Artigos do Puggina
Percival Puggina
06/10/2026
Percival Puggina
* Para publicação nos dias anteriores à eleição de 4 de outubro, o jornal Poder 360 pediu a alguns autores que respondessem à pergunta sobre em quem votariam para presidente e por que o fariam. Meu artigo foi publicado na edição do dia 30 setembro, sob o título “Por que votarei em Flávio Bolsonaro”. O texto abaixo, sem o primeiro parágrafo ambientado em dias anteriores à eleição, reproduz, na íntegra, o restante do artigo e é inteiramente aplicável ao atual momento político.
Flávio Bolsonaro tem o mais vulnerável adversário que um candidato a presidente gostaria de enfrentar. Qualquer cidadão que preze a Liberdade, a Justiça, a Ordem, o Progresso e a Segurança percebe que Lula, ao longo de sua extensa carreira, nada fez para preservar esses bens pelos quais todo indivíduo sensato tem apreço.
Num curto lapso de 27 anos, o partido que comanda busca a sexta vitória em sete eleições presidenciais havidas neste século. Isto não é produto do acaso. Sem jamais ter lido Nietzsche ou Heidegger, Lula intuiu ou alguém o ensinou que a destruição das estruturas de sustentação de uma sociedade é o melhor meio de dominá-la. Ele nunca escondeu seu sonho de obter e preservar o poder mediante tais instrumentos. São evidências disso:
- A asfixia da Liberdade: A autonomia do indivíduo é constrangida pelo cerceamento da expressão e pelo controle cirúrgico da informação;
- A instrumentalização da Justiça: Os tribunais são convertidos em extensões políticas do Estado, gerando ativismo ideológico e o colapso da segurança jurídica;
- A sabotagem da Ordem: A convivência pacífica e a estabilidade social são tratadas como inimigas estratégicas a serem combatidas;
- O desinteresse pelo Progresso: A prosperidade econômica e o bem-estar são travados para manter os cidadãos dependentes de assistencialismo e reféns do voto de cabresto;
- O colapso da Segurança: O anseio por paz pública não pode ser viabilizado por um corpo político revolucionário que precisa do caos para justificar sua própria existência.
A receita que abastecerá o poder no futuro é a mesma que define o poder no presente. Quanto piores forem as condições de vida numa sociedade, maior será o espaço que ela franqueia a discursos messiânicos e práticas revolucionárias que criam a fome para prometer pratos de comida.
A flacidez da democracia brasileira é produto semipronto da destruição planejada. O voto na oposição não é uma escolha partidária, mas uma barreira democrática, política e moral. Por isso, darei meu voto na candidatura que se revela capaz de antagonizá-la para que se promovam, aqui, as recomendações do Promotor de Justiça Robert H. Jackson no Tribunal de Nuremberg: “O bom senso da humanidade exige que a lei não se limite a punir crimes menores cometidos por pessoas comuns. Ela deve alcançar também aqueles que detêm grande poder e dele fazem uso deliberado e concertado para desencadear males que não poupam nenhum lar no mundo”.
Isso, Lula nunca fez nem fará. Nem ele, nem Hugo Motta, nem Davi Alcolumbre, nem metade do STF, nem a PGR, nem a Faria Lima, nem a falsa intelectualidade brasileira. Só o eleitor o fará, votando no candidato que pode derrubar o castelo de cartas marcadas.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
02/10/2026
Percival Puggina
A democracia brasileira emerge ou naufraga nas urnas de outubro. Se naufragar, eu sei que não verei o fim dos obscuros tempos de corrupção, injustiça, blindagens e doses ainda maiores das quatro patas das tiranias: silêncio, sigilos, censuras e sanções. Você já observou que, nas tiranias, só o aparelho da tirania prospera? Se esse pior acontecer, prepare-se para tempos em que a indigência produzida será o argumento para manutenção do regime. Servirá ao nosso cotidiano, em doses crescentes, o uivo-riso das hienas.
É, portanto, cumprindo dever cívico, que encaminho estas linhas a meus queridos leitores, mais numerosos do que mereço, e aos quais, carinhosamente, chamo de “gente boa”. Por isso, começo colocando-os no topo da lista dos indispensáveis aos quais se refere este artigo. Os bons representantes políticos, tão necessários à nação, estão na razão direta dos bons brasileiros que a eles, com justo discernimento, confiam seus votos.
Este não é um momento para a omissão. Unanimemente queremos esse governo batendo em retirada para maior asseio da política nacional, preservação do interesse público e dos recursos públicos, da liberdade e do regime democrático. Por isso, o maior desejo do marqueteiro de Luiz Inácio é que os eleitores descontentes com ele fiquem em casa, movidos por nojo da política e ... preservando a nojeira no seu estado mais impuro. Já o fizeram em 2022. Quantas vezes naquele ano ouvi de autonomeados intelectuais que não podiam votar no Jair porque um intelectual não poderia pedir votos a alguém tosco como ele! A estes, eu dizia: “Entendo-te. Só votas em alguém tão bom quanto tu, sem perceber quanta vaidade e egoísmo se refletem em tua atitude”. Quanto pesou sobre a nação, nos últimos quatro anos, esse desastroso narcisismo! No viés oposto, o eleitor da esquerda amanheceu na fila porque ele vota. A cabresto, mas vota. E ali estará de novo no dia 4.
