Artigos do Puggina
Percival Puggina
30/08/2026
Percival Puggina
Não me venham pedir voto aqueles que aceitaram submeter à tutela de outro poder a representação recebida do eleitor. É sobre nós, eleitores, que tal desprezo converge.
Não me venham pedir voto aqueles que assistiram, impassíveis, a truculência institucional se instalar no país.
Não me venham pedir voto aqueles que, por cargos e emendas parlamentares, arrendaram seus mandatos a um governo que destruiu a economia e proporcionou escândalos em cascata ao voltar para o lugar do crime.
Não me venham pedir voto aqueles com cuja omissão o cala-boca foi ressuscitado, dando origem a uma suposta democracia tão esquisita quanto censurada e silenciosa...
Não me venham pedir voto os que nada viram de ativista, excessivo e truculento nos julgamentos do caso “8 de janeiro”.
Não me venham pedir voto os que jamais abriram a boca para reprovar o silêncio imposto, na campanha eleitoral de 2022, a temas como as más companhias nacionais e internacionais e a vida pregressa do candidato Lula.
Não me venham pedir voto os que, despidos de toda compaixão, não deram qualquer importância aos gravíssimos casos dos cidadãos Filipe Martins, Bárbara Rabelo, Clezão e centenas de outras vítimas de injustiças e ardilosas estratégias.
Não me venham pedir voto os cortesões dos novos donos do poder, que com tudo concordam ou normalizam e a tudo aplaudem até se tornar rotineira a desgraça de tantos.
Não me venham pedir voto os que fogem quando o tema é anistia para os condenados pelo 8 de janeiro ou o encerramento do “Inquérito do fim do mundo”, que há sete anos aponta sempre no mesmo sentido e para o mesmo alvo.
Não me venham pedir voto os que fingem não conhecer causas e consequências das blindagens recíprocas entre senadores e ministros da Suprema Corte.
Não me venham pedir voto aqueles que, com sua submissão, contribuem para o descrédito das instituições.
Não me venham pedir voto os que tremem quando o assunto é eventual impeachment, constitucionalmente previsto, de autoridades da República.
Cuide, como precioso bem, dos seis votos que dará agora nos pleitos de 4 de outubro. Há muitos bons candidatos e as dificuldades nacionais cobram dedicação de muita gente boa. A nação merece viver, em outubro, a alvorada de tempos melhores.
* Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
23/08/2026
Percival Puggina
“Todo poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Lord Acton
Quando o Ocidente, por bons ou maus modos, pôs fim ao absolutismo monárquico, destacaram-se dois modelos de limitação do poder político: o britânico, construído a partir da Revolução Gloriosa de 1688, e o estadunidense, instituído com a independência de 1776. Os artífices desta última conheciam bem o modelo institucional vigente na Inglaterra. Com bom proveito, haviam estudado O Espírito das Leis, que Montesquieu publicara poucos anos antes. Tempos brutos na América, mas quem sabia ler, lia.
Ali estava, também, a tripartição do poder, pondo a funcionar o sistema de freios e contrapesos, para evitar que qualquer deles saísse de controle. Seria a esse modelo que o Brasil aderiria nas suas constituições democráticas, adotando, com igual intuito (o de fracionar o poder político), o federalismo vigente nos Estados Unidos. Só que não. Em momento algum foram providas, no Brasil, as precondições necessárias para a efetiva autonomia dos entes federados. A experiência republicana associou a palavra “federal” à ideia de governo central, do qual dependem, em proporções variáveis, estados e municípios. No encadeamento dessa tradição, foram ganhando força crescente as expressões “federal”, “nacional”, “central”, “geral”, “único”, entre outras. Tal fenômeno reflete a permanência de práticas que concentram o poder político na capital da República – um hábito intoxicante.
Na correspondência que trocou em 1887 com o bispo anglicano Mandell Creighton sobre a responsabilidade moral de líderes históricos, Lord Acton nos proporcionou a famosa afirmação transcrita como introdução a este artigo. Ele não aceitava que a importância de um cargo – de qualquer cargo – sublimasse a condição humana de seu ocupante e alertava contra a tolerância ante os abusos de poder. De suas páginas, parece gritar ao Brasil de hoje: “Parem de abraçar a servidão! Não normalizem aberrações institucionais!”
A literatura de ficção científica produziu obras interessantes sobre revolta das máquinas. Autores providos de gênio criativo conceberam a possibilidade de as máquinas ganharem autonomia e construírem razões autônomas ou aspirarem e lutarem por domínio (como acaba de acontecer de modo autônomo com duas IAs). Ora, se nem o poder das máquinas escapa à sentença de Lord Acton, como poderia fazê-lo o imenso aparelho do poder político brasileiro?
A nação, vertente de onde emana o poder, quis a Lava Jato, amou a Lava Jato, aplaudiu-a com empolgação, e a viu ser objeto de uma campanha de descrédito. Assistiu-a ser destroçada pela máquina do poder. Ainda assim, pesquisa de Genial/Quaest de março de 2024 mostrou que apenas 28% dos entrevistados consideravam que ela “fez mais mal do que bem”...
