Alex Pipkin, PhD
Na segunda-feira, começando a semana, fui assistir a um filme que ainda não tinha visto. Um filme de Costa-Gavras, “Adults in the Room”. Em português, Jogo do Poder.
É um retrato literal da moderna tragédia grega, em que um governo recém-eleito, embalado em discursos progressistas, prometia ser a salvação do povo. Mas o “progressismo do atraso” é sempre igual. Na película, uma verdadeira revolução sem sangue. Na economia, claro, um milagre fiscal sem matemática. Enquanto as cenas passavam, ideias dançavam em minha mente. Não era mais a Grécia. Era o Brasil. Era o lulopetismo em sua plenitude narrativa, bom-mocista, disfarçada de redenção popular.
No filme, o ministro das finanças tenta negociar com a Troika — BCE, FMI e Comissão Europeia — em nome do povo grego. Mas ele logo descobre o óbvio ululante: não há como romper com a realidade sem suportar suas consequências. É impossível melhorar a vida das pessoas sem respeitar os fundamentos da economia. Principalmente, a regra básica da disciplina fiscal.
Aqui, no Brasil, trocamos o ministro da economia por ilusionistas de orçamento, e o rigor contábil por narrativas sentimentais. A política econômica de Luiz da Silva e de seu escudeiro Haddad, é um GPS quebrado, programado para sempre nos levar de volta ao mesmo lugar. Notadamente, o buraco fiscal. Gasta-se como se não houvesse amanhã, tributando-se até o que não se produz. E, quando tudo falha, como aos costumes, eles culpam o mercado.
Austeridade é uma palavra inexistente no vocabulário lulopetista. Dignidade é mera farsa e a soberania é somente para “inglês ver”. O resultado entregue é endividamento, divisão social e a incerteza “gritante”.
Mas essa é só uma parte da história. A outra, mais sombria, mora na Praça dos Três Poderes. O STF opera como o verdadeiro oráculo da democracia fabricada. Alexandre “O Grande”, é a versão pós-moderna de Robespierre com caneta digital, aquele que controla o que pode ser dito, escrito, pensado. Claro, ele o faz em nome do Estado democrático de direito, e da liberdade…
O lulopetismo se apresenta como um governo do povo, para o povo. Na prática, é um regime de concentração institucional, de assistencialismo sufocante e de censura travestida de proteção. Promete inclusão, contudo, entrega dependência. Promete crescimento, mas gera aversão a investimento com sua tributação escorchante e abissal instabilidade jurídica.
Não, não existe milagre econômico quando se destrói a confiança. Fundamentalmente, não há liberdade quando se silencia, de maneira horrenda, o contraditório.
No filme, a Troika age como poder oculto, imune ao voto. Aqui, o STF faz o mesmo, transformando-se num Departamento de Verdades Homologadas. Decide o que é legítimo, o que é moral e quem pode falar. Por óbvio ululante, a esquerda. Já o Executivo mente pelos cotovelos e o Judiciário o blinda. O povo, que o lulopetismo alega proteger, é reduzido a espectador de uma televisão em preto e branco. Não há futuro.
No país chamado Brasil, o populismo distribui esmola com uma mão e censura com a outra. Mas não se preocupem, tudo em nome da democracia. Porém, democracia de verdade exige liberdade, responsabilidade e limites institucionais. Três palavras banidas da política lulopetista.
“Adults in the Room” termina com a rendição dos idealistas. Por aqui não há rendição. O que existe, de fato, é um conluio. STF e lulopetismo não se enfrentam, operando como sócios da grande empresa do Estado aparelhado. O Estado que arrecada, distribui, persegue e censura, tudo sob a farsa do selo do bem comum, devidamente carimbado pela Suprema Corte da moral única.
A farsa está montada e o GPS vermelho continua rodando em círculos. Não há nenhuma novidade, ou seja, a de que povo - do governo “do povo” - não sai do lugar. Como poderia? Pelo contrário.
E os adultos brasileiros? Bem… os adultos saíram da sala. Agora, só restaram os donos da chave.
O script da tragédia vermelho, verde-amarela segue. Tem novos atores, mas sempre o mesmo final. Triste.
Dartagnan da Silva Zanela
Gustavo Corção, em seu livro "As Fronteiras da Técnica", afirma de forma categórica que não teme a bomba atômica. O que ele realmente teme é a mão que segura a caneta, a mão dos políticos e burocratas que determinam os rumos a serem tomados e que afetarão a vida de muitíssimas pessoas.
