Artigos do Puggina
Percival Puggina
29/10/2026
Percival Puggina
“Estou vendendo um realejo.
Quem vai levar? Quem vai levar? Quem vai levar?
Já vendi tanta alegria, vendi sonhos a varejo.
Ninguém mais quer hoje em dia acreditar no realejo (...)”.
Chico Buarque, em Realejo
Quem diria, não é mesmo? Em 1967, ano dessa composição, os realejos ainda rodavam nas praças. Hoje, vender sonhos e ilusões é tarefa para um certo jornalismo militante que também entrega, de cambulhada, narrativas, utopias, mentiras e mistificações. Ora ele ganha requintes acadêmicos nas redações onde os fatos, recebidos “in natura”, são reciclados em conteúdo e forma; ora é singela construção artesanal para posterior distribuição através dos assim chamados exércitos de ativistas, como a gigantesca infantaria comandada pelo general Janones.
Os tocadores de nossos realejos quotidianos desenvolveram uma semântica astuciosa em que adjetivos como negacionistas, genocidas, fascistas, terraplanistas são usados para significados aquém e além daqueles para os quais existem e nunca com o intuito de serem entendidos no sentido original. Delírios de linguística orwelliana! Veneno em poção verbal e visual. O mercado de veneno atrai ilustrados e apedeutas.
Uns e outros, para combater a divergência que merecem, recriaram um “antifascismo” sempre pronto a causar dano. Visto de perto, porém, não passa do velho fascismo com estrela vermelha. A Segunda Guerra Mundial ainda não acabara e as nações tomadas da Alemanha pelo Exército Vermelho já amargavam a tirania soviética que dizia combater o fascismo supostamente nelas infiltrado.
O realejo que hoje toca o dia inteiro no Brasil tem como público cativo o cidadão do sofá, previamente descerebrado e anatomicamente formado por corpo, membros e almofadas. Pode haver certa má vontade minha, mas sempre achei mais fácil acreditar em Terra plana do que na Globo, por exemplo. Ademais, querer convencer pela repetição, como acontece no Brasil, desrespeita o público. É assim no adestramento usado por humanos para controlar animais – e nunca ao contrário. Pelo amor de Deus, nunca ao contrário, nunca por animais para controlar seres humanos!
* Imagem ChatGPT
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
24/10/2026
Percival Puggina
Domingo, 25 de outubro de 2026. Para o bem ou para o mal, um dia que jamais esqueceremos. Converge para ele mobilização intensa dos cidadãos. Enquanto se nacionalizam disputas locais, antagonismos nacionais chegam aos bairros. É a política em teses e antíteses tão rudimentares quanto essenciais. A realidade mostra os dentes. Utopias sacodem as nuvens onde habitam e, entre raios e trovões, regam fantasias. Há uma incerteza no ar: a história projeta a perenidade do passado ou um futuro que estende os braços para resgatar a nação dos sofrimentos do tempo presente?
Domingo tem eleição. Enquanto as horas passam em direção a ela, presenciamos o dispersivo vendaval das mentiras e a atividade febril na usina de narrativas. Uma e outra, mentiras em estado bruto e narrativas produzidas com engenhosa mistificação, nos arrastam ao inevitável dilaceramento de laços de confiança preciosos ao convívio social.
A história, contudo, tem vértices. As linhas que a orientam têm pontos de encontro além dos quais não existe continuidade sem mudança. Após esta eleição, a tirania ou tira a roupa e se assume de modo escrachado e despudorado ou cai, para que a soberania popular se afirme, a liberdade abra as asas sobre nós e a democracia seja reconstruída.
Observe a realidade destes dias. Os mesmos que tudo fazem para desacreditar a atividade política e provocar hostilidade entre as pessoas de bem e o processo eleitoral, voltam às ruas após longo e envergonhado retiro para estimular seus próprios eleitores. Tudo fizeram para impor silêncio às ruas, censurar a divergência e restringir nossas liberdades. Transformaram a rede de ensino do país em fabriquetas de militantes, emburreceram o ambiente cultural, saquearam a população por meios diretos e indiretos.
Domingo tem eleição. Não fique em casa. Quem governou o país em cinco das seis eleições deste século nos trouxe ao fundo do poço das possibilidades e a este miserável ponto de ruptura. Dê seu voto à mudança. Aposte na esperança.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Percival Puggina
23/10/2026
Percival Puggina
Ocorreu-me reler os textos que escrevi no período entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial de 2022. Eram, quase todos, artigos críticos à atuação do combo STF/TSE, claramente antagônica ao candidato Bolsonaro, que concorria à reeleição. Dias depois, na cerimônia de diplomação de Lula, ante uma plateia repleta de companheiros em festa, o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, foi aplaudido tão insistente e prolongadamente quanto Lula. Mas com ainda maior entusiasmo. Jamais se viu coisa igual.
Nenhum desses textos (foram 25 entre os dias 2 e 30 de outubro!) mencionava a necessidade de que todos fossem às urnas. Em nenhum me ocorreu advertir que não se abstivessem. Parecia-me que a vida pregressa de Lula, embora proibida qualquer menção a ela, era algo real, tão real quanto suas péssimas companhias na política nacional e internacional. A abstenção/omissão se manteve nos 21% habituais e Lula foi eleito.
Não tenho qualquer interesse que não seja cívico. Sou apenas um pai e avô, consciente de que estou na fila de espera da eternidade. Por isso, do mesmo modo como irei votar apesar de legalmente dispensado, apelo a todos os eleitores para que não sejam cúmplices dos males que possam advir de sua omissão. A destruição da ordem, a barafunda institucional e a corrupção, lavada e deslavada, exigem uma contestação democrática, mesmo que em urnas ainda sem impressoras.
A simples ideia de Lula indicando quatro novos ministros para o STF faz pensar, imediatamente, nos próximos 30 anos! No dia 25, vote Flávio 22 e reze por ele e pelo Brasil.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
* Imagem ChatCPT
Outros Autores
Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
24/10/2026
Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
16/10/2026
Milhões de brasileiros sofrem grave dano psicológico na condição de sequestrados pelo poder que domina o Estado.
Neste dia da pátria atribulada, pense em outubro. Quando uns usarem a peneira contra o sol dos fatos, use a peneira do seu discernimento para separar o trigo do joio e libertar a nação.
Manifesto sobre certos candidatos que lhe pedirão voto. Diga isto a eles. É o que eu direi.
O triste caso de um jornalismo a serviço do Estado.
Sete partidos decidem imitar o cidadão omisso que não se importa com o resultado da eleição e não comparece para votar!
Indignação, revolta, alergia perante manifestações de religiosidade escapam à normalidade.