Artigos do Puggina
Percival Puggina
17/05/2026
Percival Puggina
Na semana passada, um surto moralista acometeu parcela significativa da sociedade brasileira. Emergências lotadas reportavam casos graves de hipertensão arterial, dispneia, taquicardia, sudorese, distúrbio de sono e por aí vai. A imaculada esquerda brasileira sente-se mal perante a simples menção à palavra escândalo, seja de quem for. Todo fiel da seita criada pelo monge de Garanhuns tem esse compromisso com a santidade e horror a toda forma de pecado.
Se o Brasil tem uma dívida com Lula e seu partido é a régua moral proporcionada por uma vida franciscana, partilhada no convívio seleto com os bons entre os melhores, no Brasil e pelo mundo afora.
Agora, bem..., agora falemos sério. Só há um motivo para a esquerda brasileira se dedicar com tal intensidade à infamante tarefa de destruir a reputação de seus adversários sempre que há uma campanha eleitoral. E eu já acompanhei muitas e posso assegurar, sem medo de errar, que o motivo é este: eles sabem que o eleitor conservador, de direita, diferentemente do eleitor de esquerda, é intransigente com a corrupção. Como regra geral, abalada a confiança, arranhado o cristal, vão-se o vinho, a taça e os votos. Com Lula, passa-se o oposto. Ele só é presidente pela terceira vez e postula a quarta eleição por ser de esquerda. Fosse de direita teria encerrado atividades em 2006.
Flávio Bolsonaro não disse que não está falando com jornalistas e não procurou se blindar. Antes, cobra investigação. Tenho certeza de que, neste caso, não haverá pacotes lacrados nem investigações proibidas, mas muita transparência e muito barulho. Perceberam? Viveríamos numa democracia se fosse sempre assim!
Então, de escândalos em escândalos, chegamos ao que considero o maior da história republicana brasileira. Refiro-me ao que a esquerda fez com nossas instituições! Isso, realmente, causa hipertensão arterial, dispneia, taquicardia, sudorese, distúrbio de sono, indignação, emigração ou êxodo, e por aí vai. O Brasil esquerdista está fazendo, em 24 anos, o que Cuba levou 67 anos para produzir, tornando-se um país em pandarecos. Nada escapa às consequências do aparelhamento pela esquerda! Veja a OAB, a ABI, a ABL, a CNBB. Olhe a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o governo da União, o STF, o TSE. Por fim, observe para quem a corrupção bilionária distribui suas merrecas em forma de milionárias mesadas.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
10/05/2026
Percival Puggina
Há poucos dias, numa entrevista, indagado sobre o encerramento do inquérito dito “do fim do mundo” ou das “fake news”, o ministro Gilmar Mendes afirmou que esse inquérito “vai acabar quando terminar”. Salientou que a investigação segue necessária e “não deve ser encerrada antes do período eleitoral”, pois “o STF tem sido vilipendiado”.
A propósito, há que sublinhar, mais uma vez, que os membros de um poder não são a instituição a que pertencem. As pessoas dos ministros não são o Supremo, como as pessoas dos senadores não são o Senado. Não surpreende que tantos cidadãos não façam essa distinção se os próprios ministros, reiteradamente, incorrem no mesmo erro. E há que reconhecer, também, os dois fatores que dão causa às reações da sociedade. Refiro-me aos excessos que, para salvar a democracia, a tornaram irreconhecível e o silêncio que envolve seriíssimas ocorrências nas entranhas do poder.
Esquece-se, o ministro, de que o inquérito em questão é um concentrado de anomalias: foi instaurado de ofício; viola o sistema acusatório; desrespeita o juiz natural (o relator foi designado e não sorteado); seu objeto é indeterminado e tem servido para uma devassa genérica; não há como incluir a quase totalidade dos investigados num foro (o do STF) cuja natureza é especial por prerrogativa de função.
O leitor destas linhas, que não é bobo, deve ter percebido uma falácia lógica (um non sequitur) na afirmação reproduzida no primeiro parágrafo. O que têm a ver o encerramento de um inquérito e o período eleitoral com o fato de estar, o Supremo, sendo vilipendiado? Nada! A menos que a intenção seja usar o inquérito como instrumento no período eleitoral. Toda essa história é uma narrativa de tragédias pessoais, de pressões psicológicas, de críticas amordaçadas, de interdições, de mandados de busca e apreensão que, recolhendo telefones e computadores, equivalem, em tempos modernos, a mutilação dos investigados. O produto eficaz desse instrumento é a difusão do medo para obter, dos cidadãos, um silêncio de cemitério.
De fato, a violência sofrida por uns intimida os demais. Os danos sofridos por uns estendem seus efeitos para além das vítimas diretas, afetando a população civil e produzindo submissão. Muitos cientistas políticos, sem hesitar, classificariam como terrorismo de Estado a relação entre o instrumento – inquérito – e a finalidade descrita.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
04/05/2026
Percival Puggina
O deputado Marcel van Hattem pode ser constrangido a se afastar do exercício de seu mandato por dois meses. A situação me impõe o dever cívico de declarar que sou eleitor do deputado e a exemplo de milhões de brasileiros em todo o país – não só no Rio Grande do Sul – me sinto representado por sua atuação desde quando, ainda muito jovem, foi eleito para o legislativo gaúcho.
A presença dele não desonrou a Mesa Diretora. Vai muito além do absurdo que a velha mídia e a base governista o afirmem ao mesmo tempo em que desfrutam, como elevada honra, de ver aquele poder presidido pelo inerte deputado Hugo Motta, escravo de seus problemas pessoais.
Muito mais feliz seria a nação e mais bem servida a Justiça como virtude moral se o presidente da Câmara tivesse o mesmo senso de dever do deputado gaúcho. Melhor para o Brasil se Hugo Motta fosse animado pelos mesmos sentimentos humanos que levam o deputado Marcel a tanto se empenhar pelas vítimas do arrastão judicial do dia 8 de janeiro de 2023.
O Brasil precisa escolher entre a liberdade como direito de todos ou como privilégio de uns poucos. O Parlamento se debilita quando a representação popular que se expressa nos mandatos não é respeitada, quando o parlamento acolhe o traidor e o tirano, enquanto condena o rebelde que busca Justiça.
Outros Autores
Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
07/05/2026
Desconjuntado o sistema de freios e contrapesos, só um poder aperta o freio. E com o pé esquerdo.
E importante não desanimar com as derrotas para não desacreditar das vitórias.
Antigamente, não eram deuses nem semideuses, nem simulacros de Deus.
Motivação é a chave de grande parte dos êxitos eleitorais. Quem mais motiva a oposição brasileira?
As novas restrições impostas a Jair Bolsonaro são de total conveniência política ao petismo, ao governo e aos mandachuvas do STF.
Todas as incertezas que rondam o regime e o pleito vindouro são razões e mais razões, motivos e mais motivos para que os cidadãos conscientes se mobilizem e não se abstenham das atividades inerentes à cidadania.