e reduzindo a eficácia da política monetária conduzida pelo Banco Central.

O documento conclui defendendo uma mudança de rumo na condução econômica do país. Para a RC Consultores, sem medidas capazes de recuperar a confiança fiscal e reduzir as incertezas sobre as contas públicas, o Brasil poderá enfrentar um período mais prolongado de crescimento baixo, juros elevados e inflação resistente. A avaliação da consultoria reforça um debate que vem ganhando espaço entre economistas, investidores e agentes do mercado financeiro: o desafio de equilibrar crescimento econômico, controle da inflação e sustentabilidade das contas públicas em um cenário marcado por incertezas internas e externas.

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  • Vanderlino H. Ramage
  • 21 Junho 2026

 

Vanderlino H. Ramage

Qualquer semelhança não é mera coincidência! 

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”! 

             No ano de 2005 estive na Colômbia, e naquela ocasião estava chegando às livrarias a biografia de Pablo Escobar, o mega narcotraficante do chamado Cartel de Medellin. Impressiona a semelhança do que vivenciava aquele país, nos anos 80 e 90 do século passado, com o Brasil de hoje, com os níveis de violência, como decorrência do narcotráfico. 

A biografia é um depoimento contundente e sem firulas, dado por Jhon Jairo Velásquez Vásquez, conhecido no mundo do crime como “Popeye”, à jornalista colombiana Astrid Maria Legarda Martínez. “Popeye” era o segundo na hierarquia do Cartel de Medellin, abaixo apenas do super “capo”, Pablo Escobar. “Popeye” sobreviveu ao Cartel de Medellin, e deu estes depoimentos a partir de 1998, na prisão em Bogotá, Colômbia. 

Para aqueles sensíveis ao tema, estudiosos, sociólogos, professores de direito, administradores públicos, empresários etc, enfim todos aqueles que sabem, de que não há efeito sem causa, e sobretudo acreditam no nosso país, recomendo que leiam “El Verdadero PABLO, Sangre, traicion y muert...”, mutatis mutandis, concluirão de que o Brasil de hoje se encaminha (ou já vive) à Colômbia de ontem. 

É inacreditável, mas Pablo Escobar, com seu Cartel de Medellin, chegou a dominar um país inteiro. O Estado Colombiano, foi posto de joelhos, ficou à mercê do traficante. Dominou o Congresso Nacional, chegando ao ponto de mudar a legislação que permitia extradita-lo para os EUA. Entretanto para atingir este nível de dominação, amedrontou a nação através da “droga” e do terror.  

É necessário ressaltar, que Pablo angariava a simpatia de parte da população, que via nele um salvador, um benfeitor. Na realidade era um populista bandido, que sabia como poucos manipular as pessoas e os anseios das populações humildes e carentes. Um Robin Hood às avessas, do século XX. Qualquer semelhança com o Brasil de hoje não é mera coincidência. 

No auge do seu poder e na luta titânica para não ser extraditado, para os EUA, Pablo Escobar aliou-se a terroristas dos grupos guerrilheiros ETA, das FARCs, do ELN, do M-19 etc, para as quais fornecia drogas em troca de armamento e treinamento operacional militar. É interessante, nesse relato biográfico, a evidência da simbiose do narcotráfico com as esquerdas latinas, os Sandinistas da Nicarágua, o General Noriega do Panamá, e os donos de “La Isla Paradiso” Cuba. Pablo tinha a simpatia os ditos “movimentos  da sociedade organizada”, do “indigenismo”, dos “direitos humanos” e até do “ambientalismo fundamentalista” etc, etc.  

As FARCs (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas) brasileiras têm outros nomes, mas são bem conhecidas, tem apelidos camuflados como “Movimentos Sociais”, inclusive ONGs. Daí talvez, se possa começar a entender porque os “direitos humanos” nunca acodem as vítimas, os policiais assassinados ou seus familiares, mas se apiedam sempre do bandido!