A corrupção colossal que estamos vendo em Brasília é expressão política e apocalíptica de uma brutal concentração de poder. É sintoma visível da servidão a que fica relegada a nação quando artifícios são montados para perenizar autoridades, posições e acesso a meios abundantes, agindo de modo autônomo e... fora de controle. Só que isso não é ficção científica (nem política), é dura realidade sobre a qual não adianta falar. Tudo foi consumido, consumado e a continuidade da Lava Jato teria evitado.
Brasília, nosso mostruário de excessos, é referência sensível da concentração de autoridades gerando autoritarismo, de poder gerando abuso e de arrogância gerando narcisismo.
* Ilustração ChatGPT
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
16/08/2026
Percival Puggina
Ao contrário do que o título deste artigo pode sugerir, não faço restrição a tudo que não seja de direita. Numa democracia, havendo esquerda, é natural que exista direita e vice-versa. Minha severa restrição se volta à esquerda representada pelo grupo político governante no Brasil, polarizado pelo PT e aos seus reflexos na conduta tantas vezes casuísta e imoderada da cúpula do Poder Judiciário.
Tenho escrito e reiterado em programas de rádio e TV que essa esquerda, ruinosamente, ataca preciosos bens não materiais, espirituais e os conceitos mais relevantes que integram patrimônio intangível de ampla maioria da sociedade brasileira. Mesmo assim, parcela minoritária, mas expressiva, ainda não percebe ou considera irrelevante a destruição provocada por tais ideias e práticas no convívio social, político e econômico.
Em tal contexto, o “politicamente correto” é, simplesmente, um artifício que usa os meios culturais para implementar, sob pressão, as pautas do partido. Este texto pretende fazer uma síntese dos alvos políticos, econômicos, espirituais e culturais na mira da supostamente revolucionária esquerda nacional. A saber:
Deus. Sim, Deus se tornou alvo. A esquerda brasileira não aceita um Deus divergente do partido e uma lei moral que reprove condutas do Estado.
Pátria. Sim, também o amor à Pátria, porque o patriotismo é uma expressão visível do bem comum que é material, de contorno geográfico, mas não exclui o ensino e a experiência dos que vieram antes; por isso, inclui a tradição, a História e a sabedoria herdada – a “democracia dos mortos”, nas belas palavras de Chesterton.
Família. Sim, a instituição familiar é alvo dessa esquerda porque sintetiza a transmissão de princípios e valores que ela combate nas salas de aula e nos demais meios culturais. A família é considerada um agente patriarcal, contrarrevolucionário.
Liberdade. Esse precioso atributo da natureza humana raramente é mencionado pela militância esquerdista, que faz incidir contra ela todo poder que controla, quando tal lhe convém. Por isso a vimos, ano após ano, contida pelo Congresso Nacional, empenhada em controlar a mídia e regular os meios de comunicação; por isso a vimos mudar de alvo, conquistando apoio da mesma mídia quando surgiram as redes sociais.
Vida. O desapreço esquerdista ao valor da vida se manifesta de modo mais nítido quando o alvo é a vida intrauterina em qualquer de suas formas, mesmo na hora do parto. O combate a tão grave direito natural, se reflete nos conceitos sobre o valor do ser humano e no respeito à dignidade alheia.
Dignidade da pessoa humana. Sim, a esquerda não dá resposta satisfatória ao fundamento dessa dignidade. Fora das estreitas fronteiras delimitadas pelos conceitos de “companheiro” e “camarada”, ela simplesmente não sabe o que é isso.
Propriedade. A relação da esquerda com o direito de propriedade envolve duas situações. Numa, seus adeptos privilegiam os bens próprios e cuidam e ampliá-los; noutra, têm por alvo os bens alheios, estimulando invasões, severas tributações e restrições ao uso.
Bondade, beleza, justiça e verdade. Sob controle da esquerda, construções exitosas de uma civilização, com reflexo na cultura e tradição, precisam ser destruídas para parto de uma nova sociedade que, onde ensaiada, fracassou em todas as suas dimensões. Aprenda sobre isso observando o que acontece nas universidades.
Para essa esquerda, nenhum poder ou influência pode sobreviver fora do Estado ou do partido. Estou plenamente convicto da posição que aqui defendo.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Outros Autores
O triste caso de um jornalismo a serviço do Estado.
Sete partidos decidem imitar o cidadão omisso que não se importa com o resultado da eleição e não comparece para votar!
Indignação, revolta, alergia perante manifestações de religiosidade escapam à normalidade.
Como podem apontar o dedo a alguém aqueles que banalizaram o mal em nosso país?
“Guias cegos! Coam um mosquito, mas engolem um camelo.”
Liberdades civis, políticas e econômicas são essenciais à prosperidade social.