Lembro-me dessa passagem da obra de Corção devido a um dado que, por razões não tão ocultas assim, não ganhou e não está ganhando a atenção que deveria receber. No caso, é o triste fato de que, segundo pesquisas, os alunos brasileiros seriam os mais indisciplinados, desregrados e licenciosos do mundo.
Esse dado vergonhoso nada mais é do que o resultado da mentalidade que se formou a partir das concepções pedagógicas que norteiam as políticas públicas em nosso país. No correr de décadas, essa mentalidade transformou o espaço escolar em uma terra de ninguém, um espaço instável onde as regras não são claras. Nesse cenário, exige-se de forma atávica que os professores realizem a façanha de educar crianças e jovens que, como direi, praticamente não têm obrigação alguma.
A professora Inger Enkvist, em seu livro "Repensar la Educación", nos chama a atenção para o óbvio ululante: para que a escola possa desempenhar seu papel, é imprescindível que haja um clima de ordem e paz, tendo em vista que aprender exige uma grande dose de esforço, atenção e concentração, e isso não é algo que brota espontaneamente.
Infelizmente, essa necessidade gritante é frontalmente ignorada por políticos, burocratas e doutos diplomados, para infelicidade geral das futuras gerações.
Ora, quando não mais causa escândalo vermos alunos agredindo verbal, moral e fisicamente professores, quando o comportamento displicente deixou de ser visto como algo inapropriado para o ambiente escolar, quando a correção do erro passou a ser vista como "um erro", é sinal de que não mais sabemos a diferença abissal que há entre mimar e educar.
Lembremos: corrigir, muitas vezes, é desagradável. Ser corrigido não é algo confortável, mas sem isso não há educação.
Como nos lembra Ortega y Gasset, em seu livro "Origen y Epílogo de la Filosofia", o respeito pela verdade é a base da cultura. Se não procurarmos encarar de frente esses fatos e repensarmos nossas concepções sobre a educação para corrigirmos o rumo que tomamos, amanhã poderá ser tarde demais, se já não for.
* O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros.
Gilberto Simões Pires
RICOS x POBRES
Nesses últimos dias, depois de ser muito bem instruído pela sua área de comunicação, o presidente Lula passou a investir pesadamente no discurso -RICOS x POBRES-. Segundo as avaliações obtidas até o presente momento, esta estratégia de comunicação, que já ocupa de forma altamente repetitiva as redes sociais, pressupõe que será muito explorada como importante marca eleitoral petista para as eleições de 2026.
CARTILHA COMUNISTA PETISTA
Empolgadíssimo com a ideia, que não por acaso retrata -desde sempre- o que reza a CARTILHA COMUNISTA PETISTA, Lula não só passou a defender o TEMA em discursos oficiais, como ainda fez enorme questão de ser FOTOGRAFADO, na solenidade que participou recentemente no Estado da Bahia, segurando uma placa com os dizeres -TAXAÇÃO DOS SUPER RICOS-. Que tal?
PARTIDO NOVO
Pois, até agora, o único partido político que rebateu a IDEIA PETISTA-COMUNISTA foi o PARTIDO NOVO. Em vídeo, o NOVO publicou a seguinte mensagem, carregada de muita lógica e correção:
“O GOVERNO ESTÁ DIZENDO QUE OS IMPOSTOS NO BRASIL SÃO INJUSTOS, QUE OS RICOS PAGAM POUCO, ENQUANTO OS POBRES PAGAM DEMAIS. ENTÃO, POR QUE ELES NÃO REDUZEM OS IMPOSTOS DOS MAIS POBRES? ELES NÃO ESTÃO PREOCUPADOS COM A JUSTIÇA. ELES ESTÃO PREOCUPADOS EM MANTER OS PRIVILÉGIOS PARA A COMPANHEIRADA".
INJUSTIÇA TRIBUTÁRIA
Mais: junto com o vídeo, o partido NOVO publicou a seguinte mensagem em suas REDES SOCIAIS: “Se estivesse mesmo interessado em -JUSTIÇA-, Lula poderia CORTAR IMPOSTOS SOBRE OS MAIS POBRES. O custo estimado de isentar o Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5 mil é de 25 bilhões. Uma gota no oceano de R$ 2,7 trilhões que o governo federal arrecadou em 2024. Mas nada disso é sobre JUSTIÇA. O que o PT quer é continuar tirando dinheiro da sociedade e entregando para os companheiros. Essa é a verdadeira luta de classes que precisa ser vencida: quem trabalha e carrega o país nas costas contra os companheiros parasitas.” De fato, os lulistas não estão preocupados com “JUSTIÇA TRIBUTÁRIA”, pelo que eles mesmos indicaram ao anunciar o aumento do IOF, que seguem defendendo com unhas e dentes...