No final de sua vida, Pablo com seu Cartel de Medellin, entre outros recordes, contabilizava a morte de 1500 policiais, o assassinato de 03 candidatos à presidência da república, 02 ministros da justiça, 01 senador, 01 procurador da república, um avião com 107 passageiros abatido em pleno voo, mais de 250 atentados com dinamite, morte de mais de 1000 jovens das comunidades, centenas de civis inocentes, sequestros de empresários, jornalistas, políticos etc. E finalmente a proeza de ter acabado com a cúpula do judiciário colombiano de uma tacada só, incluindo a morte de mais de 100 pessoas num único atentado. Foi aí que a nação começou a acordar!  

No caso do Brasil a situação é mais grave, pois contabilizamos quase 50.000 assassinatos por ano, em grande parte, como decorrência do consumo de drogas ilícitas, narcotráfico e seus desdobramentos. Incluindo as mortes no trânsito (50.000 por ano), chegamos a um número apocalíptico, de mais de 1.000.000 de mortes violentas em 10 anos. E ainda não acordamos! 

É uma guerra das mais devastadores de todos os tempos. E o custo social, psicológico? Medo, incerteza, descrença, insegurança. E o custo financeiro? Quanto custa aos contribuintes deste país pagar esta guerra fratricida? 

Entretanto, o mais inverossímil foi o debate político das últimas eleições sobre o tema, quase nada. A preocupação relevante orbitava sobre a questão LGBT, casamento gay, homofobia etc, temas que passaram a ser prioridades nacional, uma questão de Estado. Aliás, continuam como prioridades no Congresso Nacional. Enquanto isso a nação sangra!  

Nas questões estratégicas, que realmente interessam ao futuro do nosso país, o Brasil virou o “samba do criolo doido”: Na TV o herói é do UFC, violência que faz do boxe um esporte para os fracos; do “BIG Brother”, da “novela das oito”, e para fechar a semana, o herói da “Dança dos famosos”. 

O narcotráfico já mantém muitas áreas “liberadas” em cidades brasileiras, e está na gênese da maior parte da violência deste país. As medidas para extirpar esta chaga, tomadas pelas autoridades, são de uma candura de fazer chorar o mais insensível dos mortais. 

Vejamos: como se trata de uma guerra, o problema escapa a soluções meramente policiais. Todos sabem de onde vem as drogas, por onde entram no nosso país, por onde entram as armas que dão suporte bélico e quem são os respectivos fabricantes. 

Portanto as UPPs, “Unidades Pacificadoras”, tão celebradas como soluções em algumas grandes cidades brasileiras, são apenas respostas políticas de candidatos eleitoreiros. Na prática, servem de mortes anunciadas de policiais que morrem, no cumprimento inglório do dever. 

De outra parte, as campanhas antidrogas se revelam de um cinismo que despreza a capacidade cognitiva e a sensibilidade do ser humano. Se restringem ao “CRACK”, o “genérico” das drogas. O “crack” incomoda ao grande traficante e a sensação que se tem é de que o narcotráfico já controla setores da mídia, dada as investidas para “legalizar” a maconha. Qualquer estudante do segundo grau sabe que a maconha é a porta de entrada para as drogas mais pesadas. O tabaco e o álcool destroem o corpo, o narcótico destrói a alma. 

Causa espanto que os bilhões de reais, movimentados pelo narcotráfico, escapem ao controle das autoridades fazendárias deste país. Pois, qualquer brasileiro que já viveu a experiência de movimentar o montante de R$ 100.000,00 sabe, que tem um órgão chamado COAF, que controla as movimentações financeiras desse porte. E mais, o dinheiro do tráfico necessita ser “lavado”, e não é feito em lavanderias convencionais. Todos sabem onde eles são “lavados” para legitima-los. 

Há muitos anos, na época da inflação galopante, ouvi alguém dizer: “Sabem por que a inflação não acaba? Porque alguém lucra com ela, pois se a sociedade inteira, sem exceção, perdesse, ela acabaria no dia seguinte”. 

