Artigos do Puggina
Percival Puggina
31/05/2026
Percival Puggina
Diante dos bilhões que as instituições da República passariam a disponibilizar a seus protegidos nos anos seguintes, os números do mensalão (Ação Penal 470) parecem contabilidade de quermesse escolar. Naquele caso, para garantir maioria ao primeiro governo Lula, R$ 104 milhões de reais saídos da publicidade oficial haviam sido fracionados, ao longo de dois anos, como mesadas para parlamentares, à base de R$ 30 mil por cabeça... Banqueiros, publicitários, lideranças políticas e congressistas da envergadura de José Dirceu, José Genoino, Roberto Jefferson, Valdemar Costa Neto, Pedro Correa, João Paulo Cunha (ex-presidente da Câmara dos Deputados), após 53 sessões de julgamento, foram para trás das grades. Por poucas semanas, é verdade, mas foram. O Banco Rural, que operava o esquema, teve dirigentes também presos e foi liquidado pelo Banco Central.
A ideia, porém, nunca foi essa. E continua não sendo essa. As coisas no Brasil não funcionam assim, como se sabe. Por isso, o 27 de fevereiro de 2014 foi o pior dia de Joaquim Barbosa como ministro do STF e como relator da AP 470. Naquela sessão plenária, embargos infringentes apresentados pelos advogados dos réus obtiveram apoio da maioria formada com o ingresso dos novos ministros Teori Zavascki (2012) e Roberto Barroso (2013). Foram excluídas as condenações pelo crime de formação de quadrilha, reduzidas as penas e afastado o cumprimento em regime fechado...
No final daquela sessão, o relator profetizou:
“Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que esse é apenas o primeiro passo. É uma maioria de circunstância que tem todo o tempo a seu favor para continuar sua sanha reformadora". Depois, acrescentou: "Essa é uma tarde triste para este Supremo Tribunal Federal. Com argumentos pífios, foi reformada, foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012”.
A esquerda adota uma política de "cancelamento" da divergência em todo o Ocidente, numa extensão que vai do Parlamento Europeu até as salas de aula aí onde você vive. Essa prática recebe, internacionalmente, o nome de "cordão sanitário". Isolado pelos colegas, três meses depois, Barbosa deixou o Supremo.
Nos dias que correm, o ministro Mendonça já vive isolamento semelhante. Nunes Marques, no TSE, vai pelo mesmo caminho. Os desconfortos se agravarão caso a eleição dos novos senadores no pleito de outubro não conceda sólida maioria à atual oposição. O futuro Senado deve promover uma reforma institucional, colocar cada poder no seu quadrado, restaurar o Estado de Direito e restituir aos brasileiros a liberdade que lhes tomam as canetadas brasilienses.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
24/05/2026
Percival Puggina
Você sabia que nos totalitarismos o Estado aplica força punitiva menor contra alguém que fez algo do que contra coletividades inteiras, apenas por serem o que são? Independentemente de qualquer conduta individual, Robespierre perseguia membros da nobreza, clérigos, monarquistas e girondinos. Lênin e Stalin, cada um a seu turno, faziam o mesmo com intelectuais, empresários e produtores rurais. Hitler eliminava judeus por serem judeus. Mao Tse Tung eliminava professores, cientistas e, claro, líderes religiosos e minorias. Fidel e Che Guevara perseguiam gays, intelectuais e padres.
Quebrados os ovos mais pavorosos da história para fazer trágicos omeletes e com bem nutrido poder, eles derrubavam todos os marcadores, todas as balizas e invadiam a vida privada. Sob o peso de seu braço, nunca houve direito contra a vontade do Estado. Nenhuma dissidência ou divergência era tolerada. Para assegurar-se disso, o aparato estatal protagonizava coerção, disseminando terror na sociedade.
Se você, assim como eu, sofre física, moral e espiritualmente com o padecimento dos injustiçados, com a dor dos perseguidos, e se indigna ante o evidente desejo de perenizar os meios de dominação, chegou a hora da autossuperação! Haverá eleição nacional dentro de quatro meses. Os que jogam com as cartas dessa eleição sabem que a mais importante é a dos novos 54 senadores que se somarão aos 27 remanescentes do pleito de 2022. Não haverá democracia, nem liberdade, nem bom direito, nem boa política, enquanto o poder sem voto continuar sua sanha persecutória contra “bolsonaristas” e “direitistas”, a usar o Direito como estratégia e a redigir a Lei com as próprias mãos.