Dartagnan da Silva Zanela
A educação, nesta "terra de desterrados", como diria Sérgio Buarque de Holanda, descarrilou de vez e, francamente, quem não percebe isso provavelmente vive no mundo da lua ou na terra do nunca.
É importante lembrar que a falência do sistema educacional não é obra exclusiva de um governo ou fruto específico de um único intelectual. Nada disso, cara-pálida. Esse medonho bebê reborn tem muitos pais e mães que, por um lapso de dissonância cognitiva, não querem nem saber de reconhecer o seu pimpolho grotesco.
Dito de outro modo: da mesma forma que o subdesenvolvimento não é improvisado, como nos ensina Celso Furtado, a antieducação que impera em nosso país é o resultado de uma série de decisões tomadas ao longo dos séculos e, diga-se de passagem, estão sendo muito bem cimentadas pelas opções adotadas nas últimas décadas.
O problema não está presente apenas nesta terra onde há palmeiras [sem mundial] e onde canta o sabiá. O problema está presente em toda a América Latina e, para infelicidade de todas elas, abundam os especialistas que nunca educaram efetivamente ninguém (nem a si mesmos) ou que, literalmente, fugiram da sala de aula, escondendo-se em alguma sinecura. Eles brotam do nada para dizer o que deve ser feito para corrigir os males que afetam o sistema de ensino e arruínam o futuro das tenras gerações, seja por meio de modismos pedagógicos hi-tech ou através de normativas burocráticas sem sentido.
Qualquer um que esteja em sala de aula percebe com clareza cristalina que, infelizmente, praticamente tudo que é apontado como solução por esses indivíduos demonstra o quanto seu olhar sobre a educação está divorciado da realidade. Aliás, essa observação não é feita por este que vos escrevinha, mas sim por Inger Enkvist, professora com mais de trinta anos de experiência e autora de vários livros, como "La educación en peligro", "Repensar la educación" e "La buena y la mala educación".
A professora Enkvist nos chama a atenção para o óbvio ululante: as novas pedagogias são um erro e, para começar a corrigir a rota da educação, é urgente que se restaure a autoridade docente e que as escolas tenham parâmetros claros. Se esse passo não for dado, se a restauração dessas duas colunas não for realizada, a educação continuará, em passo acelerado, nessa longa marcha da vaca para o brejo.
* O autor, Dartagnan da Silva Zanela, éprofessor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros.
Gilberto Simões Pires
META ATINGIDA
Por mais que muitos brasileiros tivessem boa e correta noção de que a volta de LULA e do PT ao comando do PODER EXECUTIVO do nosso empobrecido Brasil custaria, inevitavelmente, muito caro para o Brasil, uma coisa já é mais do que certa e percebida: até aqueles que estavam MAIS DO QUE CONSCIENTES de que o CAOS era o grande e estudado propósito do governo, jamais imaginavam que a -META DE DESTRUIÇÃO- QUE ESTAVA PREVISTA PARA O -MANDATO DE QUATRO ANOS- SERIA ATINGIDA COM TANTA ANTECEDÊNCIA.
TIRANIA EXPLÍCITA
Para tanto, como já está mais do que provado e escancarado, mesmo diante do silêncio comprometedor da comprada MÍDIA TRADICIONAL, LULA E SEUS ALIADOS, desde o primeiro dia de governo trataram de abrir inúmeras e tenebrosas frentes. Com isso, mesmo colhendo algumas poucas derrotas, o fato é que nenhuma delas conseguiu atrapalhar o avanço descomunal daquilo que em todos os lugares do mundo é visto como uma clara TIRANIA.
PODER GARANTIDOR
Como são tantas as -FRENTES DESTRUIDORAS-, a quantidade faz com que muitas delas passem desapercebidas por milhões de BRASILEIROS ESPERANÇOSOS. E aquelas que pelo expressivo tamanho e/ou ferocidade ganham maior indignação da sociedade, aí o governo LULA apela para o -PODER GARANTIDOR- constituído e manifestado PELA MAIORIA DOS MINISTROS DO STF.