Este raciocínio vale para o narcotráfico. Além dos narcotraficantes, alguém mais lucra, alguém ou alguns muito poderosos, e dá para inferir quais sejam?! 

Poderia continuar este raciocínio usando a lógica capitalista. O narcotráfico existe porque existe mercado. Como o maior mercado consumidor do mundo, continua sendo o mercado norte americano, não seria ali, também, que o problema teria que ser atacado prioritariamente? 

Num país como o Brasil, onde ocorrem perto de 50 mil assassinatos por ano, esta questão continua não sendo tratada como prioridade nacional. Convenhamos, vivemos numa sociedade doente, um paroxismo sem fim! 

Lembro-me de uma amiga, que teve seu único filho assassinado num latrocínio. Esta mãe teve que lutar, como só uma mãe o faz, para conseguir prender e manter o assassino na cadeia. Passado algum tempo, alegando insegurança, este facínora conseguiu a transferência de um presídio de segurança máxima para um presídio de segurança mínima, no interior do Estado do RS. Esta mãe, periodicamente, se dirigia àquela cidade para conferir se o “seu bandido” ainda estava lá encarcerado. Como já se passaram muitos anos, “a progressão da pena”, a Lei que autoriza bandidos a continuarem praticando novos delitos, já deve ter colocado este assassino no convívio da sociedade.  

Os exegetas do Direito dirão: são conquistas da civilização! E, quem pensa diferente, os “esquerdopatas” logo rotulam de autoritário, direitista e fascista. 

Arrematando, disse-me aquela mãe: a sociedade brasileira silencia e o silêncio a faz conivente. 

Silencia o Executivo, silencia o Judiciário, silencia o Legislativo! 

Dizem que “A história se repete duas vezes, a primeira como farsa, e a segunda como tragédia”. A farsa é a pseudodemocracia que vivenciamos, a tragédia é o que virá depois!  

“Isto não é o fim do mundo, é o fim do Brasil, apenas”! 

OBS: Este texto foi escrito há mais de 20 anos, infelizmente continua atual! 

*          O autor, Vanderlino H Ramage, é  Oficial Veterano da Aer/Administrador 

 

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  • Dartagnan da Silva Zanela
  • 19 Junho 2026

 

Dartagnan da Silva Zanela

          Muito se fala hoje em dia a respeito dessa tal de empatia. Em todas as direções para as quais voltamos os nossos olhos cansados, inevitavelmente iremos avistar uma figura falando a respeito; e o mais curioso é que, via de regra, os sujeitos que não param nem para respirar para falar sobre isso o fazem sempre com um certo ar de superioridade em relação a todos os demais mortais que, diferentemente deles, nunca pararam para pensar com a mesma "seriedade" a respeito do assunto.

Ao apontar isso não estou, de modo algum, dizendo que não devemos procurar nos colocar no lugar do outro para ver a vida a partir dos seus olhos, e sentir as dores do mundo a partir do seu nervo da alma exposto. Nada disso, cara pálida. O que digo e repito é que "empatia", como toda palavra que é repetida à exaustão, acaba perdendo toda a sua substancialidade e, por conta disso, termina sendo apenas mais um jargão publicitário, um cacoete mental que as almas desavisadas — e as levianas também — utilizam para rotular e desclassificar tudo aquilo que não se encaixa em seu nada fabuloso universo de estereótipos pré-fabricados.

Para melhor expor o meu ponto, permitam-me contar um breve causo sobre a vida de São Francisco de Assis. Conta-se que, nos idos em que o pobrezinho de Assis habitou neste mundão de meu Deus, havia um homem, um terrível assassino que seria enforcado. E ele lá estava, no meio da multidão, testemunhando a execução, em lágrimas.

Um amigo seu, ao vê-lo chorando pelo vil assassino, disse que ele não deveria chorar por aquele homem porque ele não merecia a sua compaixão. Ao ouvir isso, Francisco disse: "Muito pelo contrário. Ele merece toda a minha compaixão porque, possivelmente, se esse homem tivesse tido a vida que eu tive, ele seria uma pessoa muitíssimo melhor do que eu. E tem outra: se eu tivesse vivido a vida que esse infeliz viveu, provavelmente eu seria um homem tremendamente mais cruel do que ele."