Eleitores conscientes, realistas, precisam saber que devem estar atentos e não cometer o grave pecado da omissão, nem a incompetência de jogar bom trigo fora, junto com o joio subserviente e inútil. Muitos dos atuais congressistas, combativos, corajosos, essenciais à oposição brasileira, estão sendo atacados, nestes dias, de modo vil e rasteiro, por uma base multiforme de proteção do governo e de quem quer permanecer sob o benefício da inaceitável blindagem. Por isso, exatamente por isso, são imprescindíveis para o ano que vem e para compor a base parlamentar de um provável futuro governo de Flávio Bolsonaro.
Recomendo, então, consulta ao site “Placar do Congresso” (aqui), que monitora os votos dados pelos deputados federais e pelos senadores. Assim, por exemplo, na lista que contém os nomes de todos os deputados federais, procure pelos de seu Estado e descarte a imensa maioria dos que têm menos de 90% de votos dados à oposição. Em relação ao Senado, onde há muitos e bons candidatos novos, aconselho consultar os que são formalmente apoiados por Flávio Bolsonaro (aqui). São dois votos para eleger dois senadores por Estado. Nova chance para uma ampla renovação só em 2034...
Relaciono, por fim, como sugestão pessoal, os candidatos nos quais votarei aqui no Rio Grande do Sul e acrescento outros que conheço pessoalmente e nos quais também poderia votar se mais votos tivesse a dar):
Presidente – votarei em Flávio Bolsonaro (22)
Governador do RS – votarei em Luciano Zucco (22)
Senado Federal – votarei em Marcel Van Hattem (300) e Ubiratan Sanderson (222)
Deputado Federal – votarei em Felipe Camozzato (3030) e também poderia votar em Fernanda Barth (2210), Osmar Terra (2215), Maurício Marcon (2277), Felipe Pedrí (2228), Jesse Sangalli (2230), Tiago Albrecht (3026), entre outros.
Deputado Estadual – votarei em Ramiro Rosário (30000) e também poderia votar, entre outros, em Giuseppe Riesgo (30500), Guilherme Pasin (11333), Marcus Vinícius (11211), Samila Monteiro (30222), Comandante Nádia (22190), Professor Claudio Branchieri (22777), Rodrigo Cassol Lima (22321), e Matheus Ayres (11500).
Percival Puggina
29/09/2026
Percival Puggina
Para mim é difícil – sabem? – abrir o jornal e ler a recentíssima pesquisa sobre a eleição presidencial. Com 95% de certeza, a instituição que a elaborou reforça constatações anteriores: cerca de metade do eleitorado brasileiro permanece desatenta à necessidade ingente, urgente, intransigente e diligente de resgatar o Brasil do bordel institucional por onde se perdeu na licenciosa noite dos tempos.
Algumas dessas pessoas eu as conheço bem. Debati com elas e sei que, com raríssimas exceções, acordam diariamente para a mistificação. Antes mesmo das redes sociais e dos “influenciadores digitais”, sua fonte era a “cartilha”, expressão aplicada no século passado a boletins partidários contendo orientação para o debate sobre os temas do momento político. Outras, urram e zurram no meio acadêmico quando alguém de seu desagrado vai usar a palavra. São zeladoras incondicionais do sistema parceiro que opera o poder de Estado. Há dezenas de milhões de cidadãos brasileiros vítimas dessa malícia. São ovelhas pastoreadas por lobos a que sequer reconhecem como lobos e aos quais seguem com a docilidade dos realmente inocentes.
Por fim, também votando pela continuidade do que temos aí, há outros muitos milhões, que já entenderam tudo. Sabem chamar o lobo de lobo e o pastor de pastor. Mas entregaram aos lobos sua liberdade e seus votos, sua dignidade e sua honra. Eles sabem dos presos políticos, eles ouviram minúcias sobre o buffet de interesses em torno dos quais são trocadas unhadas retóricas e puxões de cabelo dialéticos. Eles sabem de precedentes criados com os cotovelos, de inquéritos abertos sobre o quadríceps femoral (aquele conjunto de músculos da parte frontal da perna) e de preceitos constitucionais lidos com o tradutor digital das conveniências volúveis.
Mesmo cientes de tudo, eles não se importam! Não se importam com o calvário de Filipe Martins, com Alcides Hahn, doador de um Pix de 500 reais à caixinha de um ônibus que foi a Brasília no 8 de janeiro e virou “mega financiador” do episódio, condenado por cinco crimes a 14 anos de cadeia e multa milionária... Esses eleitores não se sentem ofendidos com o caso de Clezão, que morreu desatendido porque pessoas morrem nas cadeias – certo? Sabem da Débora do Batom, sabem dos refugiados que padecem em algum cativeiro menos indigno, pelo qual optaram por prezar a própria liberdade. E sabem que todos eles – todos eles! – são injustiçados, maltratados, ovos quebrados para que o poder se alimente de uma narrativa sem pé nem cabeça.
E querem manter isso aí? Optam pela mão do Estado, transformado em carrasco, não importa quantos sejam desumanizados para que isso aconteça? Votarei pelas vítimas, pelos ovos quebrados.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Outros Autores
Neste dia da pátria atribulada, pense em outubro. Quando uns usarem a peneira contra o sol dos fatos, use a peneira do seu discernimento para separar o trigo do joio e libertar a nação.
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Indignação, revolta, alergia perante manifestações de religiosidade escapam à normalidade.
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