ÍMPETO CRUEL
Este, sem tirar nem pôr, é o fétido ambiente que tomou conta do nosso mais do que TIRÂNICO ESTADO BRASILEIRO. Se em passado recente LULA ganhou fama mundial como -PRESIDENTE CORRUPTO-, neste atual mandato, além de colocar o pé no acelerador da CORRUPÇÃO, também foi fundo na GASTANÇA INDISCRIMINADA DE DINHEIRO PÚBLICO. E, com ímpeto redobrado, para satisfazer o seu PRAZER CRIMINAL o presidente está fazendo de tudo e mais um tanto, inclusive com a ajuda do -PODER GARANTIDOR- para impor vigorosos AUMENTOS DE IMPOSTOS. Pode?
Alex Pipkin, PhD
Cheguei em casa entre o rescaldo dos passes da Copa Mundial de Clubes e os dilemas cotidianos dos meus clientes de consultoria empresarial. Gente que acorda cedo, paga impostos e tenta sobreviver ao Brasil real — onde lucro não é pecado e empregar alguém é um ato de coragem. Liguei a TV. Canal 12. A tela piscou. E apareceu o PSOL.
Sim, ele ainda existe. Partido Socialismo e Liberdade. Liberdade, talvez, de ignorar a realidade. Era uma inserção política, mas poderia ser um recorte de arquivo soviético.
Figurino revolucionário de brechó, roteiro com cheiro de mimeógrafo e uma trilha sonora imaginária feita de tambores e indignação embalada a slogans. Lá estavam eles: jovens e nem tão jovens, todos com o semblante grave de quem crê estar refundando o mundo em trinta segundos. Um rapaz de cabelo comprido, do estereótipo psolista, encarava a câmera como quem prestes a redigir um novo manifesto.
Punho cerrado — ainda que apenas na minha cabeça. Porque, no fundo, a diferença entre a teoria socialista e a prática é essa: na teoria, sempre dá certo.
Pedro Ruas entra em cena com o mesmo fervor antigo. "Nosso foco é a taxação das grandes fortunas", declara — como se tivesse acabado de descobrir a fonte da desigualdade mundial no extrato bancário de algum investidor.
E eu, do outro lado da tela, só pude pensar: qual fortuna?
A do sujeito que inventou o iPhone? A de quem criou a máquina de lavar e secar que me devolve horas por semana? O capital que vira solução, conforto, produtividade? Para o PSOL, toda fortuna é suspeita. Todo lucro, imoral. Toda inovação, um problema não regulado.
Eles enxergam riqueza como um artefato guardado num cofre, pronto para ser redistribuído por decreto. Esquecem que capital é como álcool: evapora se mal investido. Some quando punido. E, quando hostilizado, simplesmente... muda de país.
A seguir, a segunda bandeira da noite: "trabalho digno". Um bordão de camiseta universitária, defendido por quem nunca abriu uma empresa, jamais enfrentou um fluxo de caixa ou teve de escolher entre pagar o INSS ou o fornecedor. Falam com doçura normativa sobre salário mínimo, como se fosse antídoto para a desigualdade. Ignoram que ele expulsa jovens do mercado e preserva empregos apenas na aparência — um Jurassic Park trabalhista, onde recriam artificialmente o que a realidade já extinguiu. Mas ainda havia mais.
Roberto Robaina aparece para nos brindar com a palavra da moda: "negacionismo climático". A lógica é sempre a mesma: qualquer crítica ao Estado vira negacionismo. Ontem era o da ciência, hoje é o do clima, amanhã será o da fila de banco. E ainda que haja um fundo de verdade — sim, o Estado fez pouco nas enchentes —, a solução proposta é a mesma de sempre: mais Estado. A máquina falha, e o remédio, claro, é óleo na engrenagem.
Foi aí que senti um torpor. Não de sono, mas de saturação. Desligar tudo e sonhar passou a soar como autopreservação. Sonhar com uma praia afrodisíaca, um vinho tinto encorpado e um mundo onde o PSOL compreendesse o que são incentivos, produtividade, risco — e como tudo isso move a roda do progresso.
Porque, no fundo, eles ainda pensam como uma economia de subsistência. A utopia deles é uma fogueira em torno da qual meia dúzia partilha mandioca e certezas. Serve para um clã. Nunca para um país. Muito menos para o mundo.
A pluralidade é essencial. Mas se empobrece quando um dos lados insiste em repetir, com fervor cego, ideias tão gastas quanto os carimbos de um sindicato dos anos 80.
A TV seguia ligada. A inserção passou. O jogo era passado. O controle remoto, imóvel.
Mas a sensação era de que, ao ligar a televisão, eu não havia apenas voltado no tempo.
Tinha feito escala direta no outro lado da razão.