Em resumidas contas, isso é saber colocar-se no lugar do outro e, para fazer isso, não há necessidade de manter a palavra empatia na boca para disfarçar o mau hálito da alma.

De mais a mais, para que eu não venha a parecer crica, façamos um experimento simples: quando nós testemunhamos uma tragédia, ou uma injustiça, que ocorre com uma pessoa que, porventura, encontra-se num espectro político e ideológico contrário ao nosso — ou que simplesmente seja um desafeto pessoal —, como nós reagimos interiormente, junto ao altar da nossa consciência? De que maneira nos portamos diante do púlpito das redes sociais? Pois é.

Sentir compaixão por aqueles que amamos, pelas pessoas que estão na mesma sintonia que a nossa, francamente, não é um trem de outro mundo não; e simular empatia por uma pessoa que parece indiferente aos nossos pudores ideológicos, com o perdão da palavra, também não nos torna o bicho da goiaba. Agora, sermos capazes de, realmente, nos colocar no lugar dos nossos adversários e desafetos e nos esforçarmos, com sinceridade, para sentir o mundo a partir das suas dores, isso sim nos torna mais humanos.

Infelizmente, no mundo no qual vivemos, desaprendemos a fazer isso e não é à toa, nem por acaso, que se festeja de forma tão efusiva a morte de um desafeto político ou os dissabores vividos por uma pessoa que não respira os mesmos ares plúmbeos da nossa bolha. E desaprendemos porque a empatia, no contexto atual, está se tornando uma palavra que, ao invés de edificar pontes que propiciam encontros, apenas constrói e consolida muralhas que nos encerram em guetos que nos desumanizam sem a menor cerimônia.

*         O autor, Dartagnan da Silva Zanela é  professor, bebedor de café, escrevinhador e autor de "NAS ENTRANHAS DO LEVIATÃ", entre outros livros.

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  • Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
  • 17 Junho 2026

 

Gilberto Simões Pires

MENTIROSO NATO

Mais do que sabido, percebido e comprovado, o presidente Lula é um verdadeiro ESPECIALISTA na ARTE DE MENTIR. Como tal, a cada MENTIRA que diz serve imediatamente como base de construção e lançamento de uma NOVA LOROTA AINDA MAIS DESCARADA. 

 LULA SE SUPEROU

Pois, ontem, o presidente LULA-MENTIROSO simplesmente se superou, de forma magnífica, na ARTE DE MENTIR DESCARADAMENTE, quando disse -alto e bom som- durante o encontro da Cúpula do G-7, em Paris, que -NUNCA FOI DE ESQUERDA-. Que tal? 

EXAGERO IMPERDOÁVEL

Desta vez, sem tirar nem pôr, LULA aplicou uma MENTIRA DE TAL ORDEM E TAMANHO DO TIPO QUE TODO E QUALQUER ANIMAL QUE VIVE NO NOSSO PLANETA, E ATÉ FORA DELE- VÊ COMO IMPOSSÍVEL DE ACREDITAR. Mais: nas rodas ONDE SE REÚNEM os GRANDES MENTIROSOS DO MUNDO, o comentário é que o EXAGERO COMETIDO POR LULA tem como princípio ESCULHAMBAR DE VEZ COM AS PRETENSÕES DAQUELES QUE TÊM FORTE DEDICAÇÃO NA ARTE DE MENTIR. 

NOTA DAS GALÁXIAS

Pelo que sei até agora, as principais GALÁXIAS mais próximas e conhecidas, como a Via Láctea, Andrômeda, a Galáxia do Triângulo e as Nuvens de Magalhães, não gostaram nem um pouco da MENTIRA APLICADA POR LULA. Mais: emitiram uma NOTA DIZENDO QUE MENTIRAS TÊM LIMITE E COMO TAL LULA SEQUER RESPEITOU A REGRA DO UNIVERSO. 