Na primeira travessia do Delta do Jacuí, há uma parte levadiça para passagem de embarcações. Quando isso acontece, formam-se extensas filas nas pistas de entrada e saída da capital. Certa manhã, fui detido durante operação dessa ponte. Ao retomar a viagem, com os veículos se deslocando lentamente até encontrarem espaço para acelerar, percebi um hiato no fluxo da pista em sentido contrário e avistei, mais adiante, grande concentração de veículos. Passei observando o que detivera o trânsito e o quadro era bem incomum. Havia um motorhome parado no meio das duas pistas; por ambos os lados, alguém tentara passar, mas não conseguira espaço suficiente e deteve quem vinha atrás de si e assim, sucessivamente, todos foram parando. O motorista do motorhome, reclinado no banco, parecia dormir. Fui em frente, rindo do que vira, mas logo deixei de rir ao dar-me conta da lição que ali se proporcionara a todos: uma pessoa parada pode deter uma multidão. Logo, uma pessoa que se mova pode mobilizar uma multidão.
Desculpe-me, caro leitor, mas a hora o exige. O Brasil não aguenta mais quatro anos disso que nos está imposto. Escolha dois bons candidatos a senador, comprometidos não só com seu Estado, mas com a liberdade dos brasileiros e com o fim da tirania das canetas que saíram de todo controle. Trabalhe para eleger esses dois senadores (são dois votos e a liberdade precisa de ambos). Já, agora, mexa-se!
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
17/05/2026
Percival Puggina
Na semana passada, um surto moralista acometeu parcela significativa da sociedade brasileira. Emergências lotadas reportavam casos graves de hipertensão arterial, dispneia, taquicardia, sudorese, distúrbio de sono e por aí vai. A imaculada esquerda brasileira sente-se mal perante a simples menção à palavra escândalo, seja de quem for. Todo fiel da seita criada pelo monge de Garanhuns tem esse compromisso com a santidade e horror a toda forma de pecado.
Se o Brasil tem uma dívida com Lula e seu partido é a régua moral proporcionada por uma vida franciscana, partilhada no convívio seleto com os bons entre os melhores, no Brasil e pelo mundo afora.
Agora, bem..., agora falemos sério. Só há um motivo para a esquerda brasileira se dedicar com tal intensidade à infamante tarefa de destruir a reputação de seus adversários sempre que há uma campanha eleitoral. E eu já acompanhei muitas e posso assegurar, sem medo de errar, que o motivo é este: eles sabem que o eleitor conservador, de direita, diferentemente do eleitor de esquerda, é intransigente com a corrupção. Como regra geral, abalada a confiança, arranhado o cristal, vão-se o vinho, a taça e os votos. Com Lula, passa-se o oposto. Ele só é presidente pela terceira vez e postula a quarta eleição por ser de esquerda. Fosse de direita teria encerrado atividades em 2006.
Flávio Bolsonaro não disse que não está falando com jornalistas e não procurou se blindar. Antes, cobra investigação. Tenho certeza de que, neste caso, não haverá pacotes lacrados nem investigações proibidas, mas muita transparência e muito barulho. Perceberam? Viveríamos numa democracia se fosse sempre assim!
Então, de escândalos em escândalos, chegamos ao que considero o maior da história republicana brasileira. Refiro-me ao que a esquerda fez com nossas instituições! Isso, realmente, causa hipertensão arterial, dispneia, taquicardia, sudorese, distúrbio de sono, indignação, emigração ou êxodo, e por aí vai. O Brasil esquerdista está fazendo, em 24 anos, o que Cuba levou 67 anos para produzir, tornando-se um país em pandarecos. Nada escapa às consequências do aparelhamento pela esquerda! Veja a OAB, a ABI, a ABL, a CNBB. Olhe a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o governo da União, o STF, o TSE. Por fim, observe para quem a corrupção bilionária distribui suas merrecas em forma de milionárias mesadas.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Outros Autores
Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
26/05/2026
Não haverá democracia, nem liberdade, nem bom direito, nem boa política, enquanto, no Senado, uma consistente maioria não restaurar a ordem constitucional no país.
Há um escândalo, o maior de todos, que é a causa de todos os demais escândalos nacionais.
Desconjuntado o sistema de freios e contrapesos, só um poder aperta o freio. E com o pé esquerdo.
E importante não desanimar com as derrotas para não desacreditar das vitórias.
Antigamente, não eram deuses nem semideuses, nem simulacros de Deus.
Motivação é a chave de grande parte dos êxitos eleitorais. Quem mais motiva a oposição brasileira?