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  • Claudio Apolinário
  • 16 Junho 2026

 

 

Claudio Apolinario

 

                No Brasil, quem vence a eleição presidencial não governa apenas por quatro anos.

Existe uma conta que raramente aparece no debate eleitoral. E é a mais importante de todas.

Está nas atribuições do presidente da República Federativa do Brasil indicar os ministros da Suprema Corte do País. As vagas se abrem pelas aposentadorias de cada magistrado — quando os ocupantes completam 75 anos, idade limite estabelecida pela Constituição.

O presidente que tomará posse em 2027, por exemplo, poderá indicar até quatro dos onze membros da corte mais poderosa do país — 3 vagas que se abrem pelas aposentadorias compulsórias previstas para 2028, 2029 e 2030 — somada a uma vaga já aberta antes da posse.

Quatro em onze. Mais de um terço do Supremo Tribunal Federal.

Mas o número que realmente importa não é esse. É o tempo que esses ministros ficam no cargo depois de indicados, somado à visão de mundo que o ministro indicado carrega para dentro da corte.

Um ministro indicado aos 55 anos permanece na corte por 20 anos. Um indicado aos 50 anos permanece por 25. O ministro empossado mais recentemente tem previsão de permanência até 2050. Isso significa que as escolhas feitas pelo próximo presidente vão moldar as decisões do Supremo até meados do século — décadas depois que esse presidente tiver deixado o cargo.

Na prática, o próximo presidente governa o Brasil por 20 anos. Especialmente num momento em que decisões judiciais têm definido o que pode ser dito, publicado e investigado no país.

Uma das formas mais questionadas de exercício desse poder são as chamadas decisões monocráticas — quando um único ministro, sozinho, sem votação dos demais, define algo que afeta todo o país. Não é um colegiado decidindo. É uma pessoa. Sem eleição, sem mandato fixo, sem aprovação popular. Uma pesquisa da Genial/Quaest mostrou que 66% dos brasileiros querem limites para esse tipo de decisão.

A insatisfação existe. O mecanismo para mudá-la também.

E aqui está o ponto que o debate eleitoral quase nunca toca: nenhum ser humano consegue separar completamente seus valores pessoais de suas decisões. Isso não é crítica — é natureza humana. Um presidente indica para o Supremo pessoas que compartilham sua visão de mundo, sua forma de entender o que a lei permite e o que o governo pode fazer. Não existe indicação neutra. Nunca existiu.

A história confirma esse padrão. Cada composição do Supremo reflete os governos que a construíram. Os valores de quem indica ficam na corte muito depois do mandato acabar.

Uma pesquisa Atlas realizada em março de 2026 mostrou que 60% dos brasileiros não confiam no STF — o maior índice de desconfiança desde que a série histórica começou a ser medida. O Brasil está insatisfeito com a corte que tem. E o próximo presidente vai moldá-la por décadas.

O voto para presidente não é apenas uma escolha sobre os próximos quatro anos de governo. É uma escolha sobre quem vai decidir questões fundamentais para o Brasil até 2045, 2050 e além. Liberdade de expressão. Propriedade. Limites do poder do Estado. Direitos individuais. Essas questões passam pelo Supremo — e o Supremo é composto por pessoas com visões de mundo definidas.

O eleitor informado vota com essa consciência — seu voto vai além do presidente. Decide também quem vai interpretar a Constituição pelas próximas décadas.

A pergunta que cada um deveria fazer antes das eleições não é apenas "quem vai gerir melhor a economia nos próximos quatro anos?" É também: "quais valores esse candidato vai instalar na Suprema Corte do nosso país para as próximas duas décadas?"

São perguntas diferentes. Com respostas que moldam gerações.

Quem entende esse mecanismo para de apenas criticar a Corte. Porque a Corte que temos é o resultado dos votos que demos para presidente. E a corte que teremos nas próximas décadas depende do voto que daremos.

Criticar sem votar com consciência é reclamar da chuva molhando a sala sem fechar a janela. A mudança está nas mãos de quem vota — não de quem apenas observa.

*             O autor, Claudio Apolinario, é articulista e analista político.

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  • Dagoberto Lima Godoy
  • 15 Junho 2026

 

Dagoberto Lima Godoy

               A decisão do governo americano de proibir o acesso de estrangeiros aos modelos mais avançados de Inteligência Artificial da Anthropic  é mais um sinal de que a inteligência artificial deixou definitivamente o campo da livre competição tecnológica para ingressar no território da segurança nacional, da disputa estratégica e da realpolitik.

À primeira vista, há uma contradição evidente. Os Estados Unidos, que fizeram da livre iniciativa uma de suas bandeiras históricas, intervêm agora diretamente na atividade de uma empresa privada, limitando clientes, usuários e até funcionários estrangeiros. O mercado, nesse caso, deixa de ser soberano. A inovação não circula mais segundo a lógica da concorrência, mas segundo a lógica do Estado.

Essa contradição, porém, não é nova. Sempre que uma tecnologia — ou mesmo um conhecimento decisivo — se aproxima do núcleo do poder, a liberdade econômica e científica cede espaço ao interesse estratégico. Foi assim com a própria teoria física que tornaria possível a bomba atômica. O segredo militar não incidiu apenas sobre objetos, máquinas ou materiais; incidiu também sobre fórmulas, pesquisas, cérebros e laboratórios.

A diferença é que agora o objeto da contenção não é uma bomba, um míssil, um chip ou um reator. É um modelo de inteligência artificial: uma capacidade imaterial, replicável, evolutiva e potencialmente acessível a partir de qualquer lugar do mundo.

O argumento oficial é o risco de uso indevido, em operações cibernéticas, manipulação informacional e muito mais. E o pano de fundo  é a disputa entre Estados Unidos e China. De um lado, uma ordem liberal, ainda que cada vez mais defensiva, baseada em empresas privadas, inovação descentralizada, circulação de capitais e hegemonia tecnológica ocidental. De outro, um modelo de capitalismo estatal, disciplinado pelo Partido Comunista Chinês, no qual empresas, universidades, plataformas digitais e planejamento industrial se integram a um projeto nacional de poder.

A IA  tornou-se o território decisivo desse confronto: quem liderar essa tecnologia ganhará vantagem em ciência, defesa, indústria, educação, vigilância, logística e guerra informacional. Por isso, a medida americana é compreensível em termos de realpolitik. Nenhuma potência entrega voluntariamente ao rival uma ferramenta capaz de alterar o equilíbrio global. Nesse sentido, Trump não age apenas como adversário da livre iniciativa; age como representante de um Estado que percebe a IA como ativo estratégico decisivo.

Mas o risco é evidente. Quando tudo passa a ser segurança nacional, a exceção pode virar regra. A proteção legítima pode degenerar em protecionismo. A defesa da vantagem tecnológica pode comprometer a própria abertura que tornou os Estados Unidos líderes em inovação. Além disso, restrições excessivas podem acelerar o esforço chinês de autossuficiência, consolidando dois ecossistemas tecnológicos rivais, fechados e incompatíveis.

O episódio da Anthropic mostra que a nova guerra fria alcança o território da inteligência artificial e o seu efeito disruptor, ainda inimaginável: a IA capaz de reorganizar ciência, economia, cultura, defesa, educação e até a própria relação entre homem, máquina e poder.

Aí está o novo contorno do conflito. As democracias liberais querem preservar mercados abertos, mas descobrem que a abertura, quando assimétrica, pode fortalecer adversários que não jogam segundo as mesmas regras. Ao mesmo tempo, quanto mais recorrem ao fechamento, mais se afastam de seus próprios princípios fundadores.

A inteligência artificial, afinal, não é apenas uma tecnologia: é uma forma emergente de poder. E, quando o poder está em jogo, a livre iniciativa raramente fica sozinha no comando.

*         O autor, Dagoberto Lima Godoy, é Engenheiro Civil

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